Copa do Mundo

Tetra pelo Brasil confia em ‘presságio’ para dar esperança à seleção brasileira em 2026

Campeão do mundo aponta coincidências brasileiras entre o título mundial de 1994 e a competição disputada no ano que vem

Quatro técnicos, vários jogadores convocados e ainda a ausência de uma identidade. A seleção brasileira vive um ciclo conflituoso na preparação para a Copa do Mundo de 2026, algo muito próximo do que aconteceu na preparação para os dois últimos títulos mundiais, em 1994 e 2002.

Titular absoluto na geração do tetra, conquistado há 31 anos nos Estados Unidos, Mauro Silva aposta que a coincidência no palco da Copa do ano que vem (os EUA receberão mais jogos do que México e Canadá) e os 24 anos de jejum sem o Brasil ser o campeão do mundo, como era em 94, são motivos para esperança no torcedor.

— Ganhar uma Copa do Mundo é uma competição muito dura, muito difícil, tem que ter a melhor preparação possível, tentar controlar todos os detalhes, ter um time muito robusto, muito compacto. [Serão] 24 anos de novo sem ganhar uma Copa, voltando para os Estados Unidos, quem sabe seja o presságio aí de uma conquista — disse o ex-volante em entrevista exclusiva à Trivela durante o evento “Jogando Junto pelo Unicef”, no último domingo (12).

O hoje vice-presidente da Federação Paulista vê que, independentemente do tempo sem títulos mundiais, a seleção brasileira joga com uma enorme pressão e a preparação que fará a diferença.

— Não tem jeito, o Brasil sempre vai estar pressionado pela história do futebol brasileiro. Claro que 24 anos pesam muito, mas eu acho que é com serenidade, tranquilidade, cabeça fria, para você poder ter uma performance adequada. É difícil, é um desafio que o Brasil tem esse jejum. É aproveitar esse clima dos Estados Unidos, essa lembrança tão boa [de 1994] para tentar conquistar esse título — explicou.

Mauro Silva em ação pela seleção brasileira na final da Copa do Mundo de 1994
Mauro Silva em ação pela seleção brasileira na final da Copa do Mundo de 1994 (Foto: Imago)

Ronaldão, parte do elenco do tetra brasileiro, também conversou com a Trivela e deixou como dica aos jogadores o entendimento do que é atuar pela Amarelinha, sem deixar de lado a importância do alinhamento da CBF com a Seleção.

— [O título de 94] Serve de exemplo. Superamos a pressão. Fizemos uma equipe competitiva, os jogadores realmente fizeram uma união muito forte, isso ajuda muito. Se os jogadores entenderem esse processo que é vestir a camisa da seleção brasileira, o Brasil tem tudo para ganhar de novo. Mas tem que ter comprometimento geral, completo, das pessoas que estão envolvidas na CBF e na Seleção, para que o Brasil volte a brilhar novamente.

Seleção brasileira terá que superar calor novamente

Um fator que chamou atenção em 1994, principalmente na final contra a Itália, foi o calor escaldante no estádio Rose Bowl, na Califórnia. A partida iniciou às 12h no horário local para que pudesse ser transmitida no melhor horário para outros centros.

Esse clima quente surgiu também no Mundial de Clubes, disputado nos EUA entre junho e julho deste ano, e é algo que a Seleção de Carlo Ancelotti terá que superar, como explicado por quem viveu isso há mais de três décadas.

— O calor realmente é intenso, o desgaste é muito grande. Você tem que estar muito bem preparado, se hidratar muito, se alimentar muito bem, descansar. A preparação e os detalhes de logística devem ser muito bem administrados porque estamos falando de performance. […] Tem que jogar com muita cabeça — detalhou Mauro Silva.

Ronaldão brincou com a parada para hidratação que ocorreu no Mundial, mas não tinha em 94. “Nossa época tinha nada disso. Era tempo corrido, prorrogação, e ainda disputa de pênaltis, caso da final. Tem que parar de ‘mimimi’, jogar futebol e buscar o título novamente”, finalizou.

A seleção brasileira, já classificada para o Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá, será cabeça de chave de um dos 12 grupos da competição disputada entre junho e julho de 2026. O sorteio ocorre em 5 de dezembro, em Washington, capital dos EUA.

Ronaldão no banco de reservas em jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1994
Ronaldão no banco de reservas em jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1994 (Foto: Imago)
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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