Um segundo tempo exuberante garantiu a Holanda na inédita semifinal da Copa Feminina

A Holanda atravessa o momento mais importante de seu futebol feminino. Conquistou a Euro em 2017 e chegava bem cotada à Copa do Mundo. Ainda que a Oranje tenha oscilado em alguns momentos desta campanha, apresenta um futebol essencialmente ofensivo. Faz história, com a classificação inédita às semifinais. O duelo contra a Itália neste sábado, em Valenciennes, era capcioso e realmente permaneceu aberto durante o primeiro tempo. Contudo, as holandesas fizeram uma segunda etapa esplendorosa. Amassaram as italianas e, depois de muitas bolas que não entraram, aproveitaram suas chances a partir de cobranças de falta. Dois gols de cabeça determinaram o triunfo por 2 a 0, que coroa o trabalho da equipe de Sarina Wiegman.
A Holanda começa melhor, mas não mantém
Os primeiros minutos de jogo contaram com a iniciativa da Holanda. A Oranje trabalhava bem a bola no campo de ataque e tentava abrir espaços na defesa italiana. Faltava, porém, um pouco mais de velocidade ao time na definição das jogadas. Logo a Itália começou a se sentir confortável em campo e criou seus perigos, avançando de maneira mais objetiva. A goleira Van Veenendaal precisou trabalhar aos 18 minutos, em uma boa chance de Bergamaschi, que não pegou em cheio na bola e facilitou o trabalho da holandesa.
Os efeitos do calor
O horário do jogo em Valenciennes era bastante ingrato, com o pontapé inicial marcado para 15h. O calor forte afetava o ritmo do jogo, que contou até mesmo com um pedido para a alteração do início. Assim, o duelo deixava a desejar pela falta de ritmo e de ofensivas mais consistentes das equipes. A Itália, de qualquer forma, permanecia melhor. Travava as investidas das holandesas e buscava mais o gol. Giacinti levou muito perigo aos 36, em tiro cruzado que passou rente à trave. Por mais que fosse um embate equilibrado, as italianas exibiam mais consistência, apesar da deficiência nos arremates.
Uma outra Holanda
O segundo tempo mudou completamente em Valenciennes. Tudo porque a Holanda retornou com uma postura diferente. Conseguiu exibir o seu melhor futebol, atacando de maneira mais objetiva e sem medo de arrematar. Logo as oportunidades apareceram aos montes, faltando um triz para que a Oranje saísse em vantagem. Miedema perdeu algumas boas cabeçadas dentro da área, Martens parou na goleira Giuliani e Groenen foi travada por Sara Gama. Van de Donk carimbou o travessão aos 13 minutos, enquanto Spitse ainda bateu uma falta rasteira venenosa, que raspou a trave. O gol parecia questão de tempo.
A merecida vitória
A insistência da Holanda rendeu o primeiro gol aos 25 minutos. Spitse cobrou falta e Miedema não falhou desta vez. Cabeceou firme, para as redes. A Itália não demonstrou poder de reação, sem encaixar suas jogadas, e o volume de jogo permitiu à Oranje matar a partida aos 35. Mais uma vez, de cabeça. Spitse cobrou outra falta certeira, para Van der Gragt definir. Giuliani ainda salvou o terceiro, de Groenen. E quando Giugliano poderia descontar, Van Veenendaal manteve sua meta invicta. Foram minutos finais seguros às holandesas, completando o ótimo segundo tempo.
De cortar o coração
A cena mais comovente no final da partida aconteceu no banco de reservas. Girelli foi uma das melhores jogadoras da Itália nesta Copa do Mundo, mas, lesionada, não pôde enfrentar a Holanda. A partida ainda não tinha terminado, quando a atacante da Juventus se desmanchou em lágrimas. Apesar da excelente campanha da Azzurra na competição, apresentando um futebol consistente, o time não conseguiu conter a força das holandesas.
Na próxima etapa
A Holanda aguarda as vencedoras do duelo entre Alemanha e Suécia nas semifinais. Vale lembrar que, na conquista do Europeu de 2017, as suecas foram eliminadas pela própria Oranje nas quartas de final.
Ficha técnica
Holanda 2×0 Itália
Local: Estádio du Hainaut, em Valenciennes
Árbitra: Claudia Umpiérrez (Uruguai)
Gols: Vivianne Miedema, aos 25’/2T; Stefanie van der Gragt, aos 35’/2T
Cartões amarelos: Elena Linari, Alia Guagni, Valentina Cernoia (Itália)
Cartões vermelhos: nenhum
Holanda: Sari van Veenendaal, Desiree van Lunteren, Stefanie van der Gragt (Anouk Dekker), Dominique Bloodworth, Merel van Dongen; Jackie Groenen, Danielle van de Donk, Sherida Spitse; Shanice van de Sanden (Lineth Beerensteyn), Vivianne Miedema (Jill Roord), Lieke Martens. Técnica: Sarina Wiegman.
Itália: Laura Giuliani, Alia Guagni, Sara Gama, Elena Linari, Elisa Bartoli (Lisa Boattin); Valentina Bergamaschi (Annamaria Serturini), Aurora Galli, Manuela Giugliano, Valentina Cernoia; Valentina Giacinti, Barbara Bonansea (Daniela Sabatino). Técnica: Milena Bertolini.



