Copa do Mundo 2026

De milagre à rotina: Como Marrocos reescreveu a história do futebol africano em uma Copa do Mundo

Marroquinos saltam de patamar e mostram consistência em Mundiais, com futebol competitivo

Em 2022, muitos falaram em milagre. Quatro anos depois, essa palavra não cabe mais. Após eliminar os Países Baixos e o Canadá na fase eliminatória, o Marrocos reencontrará a França nas quartas de final da Copa do Mundo 2026. Uma segunda classificação consecutiva a esta fase, com um técnico diferente, mas com a mesma impressão de domínio e controle.

É talvez isso que mais chama atenção. A alegria continua presente, mas não há mais aquela sensação de ter realizado um milagre. Essa força é sem dúvida o que diferencia agora esta geração de todas as equipes africanas que a precederam.

Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento
Copa do Mundo 2026

Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento

Leia→

O Marrocos reescreve a história do futebol africano

As estatísticas mostram o quanto os Leões do Atlas estão mudando os padrões do continente. Após a classificação diante do Canadá (3 a 0), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, o Marrocos representa agora 50% de todas as vitórias africanas na fase mata-mata da Copa do Mundo. Das oito vitórias por seleções africanas na história do torneio, quatro são marroquinas. Nenhuma outra nação do continente acumula mais de uma.

Salibari comemora gol da vitória marroquina contra a Escócia (Foto: PA Images / Icon Sport)
Salibari comemora gol da vitória marroquina contra a Escócia (Foto: PA Images / Icon Sport)

Sobretudo, o país se torna a primeira seleção africana a alcançar duas quartas de final consecutivas. Durante décadas, chegar às quartas representava o objetivo máximo para uma equipe africana. O Marrocos, por sua vez, trata isso quase como uma etapa natural do caminho.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Uma classificação sem a sensação de feito histórico na Copa do Mundo

Esta é provavelmente a maior mudança de todas. Em 2022, cada vitória parecia um evento histórico. Em 2026, os marroquinos dão a impressão de ter simplesmente feito seu trabalho. Diante dos Países Baixos, se agarraram ao resultado e mostraram sangue frio na disputa de pênaltis. Diante do Canadá, venceram por 3 a 0 com enorme realismo, sem jamais demonstrar qualquer sinal de pânico.

Esta equipe parece não jogar mais com o peso da história sobre os ombros. Joga com a convicção de que pertence a este nível. Foi exatamente o que resumiu Mohamed Ouahbi após a classificação: “Não somos mais uma surpresa hoje, e isso é um grande orgulho. Acredito que isso é apenas o começo.”

Essa frase sintetiza perfeitamente a mudança de dimensão do Marrocos.

Mohamed Ouahbi
Mohamed Ouahbi, técnico do Marrocos. Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire

O outro ensinamento deste Mundial é a continuidade do projeto. Alguns temiam que a saída de Walid Regragui colocasse fim à dinâmica nascida no Catar. Não foi o que aconteceu. Chegando com suas próprias ideias, especialmente um estilo mais propositivo com a bola, Mohamed Ouahbi não quis revolucionar uma equipe vencedora.

Trouxe sua marca pessoal mantendo as bases que haviam sustentado o sucesso do Marrocos. O resultado é uma seleção que parece ainda mais madura. Mais calma. Mais paciente. Mais convicta de sua força.

Por muito tempo, as grandes campanhas africanas tinham algo de excepcional, quase de acidental. O Camarões de 1990, o Senegal de 2002, a Gana de 2010 criaram a surpresa antes de voltar ao pelotão de trás. O Marrocos de 2026 entra em outra categoria.

Sexto no ranking da Fifa, os Leões do Atlas não dão mais a impressão de realizar um feito histórico. Dão a impressão de ocupar o lugar que agora é o seu por direito. Esse é, sem dúvida, o maior legado desta geração: ter transformado o extraordinário em rotina, e feito do que parecia inatingível um novo padrão.

Foto de Alexis Pereira

Alexis PereiraRedator

Jornalista formado na ESJ Paris, com passagens por várias redações francesas e internacionais. Apaixonado por futebol e todas as suas histórias, pequenas e grandes.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo