Copa do Mundo

[Os 50 anos da Copa de 70] A Inglaterra dificultou, mas o Brasil provou sua força num jogaço

O domingo, 7 de junho, guardou a partida mais comentada da fase de grupos: Brasil x Inglaterra, duelo visto por muitos como uma final antecipada. E, mesmo sem contar com Gérson, a Seleção conseguiu se impor no Estádio Jalisco, graças a um gol memorável. Confira mais um capítulo do nosso diário sobre a Copa de 1970:

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Grupo III: Brasil 1×0 Inglaterra

O Estádio Jalisco estava abarrotado para o grande embate da fase de grupos, entre Brasil e Inglaterra. Um jogo de enormes expectativas que as cumpriu, com duas equipes de evidente qualidade e dispostas a buscar a vitória. Campeões do mundo quatro anos antes, os ingleses foram até mais ofensivos durante os 90 minutos e pressionaram bastante. Além disso, mantiveram certa segurança defensiva, com firme apresentação da zaga liderada por Bobby Moore. No entanto, os brasileiros desequilibraram com eficiência, técnica e preparo físico. A equipe de Zagallo até errou um bocado. Em compensação, quando acertou o pé, a Seleção foi mais contundente. O gol de Jairzinho, num belíssimo lance, fez a diferença no placar.

Gérson, se recuperando de um estiramento na coxa, realmente acabou poupado. Zagallo recuou Rivellino para a função na armação e escalou Paulo Cézar Caju, que ocupou o lado esquerdo do ataque. Já a Inglaterra também tinha sua mudança por contusão. Tommy Wright tomou a posição de Keith Newton na lateral direita. Já na cabeça de área, apesar das especulações sobre a participação de Nobby Stiles, Alan Mullery seria mantido no posto. Era um volante mais técnico e não demorou a ficar claro o motivo da escolha de Alf Ramsey.

A Inglaterra, afinal, iniciou a partida com uma confiança impressionante. Os Three Lions colocaram seu time no campo de ataque, pressionando com a bola e também sem ela. O Brasil encontrava muitas dificuldades para atravessar o meio-campo, com passes errados e pouca aproximação entre os jogadores. Os ingleses pareciam mais prontos a abrir o placar e tentaram isso, explorando especialmente a ponta direita. As finalizações, todavia, não seriam tão limpas assim. O lance que mais assustou foi um cruzamento fechado, que encobriu Félix, mas não entrou por pouco. De uma forma ou de outra, no limite, a zaga brasileira se safava.

O sinal de que o Brasil estava no jogo aconteceu aos dez minutos. Jairzinho disparou pela direita e chegou à linha de fundo, cruzando a Pelé no segundo pau. Então, aconteceria uma das jogadas mais famosas da história: a cabeçada violenta rumo ao chão, que provocou a inigualável defesa de Gordon Banks. Tão inacreditável que o árbitro sequer marcou escanteio. Se a bola entrasse, seria um pouco injusta pela superioridade inglesa. Por outro lado, o lance seria importante para que os Three Lions se retraíssem um pouco mais e a Seleção avançasse.

As principais jogadas do Brasil vinham pelas pontas, com Paulo Cézar também fazendo bom papel pelo lado esquerdo, tanto na marcação quanto nos dribles. O problema de avançar pelo meio era topar com Bobby Moore, impecável na cobertura como líbero. Rivellino tentava emular Gérson e até se soltava mais, mas torceu o pé com 20 minutos. Enquanto isso, Pelé e Tostão se revezavam para recuar na construção, encontrando dificuldades para lidar com a zaga – tão dura quanto imediata nas divididas. Do lado inglês, Bobby Charlton e Alan Ball ditavam o ritmo. Francis Lee e Geoff Hurst davam movimentação ao ataque, buscando mais a direita. Já nas laterais, embora a preocupação maior fosse com Terry Cooper pela esquerda, Jairzinho o cobriu bem. Tommy Wright era mais ativo do outro lado.

