Do melhor ao pior, ranqueamos os mercados de todos os clubes da Premier League

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Os efeitos da pandemia foram sentidos pelos clubes da Premier League. Mas não tanto quanto se esperava. Ainda foi a liga que mais gastou na última janela de transferências, a principal da atual temporada. Aproximou-se de € 1,4 bilhão, € 400 milhões a menos do que no mercado anterior do verão europeu. O carro-chefe foi o Chelsea que, sancionado, gastou todo o dinheiro que não havia podido gastar, mas outros clubes passaram bem longe de suprir suas necessidades. A seguir, ranqueamos as movimentações de todos os 20 clubes da elite inglesa, do melhor ao pior.

1º – Chelsea

Havertz, do Chelsea (Foto: ALASTAIR GRANT/AFP via Getty Images/One Football)

Compras: € 247 milhões
Principais chegadas: Kai Havertz (Bayer Leverkusen), Timo Werner (RB Leipzig), Ben Chilwell (Leicester), Hakim Ziyech (Ajax), Edouard Mendy (Rennes), Malang Sarr (Nice), Thiago Silva (Paris Saint-Germain)

Vendas: € 76 milhões
Principais saídas: Tiémoué Bakayoko (Napoli), Pedro (Roma), Willian (Arsenal), Rubens Loftus-Cheek (Fulham), Ross Barkley (Aston Villa), Michy Batshuayi (Crystal Palace), Ethan Ampadu (Sheffield United), Marco van Ginkel (PSV)

A moral da história é que economizar pode ser benéfico para momentos difíceis. Não era o plano do Chelsea, foi obrigado a isso por uma punição da Fifa quando ninguém ainda sabia soletrar coronavírus, mas uma temporada sem contratações acabou sendo muito útil. Porque no momento em que todo o futebol europeu contava moedinhas e precisava vender para reinvestir, os Blues estavam com o cofrinho cheio e aproveitaram para pagar menos em alguns jogadores ou contratar outros que talvez perdessem para concorrentes, no geral, mais abastados. Foi como conseguiu atrair Kai Havertz, jovem mais valorizado do futebol alemão, e Timo Werner, pelo qual o Liverpool também estava na briga. Completou os reforços para um ataque que já era o seu ponto forte com Hakim Ziyech, um dos líderes do Ajax. A defesa também recebeu atenção, com Thiago Silva, ao fim de seu contrato com o PSG, e Ben Chilwell, mas ainda parece que falta uma peça, um zagueiro dominante e incontestável, que talvez Silva, mesmo envelhecido, possa vir a ser. Deu tempo até de trazer Edouard Mendy para preservar Kepa Arrizabalaga, em fase instável e sem confiança, e defender uns chutes também.

2º – Everton

Allan recebeu a camisa 6 no Everton (Divulgação Everton FC/ Getty Images)

Compras: € 74 milhões
Principais chegadas: James Rodríguez (Real Madrid), Abdoulaye Doucouré (Watford), Allan (Napoli), Robin Olsen (Roma), Ben Godfrey (Norwich)

Vendas: € 4,4 milhões
Principais saídas: Morgan Schneiderlin (Nice), Kieran Dowell (Norwich), Maarten Stekelenburg (Ajax), Sandro Ramírez (Huesca), Moise Kean (PSG), Theo Walcott (Southampton), Leighton Baines (aposentado), Oumar Niasse (sem clube), Cuco Martina (sem clube)

