Copa do Mundo

Guia da Copa do Mundo 2022 – Grupo G: Sérvia

Com um grande artilheiro e um ciclo positivo, a Sérvia tentará a revanche em um grupo muito parecido com o de 2018

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A Sérvia será novamente adversária do Brasil na Copa e chega mais forte para 2022 do que estava em 2018. O elenco já tinha jogadores importantes que chegam em grande momento, além do surgimento de alguns novos jogadores que ganharam protagonismo no cenário internacional. Comandada pelo lendário Dragan Stojkovic, o time traz ótimas atuações na bagagem e expectativas mais altas.

Com um elenco mais experiente, jogadores mais destaques e um técnico que tem conseguido tirar bastante do time, a Sérvia parece pronta a brigar por vaga nas oitavas de final, diferente do que aconteceu há quatro anos. Nomes como Sergej Milinkovic-Savic e Filip Kostic cresceram em importância, além de outros como Dusan Vlahovic, que surgiu muito bem, e da ótima fase de Aleksandar Mitrovic.

A Sérvia traz uma base do Mundial Sub-20 de 2015 que chega à Copa do Mundo: os goleiros Pedrag Rajkovic e Vanja Milinkovic-Savic, o zagueiro Milos Veljkovic, os meio-campistas Nemanja Maksimovic, Andrija Zivkovic, Sergej Milinkovic-Savic e Marko Grujic. São sete jogadores no total, que chegam a 2022 experientes e reforçados por outros jogadores jovens que podem causar problemas. É bom lembrar: a Sérvia ganhou o título daquele Mundial Sub-20 contra o Brasil, que tinha como grande estrela Gabriel Jesus, o único do elenco brasileiro que chegou à Copa do Mundo.

Como foi o ciclo até a Copa

Depois da Copa do Mundo, quando perdeu dois jogos e acabou eliminado na primeira fase, a Sérvia disputou a Liga das Nações e conseguiu ser promovida da Liga C à Liga B em 2019, em campanha que terminou em primeiro lugar em um grupo com Romênia, Montenegro e Lituânia. Aleksandar Mitrovic mostrava a sua força com seis gols naquela campanha.

A campanha nas Eliminatórias para a Euro 2020 começou em 2019 e a Sérvia teve um desafio complicado. O time ficou no Grupo B, com Portugal, Ucrânia, Luxemburgo e Lituânia. Depois de um empate por 1 a 1 com Portugal na estreia, veio uma derrota pesada por 5 a 0 para a Ucrânia. Foi quando o técnico Mladen Krstajic deixou o comando da seleção. Quem entrou no seu lugar foi Ljubisa Tumbakovic. O time terminou em terceiro lugar, sem vaga direta na Euro, mas classificado à repescagem.

O time avançou para a repescagem, na qual venceu a Noruega de Erling Haaland na semifinal, com dois gols de Sergej Milinkovic-Savic. Na final, o empate por 1 a 1 com a Escócia levou a partida para os pênaltis e os escoceses levaram a melhor em vitória por 5 a 4. Logo o artilheiro Mitrovic perdeu o seu, enquanto os escoceses acertaram os cinco. A vaga na Euro escapou por pouco. E o técnico Tumbakovic acabou demitido. Ilija Stolica dirigiu a seleção interinamente nos jogos seguintes, pela Liga das Nações, contra Hungria e Rússia, em uma campanha que terminou com os sérvios em terceiro lugar em um grupo que também tinha a Turquia, que foi rebaixada.

Em 2021, quem assumiu o comando da equipe foi Dragan Stojkovic, um craque dos gramados. Ele assume o comando no início de março, o mês em que começaria também a Eliminatória para a Copa do Mundo 2022. Mais uma vez, o desafio seria difícil: a Sérvia estava no mesmo grupo de Portugal, só que diferente da Euro, agora só havia uma vaga direta em disputa.

Seria uma disputa muito apertada. O duelo entre Sérvia e Portugal possivelmente definiria tudo. No primeiro duelo entre as duas seleções, em Belgrado, empate por 2 a 2. Ainda teve um gol anulado de Cristiano Ronaldo que ele reclamou muito: em um lance que a bola claramente entrou, a arbitragem não marcou e, como não havia VAR, ficou por isso mesmo.

Os dois times seguiram vencendo os demais adversários, até que a Sérvia empatou com a Irlanda, em Dublin. Portugal, então, passou à frente, em rodada que venceu o Azerbaijão. Só que na penúltima rodada, foi a vez de Portugal ir até Dublin e enfrentar a retranca irlandesa. Os portugueses também empataram: não saíram de um 0 a 0.

Com isso, a última rodada seria explosiva: Portugal x Sérvia em Lisboa, com os portugueses podendo empatar por terem saldo de gols melhor. Portugal ainda saiu à frente no placar com um gol de Renato Sanchez, mas Dusan Tadic empataria em um frango de Rui Patrício. Só que um gol de Mitrovic, aos 44 minutos, decidiu o jogo e a classificação: a Sérvia garantiu vaga para a Copa e empurrou Portugal para a repescagem. Os portugueses sobreviveriam à disputa para irem novamente à Copa, mas a vaga direta foi dos sérvios, uma bela demonstração de força.

Em 2022, a Sérvia chega com bons resultados, depois de conseguir subir para a Liga A, após deixar Noruega, Eslovênia e Suécia (esta que foi rebaixada). A Sérvia era a única seleção classificada à Copa que não estava na Liga A. Isso mudou já em 2022 com essa subida de divisão.

Sérvia comemora vaga na Copa (Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP via Getty Images/One Football)

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Como joga

O time de Dragan Stojkovic normalmente atua em um sistema com três zagueiros, o 3-4-1-2, de forma também a aproveitar os dois centroavantes em ótimo momento que possui. O time tem alas que são muito perigosos, especialmente o do lado esquerdo, Filip Kostic. Ele ataca como um ponta, sabe finalizar e tem bons cruzamentos e chegada ao ataque.

A ideia do time é sair jogando com seus zagueiros, especialmente com Milos Veljkovic, o mais capaz deles. Ele está acostumado a fazer esse papel atuando pelo Werder Bremen e precisará exercê-lo na seleção. Se ele consegue jogar, os dois zagueiros ao seu lado podem abrir para receber a bola, liberando os alas para avançarem e já se unirem ao meio-campo e ataque. Assim, Nikola Milenkovic, da Fiorentina, já experiente de outra Copa, e Strahinja Pavlovic, jovem do Red Bull Salzburg, recebem a bola para acionar os jogadores de meio. Quem ajuda nessa saída é o volante Nemanja Dudelj, que recua para ser uma opção de passe.

Uma das características preservadas de 2018 na seleção sérvia é a força física. São muitos jogadores que se impõem, como Sergej Milinkovic-Savic no meio-campo, já acostumado a fazer isso pela Lazio. O ataque é o maior símbolo disso: Mitrovic e Vlahovic são dois jogadores altos e fortes, especialmente o primeiro.

Tadic atua logo atrás dos dois atacantes e é um jogador que tem muita liberdade para atuar nos espaços vazios. Se o meio estiver congestionado, ele pode cair pelos lados, especialmente pela direita, e tentar uma dobradinha com Andrija Zivkovic, que normalmente atua pela ala direita. Assim, abre espaço pelo meio para a chegada de Sergej Milinkovic-Savic, que bate bem de fora da área e também é uma ameaça aérea nos cruzamentos, especialmente de Kostic da esquerda.

Uma opção sempre importante da Sérvia é a bola longa para seus atacantes, em especial Mitrovic. O camisa 9 é mestre em receber de costas e segurar a bola para outros jogadores. Vlahovic também pode fazer esse papel, mas tende a sair mais para o lado ou mesmo recuar para buscar o jogo, de forma a se ligar mais aos outros jogadores. É mais técnico também, tem um bom chute e é uma ameaça se tiver espaço. O jogo é muito direcionado para acionar os centroavantes, seja de forma direta, seja pelos lados do campo com cruzamentos.

Todos os problemas que a Sérvia causa aos adversários se torna um ponto fraco quando falamos sobre o time se defender. Os alas são muito ofensivos, tanto que são meias e pontas de formação. Defender não é a especialidade de nenhum dos dois e explorar esse corredor pode oferecer um caminho para os adversários, especialmente pelo lado esquerdo da defesa, onde Kostic é mais vulnerável.

Para evitar isso, a Sérvia pode tirar um dos centroavantes, provavelmente Vlahovic, para colocar outro jogador no meio-campo, Sasa Lukic, e ter ele ao lado de Gudelj para proteger mais a defesa e liberando Milinkovic-Savic para o ataque, dando também mais liberdade para Tadic se movimentar e virar até um atacante. Encontrar esse equilíbrio é o desafio do técnico Stojkovic, que sabe ter um time que pode ser um tanque para amassar os adversários com força física e técnica, mas também tem vulnerabilidades que podem expor o time a jogadores rápidos, como Vinícius Júnior e Raphinha no Brasil, por exemplo.

