Guia da Copa do Mundo 2022 – Grupo E: Japão
O Japão melhorou os seus resultados nas Eliminatórias, mas entra num grupo bastante difícil na Copa
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Esta é a sétima Copa consecutiva que o Japão participa, presente em todas as edições desde 1998, a primeira do país. Os japoneses tentam chegar às oitavas de final pela quarta vez, mas o sorteio foi muito cruel: colocou os Samurais Azuis junto de Espanha e Alemanha, além da Costa Rica. Avançar ao mata-mata parece uma missão complicada, então o objetivo terá que ser conseguir fazer uma boa fase de grupos para tentar tirar pontos dos adversários de peso. Em 2018, o Japão ficou muito perto de causar uma grande surpresa nas oitavas de final quando abriu 2 a 0 na badalada Bélgica, mas acabou tomando a virada no final e viu o sonho das quartas de final ruir. A primeira vez nas oitavas aconteceu em casa, em 2002, antes do desempenho se repetir também em 2010 e 2018, sem nunca ir além.
Como foi o ciclo até a Copa
Depois da campanha positiva na Copa de 2018, o Japão emendou uma sequência invicta nos últimos amistosos daquele ano. Chegou a vencer Uruguai, Panamá e Costa Rica. Já no início de 2019, o principal objetivo era a Copa da Ásia. O embalo continuou com vitórias na fase de grupos contra Turcomenistão, Omã e Uzbequistão. Já no mata-mata, os Samurais Azuis venceram Arábia Saudita, Vietnã e Irã, este numa vitória elástica por 3 a 0. A derrota só aconteceu na final, diante do Catar, que ganhou por 3 a 1.
O Japão ainda participou da Copa América de 2019, mas com o time olímpico, no projeto para Tóquio 2020. Conseguiu empatar com Uruguai e Equador, mas foi eliminado na fase de grupos. Quando as Eliminatórias começaram, numa fase inicial mais acessível, o time conseguiu várias goleadas – como um 14 a 0 na Mongólia e um 10 a 0 em Mianmar. Avançou para a etapa principal do qualificatório.
Embora não tenha ficado em primeiro no seu grupo na fase final das Eliminatórias da Ásia, dá para dizer que o Japão se classificou até com tranquilidade – apesar de um início instável. Os japoneses terminaram em segundo no Grupo B, com sete vitórias, um empate e duas derrotas, atrás da Arábia Saudita, que ficou com um ponto a mais. Os méritos maiores estiveram em escapar da repescagem, onde foi parar a Austrália.
Apesar da classificação ter sido tranquila, o Japão começou mal a fase decisiva das Eliminatórias. Perdeu de Omã, em casa, por 1 a 0, na estreia do hexagonal. Venceu a China em seguida, mas voltou a perder na rodada seguinte, diante da Arábia Saudita. Quando a situação parecia que poderia se complicar, o time embalou. Uma sequência de seis vitórias ajudou.
O Japão derrotou Austrália, China e Arábia Saudita em seu território. Também bateu Vietnã e Omã fora, antes de superar a Austrália em Sydney, no confronto decisivo que definiu a classificação. No final, um empate em casa com o Vietnã não foi o melhor resultado, mas já era um time cheio de reservas, que estava com a vaga assegurada. Mais recentemente, o Japão alternou resultados nos amistosos, incluindo uma derrota por 1 a 0 para o Brasil. Mas o time de Hajime Moriyasu melhorou nestes últimos meses.
Também vale citar que o Japão realizou um projeto olímpico em paralelo à preparação para a Copa do Mundo. O time sub-23 recebeu grande atenção da federação ao longo desses anos, também com o adiamento das Olimpíadas de Tóquio para 2021. Os japoneses por pouco não conseguiram uma medalha, mas perderam para a Espanha na semifinal e para o México na decisão do bronze. O técnico Hajime Moriyasu dirigiu o time olímpico e aproveitou vários jogadores no elenco principal.

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Como joga
Desde 2018, o Japão jogou primordialmente no 4-2-3-1, uma formação com a qual o time está acostumado a atuar já desde a Copa passada. Em alguns momentos, a equipe chegou a atuar em um 4-4-2, se fechando mais, mas foram raras as ocasiões. O Japão sempre pareceu mais confortável atuando no 4-2-3-1. O técnico Hajime Moriyasu chegou a testar uma formação com três zagueiros, mas não deu continuidade.
Na reta final das Eliminatórias, e especialmente no jogo contra a Austrália, decisivo para a classificação, o Japão teve uma ligeira mudança: passou do 4-2-3-1 para um 4-3-3, que passou a ser a formação base da equipe. Para isso, o técnico sacou Daichi Kamada, um jogador ofensivo que atuava no centro da linha de três no 4-2-3-1, e entrou um outro jogador no meio, formando o setor com Wataru Endo, Ao Tanaka e Hidemasa Morita. É possível que o técnico alterne essas duas formações, a depender da necessidade do time e da fase dos jogadores.
