Copa do Mundo

Há 20 anos, Alemanha acabava com o sonho da Coreia do Sul na Copa do Mundo

Gol de Ballack garantiu vaga na decisão para os alemães e frustrou a torcida local

A Copa do Mundo de 2002 teve muitas boas histórias, surpresas e delírios de torcidas locais, tanto no Japão quanto na Coreia do Sul. Consagrando uma arrancada memorável para os Tigres coreanos, aquele Mundial teve uma final tradicional e uma disputa de terceiro lugar entre azarões. Há exatos 20 anos, neste mesmo 25 de junho, Alemanha e Coreia entraram em campo no Seoul World Cup Stadium, em Seul, por uma vaga na decisão. Relembremos este jogo no nosso túnel do tempo.

Alemanha eficiente martela sensação sul-coreana

A Alemanha não chegou até a semifinal encantando a ninguém. Fez uma primeira fase apenas satisfatória em um grupo relativamente fácil, ao lado de Camarões, Irlanda e Arábia Saudita, que foi goleada impiedosamente por 8 a 0. Quando chegou o mata-mata, a equipe de Rudi Völler, liderada em campo por um inspirado Michael Ballack, seguiu fazendo o básico, mas competindo com força. Fez 1 a 0 no Paraguai e depois nos Estados Unidos para garantir a passagem às semifinais.

O desempenho sem brilhos fez com que a gangorra fosse bastante equilibrada contra a Coreia. Afinal, os anfitriões encaixaram um jogo de velocidade e contragolpe para eliminar a Itália nas oitavas de final, com gol de ouro de Ahn Jung-Hwan; e a Espanha, nas penalidades. Ninguém duvidava mais que os asiáticos poderiam derrubar a Alemanha também. E digamos que a arbitragem ruim também beneficiou os sul-coreanos nas fases anteriores, sobretudo diante da Itália.

Quando a Fevernova rolou em Seul, tudo podia acontecer. Com força total para alcançar o jogo do título, a Alemanha dispunha de seu elenco principal e sem desfalques. Oliver Kahn, que só havia sofrido um gol no torneio, era a principal esperança de Völler para sair de campo sem ser vazado. O problema era lidar com a leveza do ataque sul-coreano. O tempo passou e os germânicos souberam controlar bem a situação. A frequente presença em partidas agudas nos Mundiais ajudou a acalmar os nervos.

Aos cinco minutos, Cha Du Ri recebeu na direita, rolou para Lee Chun Soo, que bateu forte. Kahn voou para espalmar e afastar a primeira grande ameaça dos mandantes. A Coreia voltou a povoar o ataque e, aos 16, Park Ji-Sung testou novamente o reflexo do arqueiro alemão. Kahn encaixou sem dificuldade a bola. Apesar de ter mais posse, a Alemanha não conseguia criar chances dentro da área.

O enxame sul-coreano ocupava a própria área e o campo alemão, dificultando o raciocínio e a distribuição de bola dos alemães. Sufocado, Miroslav Klose, que era o artilheiro do time, não conseguia ver a cor da bola e quando tentava criar uma oportunidade, era desarmado ou bloqueado por um adversário. Aos 43 minutos, Marco Bode tentou uma bicicleta, mas o pneu estava furado e ele sequer acertou o pé. No intervalo, eram seis chutes da Alemanha contra dois da Coreia.

A suspensão do craque decisivo

A segunda etapa mudou pouco a dinâmica da partida, exceto pelos nervos. Bode cabeceou uma bola pela linha de fundo nos minutos iniciais, e o confronto ficava arrastado, pouco inspirado. O mesmo aconteceu em um chute fraco de Torsten Frings, que passou rolando na frente do goleirão Lee Woon-Jae sem qualquer perigo. O tédio tomou conta até os 27 minutos. Oliver Neuville desceu pela direita, e vendo que o movimento da zaga sul-coreana estava espaçada demais, cruzou para trás. A bola caiu nos pés de Ballack, que pisou na área e bateu. Woon-Jae rebateu, mas não teve tempo hábil para evitar um novo chute. Iluminado, Ballack aproveitou o goleiro no chão e devolveu para as redes, abrindo o placar.

A noite trouxe sentimentos mistos para Ballack. Referência técnica ao lado de Klose, o meia classificou sua seleção, mas não desfrutou do principal momento: com o cartão amarelo que recebeu minutos antes por uma falta crucial feita em Lee Chun-Soo, o camisa 13 foi suspenso automaticamente e não entrou em campo na decisão. A Coreia do Sul, valente, pareceu sentir demais o golpe e foi dominada até o fim da partida. Woon-Jae ainda fez duas defesas importantes para evitar que os germânicos ampliassem. Ficou por isso mesmo: a intensidade dos comandados de Guus Hiddink não fez cócegas no paredão defensivo formado por Christoph Metzelder e Thomas Linke na zaga. E mesmo quando os dois não alcançavam, Kahn estava lá para salvar.

Defensivamente, a equipe de Völler foi mais competente no que se propôs: não correr riscos e aproveitar as melhores chances para construir seu placar. A ideia seria basicamente a mesma para a decisão, quando ficou evidente que a geração alemã, apesar de finalista, não tinha bala na agulha para mudar de patamar.

Já Hiddink, viu rapidamente que a euforia de uma grande campanha da Coreia se perdeu quando o desafio subiu de nível. Faltaram opções ofensivas e ideias para construir uma jogada realmente perigosa. A correria pode até ter resolvido até as semifinais, mas não bastou para que eles chegassem à final.

Do outro lado da chave, Brasil e Turquia se reencontravam após a partida de estreia de ambos na competição. E coube a Ronaldo dar um biquinho salvador para recolocar a Seleção no prumo para alcançar o Penta. Essa história, contudo, fica para amanhã, data cheia dos 20 anos do triunfo diante dos turcos. Temos um reencontro marcado.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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