Copa do Mundo

Um guia rápido das 16 seleções que chegaram às oitavas de final da Copa do Mundo Catar 2022

O que fizeram aqui, quem foi o principal destaque, quem pintou como uma boa surpresa e o que precisam melhorar

A fase de grupos é o momento mais especial da Copa do Mundo porque envolve todos os 32 países classificados, gera histórias emocionantes e algumas zebras. No Catar, muitas zebras. Ela também marca 75% da Copa do Mundo. Pois é: faltam apenas 16 jogos, os mais importantes e decisivos. Ao longo das últimas semanas, todos os participantes das oitavas de final entraram em campo três vezes e nós acompanhamos essas partidas bem de perto. Mas sabemos que às vezes atividades banais como emprego ou dormir atrapalham a experiência mundialista dos nossos leitores, então preparamos um rápido guia sobre os classificados, com o que aconteceu até agora, destaques e revelações, e o que cada um deles precisa melhorar para chegar o mais longe possível.

Holanda

Cody Gakpo, da Holanda, comemora (Stuart Franklin/Getty Images)

Campanha: 7P, 2V, 1E, 5GP, 1GC
Artilheiro: Cody Gakpo (três gols)
Maior assistente: Davy Klaassen (duas)

Como foi a fase de grupos

A Holanda chegou à Copa do Mundo com uma longa invencibilidade após tirar Louis van Gaal da aposentadoria e com jogadores talentosos em todos os setores. Alguns não viveram grande fase nos últimos meses, principalmente Memphis Depay, responsável por boa parte da criação da seleção holandesa. Por técnico, elenco e alguns resultados recentes, tinha potencial para pensar grande, mas os primeiros jogos não o confirmaram – se alguma coisa, rejeitaram-no. Fez apenas o mínimo necessário para passar às oitavas de final. A estreia contra Senegal foi muito equilibrada e decidida apenas no fim, com dois gols a partir dos 39 minutos do segundo tempo. Não houve tanta preocupação porque era teoricamente o confronto mais difícil, e a Holanda ainda tinha encontrado um jeito de vencer. Contra o Equador, a história foi diferente. Os sul-americanos passaram por cima e mereceram muito mais do que o empate. A impressão é que os europeus deram sorte, principalmente pelo gol marcado aos seis minutos. Os quatro pontos somados, porém, os deixavam em situação muito confortável. Bastava não vacilar contra o Catar, pior anfitrião da história das Copas. Não vacilou, de fato, mas também não aproveitou a fragilidade do adversário para mostrar a sua força. Fez uma partida preguiçosa em que venceu por 2 a 0 sem urgência, sem apertar, sem interesse de golear. Segue com potencial. O que foi exibido até agora, porém, não inspira confiança de que ele será atingido.

O destaque

A Holanda fez cinco gols em três jogos, o que não é ruim e nem bom, mas é um pouco pior porque um de seus adversários foi o Catar – que poderia ter sido goleado como a Costa Rica se caísse em outro grupo. Mas se alguém se salvou no sistema ofensivo laranja é Cody Gakpo, uma novidade relativamente recente que está na seleção há cerca de um ano. Pode atuar como ponta pelos dois lados do campo, embora prefira mais o esquerdo, e como um dos atacantes. Destaque do PSV que está na mira do Manchester United e é candidato à revelação da Copa do Mundo. Fez gol nas três rodadas da fase de grupos e garantiu que qualquer formação ofensiva de Van Gaal comece com seu nome.

A revelação

Van Gaal decidiu não convocar seus goleiros mais experientes, Jasper Cillessen e Tim Krul. Trouxe três que haviam defendido a seleção holandesa poucas vezes. E, de cara, escolheu o menos provável para ser titular, Andries Noppert, do Heerenveen. Revelações geralmente não têm 28 anos, mas esse caso é uma exceção. Apenas na última temporada, pelo Go Ahead Eagles, ele conseguiu ter uma sequência como titular e foi recontratado pelo clube que o revelou. Hoje um dos melhores goleiros da Eredivisie, fez defesas importantes, principalmente contra Senegal, para salvar a sua equipe em seus piores momentos na fase de grupos. Mostrou ter um par de luvas seguro para o mata-mata.

O que precisa melhorar

Van Gaal, como muitos membros da escola holandesa, privilegia um jogo de posse de bola. O que o levou a ter problemas em seu último trabalho antes de pendurar a prancheta é que essa posse de bola foi extremamente lenta e enfadonha no Manchester United, cuja torcida adquiriu o hábito de gritar “ataque, ataque, ataque” em momentos especialmente entediantes. Isso também foi visto com a seleção na Copa do Mundo. A Holanda ficou mais com a bola contra Senegal e Equador, mas criou muito pouco – gols esperados (xG) de apenas 0.77 nas duas partidas. A mesma coisa aconteceu, até pior, contra o Catar, um jogo que os holandeses claramente apenas administraram. É necessário encontrar um equilíbrio. Valorizar a posse é também uma estratégia defensiva à Holanda, para limitar os contra-golpes, mas precisa de mais momentos contundentes e de inspiração no ataque. O retorno de Memphis Depay, titular pela primeira vez na terceira rodada, pode ajudar bastante, em um trio com Gakpo e Davy Klaassen, que parece o mais provável neste momento, se o jogador do Barcelona tiver condições físicas. A defesa parece definida com Jurriëm Timber no lugar de Matthijs de Ligt, mas existe uma posição aberta no meio. Steven Berghuis, Teun Koopmeiners e Marten de Roon revezaram-se como parceiros de Frenkie de Jong.

Estados Unidos

Pulisic marca o gol dos Estados Unidos contra o Irã (ODD ANDERSEN/AFP via Getty Images)

Campanha: 5P, 1V, 2E, 2GP, 1GC
Artilheiro: Timothy Weah e Christian Pulisic (um gol)
Maior assistente: Christian Pulisic e Sergiño Dest (uma)

Como foi a fase de grupos

Depois de não se classificarem para a Copa do Mundo da Rússia, os Estados Unidos não tiveram um ciclo dos mais fáceis. Não correram risco de repetir o fracasso, mas ficaram atrás de México e Canadá e os últimos rendimentos não animaram, com uma equipe que se renovou profundamente nos últimos anos. Gregg Berhalter contava com jogadores talentosos e em clubes importantes da Europa, a maioria jovem, e alguns deles, como Christian Pulisic, em má fase. Os EUA eram um ponto de interrogação e responderam muito bem a todas as perguntas. Fizeram um excelente primeiro tempo contra Gales e a vitória provavelmente teria saído se não fosse um pênalti tonto de Walker Zimmerman depois do intervalo. Deram um calor danado na Inglaterra, criaram mais e não conseguiram marcar. Mantiveram a escrita de nunca terem perdido para os ingleses em Copas do Mundo. A decisão seria contra o Irã, que havia se recuperado da goleada na primeira rodada. Um duelo incendiado por geopolítica. Novamente, os EUA foram muito bem na etapa inicial, mas não conseguiram abrir uma vantagem muito ampla. Tiveram que suar para segurar o resultado nos minutos finais e carimbar a vaga às oitavas de final pela terceira vez consecutiva – pulando 2018, claro.

O destaque

Christian Pulisic fez justiça ao apelido de Capitão América e decidiu dois jogos para os Estados Unidos, com assistência contra Gales e gol no Irã. Machucado, é dúvida para as oitavas de final. Disse que fará todo o possível para estar em campo. Em um time que sofre para transformar chances em vantagem no placar, a sua contundência tem sido importante. Ele é o jogador de maior status da equipe americana e disputou alguns dos maiores jogos do futebol europeu – como a final da Champions League de 2020/21. Mesmo ainda muito jovem, aos 24 anos, traz experiência de alto nível, embora sua transferência do Borussia Dortmund ao Chelsea não tenha dado o resultado esperado. Em vez de um salto de patamar, tem dificuldades para ganhar sequência. Fez 18 jogos nesta temporada, apenas cinco como titular. Mas sem dúvidas é o jogador mais diferente e talentoso dos EUA.

