Copa do Mundo

As 10 partidas mais surpreendentes da história das Copas do Mundo

Triunfos históricos de Coreia do Norte, Eslováquia e grupo seleto marcaram os Mundiais; veja lista

A beleza da Copa do Mundo é que nenhum resultado é jamais garantido. Com tantas culturas futebolísticas diferentes vindas de todos os cantos do globo se encontrando, ninguém consegue prever ou se preparar perfeitamente para o que está por vir.

Seja uma grande nação subestimando uma seleção menor, ou um time cheio de astros desmoronando sobre si mesmo, todo Mundial registra resultados que chocam o planeta, e é justamente isso que torna a competição tão especial e icônica.

A Trivela lista aqui dez dos resultados mais surpreendentes da história das Copas do Mundo.

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10. Argentina 2×3 Romênia (oitavas de final, Estados Unidos 1994)

Romênia e Argentina duelaram na Copa do Mundo de 1994
Romênia e Argentina duelaram na Copa do Mundo de 1994. Foto: IMAGO / WEREK

A Argentina já havia sofrido uma derrota surpreendente na Copa anterior, quando Camarões venceu na partida de abertura do Mundial de 1990, mas isso não atrapalhou o seu torneio, com a seleção chegando à final mesmo assim. Quatro anos depois, nos Estados Unidos, outra seleção vivia o seu momento sob os holofotes: a Romênia. E elas se enfrentariam nas oitavas de final.

Com o lendário Gheorghe Hagi entre seus jogadores, ao lado de outros nomes notáveis como Dan Petrescu, Ilie Dumitrescu, Miodrag Belodedici e Florin Raducioiu, os Tricolorii lideraram seu grupo, derrotando inclusive os anfitriões no caminho.

Esse, no entanto, seria seu maior teste, e as duas seleções fizeram um jogo que entrou para a história. A Romênia derrotou uma Argentina sem Diego Maradona, mas que ainda contava com nomes como Gabriel Batistuta, Fernando Redondo e Diego Simeone.

Hagi e Dumitrescu deram um show, ambos com participações nos três gols. Após chegar a três das quatro últimas finais de Copa, a Argentina voltava para casa cedo daquela vez.

9. Espanha 1×5 Países Baixos (fase de grupos, Brasil 2014)

Espanha e Países Baixos em jogo na Copa do Mundo de 2014
Espanha e Países Baixos em jogo na Copa do Mundo de 2014. Foto: IMAGO / BSR Agency

Em uma Copa do Mundo que ofereceu uma lista aparentemente interminável de resultados surpreendentes, eliminações e placares chocantes, este figura entre os mais impressionantes de todos, pois deu início a uma Copa trágica para a então campeã Espanha.

Esta era, sem dúvida, a partida mais aguardada da fase de grupos, colocando frente a frente dois pesos-pesados europeus, mas o abismo de qualidade naquela noite chocou o mundo inteiro e marcou o início da queda do time espanhol que dominou o futebol internacional pelos seis anos anteriores.

Após o famoso cabeceio de Robin van Persie ter empatado o jogo no fim do primeiro tempo, a equipe de Louis van Gaal atropelou. Em particular, Arjen Robben fez uma das melhores atuações individuais de qualquer jogador no torneio. A velocidade impressionante para o quinto e último gol e a calma para humilhar a defesa espanhola foram pura arte do então atacante do Bayern de Munique.

Apesar de ter destruído La Roja e atropelado na fase de grupos antes de terminar em terceiro no Brasil, a Orange ficaria sete anos sem disputar outra grande competição, o que reforça mais uma vez a beleza do futebol, em que nada é garantido.

8. Alemanha Ocidental 3×2 Hungria (final, Suíça 1954)

Alemanha Ocidental surpreendeu e venceu a favorita Hungria na final da Copa do Mundo 1954
Alemanha Ocidental surpreendeu e venceu a favorita Hungria na final da Copa do Mundo 1954. Foto: IMAGO / Schirner Sportfoto

O “Wunder von Bern” (Milagre de Berna) pode não parecer um placar tão surpreendente assim, mas considerando o pano de fundo dessa final de Copa em 1954, ele merece um lugar entre os resultados mais surpreendentes da história da competição. Apenas nove anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, e com o país dividido em dois, ambas as Alemanhas ainda se reerguiam dos danos catastróficos e das perdas humanas do conflito.

