Copa do Mundo

Sem Nasri ou Ribéry para ofuscá-lo, a hora é de Valbuena

Mathieu Valbuena está longe dos holofotes do futebol europeu. O meia-atacante fez toda a sua carreira pelo Olympique de Marseille. Destaque no sul da França, mas nada que o levasse a ser cobiçado por grandes clubes europeus. Ao seu lado no meio-campo, os nomes mais badalados eram outros: Franck Ribéry e Samir Nasri. Dois que renderam fortunas aos marselheses e chegaram até a barrar o baixinho. Valbuena, no entanto, continuava o seu trabalho. O suficiente para se tornar nome constante nas convocações da seleção francesa.

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Presente no elenco que fracassou na Copa de 2010, o meia se envolveu na polêmica dos Bleus naquele Mundial, participando dos protestos pela exclusão de Anelka. Chegou a ser punido por Laurent Blanc, mas logo foi integrado no ciclo seguinte da equipe. Era reserva com o treinador e viu do banco o novo vexame da França, desta vez na Eurocopa de 2012. Então, era a hora e a vez de Valbuena. Mais do que titular, se tornou protagonista com Didier Deschamps. Deixou para trás a sombra de seus dois ex-companheiros em Marselha.

Afinal, se havia um concorrente para a posição de Valbuena na ponta direita, este era Nasri. Contudo, a falta de disciplina e a inconstância minaram os espaços do jogador do Manchester City. A certeza sobre isso veio a partir do jogo de volta da repescagem da Copa, quando o meia do Marseille o substituiu no reencontro com a Ucrânia e resolveu. Hoje, os franceses nem sentem mais falta de Nasri. Além disso, a ausência de Ribéry é minimizada com o ótimo início do camisa 8 na Copa do Mundo. A partir dos lados do campo, os Bleus têm um velocista e também um articulador. Uma peça fundamental no time de Deschamps.

Benzema foi o grande destaque nas duas primeiras vitórias da França no Mundial. Matuidi, Cabaye e Pogba, os motores do meio-campo, também foram muito bem. Giroud e Griezmann fizeram as suas partes. E, por mais que acabe ofuscado pelos companheiros, Valbuena voou pelo lado direito do campo. Contra a Suíça, o baixinho teve uma atuação magistral. Definiu e criou, marcando o seu gol e também dando uma assistência. Distribuiu o jogo partindo do lado do campo, ajudando muito nas subidas dos volantes, essenciais para o jogo francês. Caiu pelas duas pontas, abrindo rombos na defesa suíça.

A pouca estatura pode ser um fator contra Valbuena. A velocidade e a visão de jogo, no entanto, apenas potencializam a vocação dos Bleus para jogar verticalmente. Se Benzema é o craque do time, o camisa 8 está sendo o seu fiel escudeiro. Outra vez, sem ter o papel principal. Mas com uma chance no Mundial que nem Nasri ou Ribéry tiveram desta vez.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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