Copa do Mundo
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Os 15 jogos marcantes de uma Copa do Mundo que gerou muitas emoções

Lembra quando tinha 0 a 0 demais? Pois é. Isso mudou bastante a partir da terceira rodada

Lembra quando estávamos reclamando do excesso de 0 a 0 nas primeiras rodadas da Copa do Mundo? Pois é. Tudo mudou a partir de uma rodada final de fase de grupos excepcional, cheia de reviravoltas e grandes histórias. A tendência se manteve no mata-mata. As quartas de final foram especialmente interessantes, com jogos de alta qualidade, antes de Argentina e França conquistarem suas vagas na final. E a final? Foi simplesmente a maior de todas. Haveria mais jogos para listar aqui, mas ficamos apenas em 15 – e, como em toda lista, naturalmente pode haver discordâncias.

Argentina 1 x 2 Arábia Saudita – primeira rodada

Na época, essa partida já foi considerada uma das grandes zebras da Copa do Mundo. Agora, é ainda mais porque foi a única derrota da futura campeã em toda a competição e impediu uma campanha invicta. O enredo também influencia para o peso deste duelo porque, no primeiro tempo, não precisa que a Argentina teria problemas. Abriu o placar cedo, com Lionel Messi cobrando pênalti, e teve três gols anulados por impedimento, alguns deles milimétricos. Parecia uma questão de ajuste, mas a Arábia Saudita retornou com tudo do intervalo e conseguiu a virada em oito minutos. A campeã sul-americana pareceu entrar em desespero, abandonou o seu jogo habitual e ficou atirando bola na área para tentar salvar alguma coisa. Sem sucesso. A derrota a deixou pressionada para o restante da fase de grupos e também gerou um jogo muito nervoso contra o México. No fim, deu tudo certo.

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Alemanha 1 x 2 Japão – primeira rodada

Outra zebra, de menor magnitude, porque a seleção japonesa tem um hábito maior de ganhar jogos de Copa do Mundo. E como ficaria comprovado depois, esta também não era a melhor Alemanha de todos os tempos. Até pareceu um time honesto durante o primeiro tempo, quando abriu o placar, com Ilkay Gündogan cobrando pênalti, e criou uma série de chances. O goleiro Shuichi Gonda pintava como um dos destaques. No fim, o motorádio ficou com o técnico Hajime Moriyasu, que usou o seu banco de reservas para construir uma excepcional virada. Kaoru Mitoma, Takuma Asano, Ritsu Doan e Takumi Minamino entraram durante o segundo tempo e participaram dos dois gols japoneses marcados entre os 30 e os 38 minutos. Foi o resultado que no fim das contas eliminou a Alemanha na fase de grupos pela segunda vez consecutiva, sua pior sequência na história dos Mundiais.

Espanha 1 x 1 Alemanha – segunda rodada

Era o confronto mais aguardado da fase de grupos, pela tradição das camisas. Se não teve tanto peso histórico para a Copa do Mundo como um todo, pelo menos não decepcionou como jogo. Teve diferentes fases, com um duelo tático muito interessante na primeira hora que tentou determinar quem era mais apto a escapar da pressão do adversário, até a Espanha encontrar uma escapada com Jordi Alba pela esquerda para o gol de Álvaro Morata. Atrás no placar, e precisando desesperadamente de algum resultado, a Alemanha foi obrigada a ir para cima e a partida ficou mais aberta. As chances de gol aumentaram, e no fim foi o centroavante clássico Niclas Füllkrug quem resolveu para a Alemanha. Leroy Sané ainda teve uma chance de ouro de conseguir a virada, mas a desperdiçou.

