O desespero foi o maior inimigo das chilenas, vencedoras, mas eliminadas por um gol que faltou

O Chile entrou em campo sabendo do que precisava. Para se classificar aos mata-matas da Copa do Mundo Feminina, a equipe tinha que derrotar a Tailândia por três gols de diferença. Parecia uma missão acessível às sul-americanas, encarando uma adversária com 18 tentos sofridos nos dois primeiros jogos. Em compensação, as chilenas ainda não haviam balançado as redes na competição. E a pressa se tornou inimiga da Roja. Mesmo sufocando as tailandesas, o Chile apresentou extremas dificuldades para criar seus gols, dependendo de falhas da goleira adversária. Por fim, o lance mais cruel aconteceu já no fim do segundo tempo. Com dois tentos de vantagem, as chilenas tiveram um pênalti anotado a seu favor. Francisca Júlia exagerou na força e carimbou o travessão. Jogou fora a oportunidade de colocar o time nas oitavas. Assim, o insuficiente triunfo por 2 a 0 foi seguido de lágrimas e tristeza das sul-americanas, igualmente eliminadas com o placar.
E o resultado também teve o seu desdobramento ao Brasil. Ainda aguardando as combinações para saber o seu chaveamento, a equipe de Vadão teve a pior notícia possível – se é que havia algo bom a se ouvir. A Canarinho pegará a anfitriã França nas oitavas de final, quado tinha a possibilidade de cruzar com a Alemanha. O caminho das brasileiras poderá guardar também os Estados Unidos nas quartas de final.
O abafa pouco adiantou
O Chile fez o seu papel durante os primeiros minutos da partida. Dominou a posse de bola e se posicionou no campo de ataque, empurrando a Tailândia contra a sua própria área. Porém, as chilenas não demonstravam tanta tranquilidade na conclusão das jogadas. Batiam a cabeça contra a parede formada pelas asiáticas. Aos 11 minutos, Chinwong chegou a salvar um chute de Urrutia quase em cima da linha, em bola que ainda bateu na trave. Lara desperdiçou o rebote. O abafa das sul-americanas era impreciso.
A Tailândia se solta
Sem que o Chile agredisse como se prometia, a Tailândia ganhou confiança para se lançar nos contra-ataques. Pouco a pouco, os lances de perigo se tornaram mais numerosos, em investidas rápidas e chutes de longe. A ótima goleira Christiane Endler precisou até mesmo trabalhar, em arremate venenoso de Sung-Ngoen de muito longe. As chilenas pouco arriscavam e só voltaram a ameaçar nos acréscimos. Balmaceda acertou um lindo chute de fora da área, em bola que caprichosamente bateu no travessão.
Chile volta do intervalo com outra atitude
A entrada de Grez deu mais força ao ataque do Chile, com a substituta participando bastante. As chances logo começaram a aparecer, com o gol saindo aos dois minutos. Foi um lance de tremenda infelicidade da goleira Boonsing. Aedo teve liberdade e bateu cruzado. Pela terceira vez, a trave evitou o tento das chilenas, mas o rebote bateu nas pernas da arqueira tailandesa e entrou. Sem querer, ela cometeu um erro crasso. Apesar das expectativas, o Chile não manteve a intensidade de sua pressão. Apostava nos cruzamentos e em esparsos chutes de longe, mas finalizando pouco para o volume de jogo.
O sonho e o desespero
As chilenas só recobrariam a esperança aos 34. Após o cruzamento frontal de López, Urrutia subiu mais que a marcadora e desviou de cabeça. Boonsing chegou atrasada, sem evitar o segundo gol das sul-americanas. O tento animou o Chile, que quase anotou o terceiro em uma cabeçada de Grez. Já o lance mais lamentado aconteceu aos 41, graças a um pênalti contestável. Urrutia saiu de frente com Boonsing e encobriu a goleira, mas viu a zaga salvar a bola na pequena área. Contudo, a árbitra resolveu assinalar falta da arqueira tailandesa, por um choque posterior com a adversária. Lara partiu para a cobrança e soltou a bomba, mas carimbou o travessão. Foi quando o desespero bateu mais forte nas sul-americanas. O time se resumia a mandar o chuveirinho e até a goleira Endler subiu ao ataque para cabecear. Não deu em nada. Era necessário aceitar a eliminação.
Saldo final
O Chile chegou aos três pontos, com três gols negativos de saldo. Não passou entre os melhores terceiros colocados por ter um gol de saldo a menos que a Nigéria. A combinação influenciou o destino do Brasil, próximo adversário da França. Já a Tailândia se despede como a pior seleção da Copa, apesar do sublime momento ocorrido no único gol das asiáticas no Mundial.
Ficha técnica
Chile 2×0 Tailândia
Local: Roazhon Park, em Rennes (FRA)
Árbitra: Anna-Marie Keighley (NZE)
Gols: Waraporn Boonsing, contra, aos 2’/2T; Maria Urrutia, aos 34’/2T
Cartões amarelos: Boonsing, Sornsai (Tailândia)
Cartões vermelhos: Nenhum
Chile: Christiane Endler, Rocio Soto, Carla Guerrero, Camila Saez, Francisca Lara; Yesenia López, Karen Araya (Javiera Grez, depois Maria Rojas), Yanara Aedo; Rosario Balmaceda, Maria Urrutia, Daniela Zamora. Técnico: José Antonio Letelier.
Tailândia: Waraporn Boonsing, Warunee Phetwiset (Kanjanaporn Saengkoon), Natthakarn Chinwong, Pitsamai Sornsai, Sunisa Srangthisong; Rattikan Thongsombut, (Orapin Waenngoen), Suchawadee Nildhamrong, Ainon Phancha, Pikul Kueanpet, Silawan Intamee (Sudarat Chuchuen); Kanjana Sungngoen. Técnica: Nuengrutai Srathongvian.