Uma variação possível que poderá ser vista na Copa é a mudança para um 4-4-2 com Kamada sendo adiantado ao ataque e os dois pontas sendo recuados para a linha de meio-campo, fechando em um 4-4-2. Esta pode ser uma opção em momentos que for necessário fechar os lados do campo.
A escalação do Japão começa com Shuichi Gonda no gol, mas Daniel Schmidt pode ser uma sombra. Hiroki Sakai e Yuto Nagatomo são nomes experientes para as laterais. Miki Yamane pode entrar na direita, mas a esquerda perdeu Yuta Nakayama, cortado por lesão depois da lista final. O miolo da zaga conta com o destaque de Takehiro Tomiyasu e o experiente Maya Yoshida. Ko Itakura se recupera de lesão e pode ser uma alternativa no setor, no lugar de Yoshida.
Wataru Endo é um dos principais eixos do Japão e vem em boa fase no Stuttgart. Tem a companhia principalmente de Hidemasa Morita, contratado pelo Sporting, e pode contar com Ao Tanaka também por ali. Daichi Kamada é mais um que chega em alta para a Copa do Mundo, pelo que faz no Eintracht Frankfurt. Deve atuar centralizado no meio.
Há uma boa oferta de pontas no Japão, mas Kaoru Mitoma, do Brighton, e Junya Ito, do Stade de Reims, aparecem na frente e foram importantes na melhora do time nas Eliminatórias. Takefusa Kubo e Takumi Minamino são alternativas mais badaladas. A dúvida fica para o posto de centroavante. Takuma Asano é o favorito, na concorrência com Daizen Maeda e Ayase Ueda. As ausências de Kyogo Furuhashi e Yuya Osako da lista final causaram ruído.
Time-base: Shuichi Gonda; Hiroki Sakai, Takehiro Tomiyasu, Maya Yoshida, Yuto Nagatomo; Wataru Endo, Hidemasa Morita; Junya Ito, Daichi Kamada (Ao Tanaka), Takumi Minamino (Kaoru Mitoma); Takuma Asano.
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Donos do time
O lateral Takehiro Tomiyasu atua normalmente como zagueiro na seleção japonesa. Tem sido um jogador importante no Arsenal, que faz excelente campanha na Inglaterra. Bom com a bola nos pés e forte nos cruzamentos também, ajuda não só o time a se defender bem, como também é um jogador importante na saída de bola da equipe. Aos 23 anos, se tornou crucial e é um dos primeiros nomes a ser escolhido pelo técnico para começar os jogos.
O meia Daichi Kamada tem sido uma figura de destaque do Eintracht Frankfurt na Europa, desde a campanha na Liga Europa 2021/22 até a boa temporada 2022/23 que o japonês faz, com grandes atuações na Champions League. Habilidoso e com boa visão de jogo, pode fazer a diferença para o time, especialmente nos momentos de transição ofensiva em velocidade. É um jogador versátil que pode conduzir o Japão a, quem sabe, produzir uma grande surpresa na Copa.
O ponta Takumi Minamino, que pode atuar como centroavante também, mudou de clube no começo da temporada ao deixar o Liverpool e chegar ao Monaco. Jogando pouco na Inglaterra, sua mudança de clube foi bem vista pelo técnico Hajime Moriyasu, que tem no jogador alguém de tarimba na seleção japonesa. Minamino atua normalmente pelo lado esquerdo do ataque e pode ser recuado para a linha de meio-campo e também atuar centralizado, atrás do atacante. Aos 27 anos, pode ser um dos destaques do time e foi o artilheiro dos Samurais Azuis nas Eliminatórias, com 10 gols, junto a Yuya Osako – que não foi convocado.

Caras novas
Ao lado de Junya Ito, um dos heróis da classificação do Japão foi Kaoru Mitoma, que não é exatamente um garoto, já que tem 25 anos. Apesar de não ser exatamente dos mais jovens, é um novato na seleção japonesa, com apenas nove jogos. Destaque do Kawasaki Frontale, campeão da J1 League em 2020 e da Copa do Imperador no mesmo ano, se transferiu ao Brighton em 2022, depois de um empréstimo à Union Saint-Gilloise por uma temporada. No Brighton, seu início tem sido bom, especialmente vindo do banco. Deve ser uma arma importante.
O meia Takefusa Kubo, de 21 anos, tem uma história grande no futebol, tendo passado pelas categorias de base do Barcelona e do Real Madrid, mas sem conseguir se manter nelas. Foi emprestado pelo Real Madrid a vários clubes até ser vendido, na última janela, à Real Sociedad. É um jogador de muito talento, capaz de atuar pelas pontas ou como um meia ofensivo. Acumula 19 jogos pela seleção japonesa e deve ganhar minutos ao longo da Copa. É o mais jovem entre os 26 convocados do Japão para a Copa do Mundo.
O meio-campista Ao Tanaka, do Fortuna Düsseldorf, de 24 anos, é um nome para ficar de olho na seleção japonesa. Ele cresceu ao longo do ciclo, se tornou um jogador titular na reta final das Eliminatórias e mostrou que pode ser o coração do meio-campo japonês. É um atleta que atua de área a área, tem boa capacidade física, tem bastante técnica e funciona como um motorzinho, correndo muito e cobrindo grandes espaços. Foi três vezes campeão da J1 League pelo Kawasaki Frontale.

Técnico
Hajime Moriyasu é ex-jogador, que atuou pouco antes do profissionalismo e esteve na criação da J-League, em 1993. Defendeu o Sanfrecce Hiroshima de 1987 a 2001, atuou ainda uma temporada em 1998 no Kyoto Purple Sanga e encerrou a carreira no Vegalta Sendai, entre 2002 e 2003. Jogou também pela seleção japonesa de 1992 a 1996 foi campeão da Copa da Ásia pelos Samurais Azuis em 1992.
Com 54 anos, Moriyasu começou a sua carreira como técnico dirigindo Sanfrecce Hiroshima, onde ficou de 2012 a 2017. Conquistou três títulos da J1 League, em 2012, 2013 e 2015. Ainda conquistou a Supercopa do Japão, em 2013 e 2014, e participou do Mundial de Clubes de 2015, quando ficou em terceiro lugar, após perder a semifinal para o River Plate.
Após sair do Sanfrecce Hiroshima, ele assumiu a seleção japonesa sub-23 com vistas aos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio. Foi também assistente técnico de Akira Nishino, o técnico da seleção japonesa, na Copa do Mundo de 2018. Após a Copa, ele foi promovido a técnico principal e acumulou o cargo de técnico da seleção olímpica.
No comando, foi vice-campeão da Copa da Ásia de 2019, quando perdeu do Catar, mas se classificou com tranquilidade nas Eliminatórias, mesmo com um início titubeante na fase final. Fez uma reformulação grande e leva ao Catar um elenco bastante jovem, com 19 deles fazendo a estreia em Copas do Mundo.
A geografia do elenco
Como era de se esperar, boa parte do elenco é do centro do país, de regiões relativamente próximas a Tóquio. Curiosamente, porém, só dois jogadores são nascidos na capital – Shuichi Gonda e Yuki Soma. Muitos são de grandes regiões metropolitanas próximas à megalópole. A região central de Kanto é, de longe, a mais influente em termos de origens dos jogadores.
A região mais presente entre os convocados é a de Kanagawa, ao sul de Tóquio e próxima da capital japonesa, especialmente cidades litorâneas como Yokohama e Kawasaki. Ao Tanaka, Kaoru Mitoma, Miki Yamane, Takefusa Kubo, Junya Ito, Ko Itakura e Wataru Endo são convocados das cidades ao sul da baía de Tóquio. Mais ao norte da capital, Ayase Ueda é da prefeitura de Ibaraki.
Outro centro importante do Japão presente entre os convocados é Osaka. Ritsu Doan, Daizen Maeda, Takumi Minamino e Hidemasa Morita são das redondezas da metrópole. A região de Nagoya também apresenta alguns convocados, com o goleiro Eiji Kawashima nascido na cidade. Hiroki Ito, que é de Hamamatsu, a leste de Nagoya, e Takuma Asano, de Komono, a oeste de Nagoya, também nasceram nas redondezas.
São raros os jogadores de fora da região central do Japão, mas eles estão presentes, ainda que em baixo número. Só há um jogador do norte do país: Gaku Shibazaki, que é de Noheji, bem ao norte, uma cidade de pouco menos de 13 mil habitantes. Fica na prefeitura de Aomori, logo ao sul da ilha de Hokkaido.
Há cinco representantes mais ao sul do país. Daichi Kamada e Yuto Nagatomo são da ilha de Shikoku, a menor das quatro ilhas principais que compõem o Japão. Já Shogo Taniguchi (Kumamoto), Takehiro Tomiyasu (Fukuoka) e Maya Yoshida (Nagasaki) são de Kyushu, a ilha mais ao sul, de cidades importantes da região.
O Japão tem um jogador nascido fora de seu território: o goleiro Daniel Schmidt. Ele é filho de pai alemão e mãe japonesa. Nasceu na cidade de Springfield, capital de Illinois, na região de Chicago. Schmidt se mudou para o Japão quando tinha dois anos e cresceu na cidade de Sendai, mais ao norte do país.
