Copa do Mundo

Oito jogos esquecidos de Copa do Mundo que merecem ser exaltados

Como principal torneio de seleções, a Copa do Mundo promove um punhado generoso de jogões a cada edição. Alguns, finais ou não, entram para a história do futebol e são lembrados por diversos motivos: por mudarem os rumos do jogo, elevarem craques ao patamar de lendas, colocarem escolas tradicionais em confronto, ou ainda pelo drama envolvido.

Outros, porém, são raramente citados como tais nos dias de hoje, seja por pertencerem a edições mais antigas do torneio, ou a fases menos agudas, ou simplesmente por confrontarem seleções menos badaladas. Selecionamos aqui oito partidas bem legais, ou mesmo épicas, que ficaram perdidas na história das Copas e cuja história é praticamente desconhecida. Para reforçar a ideia de esquecimento, a mais recente delas é do Mundial de 1994.

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Áustria 2 x 1 Hungria (1934)

O duelo entre austríacos e húngaros é o segundo maior clássico entre seleções em número de jogos. Com 137 confrontos realizados desde 1902, só fica atrás de Argentina x Uruguai. Em Copas do Mundo, porém, só aconteceu uma vez, nas quartas de final do Mundial italiano de 1934, no antigo estádio Littoriale de Bolonha. E, embora os húngaros tenham larga vantagem no número de vitórias (67 a 40), naquele jogo deu Áustria.

Os austríacos vinham de uma sequência bastante positiva diante dos rivais: não perdiam há sete jogos para os magiares e haviam aplicado a maior goleada do confronto, 8 a 2, num amistoso em Viena em abril de 1932. Eram os tempos do famoso “Wunderteam” dirigido por Hugo Meisl, e de lendas como o goleiro Peter Platzer, o atacante Matthias Sindelar e o goleador Josef Bican, que encantaram a Europa naquele começo dos anos 30.

Os austríacos iniciaram o jogo tocando a bola de pé em pé e envolvendo a defesa húngara, até abrirem o placar aos oito minutos num balaço de Horvath, após passe de Sindelar. Antes do intervalo, os húngaros perderam o atacante Avar, por lesão. E na volta, os austríacos ampliariam o placar, num contragolpe fulminante após escanteio para a Hungria: Sindelar passou a Bican que fez lançamento longo para Zischek. O ponteiro avançou e bateu para marcar o segundo gol.

A Hungria descontou num pênalti: Sarosi entrou driblando na área e sofreu o calço de um defensor. O próprio Sarosi cobrou a penalidade e diminuiu para sua equipe, que já havia perdido também o meia Markos, expulso por uma entrada dura em um austríaco num momento em que o jogo ficara mais ríspido. A Áustria avançaria, mas seria derrotada nas semifinais pela dona da casa, a Itália de Vittorio Pozzo, num dramático 1 a 0 em Milão.

Espanha 1 x 0 Inglaterra (1950)

Mesmo com a célebre derrota para os Estados Unidos em sua segunda partida na Copa do Mundo do Brasil, a seleção inglesa ainda tinha chances de classificação naquele Grupo 2. Batera o Chile por 2 a 0 na estreia e enfrentaria agora a Espanha, que vencera seus dois jogos. Uma vitória inglesa provocaria a realização de um jogo extra (que poderia se transformar em um triangular, caso os norte-americanos batessem os chilenos, configurando um empate triplo).

Assim, diante de aproximadamente 130 mil pessoas no Maracanã, os ingleses trocaram, de início, seu jogo mais cauteloso e cadenciado por um estilo mais veloz, como o dos adversários, com grande participação dos lendários ponteiros Stanley Matthews e Tom Finney. Num dos ataques, chegaram às redes num chute de Jackie Millburn, mas o árbitro italiano Giovanni Galleatti invalidara o lance corretamente por impedimento antes mesmo da finalização.

