Copa do Mundo

Onze duelos individuais que podem ser chave nas quartas de final da Copa do Mundo

Os duelos ficam cada vez mais qualificados, cada vez mais apertados, nervosos e equilibrados, e qualquer pequena vantagem pode ser decisiva

A Copa do Mundo afunila. Os duelos ficam cada vez mais qualificados, cada vez mais apertados, nervosos e equilibrados, e qualquer pequena vantagem pode ser decisiva. Em campo, a funcionalidade dos sistemas coletivos costuma ser a parte mais importante, mas os destaques individuais têm a capacidade de bagunçá-los e criar essas margens minúsculas que podem determinar uma vitória ou uma derrota. Destacamos 11 duelos, considerando prévias de escalação e como as equipes atuaram até agora, que podem ser chave para os resultados das quartas de final.

Andries Noppert x Lionel Messi

Lionel Messi comemora o gol da Argentina (KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP via Getty Images)

Os goleiros são o último recuso, a última linha de defesa, e costumam travar duelos intensos com Lionel Messi, que tem muita facilidade para deixar os outros recursos e as outras linhas de defesa para trás. Nesta Copa do Mundo, Messi encarou Guillermo Ochoa, uma lenda das Copas do Mundo, com quem teve encontros interessantes no passado, e Wojciech Szczesny, que defendeu um pênalti cobrado pelo craque. O próximo será contra Andries Noppert. Novidade de Louis van Gaal no Catar, o goleiro do Heerenveen é o terceiro que mais fez defesas no Mundial, com 15 em quatro partidas, empatado com o japonês Shuichi Gonda. Messi, com 19, é o segundo que mais finaliza, atrás apenas de Kylian Mbappé. Para tentar se motivar, Noppert disse na última quarta-feira que ele “é que nem a gente, é um humano”, e Noppert tem mesmo que acreditar nisso porque, em sua forma extraterrestre, Messi não é controlável.

Enzo Fernández x Frenkie de Jong

Frenkie de Jong, da Holanda (Foto: Catherine Ivill/Getty Images/One Football)

O meio-campo costuma sempre ser um setor chave nas partidas. O da Holanda não está tão bem definido. Louis Van Gaal usa dois jogadores atrás do trio ofensivo. O parceiro de Frenkie de Jong tem variado. Marten de Roon foi titular nas últimas duas partidas e é provável que seja eleito para perseguir Messi, com Teun Koopmeiners como opção. Para a bola chegar redondinha ao ataque, a qualidade de De Jong na construção é essencial, mas muitas vezes ele terá que escapar da pressão de Enzo Fernández. O meia do Benfica ganhou a posição ao longo da Copa do Mundo mostrando muita versatilidade e energia. Rodrigo de Paul é dúvida para a partida, e se Fernández conseguir atrapalhar bastante a vida de De Jong, é meio caminho andado para a Argentina neutralizar as armas ofensivas da Holanda.

Denzel Dumfries x Marcos Acuña

Dumfries, da Holanda (Foto: Clive Brunskill/Getty Images/One Football)

Entre essas principais armas, está Denzel Dumfries. O lateral direito da Internazionale não teve uma grande fase de grupos, mas brilhou nas oitavas de final contra os Estados Unidos com duas assistências e um gol. Ele funciona melhor em transições, um cenário que apareceu muito mais contra os americanos do que nas partidas anteriores. Isso exigirá que o lateral esquerdo da Argentina fique esperto na parte defensiva para não ser surpreendido com bolas lançadas nas suas costas. Lionel Scaloni começou a competição com Nicolás Tagliafico, mas optou por Marcos Acuña nas últimas três partidas. Acuña é um pouco mais ofensivo do que Tagliafico. Pelo encaixe das formações, o atacante pelo lado esquerdo da Argentina, provavelmente Julián Álvarez, também terá que prestar atenção às investidas de Dumfries, acompanhando-o sempre que possível.