O que surpreendeu quando o Everton contratou três jogadores muito bons e que se encaixaram imediatamente ao time é que o histórico mais recente depunha contra. Mas James Rodríguez, Allan e Doucouré são um meio-campo pronto, complementar, e que tem atuado neste começo de temporada – sete vitórias em sete jogos – como se carregassem um entrosamento de muitos anos. Se ainda parecia que faltava um zagueiro, o promissor Ben Godfrey foi contratado do Norwich no último dia da janela. No apagar das luzes, por via das dúvidas, trouxe Robin Olsen da Roma para dar um calor em Jordan Pickford, que falhou no fim de semana e não é de hoje que parece meio instável. Outra nota importante do mercado azul são os jogadores que foram embora. Não houve muito arrecadado em vendas, mas a folha salarial se viu livre de algumas âncoras como Morgan Schneiderlin, Maarten Stekelenburg, Sandro Ramírez, Oumar Niasse e Cuco Martina. Ganhou um pouco mais de alívio com os empréstimos de Moise Kean – que Ancelotti até queria manter, mas deixou o garoto ir brincar um pouco com Neymar e Mbappé – e Theo Walcott. Fica até difícil dizer o que ficou faltando. Talvez um jogador mais confiável de lado de campo para poder usar James Rodríguez centralizado. Mas aí já é no terreno do luxo.

3º – Tottenham

Gareth Bale é apresentado pelo Tottenham (Tottenham/divulgação)

Compras: € 98,4 milhões
Principais chegadas: Giovanni Lo Celso (Betis), Sergio Reguilón (Real Madrid), Matt Doherty (Wolverhampton), Pierre-Emile Höjbjerg (Southampton), Carlos Vinícius (Benfica), Joe Hart (Burnley), Gareth Bale (Real Madrid)

Vendas: 13,3 milhões
Principais saídas: Kyle-Walker Peters (Southampton), Jan Vertonghen (Benfica), Juan Foyth (Villarreal), Ryan Sessegnon (Hoffenheim), Michel Vorm (sem clube)

O Tottenham conseguiu o que talvez seja o maior desafio do futebol mundial: fazer um mercado do qual nem José Mourinho pode reclamar. Contratou praticamente tudo que queria, talvez com exceção de um zagueiro para suprir a saída de Vertonghen, mas Eric Dier vem sendo efetivado na linha defensiva. E o melhor é que trouxe jogadores prontos e experientes, bem como o seu treinador gosta. Nem tanto pela idade. Reguilón tem apenas 23 anos, mas é campeão da Liga Europa e tem jogos pelo Real Madrid na bagagem. Matt Doherty, bem estabelecido na Premier League, resolve a outra lateral. Hojbjerg corre que nem um condenado e será importante para o equilíbrio do meio-campo. Deu até para dar mais um trampo para Joe Hart como reserva de Hugo Lloris e contratar o tão aguardado reserva de Harry Kane, embora Carlos Vinícius possa também atuar ao lado do capitão. E fez tudo isso sem gastar muito. Parte importante dos quase € 100 milhões foi para confirmar a compra de Lo Celso, que já estava emprestado ao clube. Esqueci alguma coisa? Ah, sim, claro: o Tottenham também contratou Gareth Bale.

4º – Leeds United

Raphinha, em sua apresentação no Leeds

Compras: € 105,2 milhões
Principais chegadas: Rodrigo (Valencia), Diego Llorente (Real Sociedad), Hélder Costa (Wolverhampton), Raphinha (Rennes), Robin Koch (Freiburg), Illan Meslier (Lorient), Jack Harrison (Manchester City)

Vendas: € 0
Principais saídas: Ben White (Brighton), Jean-Kévin Augustin (RB Leipzig), Gaetano Berardi (sem clube)

Foi, na verdade, melhorando com o tempo. Quando começou o mercado, o Leeds queria muito manter Ben White, zagueiro que estava emprestado pelo Brighton. Não conseguiu. O único negócio de nota era a contratação de Rodrigo, bom atacante do Valencia que ainda vem entrando aos poucos no time porque Patrick Bamford tem feito um bom trabalho – embora não tenha feito tantos gols assim. E aí, pouco a pouco, foi trazendo peças. Robin Koch chegou quase junto a Rodrigo para o lugar de White e depois acrescentou mais um zagueiro (dois 4 x 3 nas primeiras duas rodadas serviram de motivação) com Diego Llorente, ex-Real Sociedad. Por fim, no fechamento da janela, aumentou seu poder de fogo com o talentoso Raphinha, do Rennes. São quatro peças que qualificam o time titular e o elenco já bem entrosado de Marcelo Bielsa. Ninguém importante foi embora, com exceção de White. O Leeds também trabalhou para manter Hélder Costa e Illan Meslier e renovar o empréstimo de Jack Harrison.