Aos poucos, porém, os espanhóis foram equilibrando as ações. E logo no início do segundo tempo, marcaram o único gol. O zagueiro direito Alonso avançou e cruzou alto. A bola chegou ao outro lado, Ramsey parou, e Gainza cabeceou para o centro. Oportunista, o também lendário Telmo Zarra aproveitou a hesitação da defesa e fuzilou para as redes. Os ingleses tentaram reagir, mas a Fúria controlou bem o jogo e confirmou sua passagem ao quadrangular final.

Zebra norte-americana à parte, tanto ingleses quanto espanhóis contavam com grandes equipes. Presente nas arquibancadas do Maracanã em meio à multidão e junto com os companheiros da Seleção Brasileira, Zizinho pôde atestar isso. Certa vez, décadas depois, declarou em entrevista ter sido aquele um dos jogos mais belos que ele já testemunhara.

Iugoslávia 3 x 2 França (1958)

Olhando com os olhos de hoje para a grande campanha que fez, realçada pela artilharia histórica de Just Fontaine, é difícil acreditar que a França era tida como não mais que um azarão antes do Mundial da Suécia. As tradicionais casas de apostas de Londres colocavam os Bleus na rabeira das cotações, ao lado do estreante País de Gales. Os suecos também não faziam fé na classificação do time dirigido por Albert Batteux. E mesmo os franceses acreditavam que as chances de sua equipe se resumiam em brigar pela segunda colocação do grupo 2 com a Escócia.

O favorito unânime do grupo, e forte candidato até ao título, era a Iugoslávia. Os balcânicos foram alçados a este patamar muito em virtude de dois resultados acachapantes registrados nos jogos de preparação, quando massacraram a Itália (6 a 1) e a Inglaterra (5 a 0) em casa. Mostrando seu conhecido toque de bola refinado, o time trazia destaques como o capitão Branko Zebec, o meia Vujadin Boskov e o goleador Todor Veselinovic, além do goleiro Vladimir Beara.

Na primeira rodada da Copa, no entanto, quem impressionou foi a França e seu time baseado no Stade de Reims, vice-campeão europeu dois anos antes: goleada de 7 a 3 sobre o Paraguai, com três gols de Fontaine, enquanto a Iugoslávia parava num empate em 1 a 1 com a Escócia. O que modificava um pouco as expectativas para o duelo da segunda rodada entre franceses e iugoslavos, marcado para o acanhado estádio de Arosvallen, em Västerås.

Logo aos quatro minutos, Just Fontaine recebeu bola da linha de fundo na marca do pênalti e encheu o pé, abrindo a contagem. A Iugoslávia reagiu e empatou aos 16: num escanteio, o goleiro Remetter saiu em falso e, após confusão na área, o atacante Aleksandar Petakovic bateu cruzado e igualou. A virada chegaria na etapa final: aos 18 minutos, Veselinovic recebeu lançamento da esquerda no meio da defesa, livrou-se de Lerond e chutou para colocar os balcânicos na frente.

Nos últimos minutos, porém, o jogo se tornou frenético. Os franceses partiram para o abafa, alçando bolas sobre a área adversária, mas só chegariam ao empate num contra-ataque aos 40 minutos, com Fontaine avançando e tocando na saída do goleiro Beara, num lance em que os iugoslavos reclamaram impedimento. O jogo, porém, não estava encerrado. E em outro ataque aos 43, um cruzamento da esquerda achou Veselinovic sozinho no meio da área francesa. Ele teve todo o tempo de dominar e, mesmo escorregando, anotar o gol da vitória da Iugoslávia.

Na última rodada, porém, a França voltou a vencer, batendo a Escócia por 2 a 1 (num jogo em que os britânicos chutaram um pênalti no travessão), enquanto a Iugoslávia ficou no empate em 3 a 3 com o Paraguai, depois de estar três vezes à frente no placar. Os critérios de desempate colocaram os Bleus na ponta do grupo, reservando a Irlanda do Norte como adversária nas quartas de final. Já os iugoslavos, por outro lado, teriam que encarar novamente seus carrascos do Mundial anterior, a Alemanha Ocidental – e perderiam por 1 a 0.

