Rüdiger: ‘Refugiados não têm outra escolha. É importante que sejam ouvidos’
Pais de zagueiro do Real Madrid precisaram deixar Serra Leoa com o início da guerra civil no país, na década de 1990
Antonio Rüdiger se prepara para disputar sua terceira Copa do Mundo com a seleção alemã. De contrato renovado com o Real Madrid, o zagueiro se tornou uma voz ativa nas causas sociais ao longo dos últimos anos, em especial dos imigrantes e refugiados. Sua mãe, Lily, é natural de Serra Leoa e deixou o continente africano para encontrar novas oportunidades na Europa.
Lily deixou Serra Leoa junto com o pai de Rüdiger, Matthias, no início da Guerra Civil no país. Por isso, o zagueiro cresceu em Berlim, em uma comunidade composta, em sua maioria, por refugiados. Ao “The Guardian”, o jogador contou que foi o futebol que o afastou de problemas enquanto vivia na região.
Em maio, Rüdiger passou a representar a Equipe Gamechanger da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), um time de futebol simbólico com jogadores que tiveram de se refugiar ou passaram por problemas semelhantes ao do zagueiro alemão em suas vidas. Um destes é Alphonso Davies, lateral do Bayern de Munique e da seleção canadense.
— Não tínhamos telefones para ligar uns para os outros e dizer: ‘Ei, vamos nos encontrar’. Simplesmente olhávamos pela janela, víamos uns rapazes jogando futebol e decidíamos: ‘Vamos lá’. Era assim que nos organizávamos — relembra o zagueiro.
— Isso é o que há de bom na Alemanha: tem campos assim por toda parte. Só que hoje em dia eles não são mais muito usados, porque somos seres humanos e mudamos para uma vida digital — refletiu Rüdiger.
Pais de Rüdiger tiveram de se refugiar na Alemanha com início da guerra civil
O projeto da ACNUR mira acolher jovens deslocados por guerras e perseguição em seus respectivos países. Ainda na infância, Rüdiger criou laços em sua comunidade por meio da “linguagem universal” do futebol.
— Se alguém não falasse a língua, nos entendíamos por meio da língua do futebol. Era ótimo, e isso continua até hoje. Hoje jogamos com tantas pessoas de origens diferentes: negros, brancos, seja lá o que for — isso não importa — conta o zagueiro.
Seus pais precisaram deixar Serra Leoa em 1991. O conflito no país, em que a Frente Revolucionária Unida tentou destronar o governo em vigor, durou 11 anos e provocou o deslocamento de cerca de 2,5 milhões de pessoas durante o período, com a destruição de casas e vilarejos.
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Lily e Matthias, além de escapar do conflito, viajaram à Alemanha como alternativa para o futuro de Rüdiger e de seus cinco irmãos. Somente o zagueiro e uma outra irmã nasceram na Europa. Já adulto, conversou com seus pais sobre essa mudança de vida como refugiados.
— Você sente o maior respeito por eles (refugiados). Não é fácil deixar um lugar para trás e recomeçar em outro. Não têm outra escolha. Como isso aconteceu com a minha família, consigo compreender essas pessoas e me solidarizar com elas. É importante que elas sejam ouvidas — afirmou o zagueiro.
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Rüdiger teve dificuldades com o Real Madrid em 2026
Durante 2025/26, o zagueiro teve de lidar com a incerteza de seu futuro profissional. Seu contrato com o Real Madrid se encerraria ao final desta temporada, mas teve seu vínculo renovado por mais um ano pelo presidente Florentino Pérez. Além disso, o jogador sofreu com os problemas pelo qual o clube passou ao longo dos últimos meses.
A troca de treinadores, de Xabi Alonso para Álvaro Arbeloa, prejudicou o desempenho da equipe na temporada. Pelo segundo ano consecutivo, o Real Madrid não conquistou um título de grande nível (LaLiga, Copa do Rei ou Champions League).
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— Há muito barulho. Isso é futebol, pode acontecer. Mas o que você quer que a gente faça? No fim das contas, devemos continuar chorando pelas últimas temporadas? Não. Tirar as conclusões certas e seguir em frente, porque o que se perdeu agora não dá para recuperar — refletiu Rüdiger.
Para 2026/27, o zagueiro deverá ter José Mourinho no comando do Real Madrid — caso Florentino seja reeleito. Enquanto isso, com a seleção alemã, tentará recolocar a equipe no mata-mata da Copa do Mundo pela primeira vez desde 2014.