5º – Arsenal

Thomas Partey é o novo reforço do Arsenal (Foto: Divulgação)

Compras: € 86 milhões
Principais chegadas: Thomas Partey (Atlético de Madrid), Gabriel (Lille), Pablo Marí (Flamengo), Cédric Soares (Southampton), Willian (Chelsea)

Vendas: € 18,6 milhões
Principais saídas: Emiliano Martínez (Aston Villa), Matteo Guendouzi (Hertha Berlim), Henrikh Mkhitaryan (Roma), Lucas Torreira (Atlético de Madrid)

Era um bom mercado. Com a chegada de Thomas Partey, ficou ótimo. O Arsenal trouxe um pouco de casca e experiência. Willian, apesar do longo contrato de três anos, tem como principal atributo exatamente o que um time com histórico de ser instável precisa: regularidade. Raramente é nota 8, mas também raramente fica abaixo de 6. Sempre bom ter um jogador desses no ataque para acionar quando as coisas estão dando errado. Possui também uma forte bola parada. Partey tem tudo para entrar como uma luva na dupla de meias centrais que Arteta vem utilizando. Tem força, velocidade, poder de marcação, chegada à área, noção do que fazer com a bola e será importantíssimo ao equilíbrio de um time também com histórico de ser desequilibrado. Gabriel Magalhães é um nome de potencial para o futuro e para o presente, e ainda nem deu tempo de ver como Pablo Marí se vira no veloz futebol inglês. Não tratou de todas as carências, mas deu um bom avanço. No mercado de saídas, se livrou do salário de Mkhitaryan e dos problemas de Guendouzi, mas terá que engolir os últimos meses de contrato de Mesut Özil, que não joga desde março.

6º – Aston Villa

Ollie Watkins comemora gol pelo Aston Villa (Rui Vieira – Pool/Getty Images/OneFootball)

Compras: € 82,3 milhões
Principais chegadas: Ollie Watkins (Brentford), Bertrand Traoré (Lyon), Emiliano Martínez (Arsenal), Matty Cash (Nottingham Forest), Ross Barkley (Chelsea)

Vendas: € 0
Principais saídas: Borja Bastón (Leganés), Mbwana Samatta (Fenerbahçe), Orjan Nyland (sem clube)

O último jogo do Aston Villa pode ter viciado um pouco a análise, porque, em um 7 x 2 contra o atual campeão, todo mundo parece craque, mas o Aston Villa trocou as contratações no atacado por negócios pontuais que qualificaram bem o seu time. Emiliano Martínez foi um reforço bem sensível. Resolve o problema no gol até a recuperação de Tom Heaton e, seis anos mais novo, ainda se torna uma solução de médio prazo. Da segunda divisão, vieram os promissores Ollie Watkins – autor de um hat-trick contra o Liverpool – e o lateral direito Matty Cash, do Nottingham Forest. Ambos têm futuro. Para aliviar o pesado fardo sobre Jack Grealish, que na temporada passada cobrava escanteio, corria à área para cabecear, finalizava de todos os lugares, esquentava a água para o chá e ainda dobrava os uniformes, o Villa trouxe Bertrand Traoré, mais força pelas pontas, e Ross Barkley. Barkley não terminou mal a temporada pelo Chelsea, mas se tornou supérfluo com tantos reforços para o ataque. Uma oportunidade que times como o Aston Villa não podem deixar passar.