A revelação

Quando o último ciclo começou, Tyler Adams ainda estava na Major League Soccer, mas trocou a franquia de Nova York da Red Bull pela de Leipzig, em 2019, e teve três anos de experiência na Bundesliga, com momentos em que foi mais titular, e momentos em que foi mais reserva. Após salvar o Leeds do rebaixamento, o técnico Jesse Marsch foi buscar o jogador que havia treinado na Alemanha para comandar seu meio-campo. Adams, 23 anos, novo como todo o resto do elenco, dita o ritmo do meio-campo, cobre muitos espaços e, com ótimos números defensivos, dá um equilíbrio essencial ao jogo de alta intensidade dos americanos.

O que precisa melhora

Os Estados Unidos têm problemas nas duas áreas. A zaga é o setor em que há menos talento individual. O veterano Tim Ream, do Fulham, foi acompanhado por Walker Zimmerman, o único titular da Major League Soccer nos dois primeiros jogos. No terceiro, não havia nenhum porque ele foi substituído por Cameron Carter-Vickers, do Celtic. É verdade que a seleção americana levou apenas um gol – após um erro individual. Precisa limitá-los ao máximo se encarar ataques mais poderosos. O da Holanda não está voando, mas é melhor que os de Gales e Irã. E tem que aprender a colocar a bola na casinha. Apenas dois gols foram marcados e, das 28 finalizações desferidas no Catar, apenas sete foram ao alvo. A falta de um goleador nato é uma das lacunas desse elenco. Juntos, Haji Wright, Timothy Weah e Josh Sargent, os três principais centroavantes dos EUA, marcaram dez gols pela seleção. Em seus clubes, Wright e Sargent estão relativamente prolíficos, mas na liga turca e na segunda divisão inglesa, respectivamente. O filho do presidente da Libéria colocou apenas oito bolas nas redes em 81 jogos pelo Lille.

Argentina

Lionel Messi comemora o gol da Argentina (KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP via Getty Images)

Campanha: 6P, 2V, 1D, 5GP, 2GC
Artilheiro: Lionel Messi (dois gols)
Maior assistente: Messi, Enzo Fernández, Di María e Nahuel Molina (uma)

Como foi a fase de grupos

Vamos colocar desta maneira: ainda bem que argentino gosta de um drama. Tudo começou bem. Em menos de cinco minutos de Copa do Mundo, Messi bateu da entrada da área, e Mohammed Al-Owais defendeu. Pouco depois, pênalti para o craque converter e abrir o placar à campeã da Copa América, que caminhava para uma estreia tranquila. O primeiro tempo terminou em frustração por causa de três gols anulados, mas bastava calibrar um pouco a corrida para matar logo a parada contra a Arábia Saudita. Ou não: dois gols relâmpagos dos árabes viraram a partida e, desesperada, a Argentina não conseguiu fazer o seu jogo. Foi derrotada. Um resultado que deixou a seleção em estado de crise. Perder novamente para o México significaria a eliminação precoce, o fim de uma Copa à qual havia chegado entre as favoritas, a última dança de Messi. Lionel Scaloni fez mudanças e nunca houve um primeiro tempo em que a tensão fosse mais concreta do que aquele. Era uma presença física. Apenas um gênio poderia aliviá-la, e foi o que Messi fez, encontrando um chute rasteiro de fora da área. A Argentina ainda precisava confirmar a vaga na partida final contra a Polônia. Finalmente mais leve, conseguiu apresentar um futebol mais condizente com as expectativas e venceu sem problemas para chegar às oitavas de final. Talvez a única partida normal da sua fase de grupos.

O destaque

Não. Ele não jogou nem perto do que pode. Mas a campanha da Argentina tem um divisor de águas muito claro que existiu apenas porque Messi percebeu que o México estava recuando, pediu a bola para Di María na entrada da área, recebeu-a e a mandou para as redes. Uma mistura de inteligência e qualidade técnica que mudou a história da sua seleção na Copa do Mundo. Suficiente para deixar para trás a má atuação contra os sauditas e que foi acompanhada por uma ótima exibição contra a Polônia, movimentando-se bastante, buscando a finalização, deixando os companheiros na cara do gol. Messi não atingiu nem 70% do seu potencial e ainda foi decisivo. Tem muita Copa do Mundo pela frente para tentar ampliar o seu legado na competição.

A revelação

Lionel Scaloni teve o mérito de ser inquieto. Não quis saber depois da derrota para a Arábia Saudita: mudou cinco titulares. E mudou mais alguns para o terceiro jogo. Se pode ser criticado por algo, talvez seja por ter demorado para efetivar Enzo Fernández. O meia do Benfica havia entrado bem contra os sauditas e contra os mexicanos, quando fez o segundo gol, confirmando a vitória. Começou jogando na terceira partida e foi um dos melhores em campo, com destaque para a assistência do segundo tento, marcado por Julián Álvarez, outro que aproveitou as chances que teve. Fez o bastante para nunca mais sair do time e para ser candidato a revelação da Copa do Mundo.

O que precisa melhorar

É difícil diagnosticar uma Argentina que teve uma fase de grupos tão conturbada. O duelo contra a Arábia Saudita foi atípico, entre a linha altíssima de marcação no primeiro tempo, que a campeã sul-americana dificilmente enfrentará novamente, e o desespero do segundo. Contra o México, foi uma questão de manter os nervos sob controle e paciência. A única partida disputada sob condições normais de temperatura e pressão foi contra a Polônia. E nela, a Argentina não teve grandes problemas. Absoluta na defesa, teve um pênalti para abrir o placar no primeiro tempo, criou chances e marcou seus gols naturalmente. Se essa montanha-russa de três jogos apresentou alguma preocupação, foi não se deixar levar pelas emoções quando as coisas começarem a dar errado. A Argentina tem coletivo, elenco e experiência para superar as adversidades.

Austrália

Leckie chuta para marcar o gol da Austrália (Alex Grimm/Getty Images)

Campanha: 6P, 2V, 1D, 3GP, 4GC
Artilheiro: Mitchell Duke, Craig Goodwin e Mathew Leckie (um gol cada)
Maior assistente: Riley McGree e Mathew Leckie (uma)

Como foi a fase de grupos

A Austrália levou grupos mais talentosos a Copas do Mundo do passado e não é que eles conseguiram fazer alguma coisa muito relevante. Este está entre os mais fracos, e a goleada que sofreu para a França na primeira rodada parecia apenas confirmar essa impressão. É verdade que chegou a abrir o placar e causou alguns problemas pegando a bola atrás da linha de meio-campo da campeã mundial. Não apresentou resistência depois disso. Mas vai entender o futebol? Contra a Tunísia, o cruzamento de Craig Goodwin desviou no meio de caminho e foi na direção de Mitchell Duke, que conseguiu um ótimo gesto técnico de cabeça para abrir o placar. A Austrália competiu, marcou, defendeu bem e não precisou mais atacar para vencer. Ainda era improvável imaginar que não sucumbiria à Dinamarca, mesmo que a semifinalista da Eurocopa ainda não tivesse apresentado um futebol decente. Resistiu ao primeiro tempo (sem muito problema), encaixou um contra-ataque com Mathew Leckie e venceu pela segunda vez, aproveitando a apatia europeia. Somou exatamente a mesma quantidade de pontos da França, uma das favoritas ao título, e chegou às oitavas de final apenas pela segunda vez em sua história. Confesso que eu não sei responder exatamente como.

