Um destaque de cada seleção que participa da Copa Árabe de 2021
Evento-teste da Copa de 2022, a Copa Árabe não contará com os principais astros, mas várias seleções reúnem bons talentos
Para quem gosta do futebol de seleções, as próximas semanas oferecerão uma opção interessante a se acompanhar: a Copa Árabe de 2021. O torneio está em sua décima edição, mas foi descontinuado por quase uma década e acabou recriado por incentivo da Fifa. Com o fim da Copa das Confederações, o campeonato servirá como evento-teste do Catar antes da Copa do Mundo de 2022. Oito estádios do Mundial serão utilizados, assim como a Fifa testará um novo sistema automático de detecção de impedimentos. A organização dos catarianos e o próprio clima serão postos à prova.
Ao todo, 16 seleções participam da Copa Árabe, distribuídas entre o norte da África e o Oriente Médio. Nem todas as estrelas locais estarão à disposição, já que, por não ser organizado numa Data Fifa, o torneio não poderá contar com boa parte dos jogadores em atividade na Europa. Mesmo assim, há muitos talentos presentes. Equipes como Catar e Emirados Árabes estão com os principais nomes de suas importantes ligas locais. Já concorrentes como Egito, Argélia e Tunísia, mesmo sem seus melhores atletas, ainda prometem contar com times bem competitivos.
A fase de grupos, dividida em quatro grupos de quatro, já promete jogos bacanas. O sorteio reservou embates como Catar x Omã, Tunísia x Emirados Árabes, Marrocos x Arábia Saudita e Argélia x Egito. Os dois primeiros de cada chave passam, antes que a competição realmente pegue fogo a partir das quartas de final. A decisão está marcada para 18 de dezembro e pode ser um bom teste às vésperas da Copa do Mundo, bem como da Copa Africana de Nações.
A quem desejar assistir aos jogos da Copa Árabe, as transmissões ao vivo acontecem de graça no YouTube da Fifa, com os primeiros jogos já nesta terça. Abaixo, destacamos um jogador por seleção que merece consideração por sua representatividade na equipe nacional. Confira:
Grupo A

Akram Afif (Catar)
O Catar é um dos favoritos a conquistar a Copa Árabe, não só por atuar em casa, mas também pela tarimba internacional adquirida nos últimos anos. Os anfitriões conquistaram a Copa da Ásia em 2019, jogaram a Copa América e a Copa Ouro, fazem amistosos regulares contra europeus. Além do mais, a própria experiência nos clubes é positiva. Um dos grandes talentos é o ponta Akram Afif, de 25 anos. O camisa 11 foi um dos protagonistas na conquista da Copa da Ásia, com ótima visão de jogo e qualidade para bater na bola. Não à toa, mesmo com a pouca idade, são 21 gols e 25 assistências em 68 aparições com os catarianos. Também brilha no clube, comandado até outro dia por Xavi no Al-Sadd. Outros nomes célebres do time de Félix Sánchez também estarão no torneio, como o armador Hassan Al-Haydos e o artilheiro Almoez Ali – outro que merece muitos cuidados dos adversários, depois do estrago que causou na Copa da Ásia de 2019.
Ismail Abdullatif (Bahrein)
Por duas vezes, o Bahrein beirou a classificação para a Copa do Mundo, presente na repescagem intercontinental em 2005 e 2009. O declínio desde aquelas campanhas marcantes é significativo, mas alguns remanescentes continuam no elenco dirigido atualmente pelo português Hélio Sousa. Um dos destaques dos bahrenitas é o atacante Ismail Abdulatif, de 35 anos. Presente na equipe nacional desde 2005, o centroavante supera as 120 aparições e inclusive seria importante na segunda participação na repescagem, quando a vaga no Mundial de 2010 ficou com a Nova Zelândia. O veterano já disputou a Copa da Ásia três vezes e é o recordista em gols da seleção, com 47 tentos. Atualmente milita no Al Khalidiya de seu país, mas já atuou nas ligas catariana e saudita.

Bashar Resam (Iraque)
O Iraque atravessa um momento ruim nas Eliminatórias e, depois da demissão de Dick Advocaat, tenta se reencontrar nessa Copa Árabe sob as ordens do montenegrino Zeljko Petrovic. Alguns nomes importantes em atividade no exterior serão ausências, como o atacante Mohanad Ali, grande esperança ao futuro dos Leões da Mesopotâmia. Nesta convocação, um jogador que chama atenção é o meia Bashar Resam. Aos 24 anos, o camisa 13 possui uma boa rodagem. Foi campeão da Copa AFC com o Al-Quwa Al-Jawiya, também acumulou títulos com a camisa do Persepolis no Irã e atualmente defende o Qatar SC. Pela seleção, foi campeão asiático sub-22 e disputou a Copa da Ásia em 2019. Acumula 47 aparições pela equipe principal do país, com três gols.
Mohsin Al-Khaldi (Omã)
Dirigido pelo croata Branko Ivankovic, Omã é uma das sensações das Eliminatórias para a Copa do Mundo, ao vencer o Japão e causar certo incômodo numa chave que parecia com três favoritos claros. A Copa Árabe será uma boa experiência para o elenco, pensando no qualificatório, e muitos destaques seguem presentes. Um dos protagonistas dos omanis é meia Mohsin Al-Khaldi. O camisa 10 de 33 anos nem sempre é titular, mas tem participações importantes nessas Eliminatórias, sobretudo na vitória sobre o Vietnã. Com uma carreira concentrada no futebol local, atualmente joga pelo Saham Club. É o jogador do elenco com mais partidas pela seleção e deve suprir a ausência do goleiro Faiz Al-Rushaidi, dono da braçadeira no qualificatório, mas que atua no Irã e não foi liberado à Copa Árabe.
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Grupo B

Youssef Msakni (Tunísia)
A Tunísia, do técnico Mondher Kebaier, possui uma das seleções mais fortes desta Copa Árabe. Destaques como Wahbi Khazri fazem falta, mas vários protagonistas das Águias de Cartago estão à disposição para o torneio. A lista de figuras de relevo inclui o goleiro Farouk Ben Mustapha, o zagueiro Yassine Meriah, o lateral Ali Maâloul, o volante Ferjani Sassi e o ponta Naïm Sliti. Em termos de talento, porém, fica difícil de superar o meia Youssef Msakni. O camisa 7 é um dos jogadores mais técnicos da história do país e usa a braçadeira de capitão, embora os problemas físicos recentes custem sua sequência. Com 13 gols em 72 partidas, disputou seis edições da Copa Africana, mas foi ausência sentida por lesão na Copa de 2018. Antigo ídolo do Espérance e do Al-Duhail, teve uma passagem mal sucedida recentemente pelo Eupen, da Bélgica. Tenta recuperar a melhor forma no Al-Arabi, do Catar.
Bessam (Mauritânia)
A Mauritânia se consolida como uma equipe em ascensão na África, com sua estreia na última Copa Africana de Nações e a vaga garantida para a próxima edição. Os Leões de Chinguetti, dirigidos pelo francês Didier Gomes da Rosa, acabaram amassados num grupo difícil das Eliminatórias, mas poderão usar a Copa Árabe para preparar parte de seu elenco na CAN. Com a ausência dos jogadores em atividade na Europa, uma das esperanças da equipe é o rodado Bessam. O atacante de 33 anos defende a equipe nacional desde 2013, com 59 partidas e 12 gols. Esteve presente na CAN de 2019 e costuma marcar gols nas Eliminatórias. Por clubes, atualmente defende o Nouadhibou, maior campeão local, mas já chegou a passar por equipes de Argélia, Tunísia e Arábia Saudita.

Ismail Matar (Emirados Árabes)
Orientada pelo condecorado Bert van Marwijk, Emirados Árabes se candidata a uma vaga na repescagem da atual edição das Eliminatórias e possui um elenco digno, considerando o bom nível da liga local. E um nome onipresente é o de Ismail Matar, com 133 jogos e 36 gols pelos emiratenses. O camisa 10 chegou a ser eleito o melhor jogador do Mundial Sub-20 de 2003 e fez uma carreira digna pela seleção, que inclui dois títulos da Copa do Golfo e quatro presenças na Copa da Ásia, além de uma Olimpíada. É uma lenda local, com trajetória desenvolvida quase inteira no Al-Wahda. Aos 38 anos, viverá uma de suas últimas chances em alto nível na Copa Árabe. Outro nome imponente no ataque é o de Ali Mabkhout, um dos maiores artilheiros da história do futebol de seleções, com 79 tentos, que brilhou nas duas últimas edições da Copa da Ásia e defende o Al-Jazira. E os emiratenses tem um brasileiro naturalizado, o atacante Caio Canedo, que defendeu Botafogo, Figueirense e Inter antes de se estabelecer por Al Wasl e Al Ain.
Mahmoud Al-Mawas (Síria)
A Síria beirou a classificação para a Copa do Mundo nas Eliminatórias de 2018, mas não repete o desempenho para 2022. Não à toa, houve uma mudança no comando e chegou o romeno Valeriu Tita. Um dos entraves é o litígio com o atacante Omar Kharbin, um dos grandes talentos locais. Como se não bastasse, Omar Al Somah também virou ausência de última hora na Copa Árabe. Sem os dois maiores talentos do país, as expectativas recaem sobre Mahmoud Al-Mawas. O meia de 28 anos acumula 79 jogos pela seleção e 15 gols. É titular absoluto do time e costuma entrar em diferentes posições do meio para frente. Além disso, as fases iniciais das Eliminatórias para a Copa contaram com algumas boas atuações do atleta, oferecendo gols e assistências. Estava também na traumática derrota para a Austrália na repescagem em 2017. Chegou a defender clubes de Catar, Arábia Saudita e até Romênia, atualmente no Al-Shorta, do Iraque.
Grupo C

Achraf Bencharki (Marrocos)
Marrocos tem, no papel, uma das melhores seleções da África. No entanto, a maioria absoluta do elenco principal dos Leões do Atlas defende clubes europeus e raríssimos são os jogadores do primeiro nível que estarão na Copa Árabe. O próprio técnico Vahid Halihodzic deu lugar a Hussein Ammouta, que dirige a seleção formada apenas por jogadores locais. A maior parte do time convocado para a competição da Fifa atua nos clubes marroquinos ou em ligas mais fortes da região. Um dos raros listados que costuma estar também no primeiro time é Achraf Bencharki. O ponta de 27 anos é um dos grandes destaques do Zamalek e brilhou na conquista recente do Campeonato Egípcio – antes disso, tinha sido campeão continental com o Wydad Casablanca. O ótimo momento com o clube valeu chances contínuas nas convocações marroquinas a partir de 2020, com aparições geralmente saindo do banco de reservas. Boas atuações na Copa Árabe podem consolidar seu nome rumo à Copa Africana e, se a classificação vier, à Copa do Mundo.
Baha’ Abdel-Rahman (Jordânia)
A seleção da Jordânia possui como seu ápice a presença na repescagem das Eliminatórias para a Copa de 2014, quando perdeu para o Uruguai. A equipe, no entanto, costuma fazer papel de figurante na Copa da Ásia e sequer se classificou para a fase decisiva do qualificatório de 2022. Para fazer bom papel na Copa Árabe, a equipe de Adnan Hamad confia basicamente em jogadores da liga local, incluindo alguns veteranos que participaram de momentos relevantes. Aos 34 anos, o volante Baha’ Abdel-Rahman é uma dessas figuras históricas dos jordanianos, reserva naqueles duelos com o Uruguai. São mais de 130 jogos pela equipe nacional, em trajetória que começou ainda em 2007. O camisa 8 possui títulos regionais pela seleção e disputou duas edições da Copa da Ásia. Chegou a atuar por clubes importantes da região, como o Al Ahli da Arábia Saudita e o Qatar SC, atualmente vestindo a camisa do Selangor na Malásia.

Abdullah Al-Hamdan (Arábia Saudita)
A Arábia Saudita seria uma forte candidata ao título na Copa Árabe, dado o excelente desempenho nas Eliminatórias e a força dos próprios clubes. Porém, a seleção local não vai dar tanta atenção assim à competição organizada no “rival regional” Catar e mandará uma equipe recheada de novatos, com o assistente Laurent Bonadéi assumindo o posto do técnico Hervé Renard. Dos 23 convocados, apenas seis já atuaram pelo time principal. Um deles é Abdullah Al-Hamdan, promessa do Al Hilal que soma 14 partidas com os sauditas. O atacante de 22 anos surgiu bem pelo Al-Shabab e foi contratado pelo Al-Hilal na temporada passada, mas acaba sendo um coadjuvante diante dos muitos estrangeiros na equipe. Na decisão recente da Champions Asiática, não saiu do banco de reservas.
Abdelatif Bahdari (Palestina)
A seleção da Palestina já excedeu as expectativas quando se classificou às duas últimas edições da Copa da Ásia, mesmo sem passar da fase de grupos. A presença na Copa Árabe também é um feito significativo, considerando as limitações do futebol local e os desafios impostos pelos constantes conflitos. O elenco do técnico Makram Daboub se concentra nos clubes da liga nacional, incluindo o capitão Abdelatif Bahdari, recordista em jogos pela seleção, com 137 aparições. O zagueiro de 37 anos esteve nas duas Copas da Ásia recentes, assim como conquistou a AFC Challenge Cup com os palestinos. Desde 2018 joga no Markaz Balata do Campeonato Palestino, mas também teve bons momentos na Jordânia pelo Al-Wehdat, que representa um campo de refugiados palestino.
Grupo D

Baghdad Bounedjah (Argélia)
Os principais jogadores da Argélia atuam na Europa e, por isso, o elenco da Copa Árabe possui uma série de desfalques importantes. Mesmo o técnico Djamel Belmadi não treinará a equipe secundária no torneio regional, substituído pelo ex-zagueiro Madjid Bougherra. Não quer dizer, entretanto, que as Raposas do Deserto não poderão contar com uma escalação forte. Figura histórica dos argelinos, Yacine Brahimi volta ao time após um ano de ausência. Titulares nas Eliminatórias também estão no elenco, como o goleiro Raïs M’Bolhi e o meia Youcef Belaïli. Já a maior esperança é o artilheiro Baghdad Bounedjah. O centroavante marcou o gol do título na Copa Africana de 2019 e possui 22 gols em 50 aparições com os argelinos. Já seu rendimento no Catar beira o absurdo, com 128 gols em 108 jogos pela liga local, vestindo a camisa do Al-Sadd. Aos 30 anos, se candidata como estrela do torneio.
Mohamad Haidar (Líbano)
O Líbano vem de um período interessante, em que disputou a última Copa da Ásia e conquistou resultados positivos nas Eliminatórias. A Copa Árabe serve para consolidar esse momento dos comandados de Ivan Hasek, mesmo num grupo duríssimo. O elenco libanês tem boa parte de seus jogadores em atividade na liga local, incluindo o camisa 10 Mohamad Haidar. O meia de 32 anos possui dez anos de seleção principal, com 76 jogos e quatro gols. Habilidoso e bom nas bolas paradas, o armador teve passagens pelo Campeonato Saudita e pelo Campeonato Iraquiano. Desde 2016, contudo, é a estrela do Ahed – time apoiado pelo Hezbollah que domina o Campeonato Libanês nos últimos anos e ganhou a Copa AFC de 2019.

Mohamed El Shenawy (Egito)
O Egito é outra seleção aquém de seu potencial na Copa Árabe, mesmo sob as ordens de Carlos Queiroz, que resolveu trabalhar na competição. Serão vários desfalques importantes entre os astros que atuam na Europa. A confiança dos Faraós se deposita na força de sua liga, especialmente pelo momento de alta do Al Ahly (bicampeão continental) e do Zamalek (campeão nacional). Dos 23 jogadores listados, 11 atuam nos dois gigantes. Estrelas locais como Mohamed Magdy e Zizo podem fazer a diferença. A defesa também terá o experimentado Ahmed Hegazi, que atualmente joga no futebol saudita. E uma certeza está no gol, com Mohamed El Shenawy. O goleiro de 32 anos é o dono da posição, presente na Copa do Mundo e na Copa Africana de Nações. Muito seguro e com ótima envergadura, se destaca mesmo quando o elenco está completo. E ainda tem como trunfo os bons papéis pelo Al Ahly, como no recente Mundial de Clubes em que frustrou o Palmeiras na decisão do terceiro lugar.
Muhamed Abdel Rahman (Sudão)
O Sudão já foi uma potência nos primórdios da Copa Africana, mas os últimos anos oferecem raras aparições na competição continental. Com o time completo na Copa Árabe, está posta a chance de ser mais competitivo contra outros vizinhos do norte da África. O elenco chamado para o torneio da Fifa pelo técnico Hubert Velud tem 12 jogadores do Al-Hilal Omdurman e sete do Al-Merrikh, as duas potências locais. Dentre eles desponta o camisa 10 Muhamed Abdel Rahman. O atacante de 28 anos não possui tanta rodagem assim pela seleção sudanesa, mas possui a marca respeitável de 13 gols em 20 aparições pelos Falcões de Jediane. Marcou, inclusive, o gol decisivo nas eliminatórias da Copa Árabe contra a Líbia. É uma das figuras do Al-Hilal Omdurman.