7º – Newcastle

Callum Wilson e Ryan Fraser, reforços do Newcastle (Divulgação/Newcastle)

Compras: € 38,7 milhões
Principais chegadas: Callum Wilson (Bournemouth), Jamal Lewis (Norwich), Jeff Hendrick (Burnley), Ryan Fraser (Bournemouth)

Vendas: € 275 mil
Principais saídas:
Yoshimori Muto (Eibar), Valentino Lazaro (Internazionale), Danny Rose (Tottenham), Nabil Bentaleb (Schalke 04), Jetro Willems (Eintracht Frankfurt)

Juro que teve gente colocando Mbappé com o uniforme do Newcastle, enquanto a Premier League enrolava para reprovar a venda do clube para o consórcio saudita. Era uma sandice, mas dava uma noção do que a torcida esperava com acesso aos bolsos do príncipe Bin Salman e sem as conteções de custo de Mike Ashley. O negócio foi abortado e o mercado branco e preto não chegou nem perto. Mas foi bom. Foi até um pouco mais do que bom. Com poucos custos, o Newcastle contratou o que havia de melhor em Bournemouth e Norwich, dois times rebaixados. Callum Wilson é um atacante de um gol a cada três rodadas da Premier League – e está com média de um por jogo até agora. Para não ter que descobrir se o faro de gols de Wilson dependia das bolas que recebia de Ryan Fraser, trouxe o ponta também, ao fim de seu contrato. Acertou com o sólido Jeff Hendrick, do Burnley, e comprou o jovem Jamal Lewis, promissor lateral esquerdo que estava na lista do Liverpool. Para um clube com condições financeiras médias e um dono mão de vaca, não dava para ser muito melhor.

8º – Liverpool  

Thiago, do Liverpool (Foto: Divulgação)

Compras: € 79 milhões
Principais chegadas: Diogo Jota (Wolverhampton), Thiago (Bayern de Munique), Konstantinos Tsimikas (Olympiacos)

Vendas: € 41,9 milhões
Principais saídas: Rhian Brewster (Sheffield United), Dejan Lovren (Zenit), Ovie Ejaria (Reading), Adam Lallana (Brighton), Marko Grujic (Porto), Loris Karius (Union Berlim)

O fato de o Liverpool ter contratado um adulto-não-goleiro já torna esse mercado melhor do que o anterior. O fato de que um deles é Thiago torna esse mercado muito melhor do que o anterior. Um dos meias mais talentosos que andam por aí, direto de um título europeu do Bayern de Munique, no qual foi uma das principais peças, ele carrega o potencial de dar uma dinâmica diferente para o meio-campo do campeão inglês, forte, mas muito unidimensional. O preço, menos de € 30 milhões, com variáveis, foi bem convidativo. Aliás, diante das incertezas financeiras causadas pela pandemia, a diretoria baseou sua estratégia em clubes que estavam aceitando crediários. Como o Wolverhampton, que topou um valor de entrada bem baixo para liberar Diogo Jota, importante peça para rodar o ataque e dar descanso a Mané, Salah e Firmino. Kostantinos Tsimikas fará o mesmo com Andrew Robertson. Um time que chegou a deter os títulos da Inglaterra, da Europa e do Mundo ao mesmo tempo ganhou mais algumas peças para aprofundar o seu elenco. Gostaria de ter arrecadado um pouco mais com as vendas. Conseguiu um bom valor por Rhian Brewster, mas se contentou em emprestar Marko Grujic ao Porto e manteve Harry Wilson e Xherdan Shaqiri, outros dois que estavam no mercado.

9º – Manchester City

Ferrán Torres, anunciado pelo Manchester City (Foto: Divulgação/City)

Compras: € 156 milhões
Principais chegadas: Rúben Dias (Benfica), Nathan Aké (Bournemouth), Ferrán Torres (Valencia), Pablo Moreno (Juventus), Yan Couto (Coritiba), Issa Kaboré (Mechelen)

Vendas: € 61,5 milhões
Principais saídas: Leroy Sané (Bayern de Munique), Nicolás Otamendi (Benfica), Tosin Adarabioyo (Fulham), Claudio Bravo (Betis), David Silva (Real Sociedad)

