Copa do Mundo

Senegal convoca um lateral para o lugar de Mané, depois que a burocracia tornou Jakobs um problema

A troca de seleção feita por Ismail Jakobs ainda não foi aprovada pela Fifa e, por isso, Aliou Cissé preferiu chamar outro lateral

A ausência de Sadio Mané é o maior problema de Senegal para a Copa do Mundo, não há discussão quanto a isso. No entanto, a carência dos Leões da Teranga nas laterais preocupa desde antes da convocação final. E o técnico Aliou Cissé ganhou um problema inesperado de última hora. A situação de Ismail Jakobs não está totalmente regularizada. O lateral nascido em Colônia atuou pelas seleções de base da Alemanha, antes de estrear por Senegal em setembro. Contudo, corre risco de não entrar em campo no Mundial por causa de entraves em sua inscrição junto à Fifa. Em consequência, o substituto de Mané na convocação é um lateral: Moussa N’Diaye, de 20 anos.

Jakobs é filho de pai senegalês e mãe alemã. Nascido em Colônia, se profissionalizou no próprio Colônia e atualmente defende o Monaco. O lateral integrou a seleção alemã que conquistou o Campeonato Europeu Sub-21 em 2021 e também esteve presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Todavia, mais recentemente, atendeu ao chamado de Senegal. O lateral disputou amistosos contra Bolívia e Irã. A princípio, não parecia haver qualquer problema ao redor da troca de elegibilidade.

Conforme a informação do site Wiw Sport, um dos principais veículos esportivos de Senegal, Jakobs teve sua troca de nacionalidade atrasada. O caso está em tramitação na Fifa, mas ainda não foi aprovado, e a federação senegalesa realizou um pedido de urgência. A questão é burocrática, já que não existem empecilhos na legislação para barrar a mudança de seleção neste caso. De qualquer maneira, não está claro se o lateral estará disponível para a estreia contra a Holanda nesta segunda e mesmo para a sequência do torneio.

Diante do problema, o técnico Aliou Cissé optou por convocar um lateral esquerdo para o lugar de Sadio Mané. O escolhido é Moussa N’Diaye, de 20 anos. O defensor nunca atuou pela seleção principal, embora tenha passagens pelos times sub-20 e sub-23. Formado pela filial senegalesa da Academia Aspire, do Catar, o jovem passou depois pela base do Barcelona. Já sua profissionalização é recente, com a camisa do Anderlecht, e ele disputou apenas seis partidas pelo Campeonato Belga. Ao menos, ganhou a posição no clube mais recentemente.

“É difícil substituir Sadio Mané. Mas temos alguns problemas administrativos com um jogador que atua na posição de Moussa N’Diaye. Conhecemos bem Moussa. Ele evoluiu com as categorias menores e é um jovem muito promissor. É por isso que ele se junta a nós. É bom para ele e para a seleção”, declarou Aliou Cissé.

Sem Jakobs, a titularidade tende a ficar com Fodé Ballo-Touré. Embora reserva do Milan, o lateral acumula convocações por Senegal desde 2021 e foi reserva na conquista da Copa Africana de Nações. Se Aliou Cissé precisar, o zagueiro Abdou Diallo ainda pode ser deslocado para o setor. Vale lembrar que o titular na CAN era Saliou Ciss. Mesmo sendo um dos destaques no título inédito, o defensor ficou sem clube nesta temporada e perdeu seu lugar nas listas por isso. Aliou Cissé não mudou de ideia nem na emergência. Outro desfalque sentido nas laterais é Bouna Sarr, frequente no lado direito, mas que sofreu uma grave lesão ligamentar.

Por fim, vale dizer que o fato de não chamar um novo atacante não rende muitos problemas a Senegal. Sem Mané, quem deve se tornar o ponta esquerda é Ismaïla Sarr, geralmente posicionado na direita e uma das principais peças ofensivas dos Leões da Teranga. Krépin Diatta tende a entrar na direita. Nomes como Nicolas Jackson, Bamba Dieng e Boulaye Dia são alternativas para atuar tanto centralizados quanto pelos lados do ataque. Na CAN, quando Diatta não foi convocado por lesão e Sarr se recuperava para a reta final do torneio, Boulaye Dia fez a dobradinha com Mané nas pontas de início.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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