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Com brilho de Morgan e Naeher, EUA eliminam Inglaterra e vão à terceira final de Copa seguida

Os Estados Unidos irão decidir mais uma vez a Copa do Mundo. Diante de uma aguerrida Inglaterra, os Estados Unidos venceram por 2 a 1, usando toda a sua experiência, mas com muito sofrimento. Depois de serem finalistas em 2011, perdendo para o Japão, e em 2015, batendo as japonesas, as americanas decidirão desta vez contra a vencedora de Suécia e Holanda, que fazem a outra semifinal nesta quarta-feira. O incrível time americano venceu com gol da artilheira Alex Morgan – que chegou a seis na Copa – e com defesa de pênalti da goleira Alyssa Naeher, já no segundo tempo.

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Duelo equilibrado

Por mais que os Estados Unidos sejam, destacadamente, o melhor time do mundo, o que vimos na semifinal, como já tínhamos visto diante da França, nas quartas de final, foi um jogo equilibrado. As americanas foram superiores, jogaram mais futebol e foram merecedoras do resultado.

Novamente, porém, como já tinha sido para as francesas, as inglesas saem de campo com a sensação que poderiam ter feito mais. Poderiam mesmo, mas jogar diante de uma máquina como os Estados Unidos é uma enorme dificuldade. As americanas mostraram experiência, souberam controlar mais o jogo, gastaram o tempo no final do jogo para esfriar uma possível pressão das inglesas, que acabou nem acontecendo.

Mudanças nas escalações titulares

Duas mudanças importantes nas escalações dos dois times. Na Inglaterra, Francesca Kirby foi para o banco e entrou em campo Rachel Daly. As informações de antes do jogo era de uma mudança de esquema tático, saindo de um 4-1-4-1 para um 4-4-2, avançando Nikita Parris para o ataque ao lado de Ellen White. Kirby, a bem da verdade, fazia uma Copa apenas razoável, sem o brilho que se esperava. Diante de um time tão fisicamente imponente como os Estados Unidos, o treinador Phil Neville parece ter escolhido um time priorizando esse aspecto.

Nos Estados Unidos também teve uma mudança e muito importante. Megan Rapinoe saiu do time titular e entrou em seu lugar Christen Press. Rapinoe atua na ponta esquerda, onde teria que acompanhar uma das melhores jogadoras do mundo: Lucy Bronze, a poderosa lateral direita da equipe inglesa e que joga no Lyon, dono do estádio da semifinal.

A entrada de Christen Press, quatro anos mais nova, muito talentosa, rápida e fisicamente mais forte para acompanhar Bronze, parece a explicação mais lógica. Antes da bola rolar, ninguém sabia exatamente a razão, mas essa foi a explicação que fez mais sentido. Seja como for, mesmo fazendo sentido, é uma decisão controversa da técnica Jill Ellis. Sem dúvida exige coragem colocar a jogadora que mais vem brilhando no banco em uma semifinal de Copa por um aspecto tático.

Uma mudança menos discutida foi a volta de Lindsey Horan para o time titular no lugar de Samantha Mewis. Horan tem um passe um pouco mais qualificado e joga de forma mais posicionar em relação a Mewis, que é uma jogadora mais dinânica. E a sua participação acabou sendo importante na partida.

Sufoco americano nos primeiros minutos

Os minutos iniciais foram de sufoco americano para cima das inglesas. Os cinco minutos iniciais foram de tirar o fôlego. No melhor lance desse início, Lavelle deu uma caneta Millie Bright na ponta direita, já dentro da área, e chutou forte, exigindo grande defesa de Carly Telford. Depois, no rebote, cruzamento para a área, a zaga afastou e sobrou para Alex Morgan no meio da área e ela soltou a bomba de pé esquerdo, mas isolou.

Aos 10 minutos, Heath avançou pela direita, tocou para Lavelle e a meia fez o corta-luz para a lateral O’Hara. Com liberdade, ela cruzou na segunda trave, na cabeça de Christen Press, que mal saiu do chão para tocar, consciente, de cabeça, para marcar 1 a 0. Ela aproveitou o espaço às costas da craque Lucy Bronze.

Empate inglês

A Inglaterra conseguiu aproveitar bem uma jogada que normalmente faz bem: inversão de jogo. Keira Walsh fez o passe longo para Mead, que recebeu pela ponta esquerda, em velocidade, e cruzou para a área. Ellen White, muito bem posicionada, completa de primeira para tirar completamente da goleira Alyssa Naeher. A bola ainda tocou na trave antes de entrar.

Um belo gol da atacante, que tomou a liderança na artilheira da Copa com seis gols, superando as americanas e adversárias Alex Morgan e Megan Rapinoe, ambas com cinco gols.

Ellen White toca para marcar o seu gol (Getty Images)

Movimentos perfeitos

O segundo gol das americanas veio em uma jogada com perfeição técnica. Press dominou lindamente uma bola e tocou para a meia Horan, que não fez um cruzamento: fez um passe com categoria, com um toque de classe, e Alex Morgan completou de cabeça para marcar 2 a 1, aos 30 minutos.

Logo no dia que a própria Morgan, capitã da equipe americana pelo segundo jogo seguido – vestiu a braçadeira também contra a França -, completa 30 anos de vida. E como se tudo isso já não bastasse, a atacante ainda provocou: fingiu tomar um chá, algo bem tradicional dos ingleses.

Alex Morgan fez o movimento como se estivesse bebendo chá, um costume inglês (Getty Images)

PAROU, PAROU, PAROU

A Inglaterra chegou ao gol de empate em um lindo passe de Jill Scott para Ellen White. A centroavante recebeu e, frente a frente com a goleira adversária, foi implacável. Gol marcado, mas a revisão do VAR foi tão implacável quanto a artilheira: ela estava com um pé à frente e o gol, assim, foi anulado por impedimento.

DEFENSE! DEFENSE! DEFENSE!

As americanas usaram um posicionamento no segundo tempo que foi mais defensivo depois do gol anulado das inglesas. A linha defensiva passou a ter cinco jogadoras. A meio-campista Julie Ertz foi recuada para a linha defensiva, de modo que passou a tornar a vida das inglesas ainda mais difíceis ali pelo meio.

Pênalti com VAR

Aos 33 minutos do segundo tempo, Kirby encontrou a lateral Demi Stokes na esquerda e ela cruzou para Ellen White, bem posicionada no meio. Só que a centroavante furou no meio da área. Ela reclamou pênalti, mas a árbitra Edina Alves Batista não tinha marcado. O VAR a chamou e, depois de olhar o lance na telinha, apontou a marca da cal. Pênalti para a Inglaterra.

Nikita Parris já tinha perdido dois pênaltis ao longo da campanha, então ela não foi para a cobrança. Quem assumiu a responsabilidade foi a zagueira e capitã Stephanie Houghton. Ela cobrou fraco, mal, no canto, e a goleira Alyssa Naeher defendeu com tranquilidade. Nada de gol. As americanas seguiam em vantagem.

Stephanie Hughton cobra pênalti que é defendido pela goleira Alyssa Naeher (Getty Images)

Público recorde da Copa

O público da semifinal foi o maior da Copa do Mundo até aqui: 53.512 pessoas. Como a capacidade do estádio na Copa é de pouco menos de 58 mil, no máximo, o estádio estava lotado. E apoiaram firmemente os Estados Unidos, com uma grande torcida present na França.

Ficha técnica

Inglaterra 1×2 Estados Unidos

Local: Parc Olympique Lyonnais, em Lyon
Árbitra: Edina Alves Batista (Brasil)
Gols: Christen Press aos 10’/1T, Alex Morgan aos 31’/1T (Estados Unidos), Ellen White aos 19’/1T (Inglaterra)
Cartões amarelos:
Millie Bright, Nikita Parris (Inglaterra), Lindsey Horan, Becky Saurbrunn (Estados Unidos)
Cartões vermelhos:
Millie Bright (Inglaterra)

Inglaterra: Carly Telford; Lucy Bronze, Stephanie Hughton, Millie Bright e Demi Stoke; Rachel Daly (Georgia Stanway), Keira Walsh (Jade Moore), Jill Scott e Bethany Mead (Francesca Kirby); Nikita Parris e Ellen White. Técnico: Phil Neville

Estados Unidos: Alyssa Naeher; Kelley O’Hara (Alexandra Krieger), Abby Dahlkemper, Becky Sauerbrunn e Crystal Dunn; Rose Lavelle (Samantha Lewis), Julie Ertz e Lindsey Horan; Tobin Heath (Carli Lloyd), Alex Morgan e Christen Press. Técnica: Jill Ellis

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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