A Inglaterra tinha volume de jogo, mas não necessariamente as brechas para arrematar com tranquilidade. Clodoaldo limpava os trilhos na frente da área, importante peça na proteção. A maior parte das tentativas inglesas vinha em cruzamentos e chutes de longe, sem tanto acerto. O único tiro no alvo realmente perigoso aconteceu aos 32 minutos. Francis Lee apareceu por trás da zaga e cabeceou totalmente livre dentro da área. Félix realizou um milagre que, se não tem a fama ou a dificuldade de Banks, se tornou até mais decisivo. Lee ainda tentou marcar no rebote, mas cometeu falta sobre o goleiro. A arbitragem do israelense Abraham Klein, aliás, apresentava um rigor maior contra os brasileiros do que contra os ingleses – como na reclamação de um pênalti sobre Pelé, ignorado pelo apitador.

Na volta ao segundo tempo, a Inglaterra tentou manter sua postura, mas encontrou um Brasil elétrico. Foram os melhores 15 minutos da Seleção na tarde, suficientes para desequilibrar. Os brasileiros arriscavam sem dó. Banks desviou com a ponta dos dedos um chute venenoso de Paulo Cézar e rebateu uma bomba de Rivellino, depois que o meia driblou dois adversários. Além disso, o goleiro saiu na risca da área para afastar um lançamento de Pelé a Jairzinho, que ia invadindo livre. O Rei, por sinal, entrou no jogo. Um tanto quanto impreciso no primeiro tempo e inibido pelas pancadas, incendiou a Seleção com uma linda arrancada.

O gol do Brasil se concretizou aos 14 minutos, em jogada que começou na defesa, com um desarme de Everaldo. O ataque avançou e Tostão, depois de carimbar a marcação, pegou a sobra. O mineiro protagonizou o lance mais importante de sua carreira. Com a opção de Paulo Cézar, encarou três adversários ao mesmo tempo. Ganhou de Mullery na força, antes de aplicar uma caneta na marra em Bobby Moore. O camisa 9 ainda deixou Wright no chão e fez o giro sobre Moore na recuperação, para efetuar o cruzamento. Pelé recuou para buscar a bola e foi brilhante, fazendo o simples. Dominou e, com a marcação dobrada, logo passou a Jairzinho ao seu lado. Totalmente livre, o Furacão entrou devastando e chutou firme, na saída de Banks.

O Brasil não foi brilhante durante todo o tempo no Jalisco, mas, naquele lance, apresentou sua combinação fatal entre técnica, inteligência e força. A Inglaterra se viu compelida a sair mais para o jogo depois disso. Alf Ramsey logo promoveu duas alterações, com as entradas de Colin Bell e Jeff Astle, para as saídas de Bobby Charlton e Francis Lee. Sentindo um pouco mais o desgaste físico, os Three Lions pareciam interessados em insistir nos cruzamentos, mas Félix foi bem na maior parte das saídas pelo alto. E nas vezes em que surgiu o espaço, os ingleses não souberam aproveitar.

Outra chance enorme da Inglaterra caiu nos pés de Astle. Everaldo espirrou o taco num corte e a bola sobrou limpa ao atacante, livre na marca do pênalti. Fez o certo ao tirar de Félix, que o abafava, mas a bola caprichosamente saiu rente à trave. Ball chamou a responsabilidade e não foi feliz. Carimbou o travessão em chute colocado e, já no fim, depois de um soco ruim de Félix, chutou por cima com a meta aberta. Os Three Lions pareciam sempre dar um toque a mais na bola e, quando o caminho se abria, não tinham o capricho necessário. Mas seguiram em cima, com Moore solto para se somar ao ataque.

Não que o Brasil tenha sido mero expectador na meia hora final. Incomodou nos contragolpes, com a participação ativa de Jairzinho e Paulo Cézar, além de Clodoaldo, brilhante para iniciar a transição. Jair chegou a ter outro grande lance pela direita e, quando invadia a área, viu Moore realizar um desarme soberbo na bola. Banks ainda trabalhava mais que Félix, pegando tiros de fora da área executados por Paulo Cézar e Roberto Miranda – este, dando novo fôlego à linha de frente no lugar de Tostão, aos 23 minutos. A Seleção cozinhava um pouco mais o jogo e fechava sua área, com o trabalho tático abnegado mesmo dos craques para evitar o sufoco. Ainda que a Inglaterra não tenha desistido até o apito final, o time de Zagallo administrou seu resultado.

Gérson comenta a vitória ao Jornal do Brasil

“O time inglês só possui um grande goleiro, Banks; um ótimo zagueiro, Moore; um outro bom, que é o Cooper; e apenas um atacante que sabe driblar, Charlton. Os demais são apenas de razoáveis para fracos. Foi exatamente aquilo que esperava, jogadores que só sabem correr, mas não sabem como e quando. Por causa disso, já aos 30 minutos, estavam caindo aos pedaços com as mãos na cintura ou sentados de tão cansados. Falaram tanto sobre a preparação física dos europeus, mas até agora não vi nada. Os times que mais correm neste campeonato são os sul-americanos e principalmente o nosso, que é o mais bem preparado desse mundial”.

“A partida que o Paulo Cézar jogou foi de uma perfeição impressionante, certo? Eu queria ver uma seleção qualquer colocar um jogador que estivesse na reserva e ele produzisse como o Paulinho produziu. Isto demonstra o excelente preparo físico do nosso time, além da condição técnica de cada um, perfeitamente entrosados dentro daquilo que o técnico quer”.

Pelé sobre Moore, ao Jornal dos Sports

“No início da partida eles estavam apelando para a violência, e se a gente não dá o troco, acabávamos levando a pior em todas as divididas. Infelizmente o juiz teve uma péssima atuação. E, falando em divididas, no final do jogo o Moore me disse que esperava jogar novamente conosco e que lamentava profundamente que tivéssemos jogado nestas circunstâncias, procurando a classificação, pois o ideal era o Brasil e a Inglaterra disputarem a final”.

Bobby Moore lamenta, ao Jornal do Brasil

“É verdade que o Brasil também teve aquela cabeçada do Pelé, em que o Banks fez uma defesa incrível. Isso não deve contar, porém, porque o Banks está lá é para ser bom goleiro mesmo. Mas aquele chute do Astle, sozinho, em frente ao gol, francamente…”.

De Jair a Tostão, conforme o Jornal dos Sports

“Tusta, a tua jogada foi sensacional e mais ainda a deixada do Negão. Foi uma beleza! Só tive o trabalho de encher o pé e derrubar a banca do Banks. Agora ninguém me segura. Custei, mas desencabulei de uma vez por todas. Marquei dois gols contra os tchecos e o da vitória sobre os ingleses. Acho que isso basta para calar os que me criticavam sem saber da minha situação. Vamos disputar a final, porque o time tem personalidade”.

A análise de Alf Ramsey, ao Jornal do Brasil

“Eu notei no começo do segundo tempo que nossa defesa estava começando a dar sinais de fraqueza. Já tinha dado instruções a Jack Charlton para se aquecer e entrar no lugar de Labone, quando Jairzinho fez o gol. A partir daí, o problema era reforçar o ataque para fazer gols, e não a defesa. Tirei Bobby Charlton porque ele estava cansado. Na realidade, antes do jogo, já tinha dito a ele que podia se empregar a fundo, porque pretendia revezá-lo com Colin Bell no final. Ele fez o que pedi e teve um excelente primeiro tempo”.

A análise de Zagallo, ao Jornal dos Sports

“Nosso preparo físico foi melhor do que o da Inglaterra no segundo tempo e isto nos deu melhores condições de chegar ao gol decisivo. Neste jogo, o Brasil demonstrou que não vive somente da arte e da habilidade de seus jogadores. Apresentou raça e luta do princípio ao fim do jogo, com a mesma intensidade. Agora, o Brasil sabe jogar de acordo com o desenrolar da partida. Com os tchecos foi num estilo de espetáculo e, contra os ingleses, na base da virilidade. O jogo foi equilibrado e conseguimos a vitória porque soubemos marcar o primeiro gol num momento perigoso. Quem fizesse primeiro sairia vencedor. Houve igualdade de oportunidades desperdiçadas pelos dois ataques. Notei também certo desespero dos ingleses nos minutos finais, tentando o chuveirinho. De fato, criaram situações de gol – sem efeito, para sorte nossa”.

Sucesso no Garden

O Brasil x Inglaterra teve uma transmissão especial em Nova York: o Madison Square Garden recebeu 20 mil torcedores apenas para a exibição da partida. Segundo o Jornal do Brasil, as bilheterias arrecadaram quase US$150 mil com o evento. A maior parte dos presentes, ainda assim, fazia parte das comunidades hispânica e brasileira. Os 18 mil assentos do ginásio principal estavam lotados, o que fez a organização abrir uma sala extra com mais 2 mil lugares.

Armando Nogueira, em sua coluna ao Jornal do Brasil

“Honras, leitor, ao grande enxadrista da partida que foi o treinador Zagallo, a quem os detratores já podem ir começando a fazer justiça, pois já é tempo de reconhecer que, desde 1962, a Seleção não tem uma organização de jogo tão criteriosa, tão realista, como essa que lhe impôs Zagallo em menos de três meses de trabalho. O plano de jogo por ele determinado contra a Inglaterra foi, a meu ver, um exemplo de objetividade, de simplicidade e de confiança nos jogadores que mobilizou sem ter Gérson, que é o centro de gravidade da equipe. Zagallo montou uma linha média de apoio e bloqueio formada por Clodoaldo, Pelé, Rivellino e Paulo Cézar”.

“Mas o mesmo Paulo Cézar que defendia, convertia-se em atacante integral: conduzindo a bola até a linha de fundo e, assim, representando o papel de extremo-esquerdo que praticamente neutralizou o poder ofensivo do excelente lateral-apoiador Wright. E por ter sido peça preciosa na hora de defender e mais preciosa ainda na hora de atacar, Paulo Cézar acabou apontado por 20 críticos estrangeiros que consultei como o melhor jogador brasileiro”.

Nélson Rodrigues, em sua coluna no jornal O Globo

“Depois de 1966, parte da crônica, e sobretudo a parte mais entendida, dedicou-se a uma promoção desvairada do futebol-força, do futebol-velocidade, do futebol-preparo-físico, do futebol-solidário. Nunca se viu tamanha impostura. É simplesmente mentira. O preparo físico é nosso, a solidariedade é nossa e mais: a saúde de vaca premiada também é nossa. No fim, os ingleses arquejavam, em dispneia pré-agônica, ao passo que nós estávamos inteiros”.

As avaliações do Jornal dos Sports

Grupo IV: Alemanha Ocidental 5×2 Bulgária

Depois da estreia decepcionante contra Marrocos, a Alemanha Ocidental recuperou seu moral na segunda rodada. A equipe de Helmut Schön não tomou conhecimento da Bulgária, desmotivada após a virada sofrida diante do Peru no primeiro jogo, e registrou a goleada por 5 a 2 em León. Em seu primeiro Mundial, Gerd Müller apresentava o faro de artilheiro e completou uma tripleta. Outro destaque da tarde foi o ponta Reinhard Libuda, que entrou no lugar do veterano Helmut Haller, barrado por indisciplina.

A Bulgária ainda saiu em vantagem no placar. Em cobrança de falta na intermediária, Asparuh Nikodimov soltou o pé e mandou no cantinho de Sepp Maier. A resposta da Alemanha Ocidental começou aos 20 minutos, com Libuda. O ponta arrancou à linha de fundo e chutou dali mesmo. Com a colaboração do goleiro Simeon Simeonov, anotou um gol espírita. Apesar da falha, o arqueiro búlgaro evitava um placar mais dilatado. Já a virada se consumou aos 27, em outra investida puxada por Libuda. O camisa 14 cruzou e Müller completou na pequena área. Era uma atuação consistente dos germânicos, com Franz Beckenbauer enfim mostrando seu melhor na Copa do Mundo.

A situação ficou mais tranquila à Alemanha Ocidental no início do segundo tempo. Libuda, de novo, sofreu pênalti. Müller pegou a bola e mandou no alto, sem chances de defesa. O artilheiro também serviu de garçom, em cruzamento para Uwe Seeler assinalar o quarto, aos 22. Ainda assim, a conexão mais forte era entre Libuda e Müller. Uma falta cobrada pelo ponta em direção à área garantiu o hat-trick do centroavante, concluindo de cabeça. A Bulgária só voltaria a descontar no último minuto, num chute de longe desferido por Todor Kolev, que Maier não alcançou. Com o resultado, a Mannschaft garantia sua classificação antecipada e também a do Peru. A liderança entre os dois seria definida na última rodada.