Irã 0 x 1 EUA – terceira rodada

Foi um jogo que valeu principalmente pela importância fora de campo entre dois inimigos de longa data no tabuleiro geopolítico, ainda mais em um momento de revolta popular no Irã pela morte de uma mulher curda sob custódia da polícia da moralidade que se ampliou para outras demandas. A Federação Americana ainda colocou lenha na fogueira ao fazer um mini-protesto divulgando uma bandeira iraniana que suprimia um símbolo islâmico. Esportivamente, a vitória premiou a ótima Copa do Mundo dos Estados Unidos, que levou uma equipe muito jovem ao Catar e conseguiu competir com todo mundo. Christian Pulisic fez o gol da vitória, e falta de mais poder de decisão diante do goleiro acabou pesando. O Irã pressionou e gerou minutos finais dramáticos, mas a vitória colocou os EUA nas oitavas de final.

Equador 1 x 2 Senegal – terceira rodada

Um mata-mata antecipado. Equador tinha a vantagem do empate porque não havia perdido da Holanda. Quem vencesse estaria nas oitavas de final. Foi um jogo com esse caráter mesmo, muito nervoso, pegado e com poucas chances de gol. Os sul-americanos pareceram adotar uma postura mais cautelosa. Senegal teve o controle do primeiro tempo e conseguiu abrir o placar em um pênalti sofrido e convertido por Ismaïla Sarr. O Equador foi obrigado a buscar o empate e, se não criou muitas chances, conseguiu em uma jogada de bola parada. Naquele momento, estava com a vaga. No entanto, também na bola parada, mas em cobrança de falta, Kalidou Koulibaly apareceu livre para fazer 2 a 1 e levar o campeão africano às oitavas de final para enfrentar a Inglaterra. Classificado mesmo sem poder contar com Sadio Mané, o seu principal jogador, cortado por lesão.

Costa Rica 2 x 4 Alemanha – terceira rodada

Impossível contar a história deste jogo sem a do outro que fechava o grupo, entre Espanha e Japão. Porque houve um momento, muito breve, em que Japão e Costa Rica estavam se classificando, eliminando as duas campeãs mundiais. A Alemanha precisava vencer e contar com a Espanha para avançar. Tudo começou direitinho: Serge Gnabry marcou para os alemães, Álvaro Morata para os espanhóis. As coisas começaram a ficar malucas no segundo tempo, começando pela virada do Japão em três minutos. O resultado eliminava a Alemanha, mas ainda classificava a Espanha. No entanto, a Costa Rica também virou. Fez 2 a 1 aos 25 minutos da etapa final. Aquela combinação de resultados eliminava não apenas a Alemanha, mas também a Espanha. O cenário durou apenas alguns minutos porque Kai Havertz empatou, aos 28, e Alemanha acabou vencendo por 4 a 2. Precisaria de uma ajuda da Espanha que nunca veio. O time de Luis Enrique se classificou em segundo lugar, o que poderia até ser considerado uma boa porque cruzaria com Marrocos e não com a Croácia. Não foi uma boa.

Gana 0 x 2 Uruguai – terceira rodada

O Uruguai demorou muito para estrear na Copa do Mundo. Fez jogos fracos contra Coreia do Sul e Portugal, mesmo que no segundo pudesse ter saído com um empate. A terceira rodada contra Gana foi insuficiente para avançar às oitavas de final, mas os contornos dramáticos a tornam inesquecível. Primeiro, porque novamente Gana perdeu um pênalti contra o Uruguai, como naquele fatídico jogo de 2010. Menos relevante, claro, por ter sido aos 15 minutos do primeiro tempo, mas também fez com que a equipe africana desabasse mentalmente, e o Uruguai passou por cima com dois gols de Arrascaeta. A vitória, naquele momento, colocava os sul-americanos na próxima fase. O jogo estava controlado, até meio morto. De repente, em outro estádio, a Coreia do Sul encontrou a virada contra Portugal, e agora o Uruguai precisava de mais um gol para avançar. Um gol que nunca veio, e assim acabou a história de Luis Suárez e Edinson Cavani em Mundiais.

