Copa do Mundo: Os 3 problemas que o Marrocos precisa resolver antes do mata-mata
Eficiência e erros defensivos preocupam antes da próxima fase do Mundial
O Marrocos se classificou para as oitavas de final da Copa do Mundo 2026, mas saiu de Atlanta com mais perguntas do que respostas. A vitória por 4 a 2 sobre o Haiti, que deveria ser uma partida tranquila, virou um susto, e o meia Bilal El Khannouss não poupou críticas ao comportamento da equipe, depois do apito final.
Após ceder o placar por duas vezes para uma das seleções mais fracas do torneio, os Leões do Atlas precisaram da brilhante atuação individual de Achraf Hakimi e da entrada decisiva dos reservas para garantir a classificação. O rendimento levantou dúvidas sobre o nível do Marrocos para o mata-mata, onde o adversário mais provável são os Países Baixos, um time bem mais perigoso.
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Marroco: A cobrança de El Khannouss
El Khannouss não disfarçou a frustração ao falar à “beIN Sports” após o jogo. “Faltou humildade em certos momentos. Não entrávamos nos duelos a 100%, não disputávamos cada jogada ao máximo, e demos confiança a eles”, disse o meia.
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O Marrocos chegou à partida sabendo que a classificação era matematicamente quase certa antes mesmo do apito inicial, e essa confortável consciência, somada às quatro mudanças feitas pelo técnico Mohamed Ouahbi no time titular, parece ter produzido exatamente o relaxamento que El Khannouss descreveu. Sofyan Amrabat, um dos heróis da histórica campanha marroquina na Copa do Mundo 2022, também sofreu no início, antes de elevar seu nível.
O caso mais evidente foi o de Anass Salah-Eddine na lateral esquerda, que errou duplamente no primeiro gol haitiano e nunca pareceu seguro durante o tempo em que esteve em campo. Brahim Díaz também decepcionou no setor ofensivo, acumulando erros técnicos e decisões equivocadas depois de ter dado uma assistência em cada um dos dois jogos anteriores da fase de grupos.
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A eficiência que preocupa para o mata-mata
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O problema mais sério vai além dos erros individuais. Saibari marcou pelo terceiro jogo consecutivo, estabelecendo um recorde africano na competição, mas converteu apenas um dos cinco chutes que tentou. No total, o Marrocos acertou 11 dos 22 no alvo ao longo da partida, um aproveitamento de 50%.
O padrão se repete. Contra o Brasil, chances desperdiçadas contribuíram para o empate em 1 a 1 que poderia ter sido uma vitória. Contra a Escócia, o aproveitamento abaixo do esperado gerou tensão desnecessária numa vitória por 1 a 0. Num jogo de mata-mata, cada oportunidade perdida cobra um preço muito mais alto.
El Khannouss deixou claro que a consciência do momento é total. “A primeira fase acabou. Agora é simples: ou você vence e avança, ou perde e vai para casa. Estamos conscientes disso”, concluiu o meia.
Os pontos positivos que o Marrocos pode preservar
O diagnóstico não é apenas negativo. Hakimi reencontrou o nível mais alto no momento certo, após um início de Copa discreto, e voltou a ser o lateral que pode decidir sozinho. Soufiane Rahimi entrou do banco e marcou, além de contribuir com assistência; Yassine Gessime completou o placar. O Marrocos tem profundidade de elenco, e Ouahbi ficou com respostas úteis sobre quem pode fazer diferença quando entrar.
Mas os Países Baixos, adversário mais provável nas oitavas, em Monterrey, não darão as brechas defensivas que o Haiti ofereceu repetidamente. O técnico tem uma semana para corrigir o que El Khannouss expôs com tanta clareza.