Na abertura da Copa, Equador foi forte demais para um Catar de baixa qualidade e sem inspiração
Os sul-americanos abriram 2 a 0 sem problemas no primeiro tempo, tiraram o pé no segundo e começaram o Mundial com uma vitória tranquila
O Equador teve um gol anulado por centímetros aos cinco minutos do primeiro tempo e poderia ter ganhado por muito mais no segundo tempo se não tivesse diminuído o ritmo, deixando bem claro que o país-sede Catar terá muitos problemas durante a fase de grupos da Copa do Mundo que teve sua primeira partida e cerimônia de abertura realizadas neste domingo. Com dois gols de Enner Valencia, os sul-americanos venceram por 2 a 0 e deram um passo importante rumo às oitavas de final.
Após uma cerimônia que homenageou músicas e mascotes de Mundiais anteriores e contou com a presença do ator norte-americano Morgan Freeman, o Equador mostrou rapidamente que o Catar deve se juntar à África do Sul como os dois países-sede eliminados antes do mata-mata da Copa do Mundo e gerou a primeira derrota de um anfitrião na partida de abertura. Com uma exibição dominante no primeiro tempo, fez seus dois gols e não sentiu a necessidade de pressionar depois do intervalo, quando o Catar tocou a bola sem pressa ou criatividade.
Considerando que a Holanda é a favorita do grupo, tanto Equador quanto Senegal precisam ganhar do Catar para ter chances melhores de passar às oitavas de final, dependendo do confronto direto. Os sul-americanos fizeram a sua parte. À anfitriã, a missão será tentar fazer um papel melhor nos dois jogos restantes, porque a primeira impressão não foi boa.
Escalações
O técnico Gustavo Alfaro, que experimentou com 4-3-3 e 4-4-2, preferiu uma linha de quatro no meio-campo para a estreia da Copa do Mundo, com Moisés Caicedo e Jhegson Méndez fazendo a dupla por dentro, Gonzalo Plata à direita e Romario Ibarra pela esquerda. Enner Valencia era o alvo dos passes no ataque, ao lado de Michael Estrada. O espanhol Félix Sánchez não preparou surpresas e entrou em campo com a formação esperada, com cinco jogadores atrás, três no meio-campo e dois atacantes.
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Gol anulado em cinco minutos
O Catar até começou tocando mais a bola. Durou uns dois minutos e não saiu nada. Aos cinco, o Equador colocou a bola na rede pela primeira vez neste domingo. Uma cobrança de falta pela esquerda da intermediária à segunda trave, onde o goleiro local, Saad Al Sheeb, saiu mal. Félix Torres e Michael Estrada subiram com ele quase ao mesmo tempo. Torres tocou de cabeça, Estrada ajeitou, e Torres virou um semi-voleio para Enner Valencia completar na cara do gol. Houve uma checagem relativamente longa do assistente de vídeo que identificou o impedimento de Estrada no primeiro toque de Torres. Demorou alguns minutos para ficar claro o que havia acontecido, mas o gol foi bem anulado.
Domínio do Equador
O gol foi apenas o início de um domínio muito amplo do Equador, que nem se traduziu tanto em números, com 54% de posse de bola e três finalizações, mas os sul-americanos simplesmente não deixavam o Catar jogar bola. Recuperavam e atacavam em sequência. Em uma dessas ações, Jhegson Méndez interceptou no meio-campo e soltou para a infiltração de Enner Valencia, que dominou na cara do goleiro Al Sheeb, deu o drible e foi derrubado. Ibarra ainda teve o rebote cortado em cima da linha, mas o árbitro marcou pênalti. Valencia cobrou com muita tranquilidade no canto e abriu o placar.
Estupiñán resgatou um lançamento na linha de fundo pela esquerda e cruzou para o meio da área, onde Estrada cabeceou, sem conseguir direcionar a bola, e trombou com o Al Sheeb, que realmente não teve um primeiro tempo muito agradável. Havia impedimento de Estupiñán. Por volta da meia hora, Moisés Caicedo, o ótimo meia do Brighton, avançou pelo meio, tentou o drible na entrada da área e perdeu o ângulo. Foi até a ponta direita, onde rolou para o cruzamento de Preciado. Enner Valencia se jogou e cabeceou com precisão no cantinho para encaminhar a vitória do Equador.
Única chance do Catar no primeiro tempo
Os 12 anos de preparação, com muito dinheiro gasto, geraram um primeiro tempo decepcionante para o Catar. É claro que ninguém esperava um Carrossel Holandês, mas o time da casa foi praticamente nulo, sem conseguir trocar passes ou criar e com excessivos erros técnicos. Apenas aos 50 minutos encaixou uma boa jogada. Pedro Miguel abriu na ponta direita com o capitão Hassan Al Heidos, que cruzou bem para encontrar Almoez Ali na pequena área. O atacante do Catar, porém, errou o cabeceio e perdeu uma grande chance.
Segundo tempo de calmaria
Aos 10 minutos da etapa final, Romario Ibarra recebeu o passe pela esquerda, abriu para a perna direita e bateu colocado para uma boa defesa de Al Sheeb. E aí começou um período de um gigantesco nada, enquanto o Catar mantinha uma posse de bola segura, talvez com medo de ser goleado, e o Equador, satisfeito, não apresentava urgência para aumentar o placar. Isso durou mais ou menos 20 minutos, e o jogo na verdade nunca mais pegou fogo, embora tenha havido algumas chances.
Aos 30 minutos, Akram Afif arriscou de fora da área, pegou embaixo demais e isolou. Uma das três finalizações para fora do Catar na etapa, junto com uma cabeçada de Pedro Miguel e a melhor situação dos anfitriões depois do intervalo. Bassam Al-Rawi lançou da defesa, buscando a projeção de Mohammed Muntari, que aproveitou o vacilo de Piero Hincapié e encontrou a bola dentro da área. Bateu de primeira, por cima, não muito longe de pegar o goleiro Hernán Galíndez desprevenido.
O Equador fez pouca coisa no segundo tempo, com Alfaro aproveitando para dar minutos de Copa do Mundo para alguns de seus reservas, como Alan Franco, ex-jogador do Atlético Mineiro. A melhor chance foi em outra escapada de Estupiñán pela esquerda. Ele tentou o cruzamento para Estrada, a defesa do Catar afastou, e Jeremy Sarmiento, outro substituto, bateu de frente, para fora. Mas havia impedimento no lance.
Ficha técnica
Catar 0 x 2 Equador
Local: Estádio Al Bayt, em Al Khor
Árbitro: Daniele Orsato (Itália)
Gols: Enner Valencia, duas vezes (Equador)
Cartões amarelos: Saad Al Sheeb, Almoez Ali, Karim Boudiaf e Akram Afif (Catar); Moisés Caicedo e Jhegson Méndez (Equador)
Catar: Saad Al Sheeb; Pedro Miguel, Bassam Al-Rawi, Boualem Khoukhi, Abdelkarim Hassan e Homam Ahmed; Hassan Al Heidos (Mohammed Al Bayati), Karim Boudiaf e Abdelaziz Hatem; Almoez Ali (Mohammed Muntari) e Akram Afif. Técnico: Félix Sánchez
Equador: Hernán Galíndez; Ángelo Preciado, Félix Torres, Piero Hincapié e Pervis Estupiñán; Gonzalo Plata, Jhegson Méndez, Moisés Caicedo (Alan Franco) e Romario Ibarra (Jeremy Sarmiento); Enner Valencia (José Cifuentes) e Michael Estrada (Kevin Rodríguez). Técnico: Gustavo Alfaro