Sérvia 2 x 3 Suíça – terceira rodada

Na Rússia, a Suíça venceu a Sérvia na fase de grupos para avançar às oitavas de final, com gols de Xherdan Shaqiri e Grant Xhaka, de etnia kosovar-albanesa. Eles comemoraram fazendo as águias da bandeira da Albânia, em uma provocação geopolítica à Sérvia. Isso em si gerou muita expectativa pela revanche que novamente seria decisiva para definir a segunda vaga do grupo do Brasil. Para alimentar a rivalidade, uma bandeira foi exibida no vestiário sérvio sugerindo que Kosovo ainda é da Sérvia, com a mensagem “sem rendição”. O jogo entregou tudo que dele se esperava, inclusive uma profusão de cartões amarelos – 11 no total. Derrotada em 2018, parecia que a Sérvia conseguiria se vingar quando virou o jogo para 2 a 1, aos 35 minutos, com gols dos seus dois centroavantes, Aleksandr Mitrovic e Dusan Vlahovic, mas a Suíça voltou à frente no começo da etapa final. Um primeiro tempo eletrizante daria lugar a um segundo muito mais travado, sem acontecimentos, que terminou quente por desentendimentos entre as duas seleções. Shaqiri marcou novamente, abrindo o placar, e dessa vez não comemorou com as águias. Fez apenas um sinal de silêncio.

Marrocos (3) 0 x 0 (0) Espanha – oitavas de final

Curioso como a percepção da Copa da Espanha foi mudando até a sua eliminação. Começou com uma goleada implacável por 7 a 0 sobre a Costa Rica que parecia mostrar que ela finalmente havia aprendido a chutar ao gol. No fim, o time de Luis Enrique caiu mostrando sua pior face. Vocês provavelmente conseguem imaginar como foi: muita posse de bola, mil passes e pouca efetividade. Ao contrário, Marrocos soube se defender muito bem e foi até mais perigoso no ataque, embora tenha precisado da disputa de pênaltis. Nem assim, aliás, a Espanha colocou uma bola na rede. Pablo Sarabia, Carlos Soler e Sergio Busquets desperdiçaram suas cobranças. Marrocos confirmou as impressões deixadas na fase de grupos, na qual havia ficado à frente de duas seleções mais badaladas, e ainda não havia cansado de fazer história no Catar.

Croácia 1 (4) x (2) 1 Brasil – quartas de final

Os quatro minutos mais famosos da história das redes sociais. O Brasil teve dificuldades para encarar o meio-campo da Croácia no primeiro tempo. Foi superado no setor, embora os europeus não tenham aproveitado para criar chances de gol. Tite conseguiu fazer com que a Seleção melhorasse sem precisar mudar peças, embora tenha feito isso também, aos 11 minutos do segundo tempo, com as entradas de Antony e Rodrygo. Os atacantes brasileiros começaram a consagrar Dominik Livakovic que estava defendendo tudo. Menos o golaço de Neymar na prorrogação. Duas tabelas e um drible sobre o goleiro foram necessários para o craque colocar o Brasil a um passo da semifinal. No entanto, o famoso e tão analisado contra-ataque da Croácia, com sete jogadores brasileiros no campo de ataque, e o desvio em Marquinhos levaram a decisão aos pênaltis. A Croácia foi impecável. O Brasil não foi. E voltou para casa.

Holanda (3) 2 x 2 (4) Argentina – quartas de final

Um dos jogos mais loucos sob registro. Especialmente propensa ao drama nesta Copa do Mundo, a Argentina abriu 2 a 0 sem nenhum problema e parecia ter o jogo na mão, mas a sofisticada estratégia de Louis van Gaal de jogar bola na área para dois caras muito altos funcionou, com o gol de cabeça de Wout Weghorst. A genialidade foi, no último lance, cobrar uma falta por baixo para a torre holandesa marcar o gol que forçou a prorrogação. O tempo extra também foi interessante porque a Argentina o terminou com uma sequência incrível de oito minutos em que poderia ter marcado de três a quatro gols e mandou até uma bola na trave. Precisou dos pênaltis para avançar, com destaque para Emiliano Martínez, que defendeu duas cobranças.

