Medo, país nas costas e até ‘fantasmas’: Jogadores da Itália detalham pressão pela Copa
Seleção italiana superou primeiro tempo sem gols e bateu Irlanda do Norte; agora, enfrenta a Bósnia e Herzegovina
A Itália deu um importante passo para superar o trauma de ter ficado fora das últimas duas Copas do Mundo ao bater a Irlanda do Norte nesta quinta-feira (26). A vaga para o Mundial deste ano ainda não está garantida, mas significou um alívio para Azzurra, conforme detalharam alguns jogadores após a vitória por 2 a 0.
Manuel Locatelli contou o peso da tensão nos dias anteriores ao jogo. “Vimos alguns ‘fantasmas’ durante a semana, você relembra o que a Itália fez nos últimos anos… Estávamos com medo“, assumiu, conforme declarações publicadas pelo jornal “Gazzetta dello Sport”.
Após um primeiro tempo difícil, sem espaço para a seleção italiana criar uma grande chance, além de um chute cruzado de Federico Dimarco espalmado pelo goleiro Pierce Chales, o técnico Genaro Gattuso questionou o elenco no intervalo: “Vocês acharam que seria fácil?”, relatou Locatelli.
— Estávamos um pouco nervosos, tensos no começo, depois, com o passar dos minutos, o jogo mudou — disse.
— Fomos um pouco precipitados, mas não era fácil jogar com essa enorme responsabilidade nas costas. Sabemos o que a Copa do Mundo representa para as pessoas e, principalmente, para as crianças — completou, em outra resposta.

A sorte dos italianos é que o gol saiu cedo na etapa final, pelos pés de Sandro Tonali aos 10 minutos.
— Ficamos mais leves mentalmente, antes tudo era mais complicado — completou Locatelli.
Kean sentia o peso da Itália na costas
O segundo gol do dia foi de Moise Kean, que desabou de alívio após marcar. “Depois do 2 a 0, senti o país nas minhas costas“, relatou com emoção.
Gattuso assumiu que não esperava uma Irlanda do Norte menos veloz nos contra-ataques e analisou que faltou à Itália ser mais incisiva para ter saído na frente já no primeiro tempo.
— Sabíamos que seria difícil. Eles até nos surpreenderam. Esperávamos que atacassem em vertical, mas fizeram isso com troca de passes. […] Complicamos a nossa própria vida, fomos lentos demais no primeiro tempo, mas na segunda etapa demos mais ritmo, a bola circulou mais rápido — disse ao canal “Rai”.
O clima da seleção italiana, porém, ainda é de precaução. Na próxima terça (31), a partir das 15h45 (horário de Brasília), visita a Bósnia e Herzegovina para o jogo decisivo pela vaga na Copa, que, se confirmada pelos italianos, será a primeira desde 2014. “Ainda não tiramos esse peso, não fizemos nada, porque tem uma final para vencer”, frisou Locatelli.
— Agora vamos disputar essa final. Sabemos que é difícil e vamos tentar nos recuperar bem. A tensão que sentimos, outros também vão sentir — reiterou Gattuso.



