Copa do Mundo
Tendência

Posição por posição, uma lista de jogadores que se destacaram individualmente na Copa

Aproveitamos o final da Copa do Mundo para fazer um balanço dos destaques individuais da competição

Quando a Copa do Mundo chega ao fim, um dos exercícios mais legais de se fazer é montar a seleção do campeonato. Curiosamente, o Mundial de 2022 nem permite tantas variações assim. É claro, há aberturas em várias posições, mas diversos destaques são praticamente impositivos num 11 ideal. E para ajudar nessa reflexão, resolvemos listar uma série de jogadores de bom rendimento no Catar, posição por posição. A lista abaixo não tem qualquer intenção de ser definitiva, longe disso. Assim, fica a abertura para adições e também contestações na caixa de comentários. No que no geral foi uma Copa de bom nível (especialmente de emoção), não são poucos os nomes que saem em alta.

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Goleiros

A defesa da Copa: Kolo Muani para em Martínez (Foto: Buda Mendes/Getty Images/One Football)

A final da Copa do Mundo colocou Emiliano Martínez num lugar especial na história da competição. Não apenas pegou um pênalti fundamental para a conquista, mas fez uma defesa monumental nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação que valeu até mais que o penal. O camisa 23 argentino se agigantou em momentos decisivos (os acréscimos contra a Austrália, os pênaltis contra a Holanda) e, até por isso, levou a Luva de Ouro. Mas havia também debate. Dominik Livakovic igualmente foi herói nos pênaltis e beirou a perfeição em seus gestos técnicos, sobretudo na partida contra o Brasil. Sempre firme e com ótimo posicionamento. Bono foi outro enorme herói dos penais e também de defesas excelentes com bola rolando, sobretudo na classificação diante de Portugal. Já a Copa de Wojciech Szczesny foi o que garantiu uma campanha tão longa à Polônia. Pegou pênaltis em duas partidas, estupendo contra a Argentina mesmo derrotado. E ainda vale uma menção a Andries Noppert, que viveu um conto de fadas na meta da Holanda e serviu como uma das razões à campanha longa da equipe, com ótimas intervenções desde a fase de grupos.

Laterais

Hakimi comemora (Elsa/Getty Images)

Uma posição em carência ao redor do mundo também teve nomes relativamente escassos na Copa. Na lateral direita, Achraf Hakimi ganhou muitos elogios, de maneira devida. Foi essencial nas subidas ofensivas de Marrocos e também apresentou muita consistência na defesa – a ponto de terminar a competição como recordista em desarmes. Josip Juranovic chamou atenção positivamente na Croácia, com boa capacidade ofensiva e regularidade ao longo da competição. Sua melhor atuação foi mesmo contra o Brasil, quando se tornou um tormento no campo adversário. De resto, ninguém manteve uma régua tão alta. Diogo Dalot fez duas ótimas partidas contra Coreia do Sul e Suíça, mas não evitou a queda contra Marrocos. Kyle Walker jogou pouco, mas foi bem nos mata-matas, em especial na árdua missão de marcar Mbappé. E, dentro de todas as limitações pelo improviso, Éder Militão quebrou um bom galho no Brasil – mas sem ser brilhante.

Pela esquerda, Theo Hernández teve as melhores atuações de um lateral em seu flanco. Foi excepcional na fase de grupos e também decisivo na semifinal. Seu problema é que caiu muito nas quartas e na decisão, virando até um calcanhar de Aquiles da França. Nicolás Tagliafico sai da Copa pouco falado, mas foi muito bem nas partidas que mais valiam, as duas últimas da Argentina. Noussair Mazraoui entrou improvisado pelo lado esquerdo de Marrocos e não foi o apoiador possante de outros momentos de sua carreira, mas também deixou o Mundial com um saldo positivo. Jordi Alba não evitou os problemas da Espanha na eliminação, mas no geral foi um dos melhores da equipe. Ainda vale citar aqueles que não passaram da fase de grupos e ainda assim individualmente foram bem, em especial Pervis Estupiñán e Alphonso Davies.

Zagueiros

Gvardiol, da Croácia (Foto: OZAN KOSE/AFP via Getty Images/One Football)

Talvez a grande unanimidade entre os zagueiros da Copa do Mundo tenha sido Josko Gvardiol – mesmo tomando aquele baile de Messi. O croata foi muito sólido durante todo o Mundial, liderou estatísticas defensivas e garantiu uma campanha tão longa dos croatas. A Argentina campeã se valeu demais de Cristian Romero, que cresceu na competição e se tornou um ponto de confiança nos mata-matas, especialmente pelo papel na final. Nicolás Otamendi vinha até melhor que o parceiro, mas não foi bem contra a França. Do lado dos Bleus, aliás, Dayot Upamecano seria primordial. Ainda cometeu erros pontuais em alguns momentos, mas foi dominante na maior parte do tempo e também decisivo com suas intervenções. Ao lado de um Raphaël Varane um pouco abaixo de seu melhor físico e de um Ibrahima Konaté pontualmente bem, foi o camisa 18 quem melhor jogou.

Alguns caras deram a impressão de que poderiam ter jogado mais tempo para competir com mais força pela seleção do campeonato. Isso passa por Nayef Aguerd e Romain Saïss, gigantescos no miolo da zaga de Marrocos. Combinaram técnica e firmeza, mas os problemas físicos custaram demais a ambos. Entre aqueles que saíram mais cedo da Copa, Thiago Silva provavelmente foi o melhor brasileiro do Mundial, com menção ainda a Marquinhos. A despeito da idade, Pepe fez um senhor Mundial com Portugal e ajudou inclusive o ataque. Já entre os eliminados nas oitavas, fica o lamento pelo australiano Harry Souttar, certamente um dos melhores do torneio até então. Kalidou Koulibaly não deu conta contra a Inglaterra, mas fez uma fase de grupos maiúscula.

Meio-campistas

Modric, da Croácia (Richard Heathcote/Getty Images)

No geral, a posição mais bem servida nesta Copa do Mundo. A começar pelos jogadores de Marrocos. Sofyan Amrabat impressionou pela maneira como deu combate na cabeça de área de sua equipe. Foi um dos marcadores mais implacáveis e também altivo nas construções. Ao seu lado, Azzedine Ounahi foi uma grata surpresa da Copa, pela forma como desempenhou em alto nível. Completíssimo, desde a pressão sem a bola, até os dribles e a capacidade na transição. Outro semifinalista em que todo mundo no meio-campo merece elogios é a Croácia. Luka Modric flutuou em mais um Mundial, ditando não só o tempo de seu time, como também dos adversários. Sublime contra o Brasil. Mateo Kovacic ajudou os croatas a terem seus melhores momentos durante a Copa, e inclusive foi o melhor na queda contra a Argentina. E não dá para menosprezar o que fez Marcelo Brozovic para carregar o piano e estar onipresente em todos os cantos.

Enzo Fernández chegou à Copa do Mundo como um possível nome a despontar e foi quem realmente acertou o time da Argentina. Magnífico no gol contra o México, depois foi o cara que mandou prender e soltar ao longo das demais partidas. Alexis Mac Allister foi mais um que chegou depois, mas igualmente melhorou a Albiceleste. Bem no lado esquerdo para fazer um trabalho de aproximação com o ataque, com direito a uma partidaça diante da Polônia. Já Rodrigo de Paul foi de menos a mais ao longo do Mundial. Na reta final, voltou a ser o homem do trabalho mais árduo e incansável da Scaloneta. Os três meio-campistas argentinos, aliás, fizeram uma baita final. Já a vice-campeã França teve em Aurélien Tchouaméni um volante à altura dos desfalques do time que não foram à Copa. Por vezes carregou os franceses em momentos de provação, a exemplo do que ocorreu contra a Inglaterra. Ainda vale a menção a Adrien Rabiot, que surpreendeu positivamente. Partidaças, ainda que a gripe o tenha atrapalhado no final da competição.

Durante a fase de grupos, Casemiro se colocava como o melhor volante. Foi silencioso contra a Coreia do Sul e terminou travado pela estratégia da Croácia. Jude Bellingham foi o melhor jogador da Inglaterra, o principal responsável pelo dinamismo dos Three Lions e com um futuro aberto pela frente. Já em Portugal, apesar do ápice pontual, Otávio foi espetacular contra a Suíça. Eliminados ainda mais cedo, o japonês Wataru Endo e o americano Tyler Adams se colocam entre os melhores de suas equipes na competição. E a fase de grupos ainda teve ótimas participações do tunisiano Aïssa Laïdouni e do saudita Mohamed Kanno.