Peru 3 x 2 Bulgária (1970)

Na primeira Copa do Mundo do México, a seleção peruana voltava ao torneio depois de 40 anos, ancorada no comando do brasileiro Didi e de uma geração bastante talentosa, ponteada pelo zagueiro Héctor Chumpitaz e pelo atacante Teófilo Cubillas. Vinha de deixar a Argentina de fora do Mundial após arrancar um empate em 2 a 2 em plena Bombonera pelas Eliminatórias.

Seu adversário na estreia seria a Bulgária que, apesar de ter somado apenas um ponto nas duas Copas anteriores (suas duas primeiras), tinha uma equipe tida como promissora, com jogadores de qualidade reconhecida no cenário europeu, como Dimitar Penev, Georgi Asparuhov e Hristo Bonev. Era um confronto equilibrado e, em tese, decidiria a segunda vaga do Grupo 4, já que a primeira era dada como certa para a Alemanha Ocidental.

Os búlgaros começaram mostrando suas credenciais, com Dinko Dermendzhiev concluindo jogada ensaiada bem tramada em cobrança de falta. Ainda na primeira etapa, assustaram de novo num chute de Yakimov. Os peruanos, que entraram em campo com uma fita preta na manga da camisa em sinal de luto por um terremoto que havia deixado cerca de 70 mil vítimas no país, receberam no intervalo a visita do chefe da delegação peruana, Javier Aramburú, numa história curiosa, já contada aqui.

O segundo tempo, no entanto, começou como havia sido o primeiro: aos quatro minutos, a Bulgária ampliou em nova cobrança de falta, dessa vez chutada direto por Bonev, num frango do goleiro Luis Rubiños. A reação peruana, porém, dessa vez foi imediata. Dois minutos depois, o ponteiro Alberto Gallardo gingou na frente do marcador e soltou um balaço da esquerda, descontando. E aos 11, seria a vez de os peruanos marcarem de falta, num chute de Chumpitaz, mesmo escorregando, que entrou no canto de Simeon Simeonov.

A essa altura, os peruanos já controlavam a partida e tinham o ânimo revigorado. A virada era questão de tempo. E viria aos 28: Cubillas tabelou com o meia Roberto Challe, avançou desviando da marcação e bateu forte, acertando o outro canto de Simeonov. O time sul-americano ainda balançou novamente as redes com Hugo Sotil, mas o gol foi anulado por impedimento. Do outro lado, Rubiños se reabilitou ao defender com firmeza uma cabeçada de Asparuhov.

Ao apito final, os peruanos celebraram sua primeira vitória em uma Copa. Ainda bateriam o Marrocos por 3 a 0, com dois gols de Cubillas e um de Challe, assegurando sua passagem às quartas de final antes mesmo da última rodada. Mas acabariam caindo para a lendária Seleção Brasileira daquele Mundial, numa movimentada derrota por 4 a 2. Enquanto os búlgaros ainda teriam que esperar nada menos que 24 anos por seu primeiro triunfo em Mundiais.

Alemanha Ocidental 4 x 2 Suécia (1974)

Após as turbulências provocadas pela (ou desaguadas na) derrota histórica para os vizinhos do lado oriental, a Alemanha Ocidental voltou aos trilhos ao bater a Iugoslávia por um convincente 2 a 0 na abertura da segunda fase. Na partida seguinte, o adversário seria uma perigosa Suécia, que havia parado o carrossel holandês com um 0 a 0 em sua estreia na Copa, mas vinha de derrota para a Polônia com um gol de Lato e buscava a reabilitação.