O destaque

O principal mérito da Austrália foi o sistema defensivo e o espírito de equipe para resistir às investidas da Tunísia e da Dinamarca. Mas alguém teria que fazer o gol lá na frente e essa missão coube a Mathew Leckie, que também forneceu assistência para Craig Goodwin vazar a França. Leckie está em sua terceira Copa do Mundo. Tem 31 anos e não aproveitou oportunidades em ligas grandes, sem se firmar em Borussia Mönchengladbach e Hertha Berlim. Ano passado, retornou à Austrália para defender o Melbourne City. Titular em 2014 e 2018, é uma referência técnica de uma seleção australiana cheia de limitações e, se houver um futuro para ela, dificilmente ele não passará por seus pés.

A revelação

A Austrália não tem um elenco tão novo assim, embora tenha se renovado. Espera-se muito do garoto Garang Kuol, acertado com o Newcastle, mas ele teve apenas 16 minutos contra a França. Quem está pintando muito bem é o zagueiro Harry Souttar. Um estilo mais rústico de zagueiro: joga duro, faz o simples, não erra. Nasceu em Aberdeen, na Escócia, e chegou a defender a seleção escocesa nas categorias de base antes de se comprometer com a Austrália. Disputou as Olimpíadas de Tóquio e teve que correr com sua recuperação para participar do Mundial do Catar, após uma grave lesão no ligamento cruzado do joelho. Se a defesa levou a Austrália tão longe, houve uma enorme contribuição do zagueiro do Stoke City, que já chamou a atenção da Premier League.

O que precisa melhorar  

Não tem muito para onde fugir. O elenco é limitado e não brotará talento de um dia para o outro. Então é um pouco difícil dizer que a Austrália precisa ser mais perigosa na frente e encontrar uma maior fluidez ofensiva. O que precisa mesmo é manter o que está dando certo: defesa sólida, muita determinação e competitividade, concentração para se manter na parada até aparecer a janela da vitória. O melhor que pode buscar é, em vez de jogar por uma bola, tentar jogar por duas ou três para aumentar as suas chances de causar uma zebra nas oitavas de final – que, dessa vez, seria gigantesca.

Japão

Doan marca contra a Alemanha (INA FASSBENDER/AFP via Getty Images)

Campanha: 6P, 2V, 1D, 4GP, 3GC
Artilheiro: Ritsu Doan (dois gols)
Maior assistente: Kaoru Mitoma, Ko Itakura e Junya Ito (uma)

Como foi a fase de grupos

Foi uma fase de grupos de momentos. O Japão teve dois, relativamente curtos, em que surpreendeu duas campeãs mundiais e garantiu os pontos para avançar às oitavas de final em primeiro lugar. Não era o que aparecia em seu horizonte nos primeiros 45 minutos. A Alemanha teve o domínio, abriu o placar, criou chances, exigiu defesas de Shuichi Gonda. O Japão não fez nada. Teve uma finalização, nos acréscimos, para fora. As mudanças do técnico Hajime Moriyasu, no entanto, foram certeiras. Kaoru Mitoma, Takuma Asano e Ritsu Doan mudaram o curso da partida e contribuíram para os dois gols em sequência que completaram uma imensa virada. E no geral, foi um excelente segundo tempo dos asiáticos. A vitória contra a Alemanha parecia encaminhar a classificação. Bastaria ganhar da Costa Rica, que aparentava fragilidade após levar sete da Espanha. Mas cada jogo tem a sua história, e o segundo do Japão exibiu a deficiência de um time com dificuldade para criar quando domina a posse de bola e precisa furar defesas mais fechadas. A Costa Rica marcou em seu único chute certo no jogo, contando com falha de Gonda, e ficou com os pontos. A situação ficara difícil. Precisaria ganhar da Espanha para não contar com um tropeço improvável ou vitória magra da Alemanha. Novamente, não pareceu que aconteceria na primeira etapa. A Espanha escondeu a bola (83% de posse) e abriu o placar. Mas o Japão teve outro momento. Ritsu Doan saiu do banco para decidir novamente e comandou a virada para 2 a 1 em três minutos. Uma aplicação impressionante na defesa, que havia demonstrado também na estreia, ajudou a assegurar a vitória e uma classificação histórica, pelo tamanho dos rivais que deixou para trás.

O destaque  

O Japão tem uma espinha dorsal interessante, com vários jogadores que atuam em ligas grandes da Europa. O zagueiro Ko Itakura faz um bom torneio, e Daichi Kamada parece o único intocável do ataque. Mas é impossível não destacar o poder de decisão de Ritsu Doan. O ponta direita do Freiburg, que apareceu ao futebol europeu por Groningen e PSV, empatou os jogos contra Alemanha e Espanha e ainda deu o cruzamento no início da jogada que virou a partida da terceira rodada, o resultado mais importante da Copa do Mundo japonesa até agora. Em sua única oportunidade como titular, não foi tão bem contra a Costa Rica. Talvez o jeito seja mesmo utilizá-lo como arma de segundo tempo.

A revelação  

Quantas oportunidades Moriyasu ainda terá para não escalar Kaoru Mitoma como titular? O atacante de 25 anos foi contratado pelo Brighton ano passado e teve uma temporada emprestado ao Union Saint-Gilloise. Retornou e está começando a cavar o seu espaço na Premier League. Está claro que tem talento. E também como conseguiu colocar fogo nos três jogos do Japão na fase de grupos após ser introduzido no segundo tempo – e como ala, pela esquerda ou pela direita, não como atacante, sua posição natural. Como Doan, pode ser uma questão de não tentar consertar o que não está quebrado, mas Mitoma merecia pelo menos uma chance de mostrar o que pode fazer desde o início.

O que precisa melhorar

Buscar um pouco mais de equilíbrio. Não pode apostar que os próximos adversários também farão apenas um gol se tiverem períodos longos de domínio, como Alemanha e Espanha. Precisa ter um desempenho mais regular durante os 90 minutos. Claro que houve méritos em suas vitórias, principalmente pela maneira como conseguiu defender depois de ficar à frente no placar, mas nem sempre seus reservas produzirão momentos de magia. A derrota para a Costa Rica escancarou outra preocupação: quando o adversário se fecha e não dá espaços para contra-ataque, a seleção japonesa pode ficar um pouco inofensiva. Mas não deve ser uma dinâmica muito comum no mata-mata.

Croácia

Kramaric, da Croácia (Foto: ANTONIN THUILLIER/AFP via Getty Images/One Football)

Campanha: 5P, 1V, 2E, 4GP, 1GC
Artilheiro: Andrej Kramaric (dois gols)
Maior assistente: Ivan Perisic (duas)

Como foi a fase de grupos

Para um time que durante dois jogos e meio não pareceu sob o menor risco de ser eliminado, até que passou bem perto. Mas mais por um grupo que se mostrou mais difícil do que se imaginava do que pelos seus próprios defeitos. A estreia contra Marrocos foi travada. Duas equipes boas tecnicamente que se anularam no setor ofensivo. Poucas chances, poucas finalizações. Animado pela estreia contra a Bélgica, o Canadá foi para cima da Croácia e abriu o placar em dois minutos. A vice-campeã mundial, porém, teve experiência para superar a pressão (meio ingênua) do adversário e paciência para esperar a maré virar. Quando isso aconteceu, construiu a goleada sem precisar suar. A entrada de Marko Livaja como centroavante, liberando Andrej Kramaric para flutuar pelos lados, funcionou muito bem e foi mantida para o duelo europeu com a Bélgica. Esse foi outro jogo equilibrado, como se esperava. A Croácia não foi mal. Teve momentos de superioridade, tocou bem a bola, mas precisava de um pouco mais de capricho no último passe. No segundo tempo, foi encurralada pelo desespero da Bélgica e poderia ter se dado mal se Romelu Lukaku não tivesse perdido tantas chances claras. Mas, no geral, em uma Copa com tantas seleções europeias decepcionantes, a vice-campeã não entrou nessa categoria.

