Copa do Mundo

Lukaku: ‘É um milagre ir à Copa. Em qualquer outro país, eu não teria sido convocado’

Após 2025/26 abaixo do esperado, histórico atacante belga está confirmado no Mundial de 2026

A presença de Romelu Lukaku na Copa do Mundo 2026 parecia improvável há alguns meses. Depois de uma temporada marcada por problemas físicos, pouco tempo em campo e números muito abaixo do que costuma apresentar, o atacante belga chegou a conviver com a possibilidade de ficar fora da principal competição do futebol mundial. Por isso, a convocação para defender a Bélgica no torneio foi recebida pelo próprio jogador como algo extraordinário.

Após a vitória por 5 a 0 sobre a Tunísia, no último amistoso da seleção belga antes da viagem para os Estados Unidos, Lukaku não escondeu a satisfação por integrar o grupo comandado pelo técnico Rudi Garcia.

— Estou simplesmente feliz por estar na equipe. Em qualquer outro país, não teria sido convocado depois de apenas 64 minutos de jogo numa temporada. É um milagre ir ao Mundial 2026 depois da temporada que tive — declarou ao jornal “Het Nieuwsblad”.

A fala resume o cenário vivido pelo atacante nos últimos meses. Enquanto a Bélgica inicia mais uma campanha em busca de protagonismo internacional, Lukaku tenta transformar a Copa do Mundo em um recomeço após um dos períodos mais difíceis de sua carreira.

Lukaku em 2025/26: temporada complicada e luta contra lesões

Lukaku se lamenta durante jogo do Napoli
Lukaku se lamenta durante jogo do Napoli (Foto: Alessandro Garofalo / LaPresse / Icon Sport)

A temporada 2025/26 de Lukaku foi marcada por sucessivos problemas musculares. O atacante do Napoli sofreu especialmente com uma lesão que o afastou dos gramados por quase quatro meses, entre agosto e dezembro, período em que ficou fora de 28 partidas somando compromissos do clube italiano e da seleção belga.

Mesmo depois do retorno, o jogador não conseguiu recuperar sequência de jogos. Um problema na coxa esquerda, que o acompanha desde meados de março, continuou limitando sua utilização. A situação foi tão delicada que Lukaku chegou a ser preservado de amistosos anteriores para priorizar a recuperação física e aumentar suas chances de disputar a Copa em boas condições.

Os reflexos apareceram diretamente nos números. Pelo Napoli, o belga participou de somente sete partidas oficiais ao longo da temporada e marcou um gol. O desempenho contrasta fortemente com o que havia apresentado no ano anterior, quando foi uma das peças mais importantes da conquista do título italiano. Naquela campanha, entrou em campo 38 vezes, balançou as redes em 14 oportunidades e ainda contribuiu com 11 assistências.

Contra a Tunísia, no último sábado (6), Lukaku iniciou a partida no banco de reservas e entrou aos 20 minutos da etapa final, evidenciando que a comissão técnica segue adotando cautela em relação à sua condição física. A tendência é que o atacante seja reintegrado gradualmente ao time titular durante a disputa do Mundial.

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Experiência, liderança e gols como trunfos da Bélgica

Lukaku em ação pela seleção belga
Lukaku em ação pela seleção belga (Foto: Rene Nijhuis / MB Media / Imago)

Apesar da falta de ritmo de jogo, Lukaku continua sendo uma das principais referências da seleção belga. O atacante deixou claro que não encara a competição sob pressão individual e afirmou que pretende conduzir sua participação passo a passo.

Além disso, revelou que sua convocação foi discutida com o técnico Rudi Garcia cerca de dois meses antes da divulgação da lista final. A confiança depositada pela comissão técnica reforça o peso de sua trajetória com a camisa dos Diabos Vermelhos.

A importância de Lukaku para sua seleção vai muito além do momento atual. Na vitória sobre a Croácia, na última terça-feira (2), ele voltou a marcar e alcançou a expressiva marca de 90 gols em 125 partidas pela Bélgica.

Desde sua estreia pela equipe nacional, em 2010, o centroavante construiu uma trajetória que o colocou entre os maiores artilheiros da história do futebol de seleções na Europa, ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo. Agora, a Copa do Mundo surge como a oportunidade perfeita para mudar o rumo de uma temporada frustrante.

Inserida no Grupo G, ao lado de Egito, Irã e Nova Zelândia, a Bélgica estreia no dia 15 de junho, diante dos egípcios. A bola rola a partir das 16h (de Brasília), no Seattle Stadium.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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