Copa do Mundo

O Japão se poupou e perdeu, mas o fair play serviu para, sob vaias, segurar a classificação

O Japão conquistou a classificação às oitavas de final da Copa do Mundo, mas correndo sérios riscos. Os Samurais Azuis pouparam mais da metade de seus titulares e enfrentaram uma Polônia que ainda tentou manter a sua honra, após a decepção evidente nas duas primeiras rodadas do Mundial. Após boas defesas dos goleiros no primeiro tempo, os poloneses saíram em vantagem em Volgogrado e, enquanto prevalecia o empate sem gols entre Colômbia e Senegal, iam eliminando os japoneses. Poderiam ter feito o segundo gol, que seria fatal aos nipônicos. No entanto, quando os colombianos abriram o placar diante dos senegaleses, os asiáticos puderam se tranquilizar. Naquele momento, mesmo com o 1 a 0 desfavorável no placar, o time de Akira Nishino ficava à frente dos africanos na tabela graças ao número de cartões amarelos.

Já durante os minutos finais em Volgogrado, muitas vaias ao Japão. O time preferiu tocar a bola e segurar a derrota por 1 a 0, em vez de se arriscar e buscar o empate, torcendo também para que Senegal não empatasse contra a Colômbia. Diante da inoperância dos Samurais Azuis, e também da Polônia na marcação, a torcida desaprovou o comportamento. Ao final, por terem tomado dois cartões amarelos a menos, os japoneses se tornaram os primeiros classificados da história das Copas graças ao fair play. Passaram na segunda colocação do Grupo H, atrás da Colômbia. Na bola, porém, ficaram devendo bastante em relação às duas primeiras rodadas e merecem as críticas.

Muitas mudanças

O Japão aproveitou a situação tranquila para descansar os seus jogadores. Apenas cinco titulares nas duas primeiras rodadas foram mantidos, quatro deles na defesa e também o volante Gaku Shibasaki. No mais, várias novidades, inclusive no sistema tático, utilizando o 4-4-2. Da mesma maneira, a Polônia deu espaço a diversos jogadores que não haviam atuado como titulares nas duas primeiras partidas. Apenas três atletas foram mantidos no 11 inicial em toda a fase de grupos, incluindo Robert Lewandowski.

Começo morno, Japão cresce

Os primeiros minutos da partida em Volgogrado foram bastante truncados, sem chances claras de gol. Por mais que não tivesse pretensões na competição, a Polônia não desistiu do jogo. Isso até que o Japão começasse a ter uma posse de bola mais clara e a rondar a área adversária, com cerca de dez minutos. Um dos caminhos era pelos lados do campo, e Shinji Okazaki deu o primeiro aviso, em cabeçada que saiu para fora. Depois, Lukasz Fabianski faria duas boas defesas, especialmente em chute de Yoshinori Muto da entrada da área, espalmando no cantinho.

Polônia volta a se impor

Depois da pressão japonesa, a Polônia voltou a sair um pouco mais para o ataque, confiando nas bolas alçadas. Buscava os cruzamentos e o combate físico nas proximidades da área japonesa. Kamil Glik chegou a acertar uma cabeçada perigosíssima, em lance parado por impedimento. Já o grande momento aconteceu aos 31, em cabeçada de Kamil Grosicki, barrada em defesa sensacional de Eiji Kawashima. O goleiro aproveitou sua envergadura e se esticou para espalmar a bola em cima da linha. Na sequência, os japoneses responderiam do outro lado, com Fabianski trabalhando mais uma vez, agora para salvar chute cruzado de Takashi Usami. Depois, um pouco mais de alternâncias, com os japoneses ameaçando em escanteios e os poloneses retomando a posse nos instantes finais, mas sem chances claras.

Gol da Polônia

O segundo tempo, mais uma vez, começou em rotação baixa. O Japão mudou seu ataque, com a entrada do titular Yuya Osako, mas não propunha muito. Até arriscou algumas vezes, mas nada suficiente para abrir o placar. E a Polônia, que já tinha assustado em contra-ataque, saiu em vantagem aos 14 minutos. Rafal Kurzawa cobrou falta em direção à área e o zagueiro Jan Bednarek apareceu livre para emendar de primeira, com o pé direito. Falha da marcação nipônica que, mesmo com o time praticamente inteiro dentro da área, deixou o adversário passar à frente.

Japão muda e tenta um pouco mais

Precisando de um gol, os japoneses passaram a recorrer aos seus titulares. Takashi Inui saiu do banco de reservas para dar novo ímpeto ao ataque. A posse de bola dos japoneses, entretanto, era pouco produtiva. O time mal conseguia encontrar brechas na defesa polonesa para finalizar, com um time burocrático demais. Exceção feita a uma cabeçada de Maya Yoshida para fora, os Samurais Azuis mal se aproximaram da área.

O segundo gol que não veio e a passividade

No momento em que a Colômbia abriu o placar contra Senegal, bem que a Polônia poderia ter feito o segundo gol, que eliminaria os japoneses. Robert Lewandowski recebeu livre dentro da área, mas não pegou bem na bola e mandou por cima do travessão. Além disso, ainda quase aconteceu um gol contra, em desvio decisivo de Makino, que Kawashima salvou. No mais, a partir dos 35 minutos, não houve mais jogo. Possivelmente sabendo do cenário favorável, o Japão preferiu segurar a diferença mínima e torcer para que Senegal não empatasse. A equipe era totalmente passiva, tocando bola no campo de defesa e gastando o tempo. A Polônia, ainda que buscava o ataque quando tinha a posse, também não pressionava na marcação. Fim de partida melancólico, respondido com vaias em Volgogrado. O Japão, ao menos, se safou.

Ficha técnica

Japão 0x1 Polônia

Local: Arena Volgogrado, em Volgogrado
Árbitro: Janny Sikazwe (ZAM)
Gols: Jan Bednarek, aos 14’/2T
Cartões amarelos: Tomoaki Makino (Japão)
Cartões vermelhos: Nenhum

Japão
Eiji Kawashima, Gotoku Sakai, Maya Yoshida, Tomoaki Makino, Yuto Nagatomo; Hiroki Sakai, Gaku Shibasaki, Hotaru Yamaguchi, Takashi Usami (Takashi Inui); Yoshinori Muto (Makoto Hasebe), Shinji Okazaki (Yuya Osako). Técnico: Akira Nishino.

Polônia
Lukasz Fabianski, Bartosz Bereszynski, Kamil Glik, Jan Bednarek, Artur Jedrzejczyk; Grzegorz Krychowiak, Goralski; Rafal Kurzawa (Slawomir Peszko), Piotr Zielnski (Lukas Teodorczyk), Kamil Grosicki; Robert Lewandowski. Técnico: Adam Nawalka.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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