Técnico de Gana critica Copa do Mundo com 48 seleções: ‘Vulgar e ordinária’
Carlos Queiroz disputa seu quinto Mundial consecutivo e assegura vaga ao mata-mata como um dos melhores terceiros colocados
Gana conquistou sua classificação ao mata-mata da Copa do Mundo pela primeira vez desde 2010, quando chegou às quartas de final na África do Sul. No novo formato, a seleção avançou como uma das oito melhores terceiras colocadas mesmo após derrota para a Croácia, por 2 a 1, neste sábado (27). Apesar disso, Carlos Queiroz, técnico da equipe africana, não está satisfeito com o sistema adotado pela Fifa.
O treinador português, em entrevista coletiva após a classificação para a fase de 16-avos, criticou abertamente o modelo de Copa do Mundo com 48 seleções, adotado pela Fifa no Canadá, Estados Unidos e México neste ano pela primeira vez. Até o último Mundial, apenas 32 equipes se classificavam para a disputa.
— Acredito que o valor surge quando as coisas são raras. O número de times que pode se classificar para essa competição pode transformá-la em algo vulgar e comum. Quando tantos times podem se classificar, será que o valor ainda é algo raro? Isso me parece discutível, mas é apenas a minha opinião — analisou o treinador.
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Gana assegurou a classificação aos 16-avos de final após empatar com a Inglaterra e derrotar o Panamá no Grupo L. Além disso, com o triunfo sobre a seleção da Concacaf, Queiroz se tornou o treinador mais velho a vencer uma partida de Copa do Mundo, aos 73 anos. Ele assumiu o comando da seleção ganesa em abril deste ano, às vésperas do torneio.
Copa do Mundo amplia número de vagas das Eliminatórias continentais
Queiroz chega a seu quinto Mundial consecutivo. Em 2010, levou Portugal à Copa do Mundo da África do Sul; nas três edições seguintes (2014, 2018 e 2022), conquistou a vaga para a seleção iraniana nas Eliminatórias da Ásia. É um especialista nas fases preliminares da Copa do Mundo, independentemente do continente.
Mesmo que este novo formato tenha sido fundamental para que Gana pudesse avançar ao mata-mata, Queiroz avalia como negativo o aumento do número de vagas em confederação. Na América do Sul, por exemplo, 60% das seleções da Conmebol disputaram a Copa do Mundo. Este número poderia ser ainda maior, com sete representantes, caso a Bolívia não tivesse sido eliminada pelo Iraque na repescagem.
— Agora, o verdadeiro sucesso na América do Sul seria não se classificar para a Copa do Mundo — afirmou Queiroz.
Além da Bolívia, somente Chile, Peru e Venezuela não conseguiram assegurar suas vagas para a Copa do Mundo neste ano.
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O mesmo vale para as Eliminatórias da Uefa, no qual somente a Itália, das campeãs mundiais, não conquistou sua vaga para a Copa do Mundo — e está fora do torneio pela terceira edição consecutiva. As seleções europeias contam com 16 vagas para o Mundial do Canadá, Estados Unidos e México, para 54 equipes em disputa nas Eliminatórias.
— As Eliminatórias começam a perder o sentido se todos se classificarem. A qualificação deve ser levada a sério, deve ser muito difícil, muito competitiva — defendeu o treinador.
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Copa do Mundo de 2030 pode ter novo aumento de seleções
Para o próximo Mundial, existe a possibilidade de uma nova expansão no número de seleções: de 48 para 64 equipes na disputa. Essa é uma das propostas levantadas pela Conmebol, mas que não encontra consenso junto à Fifa e às demais confederações.
O torneio será disputado na Espanha, Marrocos e Portugal, mas as primeiras partidas da competição ocorrerão na América do Sul, para celebrar o centenário da Copa do Mundo. Argentina, Paraguai e Uruguai receberão os jogos inaugurais — e suas respectivas também devem conquistar a vaga sem passar pelas Eliminatórias.
No formato atual, as 48 seleções são divididas em 12 grupos, com quatro equipes cada. Caso ocorra um aumento para 64 classificadas, o número de chaves deve saltar para 16, mas mantendo o número de 32 na disputa do mata-mata, a partir da fase de 16-avos.
Gana, de Queiroz, terá de enfrentar a Colômbia no primeiro duelo de mata-mata da seleção africana desde 2010. A partida ocorre na próxima sexta-feira (3), às 22h30 (de Brasília), no Estádio de Kansas City, no Missouri.