Didi celebra a classificação, ao Jornal dos Sports

“Estou realmente muito feliz, porque cumpri a promessa de classificar o time para as quartas de final. Daqui para a frente tudo é lucro e, se Deus nos ajudar, vamos avançar muito mais. Claro que não queremos subestimar os alemães, nem se trata de um artifício para justificar uma possível derrota, mas vamos poupar algumas peças. A medida é válida e comum a sua adoção em torneios da importância de uma Copa. Ainda é um pouco cedo para cantar vitória, mas pelo menos até aqui, o futebol sul-americano vem mostrando sua força, e o nosso orgulho é maior porque o Peru já está entrando no rol das grandes potências futebolísticas. A sua classificação a esta Copa, depois de eliminar a Argentina, não foi por acaso”.

Grupo I: México 4×0 El Salvador

Outra equipe a apresentar um futebol superior na segunda rodada foi o México. Após o insosso empate com a União Soviética na estreia, o técnico Raúl Cárdenas mexeu em todo o seu ataque e colocou inclusive Enrique Borja, grande ídolo do América. Diante de 103 mil espectadores no Estádio Azteca, El Tri fez a alegria da massa e goleou El Salvador por 4 a 0, selando a eliminação dos centro-americanos. Enquanto isso, os anfitriões ficavam a um empate da inédita classificação às quartas de final, pegando a Bélgica na rodada seguinte.

A vitória do México, entretanto, dependeu de um dos lances mais absurdos da história das Copas. El Salvador começou melhor e chegou a mandar uma bola na trave. Os mexicanos evoluíram com o passar dos minutos, mas o placar seguia zerado até os 45, quando os salvadorenhos deveriam bater uma falta rotineira no campo de defesa. A equipe da casa pegou a bola antes e, sem qualquer explicação, o árbitro emiratense Ali Kandil permitiu que os anfitriões cobrassem. Com a zaga adversária totalmente desguarnecida, ficou fácil para o México entrar tocando, até que Javier Valdívia concluísse às redes. O tento foi validado e o time inteiro de El Salvador foi questionar o árbitro, que não se comoveu e confirmou a marcação.

O gol afetou o psicológico dos azarões e o México tirou proveito, anotando o segundo logo na volta do intervalo. Valdívia invadiu a área pela direita e fuzilou. Um lance coletivo permitiu que Javier Fragoso tranquilizasse ainda mais a situação aos anfitriões, com o terceiro tento aos 13. Por fim, coube a Juan Ignacio Basaguren fechar a contagem – no que foi o primeiro gol da história dos Mundiais assinalado por um jogador que saíra do banco.

Grupo II: Suécia 1×1 Israel

Os três primeiros jogos do Grupo II deixaram muito a desejar, mesmo com Itália e Uruguai em campo. Assim, Suécia e Israel não precisaram de muito para fazer a melhor partida da chave até então. O empate por 1 a 1, porém, tinha gostos diferentes aos dois times. Aos israelenses, era um resultado histórico, valendo o primeiro ponto do país na história dos Mundiais. Já os suecos, favoritos naquela tarde em Toluca, lamentavam a chance desperdiçada. Os escandinavos dependeriam de uma vitória por dois gols de diferença contra o Uruguai, na última rodada, para buscar a classificação.

Israel não aceitou o papel de lado mais fraco e jogou melhor durante o primeiro tempo. A equipe estreante em Copas buscou o ataque e incomodou a defesa da Suécia, em especial com seu craque, o atacante Mordechai Spiegler. Do outro lado, os escandinavos pouco faziam para provar a sua força. Só mudaram a história do jogo no segundo tempo, quando voltaram mais acesos e interessados no triunfo. O primeiro gol veio então, aos oito minutos, em passe de Tommy Svensson para Tom Turesson mandar para as redes.

Israel, de qualquer maneira, merecia melhor sorte na partida. O empate veio três minutos depois, quando Spiegler arriscou de longe. Substituto de Ronnie Hellström, barrado por falhar contra a Itália, o goleiro Sven-Gunnar Larsson também não se saiu bem no lance e viu a bola morrer nas redes. Os israelenses preferiram jogar pelo empate depois disso, reforçando a defesa, enquanto buscavam os contra-ataques. Apesar da pressão da Suécia no final, o goleiro Itzhak Vissoker foi bem quando exigido e o placar se manteve.

As charges de Henfil no Jornal dos Sports

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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