O destaque 

Quem mais? Luka Modric pode não ter gerado fogos de artifício em nenhuma partida ou produzido momentos de magia, mas ficou claro que continua sendo o motorzinho da Croácia, mesmo aos 37 anos. Destacou-se pela capacidade defensiva contra Marrocos e por ser o meia mais lúcido em campo. Na segunda rodada, comandou ao lado de Mateo Kovacic as trocas de passes rápidas para fugir da pressão canadense e foi o melhor do setor contra a Bélgica, com duas finalizações certas, quatro desarmes e muita liderança. Em excelente fase pelo Real Madrid, até superior à de quando foi eleito o melhor jogador do mundo, parece determinado a provar que a campanha na Rússia não foi por acaso.

A revelação

A vice-campeã do mundo precisou passar por uma certa renovação. Nomes como Mario Mandzukic e Danijel Subasic se aposentaram. O setor que mais passou por mudanças foi a defesa. Se Dejan Lovren é o pilar de experiência e faz uma boa Copa, há novidades nas laterais e debaixo das traves. O maior talento que surgiu nesse último ciclo, porém, é Josko Gvardiol. Jovem revelação do RB Leipzig que foi titular pela lateral esquerda na última Eurocopa e está pintando como um dos melhores zagueiros no Catar. Contra a Bélgica, foi responsável por um desarme crucial, aos 47 minutos do segundo tempo, que tirou de Romelu Lukaku o gol que provavelmente seria o da classificação da Bélgica – e da eliminação da Croácia. Não fica mais decisivo do que isso.

O que precisa melhorar

Com exceção da segunda rodada, contra a péssima defesa do Canadá, a Croácia demonstrou um pouco de dificuldade para criar chances claras e colocar a bola nas redes. A defesa está segura, o meio-campo é entrosado e conta com três jogadores de primeira linha, e Ivan Perisic é um tanque pela esquerda. Andrej Kramaric teve um excelente jogo contra os canadenses, mas não é um artilheiro tão confiável. Marko Livaja ganhou a posição de centroavante e a está executando mais como um operário do que como um virtuoso. Isso pode ser um problema nos jogos de margens pequenas do mata-mata. Se os laterais pudessem acertar um pouco mais os seus cruzamentos, eu acho que também ajudaria.

Brasil

Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images/One Football

Campanha: 6P, 2V, 1D, 3GP, 1GC
Artilheiro: Richarlison (dois gols)
Maior assistente: Vinícius Júnior e Rodrygo (uma cada) 

Como foi a fase de grupos

Um jogo duro logo na estreia. A Sérvia tem jogadores de qualidade e fortes fisicamente que conseguiram complicar os primeiros 45 minutos. Tite entrou com Lucas Paquetá ao lado de Casemiro, Vinícius Júnior e Raphinha pelas pontas, e Neymar solto para flutuar. Apesar de alguns bons momentos, principalmente em jogadas individuais de Vini, faltou trabalhar mais pelo meio e o intervalo chegou após poucas chances. Neymar não estava em sua melhor noite, mas foi decisivo: arrancou pelo meio, atraindo atenções, e Vinícius bateu para defesa de Milinkovic-Savic. Richarlison marcou no rebote e depois emendou aquele golaço para a assegurar a vitória. Más notícias, porém: o lateral direito Danilo e Neymar machucaram o tornozelo e foram desfalques pelo menos até as oitavas de final. O Brasil enfrentou a Suíça com Éder Militão na direita, e Fred de volta ao meio-campo. Não deu tão certo, e Tite foi mexendo. Colocou Rodrygo, Bruno Guimarães, Gabriel Jesus e Antony. O gol finalmente saiu em uma jogada à Real Madrid, com Vinícius e Rodrygo armando e Casemiro finalizando. Classificada, a Seleção entrou com os reservas e fez um jogo mais morno contra Camarões, com a estreia de Daniel Alves e destaque para Gabriel Martinelli. Perdeu muitas chances, e a sua invencibilidade. Correu um pequeno risco de ficar em segundo lugar e enfrentar Portugal, mas avançou como líder.

O destaque

Neymar seria um candidato natural, mas jogou apenas a estreia e nem foi tão bem assim, embora tenha participado do primeiro gol. Quem brilhou tanto naquela partida quanto na segunda, perfeito na cobertura, acertando a trave de longa distância, chegando na intermediária para armar com passes precisos, foi Casemiro. Não importa a formação do meio campo do Brasil. Ela sempre terá o volante do Manchester United, com uma qualidade excepcional de dar equilíbrio jogando ao lado de Fred, Lucas Paquetá ou Bruno Guimarães, com laterais defensivos, construtores ou no meio do caminho. Casemiro está em todos os lugares e, no Catar, também está abrindo a caixa de ferramentas ofensivas. Fez um lindo gol para arrancar a vitória sobre a Suíça.

A revelação  

Rodrygo ainda é um garoto de 21 anos que deu um salto de qualidade em 2022. Reserva do Real Madrid, saiu do banco para decidir partidas enormes da Champions League e assumiu a responsabilidade de ser o reserva de Karim Benzema. Na Copa do Mundo, sua missão foi tão grande quanto porque parece ter sido eleito o substituto de Neymar, por ter características que se encaixam na função do camisa 10: inteligência e técnica para flutuar entre os pontas e o centroavante, como mostrou na assistência para o gol de Casemiro contra a Suíça. Foi um pouco pior contra a Suíça, e Tite tem outras opções se Neymar não retornar nas oitavas de final. Mas de qualquer maneira, Rodrygo se acostumou a entrar durante as partidas e mudar o curso da história.

O que precisa melhorar

Os problemas físicos não estão ajudando. Além de Neymar, um jogador único, não apenas em qualidade, e impossível de ser substituído à altura, todos os laterais convocados, com exceção de Daniel Alves, sofreram alguma lesão, mais ou menos séria. O Brasil demonstrou uma solidez defensiva impressionante. Apenas com os reservas, no fim do primeiro tempo da terceira partida, sofreu seu primeiro chute ao gol – muito bem defendido por Ederson. Quando está em vantagem, é um rolo compressor com seus atacantes rápidos, habilidosos e goleadores. A questão está na construção contra times fechados, o que não é um dilema exclusivo ao Brasil. Não foi tão fácil furar os bloqueios de Sérvia e Suíça. Que tenha conseguido é um grande mérito da organização ofensiva de Tite, que será cada vez mais testada durante o mata-mata.

Coreia do Sul  

Son Seung-min, da Coreia do Sul, chora ao comemorar vitória da Coreia do Sul (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Campanha: 4P, 1V, 1E, 1D 4GP, 4GC
Artilheiro: Cho Gue-sung (dois gols)
Maior assistente: Kim Jin-su, Lee Kang-in e Son Heung-min (um)

Como foi a fase de grupos 

A Coreia do Sul deixou para os últimos minutos o gol que a colocou nas oitavas de final da Copa do Mundo. E nem era previsível porque a sua participação estava entre mais fracas no Catar. Ficou em um 0 a 0 modorrento contra o Uruguai. Os sul-americanos fizeram pouca coisa, e o jogo estava disponível para ser vencido. A Coreia não conseguiu fazer isso. Com o ponto, ficaria em uma boa posição se ganhasse de Gana, o que também não aconteceu. Uma reação relâmpago com dois gols do centroavante Cho Gue-sung no segundo tempo empatou o duelo, mas a defesa voltou a vacilar, e Mohammed Kudus voltou a marcar. A Coreia do Sul chegou à rodada final contando com o Uruguai – que não podia ganhar por muito – e precisando vencer Portugal. Foi vazada por Ricardo Horta aos cinco minutos, mas conseguiu dar a volta por cima contra os reservas escalados por Fernando Santos e, aos 46 da etapa final, Son Heung-min puxou um lindo contra-ataque e soltou na medida para o gol de Hwang Hee-chan. E a vaga veio.