Ivan Perisic x Éder Militão

Perisic, da Croácia (Foto: ANDREJ ISAKOVIC/AFP via Getty Images/One Football)

Nunca houve tanta discussão sobre a lateral direita da seleção brasileira. Alex Sandro voltou a treinar normalmente e deve ser relacionado para enfrentar a Croácia. Fora dos últimos dois jogos, pode ser um pouco cedo demais para ser titular. O mais provável no momento é que Danilo continue improvisado na esquerda, com Éder Militão pela direita. Se isso acontecer, Militão terá muito trabalho contra a principal válvula de escape do ataque croata. Ivan Perisic não vinha se destacando tanto na Copa do Mundo, mas foi decisivo contra o Japão. E é uma força da natureza. Destemido, o jogador de 33 anos é o principal atacante da velha guarda da seleção vice-campeã mundial. Militão terá que lidar não apenas com suas escapadas em velocidade, mas também com muitos duelos físicos e, em especial, com a bola aérea, um dos pontos fortes de Perisic.

Vinícius Júnior x Josip Juranovic

Vinícius Júnior, do Brasil (Foto: Michael Steele/Getty Images/One Football)

Essa é uma briga boa para o Brasil. A estreia contra a Sérvia já havia deixado claro o que Vinícius Júnior pode fazer contra um lateral sem tantos atributos defensivos. Andrija Zivkovic, ponta de criação, teve dificuldades para segurar o atacante do Real Madrid. A história será parecida contra Josip Juranovic. Esse sempre foi lateral, mas com características ofensivas e forte no apoio. Ele sofreu bastante contra Alphonso Davies, enquanto o canadense teve gás na segunda rodada. Vinícius pode encontrar muito espaços nas suas costas e também deve levar vantagem no um contra um. Por outro lado, terá que acompanhá-lo para não permitir que Danilo fique sobrecarregado com as subidas de Juranovic e movimentação de Andrej Kramaric, que também é forte pelo lado direito do ataque da Croácia.

Luka Modric x Casemiro

Modric e Casemiro, do Real Madrid (Foto: PAUL ELLIS/AFP via Getty Images/One Football)

Um duelo de titãs. Talvez não se encontrem com tanta frequência porque Luka Modric se movimenta bastante, como o coração do meio-campo da Croácia, e tende a buscar um pouco mais o lado direito, com Mateo Kovacic pela esquerda. Mas Casemiro também está aparecendo em todas as regiões do gramado e, ao lado de Lucas Paquetá, tem mais preocupação com a cobertura. A idade de Modric não engana ninguém que esteja atento, muito menos Casemiro, que foi seu colega de clube por tanto tempo. O meia croata está na melhor fase da sua carreira, ainda com muito gás para limpar as jogadas, chegar ao ataque e fazer um excelente trabalho defensivo. Ele ficará frente a frente, porém, com um dos melhores jogadores da Copa do Mundo e um craque da sua posição. Um confronto que tem tudo para fazer faísca.

Hakim Ziyech x Raphaël Guerreiro

Hakim Ziyech, de Marrocos (Fran Santiago/Getty Images)

Marrocos chegou às quartas de final com base em uma forte defesa. Quando vai à frente, tem recursos mais limitados. O principal deles é Hakim Ziyech, um ponta que precisa ser convencido a fazer o trabalho sujo, mas, quando tem a bola nos pés, pode criar coisas especiais. Muito técnico, com a tendência a puxar para o meio e bater de média distância ou dar assistências. Sempre atua pela direita, geralmente colocado na linha lateral para receber a bola e trabalhar. Baterá várias vezes com o lateral esquerdo de Portugal. Fernando Santos não parece completamente satisfeito com Raphaël Guerreiro. Nuno Mendes foi titular a segunda rodada contra o Uruguai, antes de se machucar, e João Cancelo atuou pela esquerda, como faz no Manchester City, diante da Coreia do Sul. Guerreiro retornou contra a Suíça e foi bem, mas é um lateral mais ofensivo, que às vezes até joga por dentro também. Precisará reforçar a atenção na defesa para não dar muito espaço para Ziyech.