Os mercados do Manchester City são um pouco desesperadores. Todos os anos gasta de € 100 milhões para cima e segue com a sensação de que ainda falta alguma coisa. A prioridade neste foi a defesa, mas o grande-zagueiro-xerifão-dominante que buscava em Kalidou Koulibaly nunca chegou e se resignou em trazer dois jovens. Rúben Dias e Aké têm potencial, são talentosos, mas, em si, não resolvem a vulnerabilidade demonstrada na última temporada. Temos que esperar para ver como Guardiola encaixa todo mundo no campo de treinamento. Ferran Torres substitui Leroy Sané, com características um pouco diferentes, o que também exige certa adaptação. Não houve reposição para David Silva, indicativo forte de que Phil Foden deve finalmente ganhar uma sequência no meio-campo, mas as laterais ainda não passam confiança, nem Rodri como sucessor de Fernandinho, e alguém sabe dizer por onde anda Sergio Agüero?

10º – Leicester

Ünder, novo reforço do Leicester

Compras: € 62 milhões
Principais chegadas: Wesley Fofana (Saint-Étienne), Timothy Castagne (Atalanta), Cengiz Ünder (Roma)

Vendas: € 51,7 milhões
Principais saídas: Ben Chilwell (Chelsea), Adrien Silva (Sampdoria), Rachid Ghezzal (Besiktas)

O Leicester ganha estrelinhas porque repôs bem o único titular que perdeu e ainda fortaleceu pontualmente posições que estavam precisando. A defesa foi fortemente castigada por lesões e suspensões no pós-lockdown. Brendan Rodgers apostou alto (€ 35 milhões) que Wesley Fofana, 19 anos, se tornará um grande zagueiro. De qualquer forma, aprofunda um pouco mais o setor. Do meio para frente, era mesmo necessário um ponta-direita para equilibrar um pouco mais as ações com Harvey Barnes, o que Ayoze Pérez não estava conseguindo fazer. Timothy Castagne toma a vaga de Chilwell na esquerda, mas pode também atuar pela direita, o que aumenta o leque de opções do norte-irlandês. Faltou trazer um atacante mais confiável que Iheanacho para dar algum descanso a Jamie Vardy, mas, como ele ainda não deu sinais de que está precisando, pode esperar um pouco mais. Foi um mercado de poucas movimentações e competente.

11º – Manchester United

Donny van de Beek é o primeiro reforço do United para a temporada 2020/21 (Divulgação/Manchester United)

Compras: € 83,5 milhões
Principais chegadas: Donny van de Beek (Ajax), Alex Telles (Porto), Edinson Cavani (PSG), Amad Diallo (Atalanta), Facundo Pellistri (Peñarol)

Vendas: € 15 milhões
Principais saídas: Chris Smalling (Roma), Alexis Sánchez (Internazionale), Andreas Pereira (Lazio), Diogo Dalot (Milan)

O Manchester United trouxe uns caras, mas, se você passa um mês e meio tentando contratar Sancho ou Dembélé e acaba não contratando nem Sancho e nem Dembélé, pode entender o torcedor que terminou a janela decepcionado. Inclusive porque, apesar de mais um excelente nome para o meio-campo em Van de Beek, e um provável titular para a lateral esquerda em Alex Telles, seguem existindo lacunas importantes no time e no elenco. Cavani, um negócio de ocasião quando ficou claro que nenhum outro rolaria, oferece uma boa opção de homem de área e até libera Martial para a rotação pelo lado, mas o United queria mesmo era alguém mais móvel. A dupla de zaga estava um grande jogador abaixo do ideal e, com a atual má fase de Harry Maguire, a carência parece até maior. Nemanja Matic e Scott McTominay como volantes não estão no mesmo nível dos seus colegas de meio-campo. Pelo menos, se livrou de vez de Alexis Sánchez, o mais péssimo dos péssimos negócios que fez recentemente.