Onde jogam
O país onde mais jogadores japoneses convocados atuam é a Alemanha, com oito no total, incluindo alguns jogadores que são importantes no time, como o zagueiro Maya Yoshida, o meio-campista Wataru Endo, o meio-campista Daichi Kamada e o atacante Takuma Asano. É quase uma base inteira vinda da Bundesliga. Também atuam por lá Ko Itakura, do Borussia Mönchengladbach, Hiroki Ito, do Stuttgart, Ritsu Doan, do Freiburg e Ao Tanaka, do Fortuna Düsseldorf.
O segundo país onde mais atuam os jogadores convocados é o próprio Japão, com sete jogadores. Inclui o goleiro Suichi Gonda, do Shimizu S-Pulse, e os laterais Hiroki Sakai, do Urawa Reds, e Yuto Nagatomo, do FC Tokyo. Completam a lista Miki Yamane e Shogo Taniguchi, ambos do Kawasaki Frontale; Yuki Soma, do Nagoya Grampus; e Shuto Machino, do Shonan Belllmare.
São três da França: o veterano goleiro Eiji Kawashima, do Strasbourg; Takumi Minamino, do Monaco; e Junya Ito, do Reims. São dois jogadores atuando na Inglaterra, o defensor Takehiro Tomiyasu, do Arsenal, e Kaoru Mitoma, do Brighton. Outros dois jogadores atuam na Bélgica, o goleiro Daniel Schmidt, no Sint-Truiden, e o atacante Ayase Ueda, no Cercle Brugge. Dois atuam na Espanha, com Gaku Shibazaki, no Leganés, e Takefusa Kubo, na Real Sociedad. Por fim, um jogador atua em Portugal, Hidemasa Morita, no Sporting, e um na Escócia, Daizen Maeda, no Celtic.

Um herói em Copas
Em sua primeira aventura na Copa do Mundo, o Japão tinha uma estrela. Hidetoshi Nakata era um jogador de rara visão de jogo e muita técnica. Foi um jogador-chave na seleção que se classificou para o Mundial na França, com cinco gols nas Eliminatórias, além de ser decisivo na repescagem asiática contra o Irã.
Naquela primeira Copa do Mundo, o Japão de Nakata não conseguiu fazer muito: perdeu os três jogos na fase de grupos e foi eliminado. Ainda assim, era uma primeira participação no torneio e traria as bases para a próxima participação, em 2002. E seria uma campanha histórica.
O Japão foi uma das sedes da Copa do Mundo em 2002. Vestindo a camisa 7 naquela Copa de 2002, Nakata foi um dos principais jogadores da seleção japonesa e um dos responsáveis pelo país ter conseguido, pela primeira vez, chegar às oitavas de final. O Japão fez uma grande fase de grupos, com empate contra a Bélgica na estreia, além de vitórias sobre a Rússia e sobre a Tunísia. Neste último jogo, que definiu não só a classificação como o primeiro lugar, o nome do jogo foi Nakata. Na vitória por 2 a 0, ele fez o segundo gol e definiu o placar.
Naquela época, Nakata atuava pelo Parma, depois de jogar pelo Bellmare Hiratsuka, de 1995 a 1998, e chegar à Itália pelo Perugia, de 1998 a 2000. Foi para a Roma em janeiro de 2000 e atuou por um ano e meio na capital italiana. Fez parte da histórica campanha que levou ao Scudetto, o último que a Roma conquistou.
Em 2001, Nakata se transferiu para o Parma, um clube que, na época, vinha com grande investimento. Ele ficaria até 2004, quando foi emprestado ao Bologna, e depois jogaria também na Fiorentina e no Bolton antes de encerrar a carreira, em 2006, logo depois de jogar mais uma Copa do Mundo. Naquele ano, o Japão não conseguiu ir além da fase de grupos, perdendo dois jogos, para Austrália e Brasil, e empatando com a Croácia.
Nakata encerrou a carreira, mas o seu estilo e sua classe estarão sempre na memória, especialmente dos japoneses. Como a estrela do Japão nas três primeiras Copas que os Samurais Azuis disputaram, Nakata marcou época e é um jogador que ficará como um herói.
Calendário
23/11 – 10h00 – Alemanha x Japão – Estádio Internacional Khalifa
27/11 – 07h00 – Japão x Costa Rica ou Nova Zelândia – Estádio Ahmad bin Ali
01/12 – 16h00 – Japão x Espanha – Estádio Internacional Khalifa
Todos os convocados
| Número | Posição | Jogador | Data de nascimento | Clube | Jogos | Gols | Local de Nascimento |
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