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Japão mostra suas garras e vence Alemanha de virada na estreia na Copa

No Grupo E, que tem Alemanha e Espanha, o Japão é quem começou rugindo com virada no final, em atuação corajosa e conta com gol de Asano, famoso por suas comemorações mostrando as garras

O Japão começou a Copa do Mundo do melhor jeito possível. Diante da toda poderosa Alemanha, os japoneses venceram de virada por 2 a 1, em um grande jogo, e mostrou força e coragem contra uma tetracampeã do mundo. Uma vitória que tem a marca do seu técnico, Hajime Moriyasu, que soube mudar a equipe, partir para o ataque com muita coragem e conseguir um resultado que já é histórico. Bagunça um grupo que tem duas potências, já que também tem a Espanha.

Escalações

Hansi Flick colocou em campo duas surpresas. Na lateral direita, escolheu o zagueiro Nicklas Süle, em vez de Thilo Kherer. No meio-campo, o escolhido para fazer dupla com Joshua Kimmich foi Ilkay Gündogan, e não Leon Goretzka.

No Japão, o técnico Hajime Moriyasu colocou em campo o time em um 4-2-3-1, com Takehiro Tomiyasu no banco, assim como Takuma Asano, dois cotados para começarem o jogo. Daizen Maeda foi o escolhido para comandar o ataque do Japão.

Primeiro tempo

Gündogan comemora gol da Alemanha (JEWEL SAMAD/AFP via Getty Images)

Logo a sete minutos, o Japão atacou com muita velocidade. Daichi Kamada avançou pelo meio, abriu na direita para Junya Ito, que cruzou rasteiro, em projeção, na segunda trave, onde Daizen Maeda completou para a rede. O atacante, porém, estava claramente impedido e o gol foi anulado.

A primeira finalização perigosa da Alemanha veio aos 20 minutos. Em um chute de fora da área, Kimmich aproveitou a sobra de bola depois de jogada de Jamal Musiala e bateu forte, mas o goleiro Gonda defendeu.

Os alemães aumentaram a pressão e virou quase um bate e rebate na área, jogando muita bola e pressionando de um modo que parecia difícil que o Japão segurasse mais tempo sem  tomar um gol.

Aos 33 minutos, Kimmich fez ótimo passe para David Raum, no lado esquerdo. O lateral driblou para trás e o goleiro japonês Gonda o derrubou. Pênalti marcado que Gündogan cobrou com firmeza e marcou 1 a 0.

Bem melhor em campo, a Alemanha forçava o jogo para tentar o segundo gol. Nos acréscimos do primeiro tempo, Müller cruzou da direita, a bola foi afastada, Kimmich chutou de esquerda, o goleiro Gonda rebateu para a direita, onde Gnabry pegou o rebote e chutou cruzado. Kai Havertz entrou livre para marcar, mas estava impedido. O gol foi corretamente anulado.

Segundo tempo

Doan marca contra a Alemanha (INA FASSBENDER/AFP via Getty Images)

Já na volta do intervalo, o técnico Hajime Moriyasu mudou: sacou Takefusa Kubo e colocou Takehiro Tomiyasu. Ele entrou para ser um terceiro zagueiro, com Sakai adiantado à segunda linha, assim como Nagatomo. Pouco depois, aos 12, o técnico mudou mais dois: entraram Kaoru Mitoma e Takuma Asano nos lugares de Yuto Nagatomo e Daizen Maeda. Tudo para tornar o time mais ofensivo.

Isso porque a Alemanha continuava melhor nos primeiros minutos do segundo tempo. Logo no primeiro minuto, Serge Gnabry bateu dentro da área e levou perigo. Depois, foi Jamal Musiala, em uma linda jogada costurando pela esquerda, que abriu espaço pelo meio e finalizou com perigo. Com 14 minutos, mais uma chance alemã. Musiala serviu Gündogan, que bateu rasteiro e a bola tocou no pé da trave e saiu. Uma boa chance.

