Copa do Mundo

Seguro de si, o Brasil soube aproveitar suas virtudes e conquistou uma grande vitória

A seleção brasileira enfrentava um jogo decisivo em Moscou. Aproveitou a ocasião para ganhar confiança e confirmar a primeira colocação do Grupo E, rumo às oitavas de final da Copa do Mundo. O time de Tite fez a mais segura de suas três exibições neste Mundial, ainda que a Sérvia tenha oferecido mais perigos no ataque do que a Costa Rica. Independentemente disso, o Brasil se defendeu bem na maior parte do jogo, soube administrar a posse de bola quando a teve, acelerou os ataques e matou a partida no momento necessário. Ao final, desfrutou a vantagem e comemorou o resultado. Se a potência física e a altura dos sérvios eram claras preocupações, os brasileiros usaram isso do outro lado, entre a arrancada de Paulinho e a cabeçada de Thiago Silva, que determinaram os 2 a 0 no placar. Resultado maiúsculo, diante das dificuldades que a partida poderia oferecer e da maneira como a Seleção se impôs sobre os seus adversários.

Philippe Coutinho mais uma vez termina como destaque, principalmente pelo que jogou no primeiro tempo. Paulinho confiou nas suas virtudes, decisivo ao placar. Neymar precisa melhorar nas conclusões, mas teve atuação satisfatória e se tornou um bom coadjuvante no contexto. Já na defesa, Thiago Silva e Miranda mantiveram o controle durante a maior parte do tempo, com o auxílio vital de Casemiro na cabeça de área. É um Brasil que lembra um pouco mais o das Eliminatórias, aguardando o momento correto para dar o bote e conquistando os resultados através disso. Há preocupações, claro, especialmente sobre as condições físicas de alguns jogadores – com Marcelo se juntando ao departamento médico. Mas a Seleção dá sinais de amadurecimento rumo aos mata-matas, se preparando agora para encarar o México nas oitavas de final.

Escalações

Tite anunciou previamente o time que enfrentaria a Sérvia e não trouxe mudanças. Sem a opção de Douglas Costa, seguia confiando em Willian na ponta direita e apostava no vigor físico de Paulinho, apesar de seu rendimento baixo na maior parte das duas primeiras rodadas. Já os sérvios vinham com novidades. Antonio Rukavina e Milos Veljkovic entraram na defesa, para dar maior mobilidade ao setor. No meio, Sergej Milinkovic-Savic virou o parceiro de Nemanja Matic, ambos como volantes. Adem Ljajic se encarregava da armação pela faixa central, com Filip Kostic mantido na ponta esquerda.

Uma força a mais

Antes que a bola rolasse em Moscou, o Brasil teve uma excelente motivação para iniciar a partida em alta voltagem. Assim como aconteceu na Copa das Confederações de 2013 e na Copa do Mundo de 2014, o hino foi cantado à capela. A torcida entoou com força a canção e até retardou os cumprimentos entre as equipes. Mostrava que os brasileiros se sentiam como locais nas arquibancadas e até deram certa leveza aos jogadores, que não esconderam as sensações através de suas expressões.

Bom início

Os primeiros minutos da seleção brasileira foram animadores. O time teve uma boa chegada logo no primeiro minuto, com Coutinho carimbando Gabriel Jesus. Pouco depois, o camisa 9 partiria com liberdade, mas estava impedido. O Brasil sinalizava aproveitar mais a velocidade de seu ataque do que nos outros jogos anteriores, por mais que mantivesse a posse de bola. Segurava a construção a partir da defesa, antes de acelerar no campo de ataque. A Sérvia também não fazia uma marcação tão agressiva.

O lamento de Marcelo

O Brasil, no entanto, precisou lidar com um baque emocional logo aos sete minutos. Marcelo sentiu uma dor lombar e foi substituído por Filipe Luís. Apesar da qualidade do reserva, a equipe mudava um pouco as suas características pela esquerda e perdia uma liderança. Foram minutos mornos à partida, em que os brasileiros não acertavam os passes mais agudos e os sérvios se limitavam às bolas alçadas. Neste ponto, a Seleção se saía bem na defesa, segura diante dos cruzamentos. Mesmo por vezes sobrecarregado, Casemiro parecia se multiplicar e vinha muito bem nas coberturas. É o ponto de acerto quando o time se desequilibra e, por isso, fundamental à engrenagem.

O Brasil volta a crescer

Neymar não precisava concentrar o jogo em si e se saía bem quando aparecia. Aos 24, quase abriu o placar. Tabelou com Gabriel Jesus e, diante da confusão na área, conseguiu finalizar, exigindo ótima defesa de Stojkovic. Já aos 28, o camisa 10 retribuiu o presente. Deu ótimo passe para Gabriel Jesus, que cortou a marcação, mas demorou demais a finalizar e permitiu que travassem seu chute dentro da área. Era um Brasil mais soltou e mais direto, apesar das dificuldades em encarar o contato físico da Sérvia. Os europeus, porém, faziam pouco no ataque. Diante de uma seleção brasileira bem protegida, não sobraram tantos espaços a Aleksandar Mitrovic dentro da área.