O destaque

Son Heung-min fraturou o rosto antes da Copa do Mundo. E realmente não parece ter chegado em suas melhores condições. Usando máscara para se proteger, fez duas partidas apagadas, nas quais pouco finalizou. Parecia mais preocupado em se movimentar, abrir espaços e acionar os companheiros. Um altruísmo louvável, mas a Coreia do Sul precisa da sua finalização para ser mais perigosa. Mesmo com problemas, foi de Son o brilhantismo da jogada da classificação. Puxou o contra-ataque, não se desesperou diante da barreira de portugueses à sua frente e soltou na medida para o Hee-chan marcar.

A revelação  

Lee Kang-in ganhou as manchetes quando foi Bola de Ouro do Mundial Sub-20 de 2019. Demorou para encontrar seu espaço no futebol de clubes e está começando a se firmar apenas nos últimos meses pelo Mallorca. Sempre foi uma promessa talentosa para o futuro da seleção sul-coreana, mas Paulo Bento tinha preocupações com sua aplicação defensiva. O desarme antes de dar o cruzamento para o primeiro gol contra Gana parece tê-lo convencido. O garoto foi titular contra Portugal e pode ampliar o leque de criatividade da Coreia do Sul.

O que precisa melhorar  

O mais urgente é tirar o melhor de Son. Ele não teve tantas chances claras contra Portugal, mas pelo menos finalizou cinco vezes, mais que o dobro das duas rodadas anteriores. Embora seja importante não jogar apenas em função do atacante do Tottenham, ele está entre os mais perigosos do mundo e precisa ser colocado em posição para decidir. Do contrário, o ataque sul-coreano pode parecer um pouco travado. A entrada de Hwang Hee-chan, com físico para brigar com os zagueiros e segurar a bola, pode ser importante para finalmente liberar o melhor futebol do craque da Coreia do Sul.

Inglaterra

Bellingham, da Inglaterra (Foto: Clive Brunskill/Getty Images/One Football)

Campanha: 7P, 2V, 1E, 9GP, 2GC
Artilheiro: Marcus Rashford (três gols)
Maior assistente: Harry Kane (três)

Como foi a fase de grupos

Sempre sob desconfiança, com razão, a Inglaterra deu um bom sinal na primeira rodada. Contra um time treinado por Carlos Queiroz, famoso por montar defesas fechadas e bem organizadas, abriu o placar sem muita demora, com Jude Bellingham entrando na área, e foi avassaladora no restante da partida. A vitória por 6 a 2 deixou os ingleses confiantes, apesar de alguns vacilos defensivos. A segunda rodada erodiu um pouco dessa confiança. Os Estados Unidos foram melhores, não apenas na criação de chances, mas dominando o meio-campo e passando por cima em velocidade e intensidade. De qualquer maneira, a Inglaterra estava muito bem posicionada para avançar às oitavas de final pela goleada na estreia. Teria que sofrer uma derrota histórica contra Gales, que mal tinha chance de avançar. Os galeses tentaram apenas se defender. Conseguiram por 45 minutos, mas um gol de falta de Marcus Rashford abriu o caminho para a vitória por 3 a 0. Semifinalista da Rússia e vice-campeã da Eurocopa, a Inglaterra chegou ao Catar como uma das possíveis candidatas, em um segundo grupo atrás de Brasil, França e Argentina, e a primeira fase não serviu nem para confirmar e nem para rejeitar esse status.

O destaque  

Ele é o atual artilheiro da Copa do Mundo e ainda não fez gol. Mas a maneira como o sistema ofensivo da Inglaterra gira em torno de Harry Kane não pode ser ignorada. Principalmente no jogo contra o Irã, o mais importante da classificação, o centroavante do Tottenham jogou praticamente como camisa 10. Não é novidade que sabe fazer isso, mas privilegiou a função de armador. Deixou seus companheiros na cara do gol e deu duas assistências naquela partida. Seguiu nesse papel contra Gales, com o passe para o segundo gol, de Phil Foden. Alguma hora, Kane terá que começar a colocar a bola na rede para a Inglaterra atingir todo o seu potencial, mas por enquanto ele está se contentando em ser garçom.

A revelação

Gareth Southgate gosta de jogar com dois volantes. Durante a maior parte do ciclo, eles foram Declan Rice e Kalvin Phillips, ou Jordan Henderson, quando não estava machucado. Às vésperas da Copa do Mundo, porém, também pela lesão de Phillips, Jude Bellingham ganhou espaço. Ele não é tanto um volante. É um meia central completo, com atributos defensivos, mas criatividade e qualidade técnica para construir e entrar na área. Bellingham foi mantido como titular e brilhou na estreia contra o Irã. Garoto prodígio que teve sua camisa aposentada no Birmingham após uma temporada como adolescente, está se desenvolvendo no Borussia Dortmund e em breve pintará em uma transferência milionária.

O que precisa melhorar

O problema com a Inglaterra sempre foi encontrar uma fluidez maior no ataque. Ela apareceu contra o Irã e nem tanto nos outros dois jogos, embora Gales tenha sido despachado sem cerimônias. A entrada de Bellingham, um meia mais dinâmico, teoricamente ajuda, e o sistema defensivo de Senegal será um teste duro para a capacidade inglesa de criar contra defesas fechadas. Southgate deu chances a Marcus Rashford e Phil Foden contra os galeses e ambos brilharam, principalmente o atacante do Manchester United. A zaga era uma preocupação pela fase de Harry Maguire, que errou no pênalti que gerou o segundo gol iraniano, mas depois foi um dos melhores em campo contra os EUA.

Senegal

Kalidou Koulibaly, capitão de Senegal (CHARLY TRIBALLEAU/AFP via Getty Images)

Campanha: 6P, 2V, 1D, 5GP, 4GC
Artilheiro: Ismaïla Sarr, Famar Diédhiou, Kalidou Koulibaly, Bamba Dieng e Boulaye Dia (um gol cada)
Maior assistente: Ilmain Ndiaye e Ismail Jakobs (uma cada)

Como foi a fase de grupos

O corte de Sadio Mané foi um baque. Não apenas às questões táticas e técnicas, mas também anímicas. Ainda assim, Senegal conseguiu incomodar bastante a Holanda na estreia. Travou, pressionou, ganhou o meio-campo. O goleiro Andreas Noppert foi um dos destaques, mesmo que os africanos não tenham produzido tanto. Nos minutos finais, Cody Gakpo se antecipou a Mendy, e Klaassen matou o jogo nos acréscimos, em falha do goleirão do Chelsea. A derrota não mudava tanto o panorama para Senegal. Ganhar do Catar era obrigação: dominou completamente o primeiro tempo, abriu 2 a 0, deu uma leve relaxada depois do intervalo e foi vazado, mas ampliou para 3 a 1 para somar seus primeiros pontos. Com o empate do Equador com a Holanda, os sul-americanos teriam a vantagem no confronto direto. Tentaram aproveitá-la com uma postura mais cautelosa desde o início e foram castigados. Ismaïla Sarr sofreu e converteu pênalti, a minutos do intervalo. O Equador chegou a empatar, mas Kalidou Koulibaly arrancou a vitória e a vaga para Senegal.

O destaque

Com a ausência de Mané, a responsabilidade de liderar Senegal apenas cresce para Kalidou Koulibaly. O segundo maior nome do país é um excepcional zagueiro que passou quase uma década no Napoli antes de acertar com o Chelsea no começo dessa temporada. Capitão, terceiro jogador com mais partidas pela seleção no Catar e o líder do setor mais importante para o sistema de Cissé. E ainda foi para a área marcar o gol da classificação contra o Equador

A revelação

Aquele caso de jogador que vai ganhando a posição ao longo da competição. Iliman Ndiaye havia feito apenas duas partidas por Senegal antes da Copa do Mundo, sem nem atingir meia hora em campo. Chegou novinho às categorias de base do Sheffield United e está se destacando na Championship nos últimos 18 meses. Nem saiu da reserva contra a Holanda, fez um bom salseiro em 15 minutos na vitória sobre o Catar e foi titular na partida decisiva contra o Equador. Teve uma boa apresentação e, em um time que precisa de mais imprevisibilidade no ataque, sua postura arisca pode ser importante.

