Copa do Mundo

Os 15 anos da atuação monstruosa de Cannavaro e a apoteótica prorrogação entre Itália e Alemanha na Copa do Mundo

Cannavaro teve a atuação emblemática da temporada em que foi eleito o melhor do mundo, e a Itália chegou à decisão com gols aos 119 e 121 minutos

Ao contrário do que costuma acontecer, a Euro 2020 tem nos apresentado prorrogações interessantes, mas uma das melhores em grandes competições, senão a melhor, aconteceu 15 anos atrás na Copa do Mundo. No Westfalenstadion, a boa Alemanha de Jürgen Klinsmann contava com a força da torcida para retornar à decisão do Mundial em casa após 32 anos, mas sucumbiu nos minutos finais do tempo extra para a Itália de Andrea Pirlo, Fábio Grosso, Alberto Gilardino e, principalmente, Fabio Cannavaro, com a atuação emblemática da temporada em que foi eleito o melhor jogador do mundo.

A Alemanha entrou em campo diante da Muralha Amarela colorida com as cores da sua bandeira com Jens Lehmann no gol, a defesa formada por Friedrich, Mertesacker, Metzeld e Philip Lahm, com Schneider, Kehl, Ballack e Borowski no meio-campo e Klose e Podolski no ataque. A Itália começava com Buffon e seguia para Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Fabio Grosso na retaguarda. Andrea Pirlo e Gennaro Gattuso formavam a dupla de volantes, com Simone Perotta e Mauro Camoranesai pelos lados e Francesco Totti encostando no centroavante Luca Toni.

O primeiro tempo foi a história do que não aconteceu. Aos 15 minutos, Klose ajeitou para Podolski, que chegava com fome pela esquerda, mas o então jovem atacante alemão não conseguiu chegar na bola antes de Cannavaro, com um corte perfeito. A Itália ameaçava bastante na bola parada, mas nem Toni e nem Materazzi alcançaram a boa cobrança de Pirlo pela direita, aos 24 minutos, e depois Toni também não conseguiu o desvio para completar a arrancada de Fabio Grosso pela direita.

Uma das únicas chances mais limpas em uma etapa muito pegada aconteceu aos 34 minutos, quando a Alemanha contra-atacou em velocidade. Schneider recebeu em ótima posição pela direita, mas não conseguiu chutar direito. Depois do intervalo, Klose conseguiu furar a defesa italiana com uma arrancada até parar na saída de Buffon. No minuto seguinte, Pirlo deixou Grosso na cara do gol com um passe por trás da da defesa. O lateral demorou para finalizar e carimbou Lehmann. Estava impedido de qualquer forma.

Podolski girou em cima de Materazzi e bateu forte, em cima de Buffon, e o segundo tempo não foi muito mais pródigo em chances do que o primeiro, mas a partida pegaria de vez na prorrogação. Logo no primeiro minuto, Gilardino avançou pela direita, deixou Metzelder no chão, passou também por Ballack e bateu rasteiro, no pé da trave. Zambrotta também balançou o travessão com uma batida forte da entrada da área, e, no outro lado, Podolski recebeu o cruzamento de Odonkor completamente livre dentro da área. Cabeceou para fora.

O mais perigoso jogador da Alemanha na quela partida, Podolski também exigiu uma linda defesa de Buffon, aos sete minutos da etapa final do tempo extra, uma das últimas ações antes da apoteose italiana. Começou com uma bomba de perna esquerda de Pirlo espalmada a escanteio por Lehmann. A cobrança de Del Piero sobrou para Pirlo na entrada da área. Com muita qualidade e visão de jogo, ele encontrou o passe para Grosso bater de primeira. Um chute colocado fora do alcance de Lehmann.

E, então, o ato final: Cannavaro tirou duas vezes no campo de defesa antes de Gilardino ser lançado em contra-ataque. O atacante, que havia entrado muito bem no lugar de Camoranesi, puxou para dentro e soltou na medida para a chegada de Del Piero, como um raio pela esquerda. Bastou um tapa de muita categoria para colocar a bola no ângulo, e a Itália, na final.

E em detalhes a atuação de Cannavaro:

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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