Copa do Mundo

Se mudou a história contra a Alemanha, foi difícil entender as escolhas de Moriyasu para um jogo tão importante

A vitória contra a Costa Rica classificaria o Japão às oitavas de final, mas ele usou poucos dos destaques que saíram do banco de reservas para virar contra a Alemanha

As coisas mudam rápido no futebol. O técnico da seleção japonesa, Hajime Moriyasu, ganhou merecidos elogios pela maneira como usou o seu elenco para reagir contra a Alemanha e vencer de virada na primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. E agora merece críticas por insistir em rodar demais os seus jogadores de ataque, mal conseguir ameaçar uma Costa Rica que havia levado sete gols da Espanha e perder a chance de se classificar às oitavas de final com uma rodada de antecedência.

Moriyasu joga em um 4-2-3-1. A base do meio-campo costuma ser mantida, com Wataru Endo e Daichi Kamada, o meia-armador. O outro volante, Ao Tanaka, deu lugar a Hidemasa Morita. Os três atacantes mudam bastante. Ele não usou o mesmo trio ofensivo em nenhum dos sete amistosos realizados em 2022. Nos últimos quatro jogos das Eliminatórias Asiáticas, no começo do ano, Takumi Minanimo e Junya Ito foram titulares em três.

Era de se esperar que a rotação dos amistoso seria uma maneira de testar e buscar a melhor formação, e uma dica boa era usar os caras que tanto castigaram a Alemanha. No entanto, dos reserva mais importantes naquela virada, apenas Ritsu Doan começou jogando, ao lado de Yuki Soma e Ayase Ueda. Takuma Asano entrou no intervalo. Kaoru Mitoma, o que mais havia impressionado, apenas aos 17 minutos da etapa final.

Rodar o ataque não foi tanto um problema quanto as escolhas que Moriyasu fez. Ao contrário da estreia, era uma partida para a qual o Japão era favorito e enfrentaria um time fechado, em busca daquela uma bola – que apareceu – e preocupado em limitar danos após a vexatória goleada da primeira rodada. E nem assim o Japão conseguiu manter a posse de bola no primeiro tempo (apenas 42%), com apenas duas finalizações.

A entrada de Asano no lugar de Ueda no intervalo melhorou um pouco. Como no jogo anterior, Mitoma substituiu um lateral, agora Miki Yamane, pela direita. Cinco minutos depois, Moriyasu introduziu Junya Ito. Minamino apareceu apenas a oito minutos do fim. O seu segundo tempo foi bem melhor, agora sim com uma postura impositiva, dominando a bola e finalizando bem mais. Ainda sofreu para criar nessa situação, uma das suas deficiências, mas ficou mais próximo do que se esperava.

Em uma única chegada, porém, e contando com falha do goleiro Shuichi Gonda, a Costa Rica marcou com Keysher Fuller e deixou o Japão em uma situação desconfortável. Precisará buscar alguma coisa contra a Espanha na última rodada, mesmo se a Alemanha perder o clássico europeu de mais tarde, e também vai saber qual escalação Moriyasu utilizará para essa partida.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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