Copa do Mundo

Mesmo com um time mais leve, a firmeza do Brasil a cada combate foi uma das chaves para a estreia positiva

Especialmente num primeiro tempo duro, a Seleção fez um bom trabalho defensivo e a combatividade foi uma das virtudes

Tite assumiu um risco na escalação da seleção brasileira. O treinador optou por um time mais leve para enfrentar a Sérvia, um dos adversários mais físicos possíveis da Copa do Mundo. A ideia do treinador era assumir o protagonismo com a qualidade à disposição e fazer os adversários se virarem na marcação. Entretanto, a combatividade dos brasileiros também saltou aos olhos. Especialmente no duro primeiro tempo, a forma como a Seleção chegou junto e venceu várias divididas auxiliou demais. Thiago Silva e Casemiro fizeram excelentes exibições, mas mesmo os jogadores mais franzinos passaram no teste, com enorme vigor.

Com a bola no pé, a tendência era que o Brasil prevalecesse. Por isso mesmo a Sérvia tentou abafar com sua marcação na primeira etapa. A pressão subiu especialmente nos 20 minutos iniciais, quando os brasileiros tiveram dificuldades para construir no campo ofensivo. Apesar disso, um dos méritos era a recuperação rápida da Seleção. E valeu bastante a participação dos jogadores mais avançados nesse trabalho duro. Raphinha e Vinícius Júnior estiveram entre os líderes de desarmes na noite. Mesmo Lucas Paquetá deu essa pegada na faixa central, com quatro recuperações.

A Sérvia, quando recuou mais sua marcação, apostou nas bolas longas. O Brasil também foi ótimo para neutralizar o temido Aleksandar Mitrovic pelo alto. A linha defensiva funcionou bem nesse papel, inclusive com a proteção extra de Alex Sandro e Danilo nas laterais. Já Alisson estava muito atento em suas saídas pelo alto e transmitiu confiança para o sistema defensivo. O entendimento que a Seleção teve das virtudes sérvias auxiliou demais na segurança geral.

E o Brasil tem suas lideranças. Dois nomes históricos, como Thiago Silva e Casemiro. O sorriso do capitão no túnel era um sinal positivo e, depois da Copa excelente que fez em 2018, Thiago manteve a toada. A idade impressionantemente não pesa sobre o beque, soberano em quase todas as suas ações. O jogo flui mais fácil com uma liderança técnica como ele, até para iniciar a construção. O complemento com Marquinhos garantiu provavelmente a melhor atuação de uma dupla de zaga neste início de Copa.

Mais à frente, Casemiro é talvez o jogador mais imprescindível do Brasil. Isso vem de anos, afinal. A badalação pode ficar para o gol antológico de Richarlison, para as infiltrações de Vinícius Júnior. Mesmo assim, o prêmio de melhor em campo estaria em excelentes mãos com o camisa 5 – possivelmente fosse o mais justo pelo todo. Durante o primeiro tempo, Case foi muito bem nos combates e na distribuição com seus lançamentos. Já na segunda etapa, a pane seca da Sérvia aconteceu com o meio-campista cortando as linhas de passes nos esboços de contra-ataques. Merecia o seu golaço, pena que a trave impediu.

A seleção brasileira da Copa de 2022 começa com uma identidade muito clara pelas opções que possui no ataque e pela dose cavalar de habilidade que há tempos não se via. Entretanto, um time competitivo depende de equilíbrio. E esse equilíbrio Tite encontrou na estreia contra a Sérvia. Não deixou de ser uma equipe ofensiva, mas isso não atrapalhou a firmeza. Nas dificuldades, a energia brasileira a cada disputa manteve o nível alto. Até que a superioridade técnica demarcasse a segunda etapa e ficasse a marca de uma vitória empolgante.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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