Copa do Mundo 2026

Como seleção brasileira traça plano para blindar elenco na Copa do Mundo

Coordenador da CBF explicou como comissão técnica deve trabalhar com elenco na parte pessoal durante o Mundial

A poucos dias de estrear na Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira se prepara para iniciar a sua temporada no torneio colocando em prática o seu plano para blindar o elenco durante a competição.

Desde a rotina planejada às “normas de conduta”, a equipe nacional alinhou os limites e as recomendações para o elenco, com o objetivo de evitar que distrações externas que impactem o dia a dia dos jogadores ainda durante os amistosos contra o Panamá e o Egito.

— A gente usa o termo normas de conduta. [Tivemos] essas conversas prévias para que tivéssemos esses cuidados, para não ficar fragilizando o nosso ambiente. Se nós tivermos um ambiente coeso, forte, fechado, acho que a gente ganha força. Quando você combina, você trata com transparência, tudo fica mais fácil. E não de forma impositiva, mas até de forma educacional, explicando os porquês –, afirmou o coordenador da CBF, Rodrigo Caetano, em entrevista ao “ge”.

Para o dirigente, a última partida em solo brasileiro, contra o Panamá no próximo domingo (31) é voltada para que, além do teste contra uma seleção que se assemelha ao estilo de jogo do Haiti, os jogadores sintam confiança e o apoio da torcida antes de embarcar para os Estados Unidos, na segunda-feira (1º).

—  É óbvio que o torcedor tem essa questão da idolatria, e às vezes coloca os atletas como algo muito distante deles. Eles são seres humanos também. Então, é importante que o torcedor passe, primeiro, essa confiança nesse jogo do dia 31, e que isso se mantenha, porque os jogadores assistem televisão, têm as suas redes sociais, e eles têm um termômetro do quanto o torcedor brasileiro acredita. É importante para nós esses dias que a gente tem pela frente até o dia da estreia — declarou.

Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano durante convocação da seleção brasileira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano durante convocação da seleção brasileira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Há o componente técnico e tático também planejado de acordo com as novas regras da Fifa. Isso inclui a adaptação e o aproveitamento dos intervalos programados para hidratação, que devem ser utilizados para ajustes do elenco durante os jogos.

— Fora de campo, a gente está atento a tudo, desde o que falamos sobre as mudanças de regra, a questão da tecnologia que vai ser cada vez mais implementada para acelerar o jogo, possibilidades da pausa de hidratação que, sem dúvida alguma, tem um acréscimo de uma informação técnica e tática naquele momento, o que o Mister falou de algumas simulações que tragam essa questão do controle emocional para os atletas, do que já viveram e do que pode ser vivido — explicou Caetano.

Ancelotti durante sessão de treinamento com a seleção brasileira em Orlando, na Flórida
Ancelotti durante sessão de treinamento com a seleção brasileira em Orlando, na Flórida (Foto: Victor Eleuta/Fotoarena/Imago)

O coordenador também destacou o trabalho voltado para a concentração, mas também no componente emocional dos jogadores, onde a seleção buscará um ambiente respeitando uma maior privacidade da delegação.

— Eu sei que às vezes não tem a melhor das interpretações, mas a privacidade, a qual a gente não vai negociar, de termos ali o nosso hotel privado somente para a delegação, um acesso muito controlado. Todo mundo fala que é um sacrifício de 40 dias. Você não pode, no período em que está longe da sua família e isso aqui, qualificar isso como sacrifício. E eles, obviamente, vão ter o tempo de convívio com os familiares. A gente acredita que isso também é um treino importante — pontuou.

— Quando a gente fala em privacidade, é justamente descanso, alimentação, sono, aquilo que a vida de um atleta exige. É nesse sentido. Nós temos algumas ideias para que nos momentos vagos, de descanso, a gente possa estar interagindo, eles próprios, para que cada vez mais esses zelos estejam fortalecidos entre comissão técnica, funcionários e atletas — destacou.

No fator privacidade, aliás, o coordenador enfatizou os cuidados com o uso das redes sociais. Segundo Rodrigo Caetano, a preservação do ambiente interno é fundamental para que possíveis informações do elenco não cheguem aos adversários.

Seleção Brasileira na Granja Comary 0609
durante ciclo de Ancelotti, seleção brasileira disputou um coletivo na Granja Comary (Foto: Flickr/CBF)

— [A recomendação é] que o nosso ambiente interno, dentro das nossas possibilidades, seja preservado. Porque, além de tudo isso, determinadas informações que às vezes você passa subliminarmente, você, querendo ou não, está informando muitas vezes o seu próprio adversário, às vezes abastecendo de algum tipo de informação que deve ser privada. A gente já teve essas conversas prévias para que tivéssemos todos esses cuidados, para não ficar fragilizando o nosso ambiente. E, se nós tivermos um ambiente coeso, forte, fechado, acho que a gente ganha força — ressaltou.

Personalidade de Ancelotti e tratamento igualitário entre os jogadores

Para além do elenco, Rodrigo Caetano detalhou a convivência com Carlo Ancelotti e a sua postura desde que assumiu a equipe nacional, em maio de 2025. Para o dirigente, o italiano é capaz de trazer equilíbrio durante os momentos de tensão vividos pela canarinha.

— Quando nós temos os nossos compromissos profissionais, tanto de observação, de viagem, ele é muito disciplinado na questão de horário, na questão de cumprir. Ele entende o que ele representa, o que ele já conquistou, mas ele tem muito respeito pela seleção brasileira, para o povo brasileiro. Ele respeita demais os compromissos, que não são só profissionais, pessoais assumidos com o nosso país — ressaltou.

— É muito aberto ao diálogo. Sempre tem um papo bom, um ensinamento, uma tranquilidade. Em momentos de tensão, ele consegue realmente dar esse equilíbrio.

O coordenador também comentou sobre a convocação de Neymar para a Copa, afirmando que a escolha pelo atacante passou pela “evolução tanto física quanto técnica”, mas destacou que a comissão técnica deixou claro ao atacante que ele precisaria se dedicar para merecer jogar.

Carlo Ancelotti em treino da seleção brasileira
Carlo Ancelotti em treino da seleção brasileira. Foto: IMAGO / nogueirafoto

— No momento em que a comissão técnica e o Mister entenderam a evolução dele, tanto física como técnica, número de jogos, enfim, era necessária uma conversa com ele. Não foi passada a certeza da convocação, porque isso não fizemos e não faríamos com nenhum outro. A mensagem que o Mister recebeu também foi positiva, de o Neymar entender que, em caso de convocação, ele seria mais um integrante daqueles 26 atletas e que ia fazer de tudo para merecer minutos, para merecer oportunidade, para merecer jogar — enfatizou.

Por fim, ao ser questionado como a seleção lida com o jejum de 24 anos sem conquistar uma Copa, Rodrigo Caetano deixou claro que a delegação não conversa sobre o tópico e que prefere colocar as energias “em detalhes que realmente podem escrever a história”.

— Olha, não conversamos a respeito disso. Há outras situações que trabalhamos na parte motivacional, coesão do grupo. Esse histórico não controlamos.  É muito melhor para termos possibilidade de sucesso colocarmos energia em detalhes que realmente podem escrever a nossa história do que trazer um peso ainda maior. Esse assunto não é pauta entre nós — reforçou.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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