[Vídeo] Assim foi o discurso de Hervé Renard nos vestiários durante o intervalo de Arábia Saudita x Argentina
"Ele nos motivou durante o intervalo, falando coisas que nos davam vontade de comer grama", afirmou o volante Al-Malki
Quem ainda não conhecia o talento de Hervé Renard pôde se render às suas qualidades como treinador nesta terça-feira. O francês possui um currículo recheado de feitos: levou Zâmbia a um inesperado título da Copa Africana de Nações em 2012, liderou também o tão aguardado título da geração dourada da Costa do Marfim na CAN 2015 e botou Marrocos numa Copa do Mundo após 20 anos, em 2018. O trabalho atual à frente da Arábia Saudita se torna tão marcante quanto os anteriores, e a vitória sobre a Argentina na estreia do Mundial leva mais gente ainda a conhecer seu nome. O discurso de Renard no intervalo acabará lembrado pelos sauditas como um dos pontos altos na inacreditável virada por 2 a 1.
Meio-campista da Arábia Saudita, Abdulellah Al-Malki já tinha exaltado a conversa do treinador como um fato decisivo à reação: “Temos um técnico maluco. Ele nos motivou durante o intervalo, falando coisas que nos davam vontade de comer grama. Antes do jogo, na preleção, juro por Deus que eu estava chorando. Ele nos motivou tanto que mal podíamos esperar pelo jogo começar”.
A federação saudita soltou imagens de parte da conversa de Renard com seu time nos vestiários, durante o intervalo. O francês fala em inglês, com o apoio de um tradutor que transmite as ideias em árabe. O comandante enfatiza que o time não botou intensidade suficiente no primeiro tempo e pede um futebol de mais contato, aumentando o tom de voz. Depois, pede para os jogadores manterem a confiança e para terem calma rumo ao momento em que o talento faria diferença. Aconteceu.
Depois da partida, Renard comentou o resultado: “Fizemos história para o futebol saudita, isso ficará para sempre. É a coisa mais importante. Mas temos que olhar para frente – temos dois jogos difíceis na sequência”. O francês está à frente da Arábia Saudita desde 2019. Deu um repertório e uma identidade que não existiam aos Falcões Verdes. Muitos jogadores cresceram de produção com o treinador, num momento em que o próprio Campeonato Saudita recebia mais investimentos.
“Todas as estrelas no céu estavam alinhadas para nós, mas não se esqueça que a Argentina ainda é um time fantástico. Isso é futebol, às vezes coisas totalmente malucas podem acontecer. Quando você vem a uma Copa do Mundo, precisa acreditar em você mesmo. Às vezes o oponente não tem a melhor motivação, isso é normal, também acontece conosco contra adversários menores. Algumas pessoas não entendem, mas você pode imaginar que a motivação contra a Arábia Saudita não é a mesma de quando enfrenta o Brasil”, complementou.
Por conta do bom trabalho, Renard desfruta de uma estabilidade rara na seleção saudita. Desde a década de 1960 um treinador não ficava tanto tempo no cargo – e isso numa lista que inclui Rubens Minelli, Carlos Alberto Parreira, Leo Beenhakker, Otto Pfister, Frank Rijkaard, Edgardo Bauza, Bert van Marwijk e Juan Antonio Pizzi. É um feito particular para Renard, que, embora tenha atuado profissionalmente como jogador do Cannes ao longo dos anos 1980, ao pendurar as chuteiras conciliava o trabalho como faxineiro com a rotina de treinador num clube semiprofissional. Sua carreira à beira do campo prosperou fantasticamente, com o apoio de Claude Le Roy, lendário técnico francês que trabalhou em várias seleções africanas. E ele também abriria sua própria empresa de limpeza industrial.
نمّـلك مدرب عظّيم وكبّييييييير هيرفي رينارد ، وغضب
كبيّر بيِن شوطين مبّاراة السعوديه و فيتنام ????? pic.twitter.com/fIkrkuJ9xd— خلدون بّن مهنا | توكس (@twxx70) September 4, 2021