Time-base: Pedrag Rajkovic; Nikola Milenkovic, Milos Veljkovic e Stranhinja Pavlovic; Andrija Zivkovic, Nemanja Gudelj, Sergej Milinkovic-Savic e Filip Kostic; Dusan Tadic; Dusan Vlahovic e Aleksandar Mitrovic. Técnico: Dragan Stojkovic

>>> Confira análise de todas as seleções no canal de YouTube do Rafa Oliveira

Mitrovic, artilheiro da Sérvia e herói da classificação (Foto: Carlos Rodrigues/Getty Images/One Football)

Donos do time

Quando se fala em jogadores fundamentais para a Sérvia, é impossível não citar Aleksandar Mitrovic. Não só porque o gol da classificação para a Copa do Mundo foi dele, contra o adversário mais difícil do grupo e fora de casa. Também porque ele é o foco dos ataques da Sérvia, seja pela capacidade de finalizar em qualquer situação pelo chão, seja pela imensa ameaça aérea que ele representa aos rivais. Aos 28 anos, o atacante do Fulham vive uma grande fase e certamente dará muito trabalho para todas as defesas que o enfrentarem.

O meio-campo é um dos pontos fortes da Sérvia justamente por ter um jogador como Sergej Milinkovic-Savic. Aos 27 anos, ele é um jogador completo: fisicamente forte, bom no jogo aéreo e tecnicamente um jogador capaz de ótimos passes, chutes de fora da área e bom também na capacidade de preencher espaços. Por isso, os times que não se precaverem podem ver o jogador da Lazio dominando o setor e se impondo. Importante defensivamente e ofensivamente, é um jogador pelo qual passa boa parte do jogo sérvio.

Um dos grandes talentos desse time da Sérvia é Dusan Tadic. Aos 33 anos, ele não vive uma das suas melhores temporadas pelo Ajax, mas é um jogador que pode causar problemas a qualquer adversário. Habilidoso, capaz de achar um grande passe ou um chute preciso a qualquer momento, é o jogador que deve tentar dar um pouco mais de criatividade ao time. É importante também nas bolas paradas, como escanteios ou cobranças de falta, um recurso que ele domina, seja para bater direto, seja para colocar na área e gerar perigo.

Vlahovic, da Sérvia (Foto: Carlos Rodrigues/Getty Images/One Football)

Caras novas

O atacante Dusan Vlahovic mostrava talento há algum tempo e chegou à seleção sérvia já em outubro de 2020, quando tinha 20 anos. Foi nesse tempo que ele cresceu na Fiorentina e tirou espaço inclusive de um jogador que tinha muita expectativa: o centroavante Pedro, hoje no Flamengo. Vlahovic chegou do Partizan à Fiorentina em 2018, Pedro desembarcou na Itália um ano depois. O sérvio teve espaço, o brasileiro não. Os dois vão para a Copa e estarão em lados opostos já na estreia. Alto, com um chute forte e perigoso no jogo aéreo, o centroavante da Juventus tem só 22 anos, mas pode causar muitos problemas ao Brasil e a todos os adversários que a Sérvia vier a enfrentar.

O zagueiro Strahinja Pavlovic é uma das novidades da Sérvia em relação a 2018. Aos 21 anos, o zagueiro revelado pelo Partizan já atuou pelo Monaco, Cercle Brugge, Basel e está no Red Bull Salzburg, contratado nesta temporada. Canhoto e com 1,94 metros de altura, é um jogador que oferece força física e está acostumado a fazer a saída de bola trabalhada no seu clube, um recurso que pode ser importante na seleção, pelo estilo de jogo. Ganhou a posição de titular, mesmo com uma concorrência forte, e terá a missão de tentar equilibrar um time que tende a ser bastante ofensivo – e com um ala que atua do seu lado, o esquerdo, que tem dificuldades na marcação.

O jogador menos experiente desse time em termos de seleção é Strahinja Erakovic, que é o único representante do futebol sérvio. O zagueiro de 21 anos atua pelo Estrela Vermelha e estreou pela seleção dos Bálcãs apenas em junho. Foi escolhido para o grupo de 26 que vai à Copa do Mundo e ganhará uma experiência importante para o futuro.

Stojkovic, técnico da Sérvia (Foto: Jurij Kodrun/Getty Images/One Football)

Técnico

O ex-atacante Dragan Stojkovic é um nome bastante conhecido no futebol mundial. Aos 57 anos, ele tem um grande desafio pela frente: fazer com que todo esse talento da seleção sérvia se transforme em um time também forte. Por enquanto, ele tem conseguido e Portugal sentiu isso na pele. A classificação sérvia à Copa, jogando Portugal aos leões para enfrentar a repescagem, já dava mostras sobre o que o time é capaz. A subida para a Liga A na Liga das Nações foi outra demonstração sobre a capacidade do time sérvio sob o seu comando.

Stojkovic atuou pelo Estrela Vermelha, pelo Olympique de Marseille, pelo Verona e pelo Nagoya Grampus, onde jogou por oito anos até se aposentar. Foi lá também que começou a carreira de técnico, em 2008. Isso depois de passar por uma carreira como dirigente: foi presente da Federação da Iugoslávia e da Sérvia e Montenegro, antes de ser presidente também do Estrela Vermelha.

Como técnico do Nagoya Grampus, conquistou o título japonês uma vez, em 2010, além da Supercopa do país em 2011. Depois de seis anos dirigindo o clube japonês, ele foi para a China, onde foi técnico do Guangzhou City por quatro anos e meio, de agosto de 2015 a janeiro de 2020. Em março de 2021, assumiu a seleção da Sérvia e seu trabalho até aqui tem sido muito bom, recolocando a Sérvia como um time dos mais perigosos de se enfrentar.

A geografia do elenco

A Sérvia é um país de uma região bastante fragmentada em termos étnicos. Depois do esfacelamento da Iugoslávia, que se separou em diversos países, a diversidade étnica diminuiu, mas ainda existe. A antiga Iugoslávia se dividiu e virou vários países: Bósnia, Croácia, Macedônia, Montenegro, Eslovênia e, por fim, a Sérvia, que futebolisticamente, é a herdeira da Iugoslávia.

Todos esses países têm diversas etnias, até por terem sido uma só durante muito tempo, mas as separações – a um pesadíssimo custo de guerra civil e muito sangue – fez com que cada um dos países ficasse com a maior porcentagem de uma etnia. No caso da Sérvia, 83,3% da população é da etnia sérvia; 3,5% são húngaros; 2,1% são ciganos; 2% são bósnios; 9% são de outras etnias.

Por isso, é comum vermos ao longo da história da Iugoslávia jogadores que às vezes nasceram no que hoje são outros países, mas são de etnia sérvia e por isso jogam pelo país. O contrário também acontece nas demais seleções dos Bálcãs.

A cidade que mais jogadores do elenco nasceram, como é de se esperar, é Belgrado, a capital sérvia. Nikola Milenkovic, Stefan Mitrovic, Nemanja Gudelj, Marko Grujic e Dusan Vlahovic nasceram na cidade. Um jogador nasceu em uma cidade próxima à capital. Strahinja Erakovic, nasceu em Batajnica, a noroeste de Belgrado. A sudoeste da capital nasceu Filip Djuricic, de Obrenovac. A sudeste, Aleksandr Mitrovic, que nasceu em Smederevo.

A segunda cidade com mais jogadores no elenco é Nis, que fica ao sul do país. É a cidade mais ao sul que tem nascidos por lá. Nemanja Radonjic e Andrija Zivkovic e Ivan Ilic nasceram na cidade. É a terceira maior cidade do país, com população de cerca de 260 mil habitantes.

Outra cidade importante no elenco é Cacak, no centro do país, origem de Filip Mladenovic e Darko Lazovic. A cidade fica a cerca de 144 quilômetros da capital sérvia, é conhecida como uma cidade termal, e tem cerca de 30 monastérios desde o século XIV. Dois jogadores nasceram em Sabac, Strahinja Pavlovic e Sasa Lukic, que fica a oeste de Belgrado, com população de cerca de 54 mil pessoas.

O jogador nascido mais ao norte do elenco é o goleiro Pedrag Rajkovic, em Subotica, que fica a cerca de 10 quilômetros da fronteira com a Hungria. Dusan Tadic também nasceu no norte do país, mas em uma cidade um pouco mais ao sul de Subotica, Backa Topola.

Outro jogador nascido próximo à fronteira é Marko Dmitrovic, de Negotin. A cidade fica próxima de duas fronteiras: Romênia no leste e Bulgária ao sul. Mais dois jogadores também estão perto da fronteira, mas do outro lado do país: Luka Jovic nasceu em Loznica, a leste, próximo à fronteira com a Bósnia. Nemanja Maksimovic nasceu em uma cidade próxima, Banja Koviljaca, também perto da fronteira com a Bósnia. Srdan Babic nasceu efetivamente em território bósnio, na cidade de Banja Luka.

Há também os jogadores nascidos fora dos Bálcãs. Milos Veljkovic nasceu em Basel, na Suíça. Embora tenha nascido na Suíça, o zagueiro é filho de pais sérvios, razão pela qual ele sempre foi elegível para a Sérvia. Pela situação de guerra que a Iugoslávia viveu, é comum que cidadãos do país tenham fugido da guerra para se abrigar em outros países europeus.

Os outros nascidos fora da região são os irmãos Milinkovic-Savic. O mais velho, Sergej, nasceu em Lleida, na Catalunha, onde seu pai, Nikola Milinkovic, jogava na época, pelo Lleida. A sua família era de atletas: a sua mãe, Milana Savic, atuava como jogadora profissional de basquete. Até por ter nascido lá, Sergej tem cidadania espanhola. Seu irmão, Vanja, nasceu em uma cidade no noroeste da Espanha, Ourense, na Galícia, cidade onde seu pai atuava na época.

Onde jogam

O país que mais cedeu jogadores para a seleção sérvia é a Itália, com 11 dos 26, sendo que três deles atuam no mesmo clube, o Torino: o goleiro Vanja Milinkovic-Savic e os meio-campistas Nemanja Radonjic e Sasa Lukic. Além deles, Nikola Milenkovic e Lua Jovic atuam na Fiorentina; Filip Kostic e Dusan Vlahovic na Juventus; Sergej Milinkovic-Savic na Lazio; Filip Djuric na Sampdoria; Darko Lazovic no Verona, assim como Ivan Ilic.

A segunda liga com mais representes no elenco sérvio é La Liga, da Espanha. São seis jogadores de lá: os goleiros Pedrag Rajkovic, do Mallorca, e Marko Dmitrovic, do Sevilla; os defensores Stefan Mitrovic, do Getafe, e Srdan Babic, do Almería; os meio-campistas Nemanja Gudelj, do Sevilla, e Nemanja Maksimovic, do Getafe.

O elenco ainda tem jogadores que atuam na Áustria, Polônia, Holanda, Grécia, dois em Portugal, um na Inglaterra, um na Alemanha e um na própria Sérvia.

Milan Galic, da Iugoslávia

Um herói em Copas

A melhor campanha da história da Sérvia, na época ainda Iugoslávia, foi em 1962, no Chile. Naquela Copa, o país conseguiu avançar da fase de grupos, em uma chave que tinha ainda a União Soviética, que ficou em primeiro. O centroavante Milan Galic foi um dos destaques daquele time, com gols importantes ao longo da campanha, que foi até a semifinal.

O atacante estreou pela Iugoslávia em 1959 e fez parte do elenco que foi vice-campeão da Eurocopa de 1960, vencida pela União Soviética na França. Ele, inclusive, marcou o gol do time na derrota por 2 a 1, que só aconteceu na prorrogação.

Ainda em 1960, Galic fez parte do time da Iugoslávia que jogou a Olimpíada daquele ano e que fez história: conquistou a medalha de ouro. Ele foi o artilheiro daquela competição, com sete gols marcados, o que deixou seu nome ainda mais marcado na história do futebol do país.

Em 1962, chegou como craque e capitão do time da Iugoslávia. Vestia a camisa 10 e era o líder daquele time, mesmo tendo apenas 24 anos. Depois da derrota por 2 a 0 na estreia diante da forte União Soviética, a Iugoslávia venceu o Uruguai no segundo jogo, com um gol de Galic, e goleou a Colômbia por 5 a 0, desta vez com dois gols do camisa 10.

Veio então o mata-mata. Nas quartas de final, a Iugoslávia venceu uma potência, a Alemanha Oriental, por 1 a 0. Nas semifinais, porém, o time não foi páreo para a Tchecoslováquia, que venceu por 3 a 1 e avançou à decisão contra o Brasil – que seria o campeão. Na disputa pelo terceiro lugar, a Iugoslávia acabou perdendo do Chile e ficou com o quarto lugar. É a melhor posição do país até hoje em uma Copa do Mundo.

Galic atuava pelo Partizan na época da Copa e ficaria no clube até 1966, quando se transferiu para a Europa, para o Standard Liège. Ficou por lá até 1970, quando foi para a França e defendeu o Reims de 1970 a 1973. Foi o último clube da sua carreira.

Calendário

24/11 – 16h00 – Brasil x Sérvia – Estádio Nacional de Lusail
28/11 – 07h00 – Camarões x Sérvia – Estádio Al Janoub
02/12 – 16h00 – Sérvia x Suíça – Estádio 974

Todos os convocados

NúmeroPosiçãoJogadorData de nascimentoClubeJogosGolsLocal de Nascimento
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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