Disputado em Düsseldorf sob chuva incessante, o jogo foi um dos mais malucos daquela Copa. As surpresas começaram com os suecos abrindo o placar, aos 24 minutos: Schwarzenbeck tentou afastar de cabeça por duas vezes uma bola alçada para a área, mas na segunda tentativa ela foi parar nos pés de Ralf Edstrom, que acertou um sem-pulo espetacular de fora da área, estufando as redes de Sepp Maier. Seis minutos depois, os escandinavos perderiam por lesão seu capitão Bo Larsson, mas conseguiriam ir para o intervalo em vantagem.

O começo da etapa final foi o momento mais insano do jogo. Aos cinco minutos, Overath pegou a sobra de uma bola espirrada e chutou forte para empatar. Logo depois da saída de bola, em outro ataque, Overath fez o pivô na área e ajeitou para Bonhof virar o placar, com a bola batendo nas duas traves antes de cruzar a linha. Mas os suecos não deixaram barato: aos oito, numa bola levantada da intermediária, a zaga alemã afastou mal, e a sobra caiu nos pés de Sandberg, que chutou cruzado, deixando tudo igual de novo: três gols em quatro minutos.

O desafogo alemão veio aos 31 minutos. Hoeness desceu pela esquerda e entregou na área a Gerd Müller, que, marcado por três suecos, não conseguiu o domínio. Para a sorte dos anfitriões, a bola sobrou para Hölzenbein, que abriu na direita para a chegada de Grabowski. O chute forte do ponteiro entrou no canto do goleiro Hellström e colocou os germânicos de novo na frente. Mais adiante, os suecos ameaçaram numa cobrança de falta, enquanto Hoeness acertou uma bola na trave e Hellström evitou outra chance clara de gol em finalização de Gerd Müller.

Chegando à última volta do ponteiro, num contra-ataque, Gerd Müller foi calçado na entrada da área. O jogo aparentemente seguiu com Grabowski disputando a bola com a defesa sueca, até que o árbitro soviético Pavel Kasakov apareceu entrando tranquilamente na área, apontando a marca da cal, confirmando o pênalti em Müller. Com a mesma tranquilidade, Hoeness pegou a bola, preparou a cobrança e converteu a penalidade, batendo no canto oposto a Hellström, dando números finais a uma partida absurdamente movimentada.

Na rodada seguinte, os alemães confirmariam sua passagem à final derrotando a Polônia com gol de Gerd Müller em outro jogo sob temporal, enquanto os suecos teriam como consolo a garantia da terceira colocação no grupo (e o quinto lugar geral) ao baterem a Iugoslávia de virada por 2 a 1, com gol de Conny Torstensson a quatro minutos do fim. Um bom desempenho.

Inglaterra 3 x 1 França (1982)

Os ingleses ficaram de fora das Copas do Mundo de 1974 e 1978 e só se classificaram na bacia das almas para o Mundial de 1982, graças a um tropeço da Romênia em casa contra a Suíça e a uma vitória suada de 1 a 0 sobre a já garantida Hungria em Wembley. Ainda assim, acabaram colocados no pote dos cabeças de chave no sorteio, em decisão muito criticada da Fifa. Incluídos no Grupo 5, teriam pela frente França, Tchecoslováquia e Kuwait, mas seus astros Kevin Keegan e Trevor Brooking, às voltas com lesões, estavam vetados para os primeiros jogos.

A imprensa internacional considerava os franceses a grande seleção do grupo. Vindos de um Mundial promissor em 1978 (apesar da queda na primeira fase), reuniam um bom punhado de talentos, especialmente no meio-campo, como Michel Platini, Alain Giresse e Jean Tigana. Alguns analistas acreditavam que os ingleses sequer avançariam, já que a Tchecoslováquia mantinha a base do time que terminou a Eurocopa de 1980 num bom terceiro posto.

