Guia da Copa do Mundo 2022 – Grupo E: Espanha
Luis Enrique aposta na nova geração e na convicção das suas ideias para tentar ter sucesso no Catar
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A Espanha chega à Copa do Mundo sem estar entre as principais favoritas, especialmente porque não tem mais as grandes estrelas que teve no passado, quando foi campeã do mundo em 2010 e ganhou as Eurocopas de 2008 e 2012. Ainda assim, Luis Enrique tentará levar ao Catar um time que tem muito do DNA recente da Espanha em termos de posse de bola e controle de jogo, mas apostando em um elenco jovem e com alguns veteranos como pilares do time. É sem dúvida uma equipe com qualidade, mesmo sem ter craques como no passado.
É uma tentativa de recuperação em relação às últimas Copas. Após ser campeã em 2010, a Espanha caiu na primeira fase em 2014 e perdeu da Rússia nas oitavas de final em 2018, em uma derrota bastante surpreendente. Houve uma renovação do elenco e o técnico resolveu abrir mão de nomes estelares que poderiam estar no elenco, mas não convenceram Luis Enrique, como o zagueiro Sergio Ramos, que enfim conseguiu jogar bem no PSG e com continuidade, e Thiago, meio-campista do Liverpool. No Catar, a Espanha tentará resgatar seus momentos de glória apostando ainda mais em seu próprio estilo.
Como foi o ciclo até a Copa
O ciclo da Espanha desde 2018 teve mais momentos bons do que ruins, ainda que tenha sido acidentado. Nas Eliminatórias, a Espanha ficou no Grupo B, junto a Suécia, Grécia, Geórgia e Kosovo. A grande concorrente foi a Suécia, com quem brigou pela classificação durante quase toda eliminatória.
Isso porque a Espanha começou mal, empatando em casa com a Grécia e vencendo a Geórgia com muito sufoco fora de casa. A vitória sobre Kosovo era esperada, mas se desenhava o duelo com a Suécia. Que aconteceria primeiro na Eurocopa, depois nas Eliminatórias.
Em junho de 2021, disputou a Eurocopa, na qual viveu altos e baixos. Diante da Suécia, acabou ficando em segundo lugar, depois de um empate por 0 a 0 com a a primeira colocada, empate por 1 a 1 com a Polônia e vitória por 5 a 0 sobre a Eslováquia. No mata-mata, a Espanha venceu a vice-campeã mundial Croácia na prorrogação, em um emocionante 5 a 3. Foi quando o time pareceu mostrar que tinha força para ir até o final.
Veