Copa do Mundo

‘Coming home’? Inglaterra chega à Copa com melhor preparação da história e desejo por vinganças

Depois de 60 anos, seleção inglesa chega à Copa com a melhor forma de sua história

A Inglaterra chega como uma das favoritas para a Copa do Mundo de 2026. A equipe de Thomas Tuchel teve uma campanha invicta nas Eliminatórias Europeias e foi sorteada no Grupo L.

Campeã uma única vez, na edição de 1966 do Mundial, a seleção inglesa tem vivido uma crescente na última década — depois de uma participação decepcionante na Euro de 2016. Teve boas campanhas nas Copas de 2018 e 2022 e, agora, está entre as principais equipes do torneio.

No Grupo L, a Inglaterra vai enfrentar Croácia, Panamá e Gana, um caminho simples para a uma equipe que pode usufruir de uma safra de jogadores que esbanja talento em praticamente todas as posições.

Como foi o ciclo da Inglaterra para a Copa do Mundo de 2026

A seleção inglesa não teve grandes turbulências desde 2022. Mas, como uma equipe badalada com a principal liga de futebol do mundo, a Premier League, houve pressão e mudanças significativas.

Há quem pedisse a troca de treinadores logo após a Copa do Catar, mas Gareth Southgate, o técnico de mais sucesso na seleção desde o título de 1966, permaneceu. Foi ele quem comandou o time na Euro de 2024 e ainda assim ficou após mais um vice, o segundo consecutivo, dessa vez para a Espanha.

Southgate após vice da Eurocopa
Southgate após vice da Eurocopa (Foto: Imago)

Antes da Eurocopa, a Inglaterra passou por grandes altos e baixos. Um início em 2024 que começou com a derrota para o Brasil, com gol de Endrick, antes de um empate com a Bélgica e uma derrota para a Islândia após uma vitória por 3 a 0 sobre a Bósnia fizeram as críticas crescer.

Essa sequência, inclusive, veio logo antes da Euro — que foi bem positiva. Ficou invicta até a final, quando teve um jogo aguerrido com a Espanha, mas perdeu por 2 a 1. Surpreendentemente Southgate ficou depois da Euro e teve uma boa Nations League, na “segunda divisão” da competição.

Liderou com tranquilidade um grupo com Grécia, Irlanda e Finlândia, com cinco vitórias em seis jogos. Em novembro, depois da Nations, anunciou Thomas Tuchel como novo treinador, começando em janeiro de 2025.

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A mudança de Southgate para Tuchel

A chegada de Tuchel foi badalada e polêmica, principalmente por não ser um inglês no comando da seleção. O técnico levou o time a uma campanha invicta de oito vitórias em oito jogos nas Eliminatórias, com impressionantes 22 gols marcados e nenhum sofrido.

A única vez em que a Inglaterra não venceu sob o comando do alemão foi contra Senegal, que teve uma grande vitória por 3 a 1 em julho. Ainda assim, a seleção de Tuchel mostrou uma evolução em relação à de Southgate.

À Trivela, Ben Knapton, repórter do “SportsMole”, defende o trabalho de Tuchel, apesar das opiniões contrastes no seu país local:

“Alguns ainda acreditam que um treinador inglês deve treinar a Inglaterra, enquanto alguns apontam para exibições sem brilho contra Andorra como motivo de pessimismo, mas o trabalho de Tuchel tem sido sólido, profissional, e ele mostrou que não tem medo de fazer convocações ousadas, muitas das quais realmente foram bem recebidas com a torcida. Afinal, o homem é um vencedor da Champions League, e poucos deveriam duvidar dele agora”.

O alemão tem sido contundente em alguns posicionamentos. Mais de uma vez se envolveu em polêmicas envolvendo Jude Bellingham, um dos grandes astros da geração, ao não convocá-lo, tirá-lo do jogo e defender um trabalho em equipe acima de qualquer jogador.

O estilo de Tuchel parece ter casado com o que os jogadores estão acostumados em seus clubes, principalmente os principais nomes da Premier League. Um futebol pausado, de posse de bola, propositivo e de manipulação de espaços. Ben acredita que a mudança de comando foi crucial:

“Teve um efeito incrivelmente positivo até agora. A campanha de qualificação da Inglaterra foi a melhor de todos os tempos para um grande torneio e a equipe também parece ter se adaptado bem aos métodos de Tuchel”, disse o repórter.

Tuchel convocou jovens, tirou espaço de veteranos que não vinham desempenhando e promoveu mudanças que, no fim, têm sido vistas como positivas.

Como foi a última Copa do Mundo da Inglaterra

Depois de um quarto lugar no Mundial de 2018 e um vice para a Itália na Euro de 2021, os ingleses chegaram com grande expectativa à Copa do Mundo de 2022, mas pararam na favorita França.

Depois de empatar o jogo em 1 a 1, os ingleses viram Giroud fazer o gol da vitória perto do fim para fazer a França passar para as semifinais do torneio. Na semi, passaram por Marrocos antes de enfrentar a Argentina.

A Inglaterra fez uma boa campanha no Catar. Abriu a fase de grupos com um categórico 6 a 2 sobre o Irã e, mesmo empatando sem gols contra os Estados Unidos, venceu por 3 a 0 tanto o País de Gales quanto Senegal, nas oitavas de final.

Inglaterra foi eliminada para a França em 2022
Inglaterra foi eliminada para a França em 2022 (Foto: Imago)

Rashford e Saka, com três gols cada, e Kane, com dois, foram os grandes destaques do time na competição. Em 2018, Kane foi o artilheiro geral da Copa, com seis gols.

O que esperar da seleção inglesa para a Copa de 2026

O grupo inglês não é o mais difícil da Copa, mas enfrentar a Croácia pode ser perigoso, assim como uma Gana com destaques da Premier League. A impressão britânica é a mesma:

Estou fascinado em ver como a Inglaterra lida com Mohammed Kudus e Antoine Semenyo em sua partida com Gana, dois dos dribladores mais deslumbrantes que a Premier League tem a oferecer no momento. E mesmo em seus 40 anos, Luka Modric, da Croácia, ainda exala classe no meio-campo“, opinou Ben Knapton.

O repórter do “SportsMole” chega a brincar com a crença dos ingleses de que “todo ano é o ano” para a sua seleção. O “Football is coming home” (“O futebol está voltando para casa”, em tradução livre), virou slogan das últimas campanhas inglesas que ficaram no quase.

Nós sempre pensamos que este será o nosso ano, e então vejam o que acontece! Mas sim, a Copa do Mundo de 2026 realmente parece um momento de ouro para este lado da Inglaterra“, disse. O time tem Kane na forma de sua vida, um sempre confiável Jordan Pickford e nomes como Palmer, Foden, Bellingham e Saka. “Eu realmente acredito que poderia estar voltando para casa”, brinca o jornalista.

Entre a “inveja” do grupo da Argentina, que deve ter o caminho mais tranquilo da Copa do Mundo, ao menos no papel, até os “sentimentos” aos irmãos escoceses, que caíram no grupo do Brasil, Ben reforça um sentimento para o caminho até a final: vingança.

Uma repetição da final contra a Alemanha depois de 60 anos seria mágica, mas vingar a derrota do Euro do ano passado para a Espanha ou a derrota na semifinal de 2022 para a França também seria maravilhoso”.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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