A Hungria, por outro lado, era inquestionavelmente a melhor seleção do mundo nos anos 1950, revolucionando o futebol como o conhecemos. Ferenc Puskás, Sándor Kocsis e Nándor Hidegkuti eram os principais astros da seleção. Sua marca pioneira de “Futebol Total” levou à goleada por 8 a 3 sobre a própria Alemanha Ocidental ainda na primeira fase, antes de bater Brasil e Uruguai no caminho até a final, marcando 25 gols em apenas quatro partidas no Mundial.

Após abrir 2 a 0 nos primeiros oito minutos da final, o nome da Hungria já estava praticamente gravado na taça. Mas, para o choque de milhões de espectadores, a Alemanha Ocidental empatou em 2 a 2 apenas 10 minutos depois, e um gol de Helmut Rahn aos 39 do segundo tempo selou a vitória dos azarões, que conquistavam o seu primeiro título mundial.

A reação na Hungria viu manifestações contra o governo comunista que comandava o país, evento que, segundo se acredita, plantou as sementes da revolta de 1956, que, em termos futebolísticos, praticamente acabou aquela grande equipe. Muitos jogadores e treinadores emigraram, e a Hungria, infelizmente, nunca mais voltou a alcançar tais patamares.

7. Itália 0x1 Coreia do Norte (fase de grupos, Inglaterra 1966)

Coreia do Norte fez campanha marcante na Copa do Mundo de 1966
Coreia do Norte fez campanha marcante na Copa do Mundo de 1966. Foto: IMAGO / Buzzi

A Copa do Mundo de 1966 é amplamente lembrada em solo inglês por ser a única vez em que a Inglaterra venceu uma grande competição. No entanto, para Itália e Coreia do Norte, o torneio tem um significado bem diferente.

A confederação asiática era vista como tão fraca em 1966 que a Coreia do Norte teria de jogar contra um dos três representantes da África, depois de vencer sua própria competição continental, apenas para se classificar à fase final. As desistências na Ásia e na África abriram o caminho para que os norte-coreanos fossem a única seleção não europeia ou americana presente. Mas, com as dificuldades políticas que envolviam o reconhecimento do país após a Guerra da Coreia, o Reino Unido só permitiu sua entrada após pressão da Fifa.

A Itália também não vivia bom momento. O desastre aéreo de Superga em 1949, que matou boa parte da seleção, ainda pesava sobre a nação e sobre o time, que não passou da fase de grupos em nenhuma das suas participações desde a conquista do título de 1938.

Ainda assim, a Coreia do Norte estava décadas atrás dos italianos em termos de estatura e qualidade futebolística. Mas, no Ayresome Park, em Middlesbrough, o gol solitário de Pak Doo-Ik garantiu a vitória asiática por 1 a 0 e o avanço às quartas às custas da Itália. A Itália foi campeã europeia dois anos depois e finalista da Copa seguinte, enquanto a Coreia do Norte, apesar de chegar a abrir 3 a 0 contra Portugal nas quartas, perdeu por 5 a 3 e só voltaria à fase final em 2010.

6. Eslováquia 3×2 Itália (fase de grupos, África do Sul 2010)

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Eslováquia bateu a Itália na Copa do Mundo 2010. Foto: IMAGO / Pro Shots

A Copa de 1966 não foi a única em que a Itália fez uma saída surpreendente na fase de grupos. A Azzurra repetiu o feito vergonhoso 12 anos atrás, na África do Sul. A maldição dos campeões, que tem se tornado tão evidente nas edições recentes do torneio, atingiu também a Itália. Após se sagrarem campeões mundiais em 2006, eles terminariam em último em um grupo com Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia.

Em uma chave repleta de empates, todas as quatro seleções ainda podiam se classificar até a última rodada. E, com Paraguai e Nova Zelândia empatando em 0 a 0, a Itália precisava apenas de um empate para avançar.

No entanto, a equipe sofreu durante toda a partida e se viu perdendo por 2 a 0 a 15 minutos do fim, com dois gols de Robert Vittek. Antonio Di Natale deu a sobrevida à equipe de Marcello Lippi, antes do pouco conhecido Kamil Kopuněk entrar e ajudar a Eslováquia a defender a vantagem.

Mas, em vez disso, o defensor saiu na cara do gol e marcou no seu primeiro toque, anotando o seu único gol em jogo oficial pela seleção. Um golaço de Fabio Quagliarella já no fim não foi suficiente, e a Itália protagonizou uma das eliminações mais humilhantes de fase de grupos da história das Copas para uma seleção de elite.

5. Argentina 1×2 Arábia Saudita (fase de grupos, Catar 2022)

Arábia Saudita venceu a Argentina na primeira rodada da Copa do Mundo 2022
Arábia Saudita venceu a Argentina na primeira rodada da Copa do Mundo 2022. Foto: IMAGO / PA Images

Na primeira Copa do Mundo sediada por um país árabe, foi simbólico que um dos resultados mais marcantes do torneio inteiro fosse a favor de uma nação da região. Ninguém dava chance à Arábia Saudita antes da estreia, com a adversária Argentina vivendo uma série invicta de 36 partidas, e mesmo no intervalo só havia um vencedor à vista, com o pênalti de Lionel Messi colocando os favoritos em vantagem, enquanto Lautaro Martínez ainda teve dois gols anulados.

51º colocada no ranking mundial, a Arábia Saudita era esperada como uma vítima fácil. Mas um intervalo impressionante de cinco minutos no início do segundo tempo abalou o futebol mundial. Uma finalização inteligente de Saleh Al-Shehri e um chute espetacular de Salem Al Dawsari viraram o jogo, e uma Argentina perplexa não conseguiu reagir, sofrendo a derrota na estreia e encerrando a longa série invicta.

No entanto, o resultado teve pouca importância para a classificação final do Grupo C, ou para a competição como um todo, pois a Argentina seguiu rumo ao título da Copa do Mundo pouco mais de três semanas depois, enquanto a Arábia Saudita foi eliminada após perder os outros dois jogos da chave.

4. Inglaterra 0x1 Estados Unidos (fase de grupos, Brasil 1950)

Na primeira participação da Inglaterra em uma Copa do Mundo, confiança não faltava à seleção, considerada o time em melhor forma no pós-Segunda Guerra Mundial. A noção de superioridade dos ingleses já era forte antes da guerra, com o país tendo se recusado a disputar as três primeiras edições da Copa, sob a crença de que não valia a pena se filiar à Fifa e enfrentar “nações inferiores” do outro lado do mundo.

Com nomes como Tom Finney e Stan Mortensen, a Inglaterra esperava desmontar com tranquilidade um time americano formado puramente por jogadores em tempo parcial e por atletas que sequer eram cidadãos dos Estados Unidos. Um deles era Joe Gaetjens, nascido no Haiti, que jogou pela seleção haitiana a partir de 1944, com suas únicas atuações pelos EUA acontecendo na Copa de 1950. Gaetjens seria justamente o autor do único gol da partida, naquele que pode ser considerado o maior choque da história das Copas até então, e a Inglaterra estava eliminada.

Infelizmente, dada a falta de interesse pelo futebol nos Estados Unidos naquela época e a cobertura limitada dos esportes na imprensa britânica, a magnitude do resultado só foi realmente percebida décadas depois. Por fim, Gaetjens, autor do gol da vitória, havia sido assassinado em seu Haiti natal por forças do governo.

3. Bulgária 2×1 Alemanha (quartas de final, Estados Unidos 1994)

Bulgária, de Sirakov, eliminou a Alemanha nas quartas da Copa do Mundo 1994
Bulgária, de Sirakov, eliminou a Alemanha nas quartas da Copa do Mundo 1994. Foto: IMAGO / WEREK

Antes de 1994, a Alemanha havia chegado a quatro das cinco últimas finais de Copa, vencendo duas, e a quatro das seis últimas finais de Eurocopa, com dois títulos também. Era uma máquina absoluta, difícil de ser parada, e desembarcou nos EUA em 1994 como atual campeã, após o título em 90.

A Bulgária, por sua vez, surpreendeu o mundo só por se classificar para a Copa, batendo a França no último minuto da última partida das eliminatórias em Paris, ultrapassando Les Bleus na segunda vaga. A Alemanha passou tranquilamente pela fase de grupos, enquanto a Bulgária precisou de uma vitória sobre a Argentina na última rodada do grupo para garantir o avanço. E, depois de ambos vencerem nas oitavas, búlgaros e alemães se cruzariam nas quartas.