12º – Sheffield United

Brewster, do Sheffield United (Foto: Divulgação)

Compras: € 62,7 milhões
Principais chegadas: Rhian Brewster (Liverpool), Aaron Ramsdale (Bournemouth), Oliver Burke (West Brom), Ethan Ampadu (Chelsea), Max Lowe (Derby), Jayden Bogle (Derby)

Vendas: € 0
Principais saídas: Ravel Morrison (Ado Den Haag), Callum Robinson (West Brom), Luke Freeman (Nottingham Forest), Dean Henderson (Manchester United)

Não tem muita bala na agulha e fez o que dava para fazer. Não tinha como segurar o único titular que foi embora, o goleiro Dean Henderson, emprestado pelo Manchester United, mas o repôs bem com o também jovem Aaron Ramsdale, do Bournemouth. Aumentou um pouco seu poder de fogo com Rhian Brewster, revelação do Liverpool que teve bons seis meses por empréstimo pelo Swansea. Trouxe uma dupla de laterais do Derby County e trocou Callum Robinson por Oliver Burke com o West Brom. Arrebatou Ethan Ampadu por empréstimo do Chelsea. No geral, aumentou as suas opções, perdendo apenas um jogador essencial. Para um clube como o Sheffield United, está bem razoável. 

13º – Wolverhampton

Fábio Silva, novo jogador do Wolverhampton (Divulgação/Wolves)

Compras: € 81,8 milhões
Principais chegadas: Fábio Silva (Porto), Nélson Semedo (Wolverhampton), Ki-Jana Hoever (Liverpool), Marçal (Lyon), Rayan Aït Nouri (Angers)

Vendas: € 80,2 milhões
Principais vendas: Diogo Jota (Liverpool), Hélder Costa (Leeds), Matt Doherty (Tottenham), Rúben Vinagre (Olympiacos)

O Wolverhampton parece um pouco mais fraco do que na temporada passada ou, na melhor das hipóteses, no mesmo lugar. Perdeu dois titulares. Matt Doherty, novo jogador do Tottenham, foi trocado por Nélson Semedo, mais um benefício do plano de fidelidade Jorge Mendes. Semedo é mais virtuoso no ataque e tem potencial, mas é menos confiável que Doherty. Diogo Jota foi vendido ao Liverpool, substituído por Fábio Silva, outro mendesiano. Um atacante estabelecido de Premier League por um garoto de 18 anos. Rúben Vinagre saiu para o Olympiacos, e chegaram outros dois laterais esquerdos da França, Marçal e Aït Nouri. O único acréscimo foi o defensor Ki-Jana Hoever, ex-Liverpool, ainda um garoto de 18 anos. A sensação de que os Lobos não saíram do lugar ou deram um pequeno passo atrás se reflete no saldo do mercado: € 82 milhões em compras, € 80 milhões em vendas.

14º – West Brom

Grady Diangana, do West Brom (Foto: OLI SCARFF/POOL/AFP via Getty Images/One Football)

Compras: € 24,8 milhões
Principais chegadas: Grady Diangana (West Ham), Matheus Pereira (Sporting), Cédric Kipré (Wigan), Branislav Ivanovic (Zenit), Callum Robinson (Sheffield United), Filip Krovinovic (Benfica)

Vendas: € 7,6 milhões
Principais saídas: Oliver Burke (Sheffield United), Jonathan Leko (Birmingham), Nathan Ferguson (sem clube)

É praticamente o mesmo time que conquistou o acesso. Por que não está em último? Primeiro, porque o West Ham e Burnley são imbatíveis. Segundo, porque fez o que precisava fazer antes de qualquer coisa: manter seus principais jogadores que estavam emprestados. Dinheiro foi gasto para contratar Matheus Pereira em definitivo. A cessão de Kravinovic foi renovada, e Callum Robinson ficou em troca de Oliver Burke. O grande lance de seu mercado foi ter conseguido comprar o promissor garoto Grady Diangana, cuja saída eclodiu uma crise nos Hammers. Para ter um pouco mais de experiência em um elenco que tem poucos jogos de Premier League, contratou Branislav Ivanovic, ao fim de seu contrato com o Zenit.