Para completar o moral baixo, por pouco a seleção inglesa (assim como as da Escócia e da Irlanda do Norte) não se viu forçada a boicotar o torneio numa medida do governo do Reino Unido em meio ao contexto da Guerra das Malvinas, que felizmente acabou um dia depois da abertura da Copa. E dois dias antes da estreia da Inglaterra contra a França em Bilbao, cidade com antigos laços culturais, econômicos e esportivos com os britânicos.

Se o time dirigido pelo experiente e discreto Ron Greenwood sentiu-se obrigado a dar uma boa resposta em campo ou não, o fato é que ela foi quase instantânea. Logo depois do pontapé inicial, a defesa francesa concedeu um lateral perto de sua área. Steve Coppell fez o arremesso, o zagueiro Terry Butcher desviou e Bryan Robson, sozinho na área, bateu de virada, num quase malabarismo, para abrir o placar. Vinte e sete segundos. Inglaterra 1 a 0.

Os franceses, porém, conseguiram se assentar e empataram ainda no primeiro tempo. Rocheteau interceptou um ataque com Trevor Francis e passou a Giresse, que fez um lançamento longo para o atacante Gérard Soler avançar com liberdade na defesa inglesa e bater cruzado. Mas Bryan Robson apareceria de novo para recolocar os ingleses na frente no segundo tempo, antecipando-se com um salto no meio da zaga para cabecear um cruzamento de Francis.

E aos 38, a vitória seria sacramentada. Em outro cruzamento para a área, Wilkins ajeitou, Robson chutou para o gol, a bola ricocheteou nas pernas do zagueirão Marius Trésor e sobrou para o impassível Paul Mariner, que só tocou para as redes com a frieza de artilheiro. Os ingleses venceriam os dois jogos seguintes e terminariam em primeiro no grupo, com os franceses garantindo a segunda vaga num empate dramático diante dos tchecos na última rodada.

Daí em diante, porém, a sorte sorriu mais aos Bleus: a irregularidade dos favoritos nos outros grupos colocou os ingleses na mesma chave da Alemanha Ocidental e da anfitriã Espanha na segunda fase, enquanto aos franceses coube enfrentar Áustria e Irlanda do Norte. Enquanto os britânicos caíam invictos, após dois empates em 0 a 0, o time de Michel Platini avançaria com tranquilidade às semifinais, terminando a Copa em quarto lugar.

Dinamarca 1 x 0 Escócia (1986)

A inclusão dessa partida pode parecer estranha à primeira vista, até pelas duas atuações mais impactantes da Dinamáquina naquela Copa, contra Uruguai e Alemanha Ocidental, e ainda pela passagem discreta da Escócia, mais lembrada hoje apenas por ter contado com Alex Ferguson no comando, substituindo o falecido Jock Stein. Mas segundo a imprensa internacional, este jogo, o segundo do Grupo E (o chamado “Grupo da Morte”), foi o mais interessante da primeira rodada daquele Mundial do México.

A opinião foi corroborada tanto pela revista Placar quanto pelos jornalistas Rob Smyth, Lars Eriksen e Mike Gibbons, autores do livro “Danish Dynamite”, que conta a história daquela equipe dinamarquesa. De fato, foi uma partida bastante movimentada, que teve de tudo um pouco: alternância no controle do jogo, chances incríveis desperdiçadas, jogadas mais duras, polêmicas de arbitragem e sobretudo um ritmo intenso, mesmo sob o calor de Nezahualcoyotl.

Os dinamarqueses começaram com mais posse de bola, mas os escoceses, com a marcação adiantada, tiveram as melhores chances do primeiro tempo. Primeiro Charlie Nicholas recebeu passe de entrada na área e dominou bonito no peito, mas teve seu chute travado por Soren Busk. Depois, Gordon Strachan encontrou o lateral Richard Gough entrando na área por trás da defesa, mas a finalização por cobertura do defensor subiu por cima do travessão. Os dinamarqueses responderam com Laudrup fazendo fila na defesa e chutando também por cima.

Na etapa final, os escandinavos voltaram pressionando, ganhando as divididas no meio-campo e criando chance atrás de chance. Numa delas, aos 13 minutos, abririam o placar. Laudrup passou a Elkjaer, que ganhou a bola estourada com Miller e bateu cruzado, rasteiro, com a bola tocando a trave de Leighton antes de entrar. Dez minutos depois, no entanto, os escoceses marcaram com Roy Aitken após um cruzamento, mas o gol foi mal anulado por impedimento inexistente.

As chances se sucediam de parte a parte: Elkjaer aproveitou uma saída errada da defesa escocesa, mas finalizou para fora. Souness recebeu passe após grande jogada de Charlie Nicholas, mas também não acertou o alvo. E as jogadas mais ríspidas também se tornavam mais frequentes. Nenhuma, porém, tão forte quanto a entrada por trás criminosa de Klaus Berggreen em Nicholas quando o atacante partia com a bola dominada na intermediária. O volante dinamarquês recebeu o cartão amarelo, mas o camisa 19 da Escócia saiu carregado e não voltou mais.

O jogo seguiu aberto até o fim: foi uma partida de estreia com jeito de mata-mata. Mas o resultado final foi mesmo favorável aos dinamarqueses, que em seguida goleariam o Uruguai por 6 a 1 e bateriam a Alemanha por 2 a 0, fechando o grupo com três vitórias. Os escoceses, por outro lado, perderiam de virada para os alemães (2 a 1) e seriam eliminados ao não conseguirem furar a retranca uruguaia (0 a 0) mesmo jogando a partida praticamente toda com um jogador a mais, após a expulsão do lateral José Batista com apenas 55 segundos de jogo.

Alemanha 3 x 2 Bélgica (1994)

Os alemães chegaram à Copa dos Estados Unidos como detentores do título mundial, mas passaram alguns apertos na primeira fase: suaram para bater a Bolívia por 1 a 0 na estreia, ficaram no 1 a 1 com a Espanha depois de irem para o intervalo atrás no placar no segundo jogo e, por fim, abriram três gols de frente sobre a Coreia do Sul apenas para ver os asiáticos reagirem, descontarem para 3 a 2 e rondarem o empate sob o sol escaldante de Dallas.

Já pelo Grupo F, os belgas, cabeças de chave, tiveram ótimo início, batendo o Marrocos e a rival Holanda por 1 a 0. Precisavam do empate contra a estreante Arábia Saudita para confirmarem a primeira colocação da chave, mas foram surpreendidos pelo golaço de Saeed Al-Owairan e perderam também pelo placar mínimo. O resultado, somado à vitória holandesa sobre os marroquinos, virou o grupo de ponta-cabeça: de líder, a Bélgica acabou em terceiro, avançando entre os repescados. E cruzou com a Alemanha nas oitavas.

Bem ao estilo daquele Mundial, o jogo começou intenso. Logo aos cinco minutos, Matthäus interceptou uma saída errada da defesa belga e lançou Völler, que deu um toquinho de cobertura sobre Preud’Homme para abrir o placar. A Bélgica empatou aos oito, quando Grun apanhou o rebote de uma bola alçada e fuzilou Illgner. E aos 11, Klinsmann tabelou com Völler, recebeu de volta e bateu forte e cruzado da entrada da área para recolocar os alemães na frente.

Antes do intervalo, aos 39, os germânicos ampliaram, numa cabeçada de Völler para o chão, após cobrança de escanteio. Na etapa final, o jogo continuou lá e cá, com Preud’Homme brilhando com defesas espetaculares na meta belga. E sua seleção ainda protestaria um pênalti claro de Thomas Helmer em Josip Weber. No fim, o zagueiro Albert ainda saiu costurando a defesa alemã até tocar na saída de Illgner para diminuir. A Alemanha cairia na fase seguinte, surpreendida pela Bulgária, mas antes já havia protagonizado outro grande jogo daquela Copa.

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Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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