Pontas / Meias

Antoine Griezmann (KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP via Getty Images/One Football)

A melhor dupla de pontas da Copa do Mundo esteve em Marrocos. Hakim Ziyech foi um alvo constante de seu time e definiu boa parte dos lances ofensivos. Um líder, que por tantas vezes tinha o apoio de Sofiane Boufal. Em termos de dribles e aquela dose de magia, um dos mais encantadores do Mundial. Na Croácia, Ivan Perisic foi mais do que um mero ponta. Deu escape ao time, mas também capacidade de definição. Quem também não fica muito abaixo nessas menções é Bruno Fernandes, excelente por Portugal. Candidato a melhor jogador da fase de grupos e ainda com uma noite especial diante da Suíça nas oitavas. A Inglaterra ainda teve uma versão imparável de Bukayo Saka em tantos momentos, tormento à França. Já a Holanda chegou tão longe com o auxílio primordial de Cody Gakpo, muito efetivo sobretudo na fase de grupos, atuando de diferentes maneiras.

Tudo bem que Ángel Di María mal participou dos mata-matas, mas os 64 minutos de sua final falam por si. Foi uma senhora atuação do camisa 11, daquelas que entram para a antologia da seleção argentina – e para sua própria idolatria. Não é exagero dizer que foi o melhor da decisão. Já quem não entregou muito na finalíssima, mas no geral fez um Mundial sensacional, foi Antoine Griezmann. É até difícil encaixá-lo nessa lista, porque o camisa 7 jogou de todo-campista. Mais presente na armação da França, foi um dos jogadores mais criativos do torneio, mas também muito ligado sem a bola.

Dentre os eliminados nas oitavas, Pedri talvez foi o elemento mais reluzente da Espanha, e também que mais buscou um jogo efetivamente ofensivo. Ismaïla Sarr encabeçou o ataque de Senegal em tantos momentos, como um digno substituto de Sadio Mané, mesmo sem ter o talento do craque. Ritsu Doan foi o melhor dos super substitutos do Japão, decisivo nas duas grandes vitórias da fase de grupos. Dos eliminados na fase de grupos, Jamal Musiala teve grandes lances individuais (sem bons desfechos) e Mohamed Kudus merecia uma Copa mais longa pela maneira como arrebentou por Gana – o melhor jogador dos 16 times eliminados.

Atacantes

Lionel Messi, da Argentina (Lars Baron/Getty Images)

Sim, tecnicamente Kylian Mbappé deveria entrar como ponta. Foi assim que atuou durante grande parte da Copa. Mas ninguém simboliza melhor a figura de um atacante no imaginário do que o camisa 10 da França, artilheiro da competição. Foi um verdadeiro pesadelo a quem tentasse controlá-lo. Muito acima dos outros fisicamente e também ótimo tecnicamente na maior parte da Copa. Na final, sua melhor exibição, rendeu mais quando atuou centralizado na linha de frente. E o curioso é que o Bola de Ouro do Mundial, Lionel Messi, também não se encaixa tão facilmente nos padrões. Messi jogou de Messi: aquele que pega a bola, dribla, abre espaço, cria, finaliza, arrasta a marcação. É uma versão mais cerebral do que a veloz de outros tempos, mas ainda assim superior à maioria absoluta dos adversários. O cardápio de grandes partidas do camisa 10 foi completo, com versões inesquecíveis a cada partida, sobretudo durante os mata-matas.

Nenhum outro atacante se aproxima dos dois melhores. Olivier Giroud, a despeito da saída precoce na decisão, permitiu que a campanha da França fosse mais longa. O mesmo fez Julián Álvarez na Argentina (até melhor), ao acertar o time e permitir não apenas muita mobilidade, mas também variações. Entregou quatro gols. Harry Kane fica marcado pelo pênalti perdido, mas sua Copa em 2022 foi melhor que em 2018, ao fazer a Inglaterra jogar a partir de seu papel mais recuado. Richarlison saiu com um dos mais belos gols da história das Copas e um nível até acima de seu habitual pelo Brasil. Gonçalo Ramos não teve muitas chances, mas fez uma partida inesquecível por Portugal contra a Suíça. Uma pena ainda as Copas curtas do equatoriano Enner Valencia e do camaronês Vincent Aboubakar, dois dos melhores personagens ao longo da fase de grupos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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