15º – Fulham  

Alphonse Areola, agora no Fulham (Foto: Getty Images)

Compras: € 32,8 milhões
Principais chegadas: Anthony Knockaert (Brighton), Harrison Reed (Southampton), Kenny Tete (Lyon), Ola Aina (Torino), Mario Lemina (Southampton), Antonee Robinson (Wigan), Ademola Lookman (RB Leipzig), Tosin Adarabioyo (Manchester City), Joachim Andersen (Lyon), Alphonse Areola (PSG), Rubens Loftus-Cheek (Chelsea)

Vendas: € 0
Principais saídas: Alfie Mawson (Bristol City), Steven Sessegnon (Bristol City)

O Fulham não contratou mais de dez jogadores como dois anos atrás, quando foi rebaixado com louvor. Mas, olha, chegou perto. Os perfis, porém, parecem diferentes. Alguns jogadores que estavam emprestados foram confirmados e ganharam a companhia de uma molecada com fome, em vez de jogadores mais velhos encostados em clubes grandes. Essa categoria vale apenas para Alphonse Areola, um bom goleiro para segurar a barra de uma defesa que se mostrou bem esburacada até agora. Os primeiros resultados (quatro derrotas, 11 gols sofridos, três marcados), aliás, parecem ter empurrado o clube a se mexer mais do que havia planejado. Especialmente na defesa, que ganhou Joachim Andersen, do Lyon, e o garoto Tosin Adarabioyo, do Manchester City, no dia do fechamento do mercado. Na reta final, o clube londrino também contratou Ademola Lookman e Rubens Loftus-Cheek, dois bons talentos para tentar evitar mais uma queda vergonhosa.

16º – Brighton

Lallana, apresentado pelo Brighton

Compras: € 23,5 milhões
Principais chegadas: Jakub Moder (Lech Poznan), Michal Karbownik (Legia Varsóvia), Andi Zeqiri (Lausanne), Joël Veltman (Ajax), Adam Lallana (Liverpool)

Vendas: € 20,5 milhões
Principais saídas: Anthony Knockaert (Fulham), Aaron Mooy (Shanghai SIPG), Shane Duffy (Celtic), David Button (West Brom)

Chegamos a um terreno em que fica difícil separar times que não fizeram muita coisa. O Brighton ganha pontos por não ter perdido ninguém muito importante e ter feito algum dinheiro com a venda em definitivo de Knockaert ao Fulham. No outro lado, trouxe uma garotada da Polônia e contratou a experiência de Adam Lallana – rezando para ele não se machucar mais – e do zagueiro Joël Veltman, a preço de banana (€ 1 milhão no total). O bastante para não ser rebaixado neste ranking imaginário. Na Premier League, vamos ver.

17º – Crystal Palace

Wilfried Zaha, do Crystal Palae (Divulgação/Crystal Palace)

Compras: € 17,8 milhões
Principais chegadas: Eberchi Eze (Queens Park Rangers), Nathan Ferguson (West Brom), Michy Batshuayi (Chelsea)

Vendas: € 20 milhões
Principais saídas: Alexander Sörloth (RB Leipzig)

O mercado do Crystal Palace ficou elas por elas com apenas uma venda e uma compra. A venda foi o atacante Alexander Sörloth ao RB Leipzig.  O atacante norueguês, sozinho, fez mais gols pelo Trabzonspor na última temporada do que todo o time do Palace. Chega a ser engraçado, mas o dinheiro foi pelo menos bem reinvestido no garoto Eberchi Eze, uma das melhores revelações da última Championship. O Palace também decidiu apostar novamente em Michy Batshuayi para tentar melhorar seu ataque e, principalmente, conseguiu frustrar Wilfried Zaha mais uma vez. Sem muitos interessados em um mercado afetado pela pandemia, terá seu melhor jogador por mais um ano.