O que precisa melhorar

Por mais longe que chegue, o campeão africano sempre se perguntará o que poderia ter acontecido se Sadio Mané pudesse jogar. Aliou Cissé organiza muito bem a sua seleção, com base em um forte sistema defensivo. O ataque é mais travado, mas conta com o craque do Bayern de Munique para produzir coisas diferentes. Sem ele, por enquanto, está apenas se virando. Fez cinco gols na fase de grupos. Em um vácuo, não é um número baixo. Mas três saíram contra o fraco Catar. Os outros dois, contra o Equador, foram de pênalti e bola parada. A fragilidade ofensiva foi custosa na estreia, quando Senegal jogou bem, mas não conseguiu vazar a Holanda e foi punido nos minutos finais.

França

Jogadores franceses comemoram (CHANDAN KHANNA/AFP via Getty Images)

Campanha: 6P, 2V, 1D, 6GP, 3GC
Artilheiro: Kylian Mbappé (três gols)
Maior assistente: Theo Hernández (duas)

Como foi a fase de grupos

A França entrou na Copa do Mundo como atual campeã e uma das favoritas. E com uma pré-disposição a ser blasé em algumas ocasiões. A principal dúvida é como encararia uma fase de grupos que não parecia perigosa. Respondeu bem. Se levou um gol inesperado da Austrália, não teve nenhuma dificuldade para golear. E se levou o empate da Dinamarca, também conseguiu buscar a vitória, aproveitando a exuberante fase de Kylian Mbappé. Adrien Rabiot foi decisivo, e Antoine Griezmann comeu a bola. O meio-campo desfalcado segurou bem a bronca. A defesa teve alguns vacilos. As lesões voltaram a ser um fator, mas também apresentaram uma solução. Lucas Hernández saiu machucado aos 13 minutos contra a Austrália e foi substituído pelo irmão Theo, que foi um dos destaques, com duas assistências. A derrota para a Tunísia na terceira rodada foi emblemática, pelas questões extracampo, mas aconteceu contra um time francês completamente reserva, cheio de improvisações e torto. Não preocupa.

O destaque  

Mbappé está em excelente forma física e foi o artilheiro da França na fase de grupos, mas o craque desse time está sendo Antoine Griezmann. Teve um ciclo complicado, em que trocou o Atlético de Madrid pelo Barcelona e retornou com o rabinho entre as pernas. No começo da temporada, até passou por uma situação absurda: os colchoneros estavam limitando seu tempo em campo a meia hora por jogo para não acionar uma cláusula de obrigação de compra. O impasse foi resolvido com uma negociação entre Atleti e Barça por uma taxa de transferência menor. O que poderia lhe tirar ritmo de jogo acabou fazendo com que chegasse ao Catar na ponta dos cascos. Carimba todas as bolas do ataque da França, aparece em todo lugar e age como um facilitador. Está sendo menos aquele meia-atacante contundente que gosta de entrar na área e mais um camisa 10.

A revelação

Tem pouca gente desconhecida na seleção francesa, que talvez tenha o elenco mais qualificado do mundo. Os desfalques de N’Golo Kanté e Paul Pogba abriram vagas no meio-campo, e Aurélie Tchouaméni estava pronto para ocupá-la. Substituir jogadores tão importantes não seria novidade para o garoto de 22 anos, cuja presença no elenco do Real Madrid facilitou a saída de Casemiro para o Manchester United. Foi formado nas categorias de base do Bordeaux e se destacou pelo Monaco antes de ser contratado por € 80 milhões, dinheiro que estava reservado para Mbappé. Estava ganhando espaço mesmo antes das ausências de Kanté e Pogba serem confirmadas. Forma uma dupla com Adrien Rabiot que combina vitalidade e experiência. Distribui bem a bola e oferece equilíbrio defensivo para os atacantes da campeã mundial jogarem mais à vontade.

O que precisa melhorar

Não houve muitos defeitos nos dois primeiros jogos – os únicos que a França disputou para valer. Em alguns momentos contra a Austrália, a recomposição defensiva parecia lenta e estava permitindo contra-ataques. Isso foi resolvido com uma avalanche de gols que tirou qualquer disposição do adversário. Levou um sustinho da Dinamarca, que a havia vencido duas vezes na última Liga das Nações, mas não demorou para voltar à frente. Contra a Tunísia, usou um time reserva que talvez tenha escancarado que o seu badalado elenco não está tão forte assim no Catar, por causa dos desfalques e de algumas escolhas de Didier Deschamps. Pode ser um problema. A principal questão com a França ao longo do último ciclo foram os jogos em que não parecia muito ligada ou intensa. Isso não foi visto na fase de grupos (quando importava), mas segue como uma possível preocupação.

Polônia

Szczesny, goleiro da Polônia (Foto: MANAN VATSYAYANA/AFP via Getty Images/One Football)

Campanha: 4P, 1V, 1E, 1D, 2GP, 2GC
Artilheiro: Piotr Zielinski e Robert Lewandowski (um gol cada)
Maior assistente: Robert Lewandowski (uma)

Como foi a fase de grupos

O México deixou a sua estreia para o último jogo, a Arábia Saudita não conseguiu construir em cima da vitória sobre a Argentina, e a Polônia chegou às oitavas de final porque o regulamento previa que o grupo classificasse duas seleções. É realmente difícil encontrar os méritos, além das defesas maravilhosas do goleiro Szczesny – que, do ponto de vista coletivo, indicam mais deméritos. O empate por 0 a 0 contra os mexicanos foi uma das partidas mais esquecíveis da fase de grupos. A melhor apresentação polonesa foi contra Arábia Saudita, e Szczesny ainda teve que defender um pênalti antes de Robert Lewandowski receber um presente do zagueiro adversário para assegurar a vitória. Mais leve depois de se recuperar do tropeço na estreia, a Argentina não tomou conhecimento da Polônia na terceira rodada, e a vaga aos europeus, que estava saindo nos cartões amarelos, acabou confirmada por um gol dos sauditas nos minutos finais contra o México.

O destaque

Difícil não destacar o vencedor dos últimos dois prêmios de melhor do mundo da Fifa. Mas eu vou tentar. Houve momentos em que não parecia que Wojciech Zszcesny se tornaria um grande goleiro. Não conseguiu se firmar no Arsenal, mas encontrou seu espaço na Itália, emprestado à Roma. Encontrou tanto que foi contratado pela Juventus, com a bênção de Buffon, para ser o seu sucessor. Na seleção polonesa, nem sempre foi incontestável também, mas está construindo status de lenda nesta Copa do Mundo. Defendeu dois pênaltis, um deles de Lionel Messi, e fez uma das defesas do torneio contra a Arábia Saudita, no rebote da infração cobrada por Salem Al-Dawsari, frustrando Mohammed Al-Burayk com a ponta dos dedos. Se a Polônia está nas oitavas de final, tem muito a agradecer a Szczesny.

A revelação

Ninguém jogou particularmente bem pela Polônia, com exceção de Szczesny. A entrada de Przemyslaw Frankowski pela esquerda no lugar de Nicolas Zalewski, um dos jogadores de mais potencial do elenco, pelo menos deu um pouco mais de força. O meia de 27 anos não é uma grande novidade. Está com a seleção desde 2018, mas começou a ser mais utilizado ano passado, antes da Eurocopa e de trocar o Chicago Fire da Major League Soccer pelo Lens, do Campeonato Francês. É titular de um dos bons times da Ligue 1. E não apenas bom: o vice-líder antes da paralisação para o Mundial.

