Copa do MundoCopa do Mundo Feminina

Se está sobrando dinheiro na Fifa, por que não aproximar o prêmio da Copa feminina ao da masculina?

A Copa do Mundo da França foi um marco para o futebol feminino. Nunca antes houve tanta atenção, o que se refletiu nos números de audiência. Ainda com dois jogos pela frente, a Fifa projeta um total de Gianni Infantino anunciou cinco propostas para continuar o desenvolvimento do jogo das mulheres.

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As principais delas envolvem dinheiro: dobrar o investimento planejado para os próximos quatro anos, de US$ 500 milhões para US$ 1 bilhão e a premiação da Copa do Mundo Feminina, de US$ 30 milhões para US$ 60 milhões. Elas foram apresentadas junto com uma confissão curiosa do presidente. Aparentemente, está sobrando dinheiro na Fifa, com as reservas na casa dos US$ 2,7 bilhões. “Não precisamos de todo esse dinheiro em bancos suíços. Os bancos suíços têm dinheiro o bastante”, afirmou, segundo o New York Times.

A ironia é que a Fifa também tem dinheiro mais do que o bastante, o que torna constrangedor se esconder atrás do argumento mercadológico para explicar a diferença gritante entre os prêmios dos seus dois principais eventos. Embora tenha dobrado o total das mulheres entre 2015 e 2019, de US$ 15 milhões para US$ 30 milhões, a diferença para a Copa do Mundo Masculina cresceu US$ 27 milhões (de US$ 343 milhões para US$ 370 milhões).

Uma nova multiplicação por dois não resolveria o problema da disparidade. Os US$ 60 milhões propostos ainda estão a léguas de distância dos US$ 400 milhões concedidos pelo torneio da Rússia. Somente a França levou US$ 38 milhões, mais do que todo o Mundial feminino deste ano, e a Copa do Catar provavelmente apresentará outro aumento importante na sua premiação.

Ninguém nega que a Copa do Mundo masculina gera mais dinheiro do que a feminina, mas, se Infantino está tentando esvaziar os cofres dos bancos suíços, por que não usar esses fundos para promover um pagamento mais igualitário aos homens e as mulheres que disputam seu torneio? Seria um ato altamente simbólico no momento em que jogadoras em diversos países brigam com suas federações por condições financeiras mais próximas às dos jogadores.

Infantino também colocará ao conselho da Fifa e às associações a proposta de aumentar o número de participantes da Copa do Mundo Feminina, que começou com 12, em 1991, 16 em 1999, 24 em 2015 e, se o plano de Infantino der certo, 32 em 2023, ainda sem sede definida. “Temos que agir rapidamente se vamos aumentar para 2023. Se fizermos isso, devemos reabrir o processo de candidatura para que todos tenham a chance de, talvez, ter um co-anfitrião. Nada é impossível”, disse.

Sob a supervisão de Infantino, a Fifa transformou a Copa do Mundo masculina em um monstrengo com 48 seleções e parece não resistir a um expansionismo. O risco para o futebol feminino é também de imagem, ao integrar equipes mais fracas ao torneio, logo depois de uma edição com alto nível técnico, que apenas começou a rebater as críticas de que o jogo das mulheres é ruim. A evolução da modalidade ainda se concentra em centros ricos, como a Europa, enquanto engatinha em outras regiões.

Por fim, Infantino também propôs um Mundial de Clubes para os clubes femininos e uma espécie de Liga das Nações Mundial, nos moldes da europeia no masculino, para contribuir ao processo de classificação para a Copa do Mundo. “Às vezes, a classificação para a Copa é baseada em apenas um torneio, às vezes nem isso. Isso assegurará o crescimento dos padrões no mundo inteiro”, disse. Tudo ainda tem que passar pelo conselho da Fifa antes de virar realidade.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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