18º – Southampton

Walcott, em sua apresentação no Southampton – Foto: Divulgação

Compras: € 40,3 milhões
Principais chegadas: Ibrahima Diallo (Brest), Kyle Walker-Peters (Tottenham), Mohammed Salisu (Valladolid), Theo Walcott (Everton)

Vendas: € 26,3 milhões
Principais saídas: Pierre Emile-Höjbjerg (Tottenham), Harrison Reed (Fulham), Mario Lemina (Fulham), Wesley Hoedt (Lazio), Guido Carrillo (Elche), Maya Yoshida (Sampdoria), Sofiane Boufal (Angers), Cédric Soares (Arsenal)

Não fez muita coisa e ainda perdeu um titular. A venda de Höjbjerg, que havia se tornado um dos pilares do meio-campo, ao Tottenham foi reposta por Ibrahima Diallo, um garoto de 21 anos que estava no Brest. Vamos ver o que rola. Outro jovem da mesma idade, Mohammed Salisu, foi contratado do Valladolid para reforçar a zaga. Kyle Walker-Peters e Theo Walcott são dois excedentes de times mais fortes que podem ajudar um pouco. O melhor foi conseguir se livrar de alguns caros flops. Quer arriscar quanto custaram Wesley Hoedt, Mario Lemina, Guido Carrillo e Sofiane Boufal? Ganha um Chicabon quem falou mais de € 70 milhões. Os quatro estão entre as dez negociações mais caras da história do Southampton e foram emprestados ou dispensados de graça nesta janela. Ok, talvez não tenha sido tão bom assim.

19º – West Ham

Torcida do West Ham protestou contra a diretoria no jogo contra o Watford (Foto: Getty Images)

Compras: € 22,2 milhões
Principais chegadas: Tomas Soucek (Slavia Praga), Vladimir Coufal (Slavia Praga)

Vendas: € 22,8 milhões
Principais saídas:
Grady Diangana (West Brom), Albian Ajeti (Celtic), Roberto (Valladolid), Felipe Anderson (Porto), Pablo Zabaleta (sem clube), Carlos Sánchez (sem clube), Jack Wilshere (sem clube)

O que resta a ser dito? Parecia que não havia maneira de a torcida do West Ham odiar mais os donos do clube, mas nenhum desafio é grande demais para quem tem criatividade e determinação. O garoto Grady Diangana foi vendido por um valor relativamente baixo – € 13 milhões – para o West Brom, o que gerou a revolta das arquibancadas (metafóricas) e até de jogadores do elenco, como o capitão Mark Noble. A promessa é que o dinheiro seria reinvestido para reforçar o time. Nope. A única contratação foi Vladimir Coufal, um lateral direito de 28 anos do Slavia Praga. Só não leva zero porque conseguiu se livrar do contrato de Jack Wilshere.

20º – Burnley

Sean Dyche, do Burnley (Foto: Getty Images)

Compras: € 1,1 milhões
Principais chegadas: Dale Stephens (Brighton), Will Norris (Wolverhampton)

Vendas: € 0
Principais saídas: Jeff Hendrick (Newcastle), Joe Hart (Tottenham), Aaron Lennon (Kayserispor)

Como o West Ham, não contratou praticamente ninguém. Trouxe um meia de 31 anos do Brighton e um goleiro reserva do Wolverhampton porque perdeu dois jogadores da posição. Fica em último porque, além de tudo, ainda deixou sair outros dois que eram bem utilizados, Jeff Hendrick e Aaron Lennon, ao fim de seus contratos. Ou seja, também não arrecadou nada que pudesse ser reinvestido. Não é à toa que Sean Dyche está mais insatisfeito do que nunca. Havia dito durante as rodadas pós-lockdown que o clube precisava esticar um pouco as condições financeiras para fortalecer o time – que usa basicamente os mesmos titulares desde 1963 -, mas, ciente que perdeu a batalha, mudou um pouco o tom. Prometeu que vai continuar tentando administrar o modelo que tem em mãos, o que tem feito com muita competência desde o acesso em 2016, e que a aparente falta de jogadores é exacerbada pelo excesso de lesões.

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