O que precisa melhorar

O técnico da seleção polonesa, Czeslaw Michniewicz, disse que, se Lionel Messi jogasse pela Polônia, Lewandowski teria marcado cinco gols contra a Argentina. Como não existe uma expectativa razoável de que Messi mude de nacionalidade entre a fase de grupos e as oitavas de final, cabe a Michniewicz descobrir outra maneira de levar a bola para Lewandowski. É inadmissível a baixa quantidade de chances que um atacante de calibre tão alto recebeu nessa Copa do Mundo. A maioria saiu contra a Arábia Saudita, mas ele mal foi visto no campo de ataque contra os argentinos. Ele até brincou que jogou de zagueiro. A prioridade é fazer com que jogue de atacante. Mostrar um pouco mais de intensidade e sangue quente durante as partidas também ajudaria bastante.

Marrocos

Achraf Hakimi, de Marrocos (KENZO TRIBOUILLARD/AFP via Getty Images)

Campanha: 7P, 2V, 1E, 4GP, 1GC
Artilheiro: Hakim Ziyech, Romain Saïss, Zakaria Aboukhlal, Youseff En-Nesyri (um gol cada)
Maior assistente: Achraf Hakimi, Hakim Ziyech e Abdellhamid Sabiri (uma)

Como foi a fase de grupos 

Tida como uma das melhores seleções africanas, Marrocos foi crescendo com o decorrer da competição. Estreou em um jogo contra a Croácia cuja única lição apresentada é que sua torcida seria um dos destaques da Copa do Mundo. Na segunda rodada, aproveitou a apatia da Bélgica para conseguir sua primeira vitória em Mundiais em 24 anos, com uma atuação superior, baseada na força da sua dupla de zaga, nas subidas dos laterais Hakimi e Mazraoui e no toque de classe de Hakim Ziyech. Com esses resultados contra as europeias, bastaria vencer o eliminado Canadá na última partida. Não teve grandes problemas para fazê-lo, abrindo 2 a 0 em 23 minutos, embora o placar tenha ficado apertado até o fim, por causa de um gol contra de Nayef Aguerd. Confirmou a sua força e seria um adversário duro para qualquer um que aparecesse nas oitavas de final. Inclusive para a Espanha.

O destaque  

Nem sempre funciona quando o seu jogador mais talentoso é um lateral. É possível discutir quem é o líder técnico dessa seleção marroquina, Hakim Ziyech ou Achraf Hakimi, mas o segundo impressionou um pouco mais na fase de grupos porque também contribuiu bastante na parte defensiva. Acumulou 13 desarmes nas três partidas. É uma estatística interessante porque Hakimi sempre foi tido como um lateral super ofensivo – e, no ataque, deu assistência para o gol de En-Nesyri contra o Canadá. No geral, foi provavelmente o melhor do Mundial na sua posição até agora.

A revelação  

A forte defesa é uma das bases do jogo de Marrocos, que chegou ao Catar com uma ótima dupla de zaga. Romain Saïss, 32 anos, é bem mais experiente do que Nayef Aguerd. Um zagueiro canhoto que se destacou pelo Rennes, um dos bons times do segundo escalão da Ligue 1, Aguerd foi contratado pelo West Ham. Mal conseguiu jogar ainda por causa de uma lesão no tornozelo. Fez 75 minutos contra o Leicester antes da paralisação e não está sentindo a falta de ritmo de jogo. Foi bem especialmente contra a Bélgica, e o gol contra a favor do Canadá não mancha em nada sua grande fase de grupos.

O que precisa melhorar

Marrocos não foi muito produtivo no ataque. Marcou quatro vezes: um gol de falta improvável da ponta esquerda, com ajuda de uma falha de Courtois, em uma pane defensiva do Canadá e em dois contra-ataques. Embora tenha qualidade ofensiva, principalmente nas laterais, nos pés de Ziyech e um centroavante competente da parte de cima da tabela de La Liga, deixar a bola com eles pode ser uma receita para travar o jogo. No entanto, Marrocos pega a Espanha. A Espanha não deixa a bola com ninguém. Encontrar maneiras de acionar Ziyech e En-Nesyry em posições melhores pode ser um caminho para protagonizar uma grande zebra nas oitavas de final.

Espanha 

Gavi e Ferran Torres (11) comemoram gol da Espanha (Buda Mendes/Getty Images)

Campanha: 4P, 1V, 1E, 1D, 9GP, 3GC
Artilheiro: Álvaro Morata (três gols)
Maior assistente: Jordi Alba (duas)

Como foi a fase de grupos

Engraçado como a percepção da Espanha mudou da primeira à terceira rodada. A estreia contra a Costa Rica foi impressionante: não apenas dominou a posse de bola, como mostrou sede para marcar. Finalizou sempre que possível, uma crítica que se faz a essa seleção. O 7 a 0 a deixou em uma posição muito confortável, especialmente porque os costarriquenhos começaram a complicar a vida dos outros times do grupo. Encarou um duelo de gigantes com a Alemanha, no confronto mais esperado da fase inicial. Foi melhor no empate, mas poderia ter vencido tanto quanto poderia ter perdido. Antes do jogo final contra o Japão, especulava-se se tiraria o pé para eliminar a Alemanha ou fugir do caminho do Brasil. Não foi exatamente o que se viu. Não jogou com força máxima, nem com determinação máxima, mas jogo. E chegou a abrir o placar aos 11 minutos. Levou uma virada relâmpago depois do intervalo, o que está se tornando uma característica do time japonês, e até passou alguns minutos eliminada quando a Costa Rica virou contra a Alemanha. Não conseguiu buscar o empate para passar em primeiro lugar e chegou às oitavas de final com uma impressão bem pior do que a primeira.

O destaque  

Um dos poucos elos restantes com a geração vitoriosa da África do Sul e do bicampeonato da Eurocopa, Jordi Alba foi um dos principais destaques da seleção espanhola. Se foi deixado de lado por Luis Enrique em um primeiro momento, agora a comissão técnica conta com ele para ser um dos líderes de vestiário. É o segundo mais velho do elenco e segue em ótima forma dentro de campo também. Teve um papel decisivo contra a Costa Rica e deu uma assistência esperta para Álvaro Morata marcar contra a Alemanha, antes de descansar contra a Costa Rica – entrou na metade do segundo tempo. Com o corte de José Gayá e a decisão de convocar Alejandro Balde, seria muito ruim à Espanha se Jordi Alba não puder estar em campo por algum motivo.

A revelação

A Espanha depende do seu meio-campo para ter sucesso, e o meio-campo da Espanha conta com a jovem dupla de talentos do Barcelona. Ambos estão bem, mas Pedri, 20 anos, se destacou um pouco mais. É o mais dinâmico da dupla, com movimentação e chegada à área, drible curto e criatividade. Na inevitável comparação, digamos que está mais para Andrés Iniesta, embora tenha características diferentes, do que para Xavi Hernández. Isso não diminui também a qualidade de Gavi que, com 18 anos, ainda conseguiu deixar a sua marca na goleada sobre a Costa Rica. O jogador mais jovem a marcar em um jogo de Copa do Mundo desde… Edson Arantes do Nascimento, em 1958.

O que precisa melhorar

Embora em clubes Luis Enrique nunca tenha sido o maior entusiasta do tiki-taka, na Espanha ele desenvolveu o estilo de domínio de posse de bola, jogo apoiado e ocupação de espaços. Faz um excelente trabalho, aliás, principalmente com um elenco tão jovem e inexperiente em grandes ocasiões. O problema é sempre o mesmo: transformar o controle em gols. A vitória sobre a Costa Rica parecia ter sido um ótimo sinal pela inclinação dos jogadores a finalizar de uma maneira mais liberal, mas as partidas seguintes não foram tão animadoras assim. Muitas tomadas de decisões erradas na região da grande área e chutes de baixa qualidade. Para chegar longe, a Espanha precisa de contundência no ataque. E resolver uma dúvida. Será que Luis Enrique mantém o seu trio ofensivo com Marco Asensio de falso 9 ou entra com um jogador mais finalizador, como Álvaro Morata?

