Copa do Mundo

Para quem vou torcer na Copa? Para que acabe

Em uma Copa repleta de problemas fora de campo, a promessa é de nível técnico alto, mas minha animação é baixa

Foi que me perguntaram no feriado de terça, dia 15, sobre a Copa do Mundo que começa domingo. Respondi friamente: vou torcer pra que acabe.

A Copa do Mundo de 2022 marca o fim do futebol. Com dia, hora e local marcados: 18 de dezembro, ao apito final do árbitro, no estádio Lusail. Sem o Brasil na decisão, o árbitro pode ser Raphael Claus ou Wilton Pereira Sampaio.

Ambos ruins o suficiente para estar à altura do ultraje que é a Copa do Mundo do Catar. A maior festa do esporte mais democrático do mundo será em um lugar onde desrespeitar direitos humanos faz parte da lei. Será também a mais cara e a que mais pessoas morreram construindo estádios [Nota do editor: embora os números sejam bastante controversos e seja difícil saber exatamente quanto se gastou e quantas pessoas morreram]. Tudo com a Fifa topando até mudar a data habitual para se adequar ao clima, entenda-se como quiser.

A promessa em campo é de um nível técnico altíssimo, pois será meio e não fim de temporada nos principais campeonatos do planeta. E também de protestos contra a homofobia, uma espécie de sinônimo de Catar. Capitães de Inglaterra e Alemanha prometem usar braçadeiras nas cores do movimento LGBTQIAP+. O capitão do Brasil prefere as cores verde e amarela ao invés do arco-íris.

Entretanto, tudo deve mudar em 2023, especialmente no Brasil. As Sociedades Anônimas do Futebol seguem como panaceia de clubes falidos ou quase. Quem tiver mais dinheiro, disputa títulos. Quem tiver menos, pode até pegar vaga na Libertadores, mas só se souber usar. Ou seja, nada vai mudar. Exceto por mais clubes construindo novos empreendimentos e acumulando novas dívidas. Como sempre foi, mas prestando contas como empresa. Dizem.

Claro que terão os otários caindo em golpe, como o Manchester United, na Inglaterra. Para mais explicações, pergunte a gente como Irlan Simões.

O futebol morre em 18 de dezembro de 2022.

Longa vida ao futebol.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Trivela

Foto de Mauricio Targino

Mauricio Targino

Maurício Targino é diplomado em jornalismo, mas escreve sobre qualquer coisa que tenha briefing, prazo e pagamento. Currículo inbox ou DM Twitter @mautargino
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