Sai o gol de Paulinho

O Brasil tinha um maestro claro no primeiro tempo: Philippe Coutinho. O camisa 11 fazia outra boa partida no Mundial, mas estava especialmente inspirado em Moscou. Teve seus melhores 45 minutos no Mundial, ditando o ritmo do Brasil, distribuindo os passes e criando quando era necessário arriscar um pouco mais. Aos 35 minutos, o gol começa a nascer em seus pés. O meia descolou um lançamento magistral para Paulinho, se projetando ao ataque. Mas vale destacar também a movimentação inteligente de Gabriel Jesus, que puxou a marcação e abriu o espaço ao companheiro. Paulinho arrancou e, de frente para o gol, mostrou seu talento ao dar um sutil toque para tirar a bola do alcance de Stojkovic. Belo gol que também paga a aposta de Tite, ao confiar na potência de seu meio-campista.

Sérvia mais passiva

Assim como aconteceu contra a Suíça, o Brasil encontrou um time mais forte fisicamente. Mas se os suíços aumentavam a pressão, os sérvios esperavam um pouco mais e tentavam se impor no contato quando os jogadores brasileiros tentavam partir para cima. Não à toa, aconteceram algumas faltas um pouco mais duras. Já no ataque, pendendo à esquerda, a equipe sentia falta das aproximações de Sergej Milinkovic-Savic, que funcionaram nas duas primeiras partidas. Mais recuado, o jovem era discreto.

No segundo tempo, quase o Brasil amplia

Como era de se esperar, a Sérvia teve mais iniciativa no segundo tempo. Passou a dominar a posse de bola e a buscar o campo de ataque, principalmente pelos lados do campo. O Brasil, em compensação, tinha espaço para contra-atacar. Em um lance de velocidade pela direita, Willian segurou um pouco mais, mas o passe rasteiro em direção à pequena área assustou. A Sérvia até levou perigo, em cruzamento que Miranda afastou com autoridade. Já aos 10 minutos, a Seleção conseguiu construir um excelente contra-ataque. Coutinho lançou Neymar, que arrancou e partiu em direção à área. Esperou se aproximar um pouco mais do gol para arriscar e o chute não foi tão bom, apesar da intervenção salvadora de Stojkovic.

A Sérvia cresce

Se concentrava um pouco mais o jogo pela esquerda durante o primeiro tempo, a Sérvia passou a investir pela direita na sequência da partida. Contava com o apoio de Rukavina e a qualidade de Tadic. Mais do que isso, também poderia aproveitar a baixa estatura de Fágner na marcação das bolas altas. O Brasil precisou prender a respiração. Alisson teve dificuldades em cortar um cruzamento a meia altura e o rebote ficou com Mitrovic. O centroavante cabeceou no susto, mas Thiago Silva se agigantou à sua frente e salvou com as pernas. Pouco depois, o camisa 9 subiu nas costas de Fágner e cabeceou, com Alisson segurando firme.

Thiago Silva alivia com o gol

Tite reforçou a marcação, com a entrada de Fernandinho no lugar de Paulinho. E o Brasil não passaria tantos apuros assim. O segundo gol saiu aos 22 minutos, a partir de um escanteio cobrado por Neymar. A dupla de zaga brasileira faz uma ótima fase de grupos na Copa do Mundo, apesar das críticas recebidas na falha coletiva que permitiu o gol da Suíça na estreia. Pois desta vez Miranda e Thiago Silva se combinaram muito bem para resolver no ataque. Miranda se antecipou a Mitrovic e bloqueou a passagem do centroavante, responsável por afastar o perigo no primeiro pau. Então, Thiago subiu para desviar de cabeça e balançar as redes

Menor intensidade

Assim como tinha acontecido nos dois primeiros jogos, a Sérvia sentiu o passar dos minutos e se cansou. A diferença no placar também diminuiu o ímpeto da equipe e o Brasil poderia ter feito o terceiro. Filipe Luís exigiu boa defesa de Stojkovic em pancada de média distância, enquanto Neymar apareceu duas vezes, mas não conseguiu limpar o caminho na hora de finalizar. A entrada de Renato Augusto no lugar de Coutinho ajudou o Brasil a administrar um pouco mais a vantagem. Os sérvios, quando ameaçaram, mais uma vez viram a zaga brasileira se agigantar para cortar o cruzamento. Por fim, no último lance da partida, Neymar ainda tentou driblar Stojkovic, mas parou no goleiro. Nada que atrapalhasse a festa pela boa vitória e confirmação do primeiro lugar.

Ficha técnica

Brasil 2×0 Sérvia

Local: Otkrytie Arena, em Moscou
Árbitro: Alireza Faghani (IRN)
Gols: Paulinho, aos 35’/1T; Thiago Silva, aos 22’/2T
Cartões amarelos: Matic, Ljajic, Mitrovic (Sérvia)
Cartões vermelhos: Nenhum

Brasil
Alisson, Fágner, Thiago Silva, Miranda, Marcelo (Filipe Luís); Casemiro; Willian, Paulinho (Fernandinho), Philippe Coutinho (Renato Augusto), Neymar; Gabriel Jesus. Técnico: Tite.

Sérvia
Vladimir Stojkovic, Antonio Rukavina, Nikola Milenkovic, Milos Veljkovic, Aleksandar Kolarov; Nemanja Matic, Sergej Milinkovic-Savic; Dusan Tadic, Adem Ljajic (Andrija Zivkovic), Filip Kostic (Nemanja Radonjic); Aleksandar Mitrovic (Luka Jovic). Técnico: Mladen Krstajic.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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