Portugal

Bruno Fernandes, de Portugal (KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP via Getty Images)

Campanha: 6P, 2V, 1D, 6GP, 4GC
Artilheiro: Bruno Fernandes (dois gols)
Maior assistente: Bruno Fernandes (duas)

Como foi a fase de grupos

Portugal ficou próximo de ser o único time da fase de grupos a somar nove pontos. Não seria um prêmio merecido pelo que apresentou em campo. Fernando Santos tem muito talento à disposição e precisava provar que aprendeu a utilizá-lo da melhor maneira. Não foi exatamente o que aconteceu. A estreia de Portugal contra Gana começou mal. Santos tentou sobrecarregar o meio-campo com sua escalação, mas não conseguiu criar. Bruno Fernandes ficou preso, Bernardo Silva, muito recuado. Um pênalti contestável permitiu que abrisse o placar. O que caminhava para uma vitória tranquila ficou menos tranquilo quando Gana empatou, mas Fernandes respondeu com duas lindas assistências. Os africanos ainda descontaram. Portugal também não foi brilhante contra o Uruguai e dependeu novamente do brilhantismo do meia do Manchester United para vencer. E isso porque os sul-americanos não aproveitaram suas chances, especialmente uma cara a cara com Arrascaeta. Com seis pontos, porém, Santos sentiu-se confortável para rodar o elenco e foi derrotado pela Coreia do Sul, de virada, com um gol em contra-ataque nos minutos finais. Pior para o Uruguai, que foi eliminado por causa desse resultado.

O destaque

Bruno Fernandes é um talento incrível do futebol português, que trocou o Sporting pelo Manchester United em janeiro de 2020 e imediatamente assumiu as rédeas do meio-campo dos Red Devills. Pela seleção, ainda estava devendo uma grande competição. Parece que será esta. Nos dois jogos mais importantes até agora, decidiu quando mais importava. Puxou contra-ataques e deu passes precisos contra Gana e marcou duas vezes no Uruguai. Não é fácil ofuscar Cristiano Ronaldo em Portugal, o que apenas engrandece as atuações de Fernandes. É ele o craque do time até agora.

A revelação

Fernando Santos precisa dar uma mãozinha para a gente nessa. O seu atacante pela esquerda era Diogo Jota que, por lesão, perdeu a Copa do Mundo do Catar. Não chegou a ser um problema tão grande porque o jogador do Liverpool talvez perdesse a posição mesmo assim para Rafael Leão, craque da Seria A no título do Milan. Por enquanto, porém, está sendo apenas reserva. Entrou muito bem contra Gana e até fez um gol. Menos impressionante contra o Uruguai e menos ainda contra a Coreia do Sul. Mas é um jogador jovem e talentoso que está na melhor fase da carreira e poderia ser mais utilizado.

O que precisa melhorar  

Portugal precisa melhorar o seu jogo coletivo. Tem talento demais para não ser dominante durante as partidas e amassar a maioria dos adversários. Um meio-campo com Rúben Neves, Bernardo Silva e Bruno Fernandes deveria ser capaz de fazer isso, sem falar de João Félix e opções como Leão e Vitinha, além do excepcional finalizador Cristiano Ronaldo. Durante os dois primeiros jogos, faltou equilíbrio. Quando conseguiu manter posse de bola, criou pouco. Quando o jogo virou tiroteio e saiu do seu controle, criou mais porque os espaços apareceram, mas também ficou mais vulnerável atrás. Fernando Santos tem todos os ovos para fazer um delicioso omelete. Precisa apenas aprender a cozinhá-lo.

Suíça

Embolo, da Suíça (Foto: FABRICE COFFRINI/AFP via Getty Images/One Football)

Campanha: 6P, 2V, 1D, 4GP, 3GC
Artilheiro: Breel Embolo (dois gols)
Maior assistente: Silvan Widmer, Xherdan Shaqiri, Djibril Sow e Ruben Vargas (uma cada)

Como foi a fase de grupos  

Desde o começo, a Suíça sabia que tudo seria decidido na terceira rodada. Segundo as projeções, venceria Camarões, o que acabou acontecendo, com mais dificuldade do que o esperado. Passou por alguns apuros, contou com a segurança de sempre de Yann Sommer e um gol de Breel Embolo, nascido em Yaoundé, capital camaronesa, para somar os três pontos. A Sérvia havia perdido do Brasil. Se a Suíça conseguisse alguma coisa contra os pentacampeões, estaria em vantagem para o confronto direto. Até ficou próximo de conseguir. Um lindo gol de Casemiro destravou uma partida de poucas chances, na qual a Seleção tentava aprender a jogar sem Neymar. A vantagem acabou caindo a favor da Suíça porque a Sérvia deixou escapar uma vantagem de dois gols contra Camarões. Bastava empatar a rodada final, um duelo quente e cheio de rivalidade por causa dos seus jogadores de etnia kosovar-albanesa, Granit Xhaka e Xherdan Shaqiri, que haviam gerado tanta polêmica na Rússia em 2018. Não houve comemoração com as águias da bandeira da Albânia, mas não faltou confusão na incrível virada por 3 a 2 da Suíça, que selou sua classificação às oitavas de final – e a um gol de ficar à frente do Brasil.

O destaque  

Granit Xhaka chegou à Copa do Mundo na melhor fase da sua carreira. Conseguiu dar a volta por cima no Arsenal, depois de se desentender com a torcida, jogar a camisa longe e perder a braçadeira de capitão. Ficou próximo de ser negociado. Acabou ficando e hoje é um dos pilares de experiência e equilíbrio do líder da Premier League. Ele também tem esse papel na seleção suíça, em parte porque a outra grande referência da geração, Xherdan Shaqiri, está longe da sua melhor forma técnica, recentemente contratado pelo Chicago Fire, da Major League Soccer. Em uma função mais defensiva, Xhaka pode não ter influenciado tanto no ataque, mas o meio-campo da Suíça é todo dele.

A revelação

Breel Embolo foi um garoto-prodígio do futebol suíço. Nasceu em Yaoundé, em Camarões, em 1997, passou pela França com a mãe e chegou à Basileia. Tinha 17 anos quando estreou pelo Basel nas oitavas de final da Liga Europa e meses depois estava encarando Real Madrid e Liverpool pela Champions League. A sua carreira nunca explodiu como se esperava. Foi um atacante de qualidade média na Alemanha com as camisas de Schalke 04 e Borussia Monchengladbach. A transferência para o Monaco estava funcionando antes da Copa do Mundo. Formou uma boa dupla com Ben Yedder e começou a fazer gols com mais frequência. Era uma dúvida se seria titular no Catar, diante da sombra do experiente Haris Seferovic. Poderia até ser deslocado à esquerda para encaixar ambos. No fim, foi titular na estreia contra Camarões e nunca mais saiu.

O que precisa melhorar  

A Suíça é uma equipe muito coesa, que joga junta há anos e não eliminou a Itália nas Eliminatórias Europeias à toa. No entanto, embora tenha marcado contra a Sérvia, está claro que Xherdan Shaqiri não aguenta 90 minutos em alto nível. Ele foi substituído em duas partidas e ficou fora do duelo com o Brasil por causa de uma pequena lesão muscular. Ele é o jogador mais talentoso do ataque suíço, o mais capaz de pensar diferente e criar chances de gol para os companheiros, além de ter uma boa finalização de média distância. Sem ele, a Suíça pode ser um time mais previsível.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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