Guia da Copa do Mundo 2022 – Grupo G: Brasil
O Brasil chega novamente à Copa do Mundo em um bom momento, com seleção renovada e cheia de talento ofensivo
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O ano de 2022 significou o aniversário de 20 anos do último título do Brasil em Copas do Mundo. Caso o Brasil não vença nesta edição, veremos o mesmo jejum que o país teve de 1970 a 1994, o maior da história da seleção brasileira. Mais do que isso, o Brasil foi o último não-europeu a vencer. De 2006 até 2018, apenas seleções europeias levantaram a taça.
A Copa 2022, portanto, significa impedir uma fila ainda maior do Brasil. O primeiro título veio em 1958 e o segundo só quatro anos depois, em 1962. O terceiro esperou oito anos, veio em 1970. Foram 24 anos até o quarto, em 1994, e mais oito até o quinto, em 2002. Agora, 20 anos depois do penta, o Brasil, e o futebol sul-americano como um todo, tentam retomar o posto de campeão em meio a um domínio europeu que já é consolidado nos clubes e tem acontecido também na Copa do Mundo.
O time conta com o seu principal craque da atual geração, Neymar, com 30 anos, no seu ápice. Pode jogar outra Copa em 2026, mas já terá 34 anos e não se sabe como estará. Ele mesmo já admitiu que esta pode ser a sua última Copa. Neymar tem em 2022 idade similar a Pelé em 1970, que tinha 29 e faria aniversário meses depois da Copa. Neymar sabe que a conquista da Copa mudaria, para sempre, o seu lugar na história.
Como foi o ciclo até a Copa
O Brasil chega novamente em um bom momento na Copa, assim como foi em 2018. A diferença é que manteve o técnico, Tite, que fez um ciclo completo desta vez e conseguiu montar um time que tem muitas opções. Não quer dizer que o ciclo tenha sido tranquilo, porque não foi. Foram duas Copas América, ambas jogadas no Brasil, com a conquista do título sem Neymar em 2019, jogando bom futebol e batendo a Argentina de Lionel Messi na final. Foram testadas algumas opões, entre as quais algumas vingaram, outras ficaram pelo caminho.
Já em 2021, em meio às restrições da pandemia, uma Copa América truncada, com futebol ruim, jogadores rendendo pouco e derrota no Maracanã para a mesma Argentina de Lionel Messi – e de Lionel Scaloni, o técnico. Pouco pôde ser aproveitado naquela Copa América, mas uma coisa ficou: o bom desempenho de Lucas Paquetá. O meia foi chamado por Tite quando ainda vivia um momento ruim no Milan, antes da sua transferência para o Lyon – que fez muito bem a ele, quee se tornou protagonista. Agora, no West Ham, tenta mostrar o seu bom futebol, mas já se tornou uma peça-chave no time de Tite.
As Eliminatórias transcorreram sem problemas, com o Brasil se classificando com facilidade. Em alguns momentos, o futebol apresentado pela seleção foi bastante fraco e havia problemas em vários setores. Isso mudou. O time tem muitas opções, especialmente no ataque. Mesmo com 26 convocados, certamente teremos bons jogadores brasileiros fora da lista, o que é algo que chama a atenção diante das críticas que se ouvia até meados de 2020. Ainda há problemas nas laterais, a ponto de Tite ter testado um zagueiro na direita e na esquerda não ter nenhum jogador que convenceu.
Há jogadores no mais alto nível no mundo em todos os setores: no gol, com Alisson, Ederson e Weverton, na defesa, com Marquinhos, Éder Militão e Thiago Silva, no meio-campo, com Casemiro, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães, e no ataque. Além disso, Neymar vive um grande ano de 2022, Vinícius Júnior se tornou um dos melhores do mundo e há diversos outros jogadores em boa fase, como Antony, Lucas Paquetá, Bruno Guimarães, Gabriel Jesus, Richarlison e Raphinha. Chega à Copa do Mundo como uma das principais favoritas e é difícil imaginar que o Brasil caia antes das quartas de final. Com um time forte e, desta vez, com mais opções táticas do que em 2018 e um técnico com mais experiência, o Brasil parece um time pronto para trilhar todo o caminho até a taça.

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Como joga
Após a Copa 2018, Tite sofreu muito para encontrar o seu meio-campo. Também tinha dificuldades em substituir os pontas, no ataque. O 4-3-3 jogado na Copa se manteve por algum tempo, mas Tite chegou a jogar inclusive sem um centroavante, diante da má fase de Roberto Firmino e Gabriel Jesus. Passados os quatro anos do ciclo, o Brasil pode jogar no 4-3-3, no 4-2-3-1, no 4-4-2 e na fase ofensiva também pode atuar numa espécie de W-M, algo que lembra o antigo 2-3-5, uma variação que foi testada ao longo desses últimos anos.
Em meio ao ciclo, Tite passou a usar um esquema com a bola que deixou o time mais ofensivo. Ficavam os dois zagueiros atrás, um dos laterais se integrava ao meio-campo e o outro avançava com um ponta, se unindo aos três atacantes da frente. Outro meio-campista também avançava e, assim, se formava o 2-3-5. Isso, claro, só com a posse de bola. Sem ela, o time se defende normalmente no 4-4-2, deixando Neymar solto à frente com outro atacante e com os jogadores de lado de campo fechando mais atrás, na linha de meio-campo.
Durante uma parte do ciclo, quem fazia a esquerda era Renan Lodi, que tinha ganhado espaço. Ele ficou para trás e o jogador que mais parecia capaz de fazer isso, Guilherme Arana, se machucou. Alex Sandro, que deve ser o titular, não é um ponta propriamente dito, mas deve ganhar a posição para atuar por ali, mudando um pouco o funcionamento do time. Se não é um jogador tão ofensivo quanto Lodi, ele pode ajudar a construção pelo meio, dando suporte aos atacantes.
As laterais são o grande problema de Tite. Na esquerda, com jogadores em baixa, Alex Sandro deve ser o titular e Alex Telles, que também não vive grande fase, será o reserva. Esta foi a posição que talvez tenha faltado testar Caio Henrique, do Monaco, que tem feito temporadas boas na França.
No lado direito, Daniel Alves começou o ciclo como titular e foi o principal jogador do Brasil na Copa América 2019, o que fez com que ele ganhasse força para 2022. Sua volta ao Brasil em seguida fez com que ele atuasse mais no meio-campo e mesmo a volta dele à lateral não convenceu muito. Atualmente no Pumas, no México, ele não tem brilhado, mas ganhou um voto de confiança de Tite pela sua experiência, liderança e capacidade de ser um lateral que entra por dentro para armar. Éder Militão foi testado como lateral e, como disse o próprio Tite, ele foi muito bem, melhor do que o próprio técnico esperava.
Um dos maiores problemas que Tite tinha após a Copa do Mundo de 2018 era o meio-campo. Renato Augusto foi um jogador fundamental para Tite no ciclo de 2016 até a Copa 2018, mas ele chegou à Copa sem estar 100% fisicamente. Mesmo assim, ainda entrou nas quartas de final e marcou o único gol do Brasil contra a Bélgica. Ainda perdeu outro, que poderia ter dado o empate. Sem Renato Augusto, quem poderia assumir o posto?
Inicialmente, Philippe Coutinho parecia o nome, mas sua trajetória no Barcelona foi errática. Ele só se recuperou a partir da temporada passada. Éverton Ribeiro, jogando bem no Flamengo, foi outro bastante usado por Tite, em boas e más fases do jogador no clube. Ele entregou boas atuações nas Eliminatórias e ganhou a confiança de Tite. Mas quem assumiu um papel de protagonismo foi mesmo Lucas Paquetá.
Em má fase no Milan, ele foi chamado por Tite, que foi muito criticado por colocar o jogador na lista. A partir dali, ele foi bem, entregou boas atuações e mostrou ser um jogador confiável. Mesmo em tempos ruins, como na Copa América 2021, Paquetá se firmou. E desde então, se tornou um titular indiscutível. A ponto de nenhum dos seus reservas parecer ter a capacidade de exercer a função com a mesma eficiência. Pode, inclusive, fazer o papel de segundo jogador de meio-campo, tendo ao lado Casemiro. O entendimento com Neymar foi imenso e passou a ser um jogador confiável.
Neymar foi usado pela esquerda, pelo meio, como uma espécie de falso nove, e também mais atrás, como um armador. É essa a sua posição mais frequente atualmente, o que combina também com o que tem acontecido no PSG. Se antes Neymar vestia a 10 muito mais por simbolismo, hoje ele exerce a função que no futebol brasileiro nos acostumamos a chamar de camisa 10: um meia ofensivo com pouca responsabilidade defensiva, livre para se movimentar e o principal articulador do time.
O ataque é onde Tite parece mais ter opções. Raphinha entrou no time nas Eliminatórias e não saiu mais. Antony também foi bem e foi outro a ganhar espaço. Vinícius Júnior se tornou um dos principais atacantes do mundo. Rodrygo cresceu no Real Madrid e se tornou um jogador importante no elenco merengue. Richarlison e Gabriel Jesus tiveram momentos ruins na Seleção, mas voltaram a atuar bem e, em boa fase nos seus clubes, consolidaram seu papel. Com diversas opções, o time pode atuar com quatro atacantes, se Tite assim quiser. E mesmo assim, ainda terá boas opções no banco.
Time-base: Alisson; Danilo, Thiago Silva, Marquinhos e Alex Sandro; Casemiro, Fred e Lucas Paquetá; Raphinha, Neymar e Richarlison.
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Donos do time
Neymar é o grande craque do Brasil. Será a sua terceira Copa do Mundo, depois de 2014 e 2018. Na primeira, em 2014, Neymar tinha 22 anos. Fez uma boa Copa, em um time que jogou mal todos os jogos, até que se machucou nas quartas de final, contra a Colômbia. Na segunda, em 2018, chegou machucado e virou piada por rolar no chão ao sofrer faltas, algumas violentas. Em 2022, Neymar chega em ótima fase. Faz boa temporada no PSG, com gols, assistências e ótimas atuações, está em boa forma física e técnica e parece que Tite encontrou o melhor lugar onde ele pode atuar. Ele já disse que esta pode ser a sua última Copa. Neymar, aos 30 anos, joga pelo título, pela sua carreira e pelo seu legado.
Na defesa, Marquinhos é um dos melhores zagueiros do mundo. Rápido, bom pelo alto tanto na defesa quanto no ataque e com ótima saída de bola, Marquinhos é um jogador que também se tornou líder. É o capitão do PSG e, aos 28 anos, é uma referência do time. Não dá para ter certeza quem será o outro zagueiro titular do time, mas Marquinhos certamente será um deles.
Um dos jogadores mais importante da Seleção é Casemiro. O volante, ex-Real Madrid e atualmente no Manchester United, é defensivamente muito bom, pelo alto e por baixo. É excelente em posicionamento, mas é também lento. Também toma muitos cartões, o que o fez perder o jogo contra a Bélgica em 2018. Líder, é um dos capitães do time e pode ser até o dono da braçadeira na Copa. Embora Fabinho seja um reserva excelente, o encaixe de Casemiro parece o mais fácil e evidente.
O meia Lucas Paquetá foi quem mais ganhou espaço e importância entre esses destaques. Capaz de jogar recuado, como um meia central, ou mais avançado, como meia ofensivo ou até como ponta aberto pelo lado, Paquetá é o grande parceiro de Neymar no time. Embora o grande articulador do time seja Neymar, Paquetá o principal coadjuvante. Dá suporte, troca de posições e ajuda a ocupar os espaços ou abri-los para Neymar.

Caras novas
O principal nome que surgiu nos últimos quatro anos foi Vinícius Júnior. Aos 22 anos, o jogador tinha 18 na última Copa e se apresentou ao Real Madrid logo depois do Mundial. Envolvido em muita desconfiança – no Brasil e na Espanha –, ele superou as adversidades e se tornou um jogador relevante no time. Com Carlo Ancelotti, foi além: se tornou protagonista e um craque mundial. O difícil será explicar caso ele não seja titular na Copa e é um dos desafios de Tite: colocá-lo para jogar, talvez sacrificando o volante Fred – e se arriscando mais.
Até 2020, ninguém sequer cogitava que Raphinha fosse um jogador de seleção brasileira, muito menos ainda titular. O atacante revelado pelo Avaí, que passou pelo Vitória de Guimarães, Sporting e Rennes chegava ao Leeds. Lá, se destacaria com o técnico Marcelo Bielsa e se tornaria um jogador fundamental. Em 2022, foi para o Barcelona, já como estrela. Antes disso, em 2021, estreou pela Seleção, mesmo como um desconhecido para grande parte do público – inclusive com críticas a Tite pela convocação do jogador. Ele se provou em campo e ganhou seu lugar.
O atacante Antony se tornou um dos jogadores mais caros do mundo ao se transferir do Ajax para o Manchester United por € 95 milhões. Foi outro jogador que se destacou ao longo dos últimos quatro anos. Chegou ao futebol europeu em 2020, vindo do São Paulo, e brilhou pelo clube holandês e fez o salto para a Inglaterra. Tornou-se uma opção sempre importante no banco e pode ser um jogador para entrar bem ao longo da Copa do Mundo.
Outro que ganhou muito espaço no último ano é o atacante Rodrygo, de 21 anos. O ex-jogador do Santos já brilhava com a camisa do Peixe e, pouco a pouco, ganhou espaço no time merengue. Na conquista do título da Champions League, o atacante mostrou poder de decisão nas fases finais e ganha espaço na atual temporada. Sua capacidade de atuar em todos os lugares do ataque, pelos dois lados, como centroavante e até atrás de um centroavante o tornam um jogador importante e versátil.
Bruno Guimarães já saiu do Brasil como um destaque com nível de Seleção e só aumentou seu status no Lyon e, mais recentemente, no Newcastle. Aos 24 anos, o jogador se tornou um dos mais influentes no setor. Briga por uma posição no time titular com Fred, que é atualmente o preferido, mas que é também o mais questionado do time. Ótimo organizador, tem potencial para ganhar a posição durante a Copa. Mesmo vindo do banco, é uma opção interessante para Tite.

Técnico
Tite é um nome que conquistou o respeito no Brasil. Era claramente o melhor para assumir a seleção brasileira e, mantido no cargo após a Copa 2018, conseguiu melhorar o seu trabalho. Teve muitos questionamentos, alguns deles com razão, mas conseguiu, trabalhando, melhorar o time, renovar bastante o elenco e se colocar novamente como um técnico que chega com apoio na Copa do Mundo. Em 2018 havia a expectativa de título e em 2022 também haverá, talvez até mais pela forma como o Brasil chega. Aos 61 anos, vive o auge da carreira e já anunciou que deixará o cargo na Seleção. O futuro ninguém sabe ainda, mas especula-se que pode tentar uma carreira europeia. Seja como for, Tite também trabalha pelo seu legado. Ser campeão do mundo é algo que marca para sempre a história de um técnico.
A geografia do elenco
O elenco do Brasil para a Copa reproduz, em grande parte, a influência econômica da região: são 20 dos 26 jogadores nascidos no Sudeste. Outros três nasceram no sul do Brasil, dois no Nordeste e apenas um da região Norte. O desequilíbrio financeiro que se apresenta em quase todas as áreas econômicas, e também no futebol, fica muito claro quando se analisa a origem de cada um dos jogadores do elenco da seleção brasileira que vai à Copa do Mundo.
Como os clubes do sudeste têm mais recursos, são também os que mais investem em categorias de base e facilitam para que pessoas da região possam se tornar jogadores de futebol. A cidade com mais representantes nativos no elenco é bastante simbólica: o Rio de Janeiro. Quatro jogadores são da capital fluminense e antiga capital federal: Thiago Silva, Lucas Paquetá, Bruno Guimarães e Pedro. Além deles, há ainda Vinícius Júnior, nascido em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. É o segundo município mais populoso do Estado do Rio de Janeiro.
Não é difícil entender a influência do Rio de Janeiro no elenco. A cidade é uma das mais importantes do país e tem clubes de influência nacional. Todos os cinco começaram as suas carreiras ali, mas só três se profissionalizaram na cidade. Bruno Guimarães começou na base do Audax Rio, mas foi no Audax de São Paulo que ele se tornou profissional, e foi no Athletico Paranaense que explodiu para o futebol nacional. Thiago Silva, que foi da base do Fluminense, se profissionalizou pelo RS Futebol, passou pelo Juventude, Porto B, Dynamo Moscou e só depois veio brilhar, novamente, no Fluminense, onde se consagrou.
Apesar da cidade com mais representantes ser o Rio de Janeiro, fica claro que o Estado de São Paulo tem um peso muito grande na formação do futebol brasileiro quando se olha que 12 jogadores nasceram no Estado: Ederson, Marquinhos, Alex Sandro, Éder Militão, Casemiro, Fabinho, Éverton Ribeiro, Neymar, Gabriel Jesus, Antony, Rodrygo e Gabriel Martinelli.
Desses 12 nascidos no Estado de São Paulo, apenas dois não foram formados nos clubes do Estado: Ederson, que passou pela base do São Paulo, mas só se profissionalizou pelo Benfica, em Portugal, e Fabinho, que se formou na base do Fluminense, se profissionalizou, mas nunca disputou uma partida pelo clube até ser vendido ao Rio Ave, de Portugal.
A formação de jogadores no futebol paulista, um estado rico e com muitos clubes em condições de ter categorias de base de qualidade, mostra um pouco da situação do futebol brasileiro e a sua desigualdade em relação ao resto do país, especialmente fora do Sudeste e em relação a Norte, Nordeste e Centro Oeste.
