Copa do Mundo 2030

John Brooks, de gerador de pânico a salvador no Grupo da Morte

No intervalo de Estados Unidos e Gana, John Anthony Brooks teve que entrar para substituir o lesionado Matt Besler e toda a torcida americana ligou o botão de pânico, já que era a primeira partida competitiva do zagueiro pelo USMNT e os africanos pressionavam. Mas no final, foi o próprio homem dividido entre Illinois e Berlim que salvou os americanos.

LEIA MAIS: EUA 2×1 Gana: um roteiro hollywoodiano

Brooks é mais um dos jogadores trazidos por Jurgen Klinsmann que nasceram na Alemanha porque o pai era um militar americano em serviço no país. Desde cedo, atua pelo Hertha Berlin e foi um dos titulares da equipe que colocou o time da capital nacional de volta à Bundesliga em 2013.

Após disputar partidas por seleções de base da Alemanha e dos Estados Unidos, veio o convite de Klinsmann para fazer parte da equipe que venceu a Bósnia por 4 a 3, em Sarajevo, jogo em que ele fez sua estreia pelo time adulto dos americanos.

Mas aí veio o amistoso que acabou com toda a moral de Brooks na seleção. Em marco de 2014, Klinsmann colocou o zagueiro do Hertha junto ao quase aposentado Oguchi Onyewu, que já não tem velocidade mais e foi pego mal posicionado em vários lances, atrapalhando ainda mais o desafio do primeiro jogo de Brooks como titular.

Desde então, o americano-germânico tem sido questionado e sua presença na lista de 23 no lugar de Clarence Goodson, que foi figura presente nas eliminatórias, foi algo surpreendente para os fãs americanos de futebol.

E logo no primeiro jogo da Copa, Matt Besler sente lesão no final do primeiro e Brooks recebe sua camiseta para entrar. Curiosamente, antes de Omar Gonzalez, que era o parceiro de Besler recentemente. E como os ganeses pressionavam bastante após o gol de Clint Dempsey aos 30 segundos de jogo, o pânico realmente apareceu.

Quando Brooks errou em lance e deu espaço para que o perigoso Asamoah Gyan ficasse com a bola de frente para Tim Howard, muitos corações devem ter parado. Só que o zagueiro se recuperou muito bem e forçou o atacante ganês a fazer a falta para tentar prosseguir no lance.

LEIA TAMBÉM: Quem venceu um fantasma não tem medo de Cristiano Ronaldo

Brooks teve uma atuação muito sólida no lado esquerdo da zaga durante a pressão dos africanos e pouco podia fazer para tentar ajudar no lance do gol de empate de André Ayew, que saiu quando Fabian Johnson não acompanhou o meio-campista adversário dentro da área.

Aí veio um escanteio aos 86 minutos e Graham Zusi, que havia entrado no lugar de Alejandro Bedoya, colocou a bola na cabeça de Brooks, que ficou praticamente desmarcado porque os ganeses acompanharam Geoff Cameron no primeiro poste. E ele marcou o gol que praticamente salvou a participação dos Estados Unidos na Copa, já que este era considerado um jogo de vida ou morte pelos ianques.

A atuação do meio-campo tem que melhorar quando o assunto é ataque. Bradley, Jones e Bedoya não conseguiram levar a bola com facilidade para o lado ofensivo do campo. Se a lesão de Jozy Altidore se provar muito séria, Aron Jóhannsson terá que assumir a responsabilidade mais cedo do que imaginava e tentar fazer um papel parecido ao do #17, que segura muito bem a bola no ataque para os companheiros.

Mas o que mais preocupava era o setor defensivo e, tirando algumas falhas de DaMarcus Beasley, a linha de quatro funcionou muito bem e Kyle Beckerman ajudou bastante protegendo logo a frente da linha.

Ainda há o que arrumar na equipe, mas a vitória no primeiro jogo foi extremamente importante, ainda mais com os problemas do próximo adversário, Portugal, que não contará com o zagueiro Pepe e talvez com o lateral esquerdo Fábio Coentrão no embate do próximo domingo (22). E ela veio da cabeça daquele que talvez fosse a mais improvável das armas, JA Brooks.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo