Só ele salva: Messi tira Argentina do marasmo para arrancar vitória dramática sobre o México
Um golaço de fora da área de Messi abriu caminho para a vitória em jogo horroroso entre Argentina e México, fundamental para a sobrevivência argentina na Copa do Mundo
Era tudo ou nada. A Argentina entrou em campo correndo risco de ser eliminada com uma rodada de antecedência. O nervosismo era evidente nos albicelestes. O medo era claro. O medo do vexame, de cair na primeira fase, como aconteceu em 2002. Só que a Argentina tinha um gênio, Lionel Messi. Foi ele que tirou um brilho do meio da escuridão de futebol que era o jogo. O México entrou para se defender, contra-atacar e tentar algo. Não conseguiu. O gol de Messi, já no segundo tempo, mudou o jogo. A vitória por 2 a 0 dos albicelestes mantém os argentinos muito vivos na Copa do Mundo, com possibilidade de terminar na primeira posição na última rodada.
Não foi um bom jogo. Nem da Argentina, nem do México. O primeiro tempo foi um dos piores da Copa do Mundo. A Argentina batalhou, cheia de problemas. Contou com Angel Di Maria, experiente e presente. Messi ajudou a destrancar o cadeado mexicano e a vitória, desta vez, veio. Mais do que qualquer coisa, o que importava à Argentina era vencer. Venceu e segue mais viva do que nunca no Catar.
Escalações: tudo diferente
Os dois times vieram com muitas modificações depois de uma estreia decepcionante. Na Argentina, Lionel Scaloni fez cinco mudanças. Saíram o zagueiro Cristian Romero e entrou Lisandro Martínez, saiu o lateral Nahuel Molina e entrou Gonzalo Montiel, saiu Leandro Paredes e entrou Guido Rodríguez, saiu Papu Gómez e entrou Alexis Mac Allister. Mudanças significativas no time para tentar um rendimento melhor e para sobreviver na Copa, depois de perder na estreia para a Arábia Saudita. O time foi escalado em um 4-4-2 em duas linhas, com os jogadores pelos lados com liberdade.
No México, Gerardo Martino mudou nomes e também a disposição tática da equipe. No primeiro jogo El Tri jogou no 4-3-3, mas desta vez a equipe partiu em um 5-3-2, com a entrada de Néstor Araújo na defesa, formando o trio de zagueiros atrás, com a saída do centroavante Henry Martín, que não fez um bom primeiro jogo. No meio-campo, entrou Andrés Guardado no lugar de Edson Álvarez. Na ala direita, Kevin Álvarez, um jogador mais ofensivo, entrou no lugar de Jorge Sánchez, que é um lateral mais defensivo. No fim, não mudou muito: o México se defendia com linha de cinco.
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Primeiro tempo: vazio desértico
Como era de se esperar em um duelo de duas seleções sul-americanas, a atmosfera no estádio Lusail era elétrica. Argentinos e mexicanos coloriram as arquibancadas e criaram uma sinfonia de cantos, com os mexicanos, em maioria, fazendo mais barulho.
O jogo começou bastante travado, com muitas faltas e pouco futebol. A Argentina sentia dificuldades de criar jogadas e o time parecia sentir falta de uma melhor coordenação. Os mexicanos marcavam em cima, fechando os espaços sobre todos os principais jogadores argentinos.
A melhor finalização do primeiro tempo veio aos 44 minutos, quando Alexis Veja cobrou falta e acertou efetivamente o gol, obrigando Emiliano Martínez a fazer uma defesa. Já foi mais do que qualquer lance de ataque da Argentina.
No final do primeiro tempo, enfim uma jogada relativamente boa da Argentina. Bola trabalhada que saiu da direita para a esquerda, chegou em Marcos Acuña e César Montes fez o corte. Para simbolizar bem o que foi o primeiro tempo, eis que houve cobrança fora da área, a bola caiu em Rodrigo de Paul, longe do gol, e o árbitro Daniele Orsato encerrou o jogo, até porque
Segundo tempo: Pai Messi que estás com a 10
Os dois times mantiveram os times sem alterações. Nos primeiros minutos, Messi recebeu a bola com liberdade pelo meio, avançou e sofreu a falta. Na cobrança, um chute que não foi nada perigoso. O México fazia uma linha defensiva que não se desmanchava, mas ao mesmo tempo pouco conseguia ir ao ataque.