Um pênalti convertido por Lothar Matthäus já no início do segundo tempo parecia ter dado à Alemanha tudo o que precisava para chegar tranquila à semifinal. Mas uma dobradinha relâmpago do astro Hristo Stoichkov e de Yordan Letchkov surpreendeu os alemães e os mandou para casa.

A Bulgária ficaria a um passo da final, perdendo para a Itália na semifinal, mas Stoichkov voltou para casa com a Chuteira de Ouro, consolidando o seu status como um dos maiores jogadores do leste europeu de todos os tempos, em parte graças às suas atuações em 1994.

2. França 0x1 Senegal (fase de grupos, Coreia do Sul e Japão 2002)

El Hadji Diouf comemora histórica vitória de Senegal sobre a França na Copa do Mundo 2002
El Hadji Diouf comemora histórica vitória de Senegal sobre a França na Copa do Mundo 2002. Foto: Onze Mondial / Ícone esportivo

Na última Copa do Mundo em que a campeã reinante disputou a partida de abertura, em vez da seleção anfitriã, França e Senegal abriram a primeira Copa sediada na Ásia com um placar que ficaria marcado na memória por muito tempo. As campeãs de 1998 acumularam o sucesso ao se sagrarem campeãs europeias em 2000, e com Thierry Henry, Patrick Vieira e Zinedine Zidane no elenco, era difícil imaginar que não mantivessem o título na Coreia do Sul e Japão.

Sua estreia colocou os franceses contra o Senegal, estreante, cujo elenco continha vários jogadores nascidos na França, atuando na Ligue 1, mas considerados não bons o suficiente para a seleção francesa, que optaram por defender as cores do país de origem da família.

A França lançou ali as bases de como seria toda a sua fase de grupos: foi péssima e mereceu sair derrotada, com o gol de Papa Bouba Diop aos 30 do primeiro tempo levando o Senegal e toda a sua diáspora pela França à euforia. Foi a abertura perfeita para uma Copa cheia de zebras, com França e Argentina caindo na primeira fase e Turquia e Coreia do Sul chegando às semifinais.

1. Brasil 1×7 Alemanha (semifinal, Brasil 2014)

Jogadores do Brasil desolados com goleada humilhante para a Alemanha em 2014
Jogadores do Brasil desolados com goleada humilhante para a Alemanha em 2014. Foto: IMAGO / Jan Huebner

Não há dúvidas sobre o primeiro lugar desta lista, podendo reivindicar o título de resultado mais chocante da história do futebol, considerando o palco, o local e o que estava em jogo. O Brasil estava cada vez mais confiante em conquistar a sua sexta Copa do Mundo após eliminar a surpreendente Colômbia nas quartas de final, enquanto a Alemanha não chamava muita atenção, como costuma fazer, com vitórias apertadas e nada espetaculares sobre Argélia e França no mata-mata.

Como todo mundo sabe, no entanto, a Alemanha sempre dá um jeito. Mas ninguém imaginava que iriam destroçar o Brasil em casa da maneira que o fizeram. Um gol cedo de Thomas Müller silenciou o Mineirão em Belo Horizonte, mas um intervalo louco de cinco minutos no meio do primeiro tempo viveria para sempre no folclore do futebol. Klose aos 23, Kroos aos 24, Kroos aos 26, Khedira aos 29: 0 a 5.

Para qualquer lado que a câmera apontasse, havia brasileiros em prantos, vendo o sonho de levantar a Copa em casa esmagado diante dos próprios olhos. Comparações inquietantes foram feitas com o “Maracanazo“, quando o Brasil perdeu a final da Copa de 1950 para o Uruguai, também em solo nacional.

Com a confiança brasileira destruída, André Schürrle ainda anotou mais dois no segundo tempo, fechando em 7 a 0, antes de Oscar diminuir, para a fúria absoluta da defesa alemã. Com isso, ficava escrito o placar mais famoso e chocante da história das Copas, e é muito improvável que algum dia seja superado.

Foto de Axel Clody

Axel ClodyColaborador

Axel acompanha de perto todas as principais histórias do mundo do futebol, embora mantenha um carinho especial pelos clubes do norte da França — do Lens ao Lille, passando por Dunkerque — desde que se mudou da região

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