Copa do Mundo 2026

Paquetá se firma como ‘canivete suíço’ à brasileira de Ancelotti e evolui na Seleção

Meio-campo do Flamengo iniciou Copa do Mundo questionado, mas abraçou diversas funções durante a fase de grupos

Lucas Paquetá não era a primeira opção de Carlo Ancelotti parra o meio-campo antes da Copa do Mundo. Desde que deixou o West Ham em direção ao Flamengo, ele havia ficado fora dos amistosos contra França e Croácia, em março deste ano. Em sua última partida até então, diante da Tunísia, em novembro, também havia deixado uma má impressão, ao desperdiçar um pênalti no empate por 1 a 1.

Nestes três jogos na fase de grupos, tudo mudou. Paquetá não só se tornou titular como ganhou status de intocável no esquema de Ancelotti. Mesmo quando não atingiu as expectativas, como diante de Marrocos, na estreia, foi bancado pelo treinador. E se reinventou ao longo do Mundial, como um “canivete suíço” da seleção brasileira.

Onde for necessário atuar, Paquetá estará lá. É assim também no Flamengo, de Leonardo Jardim. Recuado ou avançado, como ponta ou meio-campista. Esse foi um dos motivos que fez Ancelotti optar por inclui-lo na relação final, de 26 atletas, e que o fizeram superar nomes como Luiz Henrique e Gabriel Martinelli na titularidade da seleção brasileira.

Paquetá rodou pelo campo na Copa do Mundo com a seleção brasileira

Paquetá não estava nos planos originais de Ancelotti antes da Copa do Mundo para o time titular — ainda que já houvesse sido elogiado pelo treinador ao longo de 2025. No amistoso contra o Panamá, por exemplo, o quarteto ofensivo foi formado por Vinicius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha e Luiz Henrique, sem o meio-campo do Flamengo. Ele entrou somente no segundo tempo, com o time reserva, e chegou até a marcar na goleada por 6 a 2.

As dúvidas de Ancelotti para o meio-campo cresceram antes da estreia. Por isso que, diante do Egito, o treinador testou uma formação com Paquetá e, em vez de Cunha, com Igor Thiago como centroavante. Naquela ocasião, Paquetá atuou centralizado, próximo a Bruno Guimarães e Casemiro, mas caindo pela ponta-direita, já que Raphinha ficou próximo a Vini Jr. na esquerda durante o primeiro tempo.

Esta foi a primeira opção testada por Ancelotti para Paquetá. Na estreia, com a mesma escalação, leve mudança de planos para o posicionamento do camisa 20: em vez de ficar centralizado, o meio-campista atuou pela direita — na posição que era ocupada por Luiz Henrique anteriormente.

Lucas Paquetá em jogo entre Brasil e Escócia
Lucas Paquetá em jogo entre Brasil e Escócia. Foto; IMAGO / DeFodi Images

Não deu certo, e Paquetá, perdido na primeira etapa, errou na jogada que resultou no único gol de Marrocos no empate por 1 a 1. Depois disso, Ancelotti corrigiu a rota, e passou a utilizar o meio-campista novamente centralizado. Raphinha, por sua vez, voltou para a direita, apoiado pela entrada de Danilo na lateral-direita na segunda etapa.

Já contra o Haiti e a Escócia, quando se reencontrou no setor, a estratégia deu certo logo de início. Paquetá ficou pela esquerda, próximo a Vinicius Júnior, e servindo de complemente ao trabalho de Bruno Guimarães, que atua pela direita. Foi desta forma que o Brasil conquistou seus melhores resultados (duas vitórias por 3 a 0) e Paquetá teve seus melhores desempenhos.

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Ancelotti orientou função de Paquetá na Copa do Mundo

Poder jogar nos dois lados de campo, e em tantas funções diferentes, é um bônus e um ônus para Paquetá. Do lado positivo, faz com que, por ser polivalente, é um jogador ambicionado por Ancelotti e pelos treinadores com quem já trabalhou, dificilmente ficando fora do time titular senão por problema físico; do lado negativo, faz com que ele não tenha uma posição predefinida, o que pode atrapalhar uma evolução em campo.

Paquetá retornou ao Flamengo a pedido de Filipe Luís, mas é Leonardo Jardim aquele que ficou responsável por tirar o melhor do meio-campista. Ainda não conquistou a titularidade absoluta nestes meses em que está no Brasil, mas teve boas partidas, como por exemplo diante do Santos, na vitória por 3 a 1 pelo Brasileirão.

Naquela ocasião, Paquetá marcou o último gol, que selou o placar no Maracanã. E a orientação de Jardim para o meio-campista foi clara: flutuar em campo. Paquetá se desdobrou entre a direita e a esquerda, sempre que necessário, dividindo-se entre o apoio a Gonzalo Plata e Samuel Lino.

Paquetá, Vini Jr. e Bruno Guimarães celebram gol contra a Escócia
Paquetá, Vini Jr. e Bruno Guimarães celebram gol contra a Escócia (Foto: PA Images via Icon Sport)

Esta versatilidade atraiu Ancelotti, que convocou, inicialmente, apenas cinco homens no meio-campo — Éderson foi chamado às pressas, após o corte do lateral Wesley, como um sexto homem para o setor. Paquetá convenceu o treinador, nos dois amistosos, que merecia uma chance como titular, e agora faz parte da base da equipe titular da seleção.

— (Minha função) É um jogador de meio de campo que ajuda defensivamente e na construção das jogadas. O Mister sempre pede para colocar para fora minhas características, ele não me traz muito controle com bola. Ele pede para jogar à vontade, participar do jogo. E sem a bola fazer minhas habilidades defensivas. Faço muito à vontade porque é algo que estou acostumado a fazer — contou Paquetá, após a vitória sobre o Haiti.

O que vem pela frente para Paquetá na seleção brasileira?

Não se mexe em time que está ganhando é um dos velhos clichês do esporte. Depois de lançar 15 escalações diferentes em 15 jogos à frente da seleção brasileira, Ancelotti parece ter encontrado seu time titular e formação ideal, após a entrada de Rayan no lugar do lesionado Raphinha. E Paquetá faz parte deste conjunto.

No meio-campo, Paquetá é responsável por complementar o jogo de Bruno Guimarães, mas não só isso. No losango formado por Casemiro e Matheus Cunha, o meio-campo do Flamengo deve dar apoio às investidas de Douglas Santos, que, a pedido de Ancelotti, tem ficado mais próximo a Vini Jr.

Contra o Haiti, Paquetá se aproveitou dos espaços deixados pelo rival para buscar lançamentos para Vini Jr e Matheus Cunha. Foi assim que conseguiu sua primeira assistência no torneio, e também sua primeira boa exibição após ter um nível aquém contra Marrocos.

O Brasil encara o Japão na próxima partida, na segunda-feira (29), nos 16-avos de final. Será o primeiro grande desafio no mata-mata e da seleção brasileira com Ancelotti. Para conquistar a vitória, ter o controle do meio-campo será fundamental, já que os japoneses têm buscado a superioridade no setor ao longo desta campanha.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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