Precisando mexer no time, o técnico Lionel Scaloni colocou Enzo Fernández no lugar de Guido Rodríguez, para tentar melhorar a qualidade do meio-campo. Nada aconteceu. Os mexicanos apostavam no medo dos argentinos em serem eliminados e se defendiam, esperando uma chance de matar no contra-ataque. Os argentinos claramente sentiam a partida, com o temos que a eliminação pudesse vir.
Vieram então mais duas mudanças, com as entradas de Nahuel Molina no lugar de Montiel, uma troca de dois jogadores da mesma posição, e também a entrada de Julian Álvarez no lugar de Lautaro Martínez, outra vez em um jogo apagado. Antes mesmo de sentir o efeito das mudanças, veio um brilho dos céus.
Foi preciso uma pitada do craque para sair do marasmo. E claro que tinha que ser com Lionel Messi. Angel Di Maria, o jogador mais vivo dentro do jogo, recebeu na direita e procurou por Messi. O camisa 10 recebeu pelo meio e, antes da marcação conseguir chegar, chuta de fora da área, rasteiro, no cantinho: Argentina 1 a 0.
A comemoração de Messi foi um grande momento. A torcida argentina, atrás do gol onde Messi fez o gol, vibrou muito e o ídolo foi até eles, comemorou olhando para os torcedores, sentindo aquela comemoração, aquela alegria, aquela vibração. Levantou seus braços aos seus, um aceno de alguém que é visto quase como um deus.
Depois do gol, os dois times mexeram. O México colocou em campo Raúl Jiménez no lugar de Kevin Álvarez e Uriel Antuna no lugar de Alexis Vega. A Argentina colocou em campo Cristian Romero no lugar de Angel Di Maria, fechando o time e sacando aquele que era, provavelmente, o melhor em campo pelo lado albiceleste. Entrou também Exequiel Palacios no lugar de Alexis Mac Allister.
O nervosismo ainda era grande, mas o gol tirou um peso das costas da Argentina, que temia pelo pior. Mais: já no fim do jogo, veio o gol para definir o jogo. Enzo Fernández recebeu dentro da área, após escanteio, deu um drible curto na marcação de Ericck Rodríguez e bateu colocado, bonito, de chapa. Golaço da albiceleste e festa dos sul-americanos: Argentina 2 a 0. O jogo estava definido.
Agora a situação vai para a última rodada em outros termos. A Argentina chega com três pontos e, se vencer a Polônia, tem tudo para terminar em primeiro no grupo. O México precisa vencer a Arábia Saudita e torcer para a Argentina vencer com sobras para ficar com saldo melhor. Vai ser brigado. Será tudo na quarta-feira, dia 30.
Ficha técnica
Argentina 2×0 México
Local: Estádio Lusail, em Lusail
Árbitro: Daniele Orsato (Itália)
Gols: Lionel Messi, Enzo Fernández (Argentina)
Cartões amarelos: Gonzalo Montiel (Argentina),Néstor Araujo, Erick Gutiérrez, Héctor Herrera, Roberto Alvarado (México)
Cartões vermelhos: nenhum
Argentina: Emiliano Martínez; Gonzalo Montiel (Nahuel Molina), Nicolás Otamendi, Lisandro Martínez e Marcos Acuña; Angel Di Maria (Cristian Romero), Guido Rodríguez (Enzo Fernández), Rodrigo de Paul e Alexis Mac Allister (Exequiel Palacios); Lionel Messi e Lautaro Martínez (Julian Álvarez). Técnico: Lionel Scaloni
México: Guillermo Ochoa; César Montes, Néstor Araujo, Héctor Moreno; Kevin Álvarez (Raúl Jiménez), Héctor Herrera, Andrés Guardado (Érick Gutiérrez), Luis Chavez e Jesus Gallardo; Hirving Lozano (Roberto Alvarado) e Alexis Vega (Uriel Antuna). Técnico: Gerard Martino