Algo que exemplifica a força do Sudeste está na segunda cidade com mais nativos no elenco do Brasil: Osasco, que fica na Grande São Paulo. O goleiro Éderson e os atacantes Antony e Rodrygo nasceram lá. Com 701 mil habitantes, Osasco é uma cidade de grande atividade industrial, sendo o sexto maior PIB do Brasil e o segundo do Estado de São Paulo, atrás apenas da capital da qual é vizinha. Isso significa que a cidade tem um PIB próprio maior que muitas capitais importantes do país, como Salvador, Fortaleza e Recife.
O Parque Industrial de Osasco é um dos maiores do Estado de São Paulo, com cerca de 500 indústrias de grande, médio e pequeno porte, sendo a metalurgia pesada o principal setor. No início da sua história, o setor industrial predominava, mas com o passar das décadas e a migração de muitas indústrias para outras regiões do país, a cidade passou a desenvolver mais na área comercial e de prestação de serviços. É lá que fica a sede do banco Bradesco, um dos maiores do país.
Além de São Paulo e Rio de Janeiro, há outros três representantes do sudeste no elenco. Fred, o único jogador nascido em Belo Horizonte entre os convocados, mas que se profissionalizou em Porto Alegre, pelo Internacional, é um deles. Danilo, natural de Bicas, cidade nos arredores de Juiz de Fora, que se profissionalizou pelo América Mineiro, da capital do Estado. Por fim, Richarlison, de Nova Venécia, no Espírito Santo, que se profissionalizou pelo América Mineiro.
O Sul do Brasil é também uma região rica e, não por acaso, tem três jogadores no elenco do Brasil que vai à Copa. O goleiro Alisson é natural de Novo Hamburgo, cidade da região metropolitana de Porto Alegre. Fez a sua formação de base no Internacional, onde se profissionalizou e se destacou. Raphinha é nascido na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, uma das mais importantes do país. Por fim, Alex Telles, que é de Caxias do Sul, segunda cidade gaúcha mais populosa. A cidade é movida pela indústria e por serviços.
O elenco ainda tem dois baianos. Bremer é nascido em Itapitanga, cidade a 431 quilômetros de Salvador, próximo a Ilhéus. Já Daniel Alves é de Juazeiro, no sertão do Nordeste na Bacia Hidrográfica do São Francisco. É a cidade mais industrializada do Vale do São Francisco, mas também é muito forte em serviços, que é a principal atividade econômica da região, na divisa com Petrolina, cidade de Pernambuco. Com isso, formam uma região metropolitana conjunta, separada pelo Rio São Francisco, que faz a fronteira entre os dois estados.
O único representante da região norte é o goleiro Weverton, nascido em Rio Branco, no Acre. Será o primeiro acreano a ir a uma Copa do Mundo pela seleção brasileira. É a capital mais ocidental do Brasil e está a 2.030 quilômetros da capital federal, Brasília. A cidade, assim como o Estado do Acre, tem a economia baseada no extrativismo vegetal, especialmente a borracha, um dos motivos do povoamento da região. Também produz castanha-do-acre, carne, soja, açaí, óleo da copaíba, mandioca, milho, arroz, feijão, frutas e cana-de-açúcar. A cidade ainda tem indústrias nos ramos alimentício, madeireiro, mobiliário, têxtil e cerâmica.
Com Weverton, que brilhou em uma Copa São Paulo pelo Juventus-AC e foi para a base do Corinthians, o Acre terá o seu primeiro representante em uma Copa do Mundo. Nove estados nunca tiveram jogadores em uma Copa do Mundo: Amapá, Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Onde jogam
A Premier League se tornou a base da seleção brasileira ao longo dos últimos anos, já que se tornou também a principal e mais rica liga do futebol europeu. São 12 jogadores que atuam na liga inglesa, um predomínio notável. Os goleiros Alisson e Ederson, de Liverpool e Manchester City, respectivamente, Thiago Silva, do Chelsea, Casemiro, Fred e Antony, do Manchester United, Lucas Paquetá, do West Ham, Fabinho, do Liverpool, Bruno Guimarães, do Tottenham, Richarlison, do Tottenham, Gabriel Jesus e Gabriel Martinelli, do Arsenal.
A segunda liga com mais jogadores é a espanhola, o que não surpreende se pensarmos na relação de forças que há no futebol europeu hoje. São três jogadores do Real Madrid: o zagueiro Éder Militão e os atacantes Vinícius Júnior e Rodrygo. Do Barcelona vem Raphinha, enquanto Alex Telles vem do Sevilla.
