Copa do Mundo

Southgate teme que torcedores mulheres e homossexuais não se sentirão seguros para ir ao Catar

O técnico da Inglaterra expressou suas preocupações com os direitos dos trabalhadores no Catar e principalmente com a maneira como alguns de seus torcedores podem ser tratados em um país que oprime mulheres e homossexuais

Classificado à Copa do Mundo do Catar, o técnico da seleção inglesa, Gareth Southgate, continua preocupado com as condições dos trabalhadores que construíram os estádios do torneio que será realizado no final deste ano, mas principalmente com torcedores mulheres e homossexuais que talvez não tenham coragem de viajar ao país.

Segundo a Anistia Internacional, o Catar é um dos sete países em que homens muçulmanos podem ser condenados à morte por relações sexuais com outros homens, e entre os quatro em que mulheres podem ser executadas por lesbianismo.

A própria entidade afirma que os estatutos mais rígidos “são raramente aplicados”. Mas ainda não é um bom slogan para atrair turistas. Em 2019, um índice compilado após mais de 250 horas de pesquisa disse que o Catar era o oitavo país do mundo mais perigoso para turistas gays.

As mulheres no Catar também são discriminadas. Segundo um relatório da Human Rights Watch, elas precisam de permissão de guardiões masculinos para “casar, viajar, buscar educação superior ou tomar decisões pelos seus próprios filhos”.

O Catar, segundo o Guardian, afirmou que os casos apresentados nesse relatório eram “imprecisos” e não representam a constituição do país. Responsável pela organização da Copa do Mundo, Nasser Al Khater disse que “ninguém se sente ameaçado” no Catar e que “todos são bem vindos”, alertando que demonstrações públicas de afeto são desaprovadas de maneira “generalizada”.

Questionado sobre o assunto antes de amistosos de preparação contra Suíça e Costa do Marfim, Southgate afirmou que há vários pontos de preocupação em torno do torneio, começando pela construção dos estádios, “e não há nada que podemos fazer sobre isso agora”, uma vez que eles já estão de pé. Ele citou os direitos dos trabalhadores, oprimidos pelo sistema kafala, análogo à escravidão, cujos principais pontos foram abolidos por lei, mas seguem em prática, de acordo com a Anistia Internacional.

“Há obviamente preocupações com o direito dos trabalhadores e as condições que eles vivem. Parece universalmente aceito que está melhor do que era, mas não em uma posição em que as pessoas pensam que pode estar. E talvez as políticas que foram colocadas em vigor não estejam sendo aplicadas como poderiam ser”, começou, antes de mencionar sua principal preocupação.

“E então há os problemas que podem ameaçar nossos torcedores quando eles viajarem: os direitos das mulheres e da comunidade LGBTQ+, especialmente. Infelizmente, por meio de conversas que tive, eu acho que algumas dessas comunidades não vão viajar e isso é uma pena. Nós apoiamos a inclusão como time. Tem sido um grande motivador de várias posições que tomamos nos últimos anos e seria horrível pensar que alguns dos nossos torcedores sentem que não podem ir porque se sentem ameaçados e preocupados com sua segurança”, afirmou.

“Precisa haver algum esclarecimento e melhor comunicação de que eles estarão seguros, porque eles não estão sentindo isso”, acrescentou.

E o que ele pretende fazer sobre isso? A Dinamarca exibiu mensagens críticas ao Catar e afirmou que reduziria suas atividades comerciais no país. Southgate disse que não sabe se “apenas usar uma camiseta fará alguma diferença”, mas se houver algum tipo de ação que ele e os jogadores considerem que terá um impacto de verdade, podem contar com eles.

“Eu não sei totalmente o que podemos fazer em todos os aspectos. Acho que temos que ser realistas sobre o que isso pode ser. Há algumas coisas que não conseguiremos influenciar. Talvez haja algumas que podemos afetar. Se pudermos e pensarmos que vale a pena, tentaremos fazer isso. Sem dúvida, uma das prioridades para mim são os nossos torcedores e como eles serão tratados”, disse.

“Estamos tentando fazer o melhor que podemos. Seremos criticados aqui (Inglaterra) independente do que acontecer. Não será considerado o suficiente, mas sempre tentamos influenciar as coisas da maneira correta”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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