Bruno Fernandes x Selim Amallah

Bruno Fernandes, de Portugal (KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP via Getty Images)

Bruno Fernandes está na lista dos melhores jogadores da Copa do Mundo. Decidiu as duas primeiras rodadas para Portugal, com muita visão de jogo e passe apurado. Em uma equipe que às vezes peca no jogo coletivo, a sua qualidade individual pode fazer toda a diferença. O técnico marroquino Walid Regragui certamente tentará fazer o possível para limitar as suas ações. O meio-campo muito forte dos africanos tem Sofyan Amrabat mais preso, com Azzedine Ounahi, líder em pressões defensivas da Copa do Mundo, com 245, pela direita, e Selim Amallah, pela esquerda. Como Bruno Fernandes tem jogado mais pela direita, embora com bastante movimentação, o confronto mais provável é com Amallah, meia do Standard Liège. Mas Fernandes deve encontrar resistência onde quer que apareça.

Kylian Mbappé x Kyle Walker

Mbappé, da França (Foto: Elsa/Getty Images/One Football)

A pergunta da Copa do Mundo é: alguém consegue parar Kylian Mbappé? Porque se a resposta for sempre “não”, a França fica bem próxima do título. Kyle Walker será o próximo a tentar. Entre os principais laterais direitos do mundo, ele pelo menos conta com algumas coisas a seu favor. Tem boa mentalidade defensiva, tanto que pode ser terceiro zagueiro, é bom nas cobertura e nas recuperações. É rápido também, embora não tanto quanto Mbappé. A dúvida é se encarará o francês como lateral direito ou como terceiro zagueiro. Gareth Southgate utilizou linha de quatro na Copa do Mundo, mas pode alterar para o 3-5-2, como fez em outros confrontos grandes. Se isso acontecer, Walker pode ter o auxílio de Kieran Trippier nessa missão. Por outro lado, existirá um limbo entre o ala e o zagueiro pela direita, onde Mbappé pode receber a bola para começar a arrancar – o que pode ser fatal.

Ousmane Dembélé x Harry Maguire

Maguire, da Inglaterra (Foto: Catherine Ivill/Getty Images/One Football)

Esse é um confronto que ganhará mais proeminência se a Inglaterra entrar com três zagueiros. Dadas as circunstâncias, Harry Maguire faz uma boa Copa do Mundo, com poucos vacilos, relativamente segura. No entanto, pode ter problemas se atuar pelo lado esquerdo da defesa e for pego no mano a mano por Ousmane Dembélé. O ponta do Barcelona também está fazendo um Mundial de alta qualidade e tem muitos atributos para confundir um zagueiro mais lento como Maguire. Domina a bola com propósito, muda de direção com facilidade, é ambidestro e rápido, e tem um excelente drible curto. Se Southgate não preparar um boa cobertura nesse cenário, a Copa de Maguire pode ficar bem ruim bem rapidamente.

Aurélien Tchouaméni x Harry Kane

Harry Kane comemora seu gol (Clive Brunskill/Getty Images)

Geralmente, os centroavantes brigam com os zagueiros, mas Harry Kane tem atuado muito mais como camisa 10 do que como atacante de área. A ideia é justamente confundir a defesa adversária com sua movimentação, tentar atrair os defensores centrais para fora de suas posições ou receber a bola atrás dos volantes. Para isso não funcionar, Raphaël Varane e Dayot Upamecano precisarão ficar atentos para não cair na armadilha. Mas ao mesmo tempo, Kane não pode ter tempo e espaço porque seus passes podem ser fatais. O primeiro homem do meio-campo francês, Aurélien Tchouaméni, terá muita responsabilidade em pressioná-lo, mas preocupado também em não sair muito de posição para não facilitar as infiltrações de Jude Bellingham.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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