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Holanda riu na cara do perigo, mas venceu a Noruega e está de volta à Copa do Mundo

A derrota em um jogo fraco em Roterdã tiraria os holandeses até da repescagem, mas Bergwijn e Memphis marcaram no fim para garantir a vaga no Catar

Não precisava ter sido tão difícil. Com um gol marcado a sete minutos do fim das Eliminatórias Europeias. Mas, apesar de ter rido um pouco demais da cara do perigo, a seleção holandesa está de volta à Copa do Mundo, após vencer a Noruega, por 2 a 0, nesta terça-feira, com gols de Steven Bergwijn e Memphis. Será o 11º Mundial da Holanda, que não conseguiu classificação para o anterior, sediado pela Rússia.

Não precisava mesmo ter sido tão difícil. A Holanda vencia Montenegro por 2 a 0 até os 37 minutos do segundo tempo no último sábado, mas levou o empate, o que a obrigou a arrancar pelo menos um ponto contra a Noruega para se classificar. Como a Turquia derrotou Montenegro por 2 a 1, a derrota tiraria os holandeses até da repescagem. E durante mais de uma hora em Roterdã, eles correram o risco de sofrê-la.

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Não pelo que a Noruega produziu. Há atenção em torno da seleção nórdica por causa de Erling Haaland. A contagem regressiva para aproveitar um talento tão único começou. Mas, sem ele, machucado, a postura dos visitantes foi decepcionante. Precisavam de um gol para chegar à repescagem e não conseguiram pressionar ou apertar a Holanda em nenhum momento. Duas finalizações para o gol, nenhuma no alvo.

Mas de qualquer maneira, o 0 a 0 permaneceu no placar por tempo demais. A Holanda controlou o jogo, mantendo a posse de bola, e teve Memphis criando suas principais e raras oportunidades. Uma batida colocada perto da trave aqui, uma cabeçada ali, um chute de fora da área. Mas estava sujeita a uma falha defensiva, uma bola parada ou uma boa jogada que a Noruega pudesse encaixar. Para sua sorte, nada disso aconteceu.

E aos 38 minutos do segundo tempo, Arnaut Danjuma recebeu na entrada da área e rolou para Bergwijn chegar batendo com gosto e praticamente garantir a vaga à Holanda. A Noruega passou a precisar virar o jogo, mas, em um contra-ataque puxado por Bergwijn, levou o segundo, de Memphis, batendo pela esquerda à queima-roupa. Foi apropriado que a campanha terminasse com um gol do jogador do Barcelona.

Entre os motivos que levaram a Holanda a ficar fora da última Copa do Mundo, está o envelhecimento da geração que a liderou durante grande parte da década passada. Essa transição foi difícil. Sem Wesley Sneijder, Robin Van Persie e Arjen Robben, cujos últimos jogos pela seleção foram durante ou pouco depois da campanha classificatória à Rússia, Memphis assumiu o protagonismo para o novo ciclo.

Não foi um ciclo dos mais fáceis. Começou de maneira promissora, com uma campanha surpreendentemente boa na edição inaugural da Liga das Nações, em que a Holanda treinada por Ronald Koeman conseguiu chegar à final. A classificação à Euro 2020 foi alcançada sem grandes sustos. Um bom sinal porque a Holanda também havia ficado fora da Eurocopa anterior, que já havia sido ampliada para 24 participantes.

Mas Koeman saiu para treinar o Barcelona e a escolha para sucedê-lo não foi muito inspirada. Com Frank de Boer, a Holanda não passou à fase final da segunda Liga das Nações e nem fez uma Eurocopa muito marcante, eliminada pela Tchéquia ainda nas oitavas de final. Também havia começado as Eliminatórias Europeias com derrota para a Turquia e, para não correr muitos riscos, a Federação Holandesa apostou em uma bola de segurança.

Louis van Gaal foi retirado da aposentadoria para conduzir o restante da campanha. Começou empatando com a Noruega, mas emendou boas vitórias contra Montenegro (4 a 0), Turquia (6 a 1) e Gibraltar (6 a 0). O saldo de gols acabou sendo importante porque manteria a seleção na primeira posição, mesmo se a Turquia igualasse sua pontuação, o que aconteceria em caso de empate contra a Noruega.

Tudo caminhava para uma classificação com antecedência contra Montenegro, mas o empate no fim obrigou a Holanda a trabalhar mais um dia. Não foi a melhor apresentação de todas, mas suficiente para conseguir o que precisava para levar Memphis, Virgil Van Dijk, Frenkie de Jong, Matthijs de Ligt, Georginio Wijnaldum e outros jogadores importantes do futebol europeu até o Catar.

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Turquia na repescagem

A Turquia conseguiu se recuperar a tempo de terminar as Eliminatórias Europeias em segundo lugar. A goleada contra a Holanda, em setembro, foi a gota d’água para o técnico Senol Günes, importante na história da seleção pela campanha na Copa do Mundo de 2002. Foi substituído pelo alemão Stefan Kuntz, que somou dez pontos nas últimas quatro rodadas para superar a Noruega que, sem Haaland, conseguiu apenas dois empates e uma vitória nesse mesmo período.

Montenegro assustou com um gol de Fatos Beqiraj, no terceiro minuto da partida desta terça-feira, mas Karem Atürkoglu empatou, ainda no primeiro tempo, após receber passe de Abdülkadir Ömür. A bola subiu no domínio, mas Atürkoglu conseguiu finalizar. Depois do intervalo, a Turquia virou para 2 a 1 com uma bomba de fora da área, que contou com um desvio no meio do caminho. Minutos depois, Caglar Söyüncü salvou quase em cima da linha o que seria um gol certo de Montenegro.

A Turquia não disputa a Copa do Mundo desde 2002 e está em busca de sua terceira participação. Não será cabeça de chave para o sorteio de 26 de novembro. As partidas semifinais e finais da repescagem serão realizadas em março do ano que vem.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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