Copa do Mundo

Löw deixa seu futuro aberto: “Merecíamos ser eliminados. Assumo a responsabilidade”

“Sem palavras!”. A manchete do Bild usada para os 7 a 1 sobre a seleção brasileira se repete, quatro anos depois, diante da hecatombe da Alemanha na Copa do Mundo de 2018. Há muito para o Nationalelf refletir sobre a derrocada no Mundial da Rússia, com apenas uma vitória e atuações longe de satisfazerem. Alguns dos problemas expostos antes da competição se agravaram e outras tantas expectativas de mudanças não se cumpriram. Ao final, a desolação é evidente entre alguns dos principais personagens da seleção alemã. Mais do que isso, a pertinente autocrítica também se nota.

Joachim Löw puxa a fila entre os questionamentos. Diferentes veículos locais, como a Kicker e a Deutsche Welle, colocam em xeque a continuidade do treinador. E mesmo tendo renovado o seu contrato há poucas semanas, o comandante também fala em repensar a sua permanência na Mannschaft. Cenário de terra arrasada, que reproduz o deserto de ideias que se viu durante a maior parte da Copa.

Joachim Löw

“Há muito desapontamento, um silêncio mortal. Os jogadores estão sem palavras. Tudo deu errado e, é claro, eu tenho que assumir a responsabilidade. Podemos apenas pedir desculpas. Sou a primeira pessoa que precisa se questionar, porque estou no comando, mas tenho que dormir por uma única noite. Agora estou frustrado, necessito voltar a pensar de maneira clara, porque não me imaginava nesta situação”.

“É difícil explicar tudo isso, mas foi merecido, porque muita coisa saiu errado ao longo do torneio e não conseguimos marcar gols. É difícil dizer o porquê, trabalhamos duro na preparação. Não colocamos em campo o que podíamos, passamos apertos, não jogamos com dinâmica, não pudemos forçar os erros dos nossos adversários e não tivemos a determinação necessária”.

“É cedo para responder se vou me demitir ou não. O desapontamento em mim é profundo, então preciso de algumas horas antes de falar o que acontecerá. É inacreditavelmente difícil repetir um grande sucesso. Senti que o time se sacudiu depois da vitória sobre a Suécia, mas nada disso se viu em campo”.

Manuel Neuer

“Eu acho que todos nós não tivemos vontade o suficiente para mostrar o que queríamos na Copa do Mundo, mesmo se a vitória saísse hoje. Não merecíamos a classificação. Isso precisa ser dito claramente, porque nós não jogamos um futebol convincente em qualquer partida. Não fizemos o que sabemos, fomos irreconhecíveis. Deixa um gosto muito amargo, é patético”

Mats Hummels

“É duro colocar em palavras. Acreditamos até o fim, tivemos várias oportunidades, mas nossa última atuação convincente aconteceu no outono de 2017, faz muito tempo. Ficamos nervosos na meia hora final e perdemos nossa estrutura. Depois da vitória sobre a Suécia, falávamos como incrivelmente poderíamos seguir em frente, mas agora é completamente diferente”

Sami Khedira

“Esse é um dos momentos mais duros para o time e para mim. Dissemos que os campeões do mundo precisam assumir seu status, mas não é fácil. A eliminação se torna muito dolorosa. Tínhamos que estar 100%, agora precisamos lidar com as consequências. Já tínhamos vencido apertado a Arábia Saudita e perdido para a Áustria, mas não conseguimos nos recuperar. O time inteiro precisa assumir as responsabilidades. Temos que analisar as situações, tirar conclusões e seguir em frente”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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