Copa do Mundo

O que está por trás da proposta de realizar a Copa do Mundo a cada dois anos

Proposta de Copa a cada dois anos tem objetivos econômicos e também políticos para a Fifa

A mudança de maior impacto na história do futebol mundial de seleções pode acontecer em breve. Está em estudo na Fifa uma proposta para mudar a periodicidade da Copa do Mundo e realizar o torneio a cada dois anos. A proposta tem apoio do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e do seu entorno.

Desde que foi inaugurada, em 1930, a Copa foi realizada sempre a cada quatro anos. A Segunda Guerra Mundial foi o único acontecimento que levou ao cancelamento de edições do torneio. Mesmo que a mudança seja aprovada, ela não deve alterar o calendário dos próximos anos. Atualmente, estão em andamento as eliminatórias para a Copa de 2022, no Catar. Através do código promocional Betano, é possível conferir quais seleções são favoritas em cada continente.

A edição seguinte, em 2026, será sediada pelos Estados Unidos, Canadá e México. Nela, entrará em vigor o novo formato com 48 seleções, ao invés das 32 do formato atual. A proposta de tornar a Copa mais frequente foi colocada em pauta pela federação da Arábia Saudita e aprovada pelo Congresso da Fifa por maioria esmagadora — 166 a 22. No plenário, cada federação nacional possui um voto.

O autor da ideia, porém, foi o diretor de Desenvolvimento Global da Fifa, Arsène Wenger, e os sauditas serviram apenas como o meio necessário para levar a proposta à pauta do Congresso. “É uma maneira de promover o futebol. Há que se estudar o que podemos fazer para estimular o esporte. Devemos ter a mente aberta. Sabemos o que representa a Copa do Mundo. É necessário ver como se pode encaixar no calendário internacional, ver os métodos de classificação. Os torcedores querem ver partidas mais importantes. A prioridade será o esportivo e não o comercial”, disse Infantino em defesa da mudança.

Os argumentos a favor da mudança

A Copa do Mundo é o torneio mais rentável organizado pela Fifa. Realizá-la com o dobro da frequência atual, obviamente, aumentaria os lucros da entidade. Em entrevista ao jornal Le Parisien, Wenger deixou claro que a proposta é reestruturar completamente o calendário internacional, promovendo a Eurocopa, por exemplo, em todos os anos em que não houver Copa do Mundo. Ao que tudo indica, a proposta se estende para os demais torneios regionais, como a Copa América e a Copa Asiática.

Infantino, segundo suas próprias afirmações, vê outra vantagem: aumentar o número de partidas relevantes disputadas pelas seleções das regiões do mundo com futebol de menor qualidade, como a África. “Na África, de 54 países, só cinco se classificam para a Copa do Mundo. Se você não se classificar, o que você vai fazer pelos próximos quatro anos? Nada?”, indagou o mandatário da Fifa.

As controvérsias em torno da proposta

Inevitavelmente, a realização da Copa a cada dois anos diminuiria o prestígio do evento — ainda mais considerando que, em 2026, entrará em vigor a reforma capitaneada por Infantino que amplia o número de seleções de 32 para 48. Porém, a cúpula da Fifa parece acreditar que, mesmo que isso aconteça, os lucros gerados com a lotação dos estádios a cada dois anos vão compensar os efeitos da banalização da Copa.

A mudança desprestigiaria também as competições continentais, como a Eurocopa, e, certamente, levaria ao fim dos amistosos e da Liga das Nações da Uefa. Tanto é que a proposta aprofundou a rivalidade entre Fifa e Uefa — o presidente da confederação europeia, Aleksander Ceferin, chamou a ideia de “irracional”.

Por fim, a Copa a cada dois anos esvazia outra ideia defendida pelo próprio Infantino – a do super Mundial de Clubes, um torneio que reuniria um grande grupo de clubes a cada quatro anos para disputar o título de campeão mundial.

A possibilidade de aprovação

Se a Fifa concluir que a ideia é viável, é bem possível que a mudança seja aprovada pelo Congresso da Fifa. Provavelmente, apenas as federações europeias e sul-americanas, as mais prestigiadas do mundo, votarão contra.

Os dirigentes das federações da África, Ásia, Oceania, América Central e Caribe têm muito a ganhar com a realização de mais edições da Copa do Mundo, e esses votos somam ampla maioria no Congresso. A maior parte das seleções nunca se classificou para qualquer edição da Copa e, quanto mais edições do torneio forem realizadas, mais provável que mais seleções façam suas estreias.

Isso é bom para os dirigentes das federações e também para os torcedores, que ficam com mais chances de verem, pela primeira vez, sua seleção disputar o maior torneio do mundo. Já para os torcedores das seleções mais tradicionais, como Brasil ou Alemanha, a realização de mais edições tira o brilho dos jogos da Copa – muitos dos quais permanecem na memória pelo resto da vida.

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