Não existem grandes polêmicas na lista divulgada por Tite, nesta segunda-feira, com os 23 convocados para defender a seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia. A maioria das contestações partem de preferências pessoais e, no fim, as que valem são as do treinador e de sua comissão técnica. O nome que mais causou rejeição foi o de , do Shakhtar Donetsk, que tende a ser aquele reserva que mal entrará em campo. 

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Nem tanto pela falta de qualidade. Taison faz boa temporada na Ucrânia. Tem sete gols e sete assistências em 36 partidas pelo Shakhtar. Números sólidos. Foi titular nos jogos mais importantes. É bom jogador, com momentos ótimos, mas nada excepcional, e, aos 30 anos, não tem espaço para crescer muito mais. Sabemos tudo que pode fazer. 

A vaga de Taison foi a última ocupada na lista de Tite. A dúvida era entre levar um jogador de ataque, que poderia ser ele, ou um centroavante diferente de Roberto Firmino e Gabriel Jesus, como William José; ou do meio-campo, como Giuliano, ou outros menos testados, como Rodriguinho ou Arthur. No fim, o que pesou a favor de Taison foi a versatilidade, a experiência e a confiança do treinador. 

“Ele tem 80 jogos entre Champions e Liga Europa. Isso acaba pesando, este know-how, mentalmente forte. Além de ser campeão da Libertadores pelo e da Sul-Americana comigo (também no Colorado)”, disse Tite, na entrevista coletiva logo depois da convocação. “Ele pode atuar por dentro ou por fora. Porque também tenho a ideia de usar na função de meia-central. Então é essa versatilidade de Coutinho, junto com a versatilidade de Taison”. 

Taison é ponta-esquerda de origem. Atacante rápido, destro, que corta para o meio e entra em diagonal. Em característica, assemelha-se a Neymar, o que pode também ter pesado na escolha de Tite. O craque brasileiro retorna de lesão e não atuará competitivamente antes da estreia na Copa do Mundo. Ter um substituto natural no elenco pode não ter sido o fator determinante, mas mais uma variável que pesou a favor do ex-jogador do Internacional. 

Contudo, nesta temporada, ele tem sido utilizado pelo técnico Paulo Fonseca por dentro, como meia-ofensivo ou segundo atacante, em uma formação 4-3-2-1. Bernard e fazem as pontas. A maioria das vezes que Taison não jogou pelo meio foi justamente entrando no decorrer das partidas na vaga dos compatriotas. 

Na seleção, sua área de atuação primordial tem sido o banco de reservas. Tem apenas seis jogos, nenhum como titular. Em dois deles, contra Venezuela e Argentina, a função exercida pelo jogador foi matar tempo: entrou já nos acréscimos e disputou apenas um minuto em cada. Tem mais cinco diante da Colômbia, entrando no lugar de Gabriel Jesus, o centroavante. Quando teve mais tempo de jogo (Australia, Japão e Rússia, nunca mais do que meia-hora) entrou nas vagas de e Willian, sempre pelo lado de campo. 

Mas, pela posição em que atuou na temporada, e pelas declarações de Tite, Taison também pode ser utilizado atrás do centroavante, em um 4-2-3-1 alternativo ao 4-1-4-1 que o treinador da Seleção adota como base. Em um cenário super-ofensivo, eventualmente em busca de um empate ou virada, Coutinho recuaria para o centro, ao lado do , com Taison entre os pontas. Isso em tese. Na prática, empatando por 1 a 1, semifinal da Copa do Mundo contra a Argentina, 15 minutos para o fim, será ele o escolhido para mudar o rumo da partida? 

Independente da posição. Caso Neymar esteja fora de ação, Douglas Costa parece à frente para fazer a ponta esquerda. Se Tite quiser manter um jogador com pé invertido, pode por o próprio Coutinho, que jogou anos desta maneira no Liverpool, com Fred ou Renato Augusto no meio. Mesmo no 4-2-3-1 alternativo, Coutinho pode ser o meia-ofensivo. Douglas Costa foi usado ali algumas vezes por Allegri na Juventus. E ainda há Roberto Firmino, cuja área de atuação preferida é justamente recuando para essa zona do gramado, armando o jogo e se movimentando. 

É verdade que Taison pode fazer várias funções, mas não tem uma versatilidade imprescindível à seleção brasileira. Há jogadores melhores no elenco que cumprem o que ele pode oferecer. Arthur, por outro lado, traria características diferentes. Assim como William José ou qualquer outro centroavante mais fixo. E a experiência citada por Tite é relativa: 80 jogos de competição europeia, mas nunca além das oitavas de final da Champions League, valem mais do que decidir a final da Libertadores, como fez Luan, outro que também preza pela versatilidade? 

Taison tende a ser um daqueles jogadores que vai para a Copa do Mundo e, quando muito, entra em campo no final de partidas já decididas ou naquela terceira rodada com a classificação já garantida. Como Henrique, na última Copa do Mundo. Com a suspensão de Thiago Silva, Felipão mudou o lado de David Luiz para escalar . Não poderia ter levado outro zagueiro que joga pela direita? Ou como Bernard deveria ter sido. Ou como um punhado de jogadores levados por Dunga para a África do Sul (Nilmar, Grafite, Kléberson), quando o treinador foi eliminado pela Holanda sem fazer todas as três substituições. Isso não deve acontecer com Tite. Ele tem várias boas opções no banco de reservas para mudar os jogos. O problema é que Taison não parece ser uma delas.