Muito mais leve, Argentina conseguiu fazer o seu jogo e venceu a Polônia sem problemas para avançar
Em três jogos de fase de grupos, a Argentina conseguiu ir do inferno ao céu e chega às oitavas de final com status de uma das favoritas restaurado
A Copa do Mundo da Argentina tem apenas três jogos de idade, mas foi uma montanha-russa. O primeiro tempo contra a Arábia Saudita teve um gol cedo, outros três anulados, e a impressão de que a vitória sairia com tranquilidade. O segundo foi bem diferente: levou a virada, desesperou-se, foi muito mal. Entrou pressionada contra o México e passou por uma etapa inicial muito nervosa. O gol de Messi depois do intervalo foi um alívio danado. Após um tropeço enorme e uma recuperação, foi como se a última rodada contra a Polônia fosse um recomeço e, mais leve, a campeã sul-americana conseguiu fazer o seu jogo e venceu por 2 a 0 sem problemas para avançar em primeiro lugar às oitavas de final.
Foi muito mais parecido com o time que emendou 36 jogos de invencibilidade, derrotou a Itália e quebrou um longo jejum sem títulos com a vitória na Copa América. Teve Messi finalizando e procurando os companheiros, uma defesa que ganhou todas de Robert Lewandowski, um meio-campo que combinou pegada com criação, especialmente na figura de Enzo Fernández. Os gols foram marcados por Alexis Mac Allister e Julián Álvarez, uma dupla que ganhou a titularidade com o decorrer da Copa do Mundo e correspondeu quando mais dela se esperava.
A vitória completa o breve épico que foi a fase de grupos da Argentina. A derrota inesperada, a ameaça da eliminação vexatória e finalmente a atuação impositiva que dela se esperava. Segue entre as favoritas ao título e enfrentará a Austrália nas oitavas de final. A Polônia também estará no mata-mata porque alguém mais desse grupo tinha que se classificar. O México não mostrou nada até o último jogo. A Arábia Saudita não conseguiu aproveitar a superioridade contra o time de Lewandowski para arrancar alguma coisa e sucumbiu aos mexicanos. Então passa a Polônia. Estava se classificando pelos cartões amarelos, mas a Arábia Saudita achou um gol no fim, e deu o saldo favorável aos europeus.
Escalações
Lionel Scaloni seguiu mudando o seu time. Nahuel Molina retornou na lateral direita, assim como Cristiano Romero, parceiro de Nicolás Otamendi na defesa. Enzo Fernández foi, enfim, titular no meio-campo. Mac Allister foi mantido. No ataque, Julian Álvarez barrou Lautaro Martínez, atuando mais aberto pela esquerda. Czeslaw Michiniewicz também modificou a Polônia. Abriu mão do esquema com três zagueiros, sacando Jan Bednarek, e armou duas linhas de quatro, com Karol Swiderski sendo o parceiro de Lewandowski, em vez de Milik.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Primeiro tempo
A primeira coisa que ficou clara é que Messi estava sedento. Mais centralizado e com liberdade para se movimentar, buscava a finalização com frequência. Aos sete minutos, ela saiu mascada, com a perna direita, sem problemas para Szczesny. Depois, recebeu de Di María e foi puxando para a esquerda, sem ser impedido pelos poloneses, até encontrar o espaço para chutar firme. Szczesny espalmou novamente. O duelo com o goleiro da Juventus seria uma das histórias do primeiro tempo.
Depois de se concentrar em chutar, Messi começou a tentar acionar Marcos Acuña, com aquela invertida de jogo que adorava fazer para Jordi Alba no Barcelona. Uma delas terminou com o chute de Acuña para fora, a outra com uma cabeçada para fora, sem perigo. O lateral esquerdo teve outra grande oportunidade, pegando a sobra pela esquerda da área e chutando cruzado, bem perto da trave. Di María quase fez um gol olímpico, mas Szczesny não está fazendo uma Copa do Mundo em que seria vazado dessa maneira.
Está tão complicado vencer Szczesny que Messi não conseguiu nem a 11 metros de distância, com a bola parada e sem marcação. Não merecia também. Mac Allister arrancou pelo meio, entre as linhas polonesas, e deu o passe na medida para Álvarez, que dominou e bateu de perna esquerda. Szczesny fez outra defesa difícil. No rebote, o atacante do Manchester City perseguiu pela esquerda e cruzou à segunda trave. A cabeçada foi para fora, e Messi foi atingido pela ponta dos dedos de Szczesny. Totalmente casual, sem tanta força. Seria meio exagerado dar pênalti.
Não para o árbitro holandês Danny Makkelie. Chamado ao assistente de vídeo, apontou à marca da cal. Messi teria a chance de marcar seu terceiro gol na Copa do Mundo. Bateu um pouco mal, à meia altura, entre o centro do gol e o canto. Mas Szczesny também esticou o braço na hora certa para fazer uma grande defesa. O goleirão ainda barrou outra tentativa forte de Álvarez, encerrando um ótimo primeiro tempo da Argentina, que, como vocês podem perceber, sequer foi ameaçada na defesa e criou uma dezena de chances de marcar.
Segundo tempo
Mas havíamos visto nas duas primeiras rodadas que esse time pode perder um pouco a cabeça quando está sob pressão. Foi assim no segundo tempo contra a Arábia Saudita e novamente diante do México, até Messi abrir o placar no segundo tempo. Alexis Mac Allister, porém, não permitiu que a tensão crescesse. No primeiro minuto, Nahuel Molina se projetou pela direita, cruzou rasteiro e o meia-atacante do Brighton desviou rasteiro de perna direita. A bola pegou na trave antes de entrar – um chute preciso que nem Szczesny poderia defender.
Mac Allister teve outra oportunidade, encaixada por Szczesny. O segundo gol sairia da aposta de Scaloni para essa partida. Substituto de Lautaro Martínez, Álvarez recebeu o passe de Enzo Fernández, que encontrou o espaço mesmo muito pressionado, abriu para a perna direita e bateu alto para ampliar o placar. E aí, virou festa para a Argentina. Messi chegou batendo de frente o centro de Fernández, em cima de Szczesny, e Álvares mandou outra bomba, no lado de fora da rede.
Scaloni aproveitou para rodar o elenco. Tentou recuperar a confiança de Lautaro Martínez – não deu muito certo: ele perdeu um gol feito – e deu minutos para German Pezzella e o jovem Thiago Almada, convocado de última hora para o lugar de Joaquín Correa. Tagliafico quase marcou, mas teve seu chute cortado em cima da linha. Messi seguiu tentando marcar, o que ele queria bastante desde o início, mas não conseguiu. Tudo bem. Terá outras oportunidades.
Ficha técnica
Polônia 0 × 2 Argentina
Local: Estádio 974, em Ras Abu Aboud (Catar)
Árbitro: Danny Makkelie (Holanda)
Gols: Alexis Mac Allister e Julián Álvarez (Argentina)
Cartões amarelos: Marcos Acuña (Argentina); Grzegorz Krychowiak (Polônia)
Cartões vermelhos: nenhum
Polônia: Wojciech Szczesny; Matty Cash, Kamil Glik, Jakub Kiwior e Bartosz Bereszynski (Artur Jedrzejczyk); Piotr Zieliński (Krzysztof Piatek), Krystian Bielik (Damian Szymański), Grzegorz Krychowiak e Przemysław Frankowski (Jakub Kaminski); Karol Świderski (Michael Skórás) e Robert Lewandowski. Técnico: Czeslaw Michiniewicz.
Argentina: Emiliano Martínez; Nahuel Molina, Cristian Romero, Nicolás Otamendi e Marcos Acuña (Nicolás Tagliafico); Enzo Fernández (German Pezzella), Rodrigo de Paul e Alexis Mac Allister; Ángel Di María (Leandro Paredes), Julián Álvarez (Lautaro Martínez) e Lionel Messi. Técnico: Lionel Scaloni