São três representantes do futebol italiano, todos eles do mesmo clube, a Juventus: Alex Sandro, Danilo e Bremer. Do Brasil, três jogadores estão entre os convocados: Weverton, do Palmeiras, Éverton Ribeiro e Pedro, do Flamengo, o que por si também mostra um pouco sobre a relação de forças entre os clubes do país atualmente.
A liga francesa tem dois representantes, ambos do rico Paris Saint-Germain: o zagueiro Marquinhos e o atacante Neymar. Por fim, pela primeira vez na história, o Brasil terá um jogador da liga mexicana: Daniel Alves, que jogou a última temporada pelo Pumas.

Um herói em Copas
O Brasil tem diversos heróis de Copas, até porque é o maior campeão do torneio. Entre tantos craques, como Garrincha, Romário e Ronaldo, mas é impossível não destacar Pelé. O grande craque brasileiro da história esteve em três das cinco Copas que o Brasil venceu, em 1958, 1962 e 1970. Esteve em alguns dos maiores times da história.
Em 1958, aos 17 anos, Pelé chegou à Copa como reserva, mas saiu já como lenda, ainda adolescente. A sua participação na Copa de 1958 foi estelar, a ponto de não só brilhar como ser decisivo, marcar gol na final e entrar para a história. Se parasse ali, já estaria eternizado, mas ele foi além.
Em 1962, Pelé, já uma estrela internacional, fez um gol no primeiro jogo, contra o México, mas se machucou no segundo, contra a Tchecoslováquia. Não conseguiu mais atuar naquela Copa. Foi substituído por Amarildo, que também foi muito bem. Garrincha assumiu o protagonismo naquela Copa, que acabaria em título do Brasil mais uma vez.
Em 1966, sua terceira Copa, Pelé esteve na Inglaterra para defender a seleção brasileira mais uma vez. Mais uma vez, começou marcando gol contra a Bulgária, na vitória inicial. Depois, porém, se machucou e não jogou a segunda partida, uma derrota para a Hungria por 3 a 1. Veio então o último jogo da primeira fase, diante de Portugal. Pelé voltou ao time sem as melhores condições e ainda foi caçado em campo. Contundido, ele não conseguiu render e o Brasil perdeu de novo: 3 a 1 para Portugal e eliminação. Pelé já confessou que depois daquela Copa, a segunda que acabou em lesão para ele, jurou não jogar mais o Mundial. Para sorte dele, e do Brasil, ele mudaria de ideia.
Em 1970, o Brasil teve Pelé na sua melhor versão. Maduro aos 29 anos, prestes a fazer 30, Pelé era um craque mundialmente consagrado, mas ainda brilhante do ponto de vista físico. Foi o que mostrou ali. Em uma Copa espetacular, Pelé foi mais do que o craque, foi o comandante de um time afinado, uma equipe que entraria para a história como uma das maiores de todos os tempos.
O Brasil, em um grupo difícil, tinha a campeã do mundo Inglaterra, além da Romênia e da Tchecoslováquia, adversária na final de 1962. Na estreia, vitória brasileira por 4 a 1, com Pelé marcando um dos gols. A segunda rodada foi o jogo mais difícil daquela fase: enfrentar o campeão da Copa anterior. Em um dos jogos melhores jogos daquele torneio, o Brasil venceu por 1 a 0, com assistência de Pelé. Brilhante, mais uma vez. No jogo contra a Romênia, Pelé marcou de falta e fez um gol de centroavante, fechando a primeira fase.
Teria nova atuação soberba contra o Uruguai, quando protagonizou o não-gol mais famoso da história com um drible da vaca. Fecharia a participação em uma atuação espetacular na final contra a Itália, com gol, assistência e desfile de classe. O Brasil era tri e tinha muito de Pelé. Mais do que um herói de Copa, Pelé se tornou um herói do futebol. Moldou muito da percepção sobre o futebol brasileiro através dos tempos. Muito da identidade do futebol brasileiro está ligada a Pelé. Como diz o filme com o seu nome, Pelé Eterno.
Calendário
Brasil x Sérvia, 24/11, 16h
Brasil x Suíça, 28/11, 13h00
Camarões x Brasil, 02/12, 16h00
Todos os convocados
| Número | Posição | Jogador | Data de nascimento | Clube | Jogos | Gols | Local de Nascimento |
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