O Japão se soltou no ataque para tentar o empate. Com as alterações, o time arriscou mais. Com algumas trocas de passes e especialmente em bolas longas, o time amaçou. Sakai, pela direita, foi lançado e tocou de primeira para Asano, aos 22 minutos, e o atacante, sem saber o que fazer, tentou o giro e foi travado por Rüdiger, gerando escanteio.

Os japoneses faziam uma pressão mais alta em campo, tentando dificultar a troca de passes dos alemães. Só que a Alemanha continuava levando perigo. Aos 24 minutos, vimos uma sequência espetacular do goleiro Gonda. Kimmich achou Gnabry, que ajeitou para Hofman finalizar e Gonda defender. Musiala ficou com a sobra, tocou para Raum, que cruzou para Gnabry cabecear e Gonda evitar o gol na primeira e também no rebote, que Gnabry finalizou de novo.

A grande chance do Japão viria aos 27. Junya Ito recebeu dentro da área, matou no peito e finalizou para ótima defesa de Neuer. No rebote, Sakai bateu de primeira e mandou por cima. Uma grande chance desperdiçada pelos japoneses.

Hajime Moriyasu colocou em campo Ritsu Doan no lugar de Ao Tanaka e também Takumi Minamino no lugar de Hiroki Sakai. Tornou o time ainda mais ofensivo e tentava aproveitar o bom momento no jogo, correndo mais riscos.

Aos 29 minutos, o gol saiu. Jogada pela esquerda de Mitoma, que acionou Minamino, já dentro da área. No seu primeiro lance, ele chutou cruzado, Neuer espalmou para o meio e Doan chegou para pegar de primeira para estufar a rede: 1 a 1. Um prêmio para a melhora do Japão na partida.

Hansi Flick mexeu no time e colocou dois jogadores de frente: Mario Götze no lugar de Msuiala e Niclas Füllkrug no lugar de Kai Havertz. O jogo estava perigosamente aberto para os dois lados. Os japoneses passaram a acreditar que era possível vencer e os alemães tentavam o gol da vitória.

Aos 38 minutos, o Japão desceu pela direita e conseguiu um gol improvável. Ko Itakura cobrou falta longa para Takuma Asano, que dominou, ganhou de Schlottenberg e bateu, quase sem ângulo, pelo alto, e marcou: virada do Japão em Doha, 2 a 1. Festa nas arquibancadas com os torcedores japoneses.

Desesperada, a Alemanha foi com tudo que tinha para cima. Goretzka teve a chance em uma bola que sobrou na entrada da área, mas bateu de primeira para fora. A pressão no final foi tanta que teve até Manuel Neuer na área. Não adiantou. A vitória era mesmo japonesa, para loucura no Estádio Khalifa International, em Doha.

Takuma Asano marca o gol da virada do Japão (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Ficha técnica

Alemanha 1×2 Japão

Local: Estádio Khalifa International, em Doha
Árbitro: Ivan Arcides Barton Cisneros (Honduras)
Gols: Ilkay Güngodan (Alemanha), Ritsu Doan, Takuma Asano (Japão)
Cartões amarelos:
nenhum

Alemanha: Manuel Neuer; Niklas Süle, Antonio Rüdiger, Nico Schlotterbeck e David Raum; Joshau Kimmich e Ilkay Gündogan (Leon Goretzka); Serge Gnabry (Youssoufa Moukoko), Thomas Müller (Jonas Hofman) e Jamal Musiala (Mario Götze); Kai Havertz (Niclas Füllkrug). Técnico: Hansi Flick

Japão: Shuichi Gonda; Hiroki Sakai (Takuma Minamino), Ko Itakura, Maya Yoshida e Yuto Nagatomo (Kaoru Mitoma); Wataru Endo e Ao Tanaka; Junya Ito, Daichi Kamada e Takefusa Kubo (Takehiro Tomiyasu); Daizen Maeda (Takuma Asano). Técnico: Hajime Moriyasu

https://www.youtube.com/watch?v=sv055BqJK_I
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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