Inglaterra 1 x 2 França – quartas de final

Gareth Southgate foi muitas vezes criticado, com razão, por não fazer a seleção inglesa jogar à altura do que pode, e a grande ironia britânica do ano é que ela foi eliminada da Copa do Mundo justamente quando o fez. Mesmo tendo saído atrás, aos 17 minutos, com um lindo gol de Tchouaméni de fora da área, soube construir jogo ofensivo contra a defesa postada da França, um dos seus maiores problemas, teve chances, parou em Lloris e empatou com Kane cobrando pênalti. A França, porém, buscou o segundo gol em um lindo passe de Antoine Griezmann, e a Inglaterra ainda teve a oportunidade de ouro de empatar. Mas, se cobrar um pênalti contra o goleiro do seu próprio clube já é difícil, imagina dois? Kane tentou bater alto e cruzado novamente, pegou embaixo demais na bola, e o futebol, mais uma vez, não voltou para casa.

França 2 x 0 Marrocos – semifinal

O jogo em si foi especial: a primeira semifinal com uma seleção africana. E Marrocos, para variar, como em toda a Copa do Mundo, fez bonito. A França abriu o placar muito cedo, com Theo Hernández, com Griezmann infiltrando na linha de cinco armada por Walid Regragui. O gol naturalmente condicionou a partida porque um time marroquino mais reativo teve que buscar o jogo. E respondendo aos críticos que diziam que sabia apenas se defender, foi extremamente perigoso e criou chances para empatar, mesmo que tenha faltado um pouco mais de capricho na hora das finalizações. A França conseguiu se estabilizar apenas com as mudanças de Deschamps, que centralizou Mbappé, abriu Marcus Thuram e teve a presença de Kolo Muani para marcar o segundo gol e garantir a segunda final consecutiva. Marrocos, porém, já havia feito história.

Argentina 3 x 0 Croácia – semifinal

Não houve tanto drama. A Argentina resistiu à pressão da Croácia, mais ou menos como o Brasil, mas encaixou dois contra-ataques ainda no primeiro tempo para abrir 2 a 0. O especial nesta partida foi o estado de graça de Lionel Messi. Se ele não foi tão decisivo quanto pode ser, embora tenha cobrado o pênalti que abriu o placar, houve momentos em que parecia flutuar em campo, emendando drible atrás de drible, incapaz de perder a posse da bola. Em nenhum momento isso ficou mais claro do que quando ele tirou Josko Gvardiol, talvez o melhor zagueiro da Copa do Mundo, para dançar antes de dar a assistência para o terceiro gol, marcado por Julián Álvarez. Um Messi que foi tanta coisa nessa Copa do Mundo foi mágico contra a Croácia.

Argentina (4) 3 x 3 (2) França – final

Simplesmente um dos maiores jogos de todos os tempos, quase certamente a maior final de Copa do Mundo de todos os tempos, e a consagração final e definitiva de Lionel Messi, um dos maiores jogadores de todos os tempos. E eu nem exagerei nas hipérboles porque foi tudo verdade. A Argentina enfrentou a França em outra rotação durante mais de uma hora. Abriu 2 a 0 com facilidade, aproveitando a genialidade de Ángel Di María. Messi nem estava precisando brilhar. Fazia bom jogo, havia cobrado pênalti e participado do segundo gol. De repente, um pênalti de Nicolás Otamendi e tudo mudou. Kylian Mbappé assumiu as rédeas e conseguiu forçar a prorrogação. A França continuava parecendo melhor, até entrar Lautaro Martínez e começar a perder seus gols. Em um deles, porém, o rebote sobrou para Messi marcar 3 a 2. Agora sim: o tão aguardado título mundial viria com um gol decisivo de Messi. Só que não. A França conseguiu outro pênalti, em toque de mão de Gonzalo Montiel, e Mbappé anotou apenas o segundo hat-trick em uma decisão de Mundial. Emiliano Martínez ainda teve que fazer a defesa do torneio contra Kolo Muani para forçar os pênaltis, nos quais ele absolutamente deitou contra os batedores franceses na guerra psicológica. Defendeu uma cobrança, conseguiu um chute para fora, e a Copa acabou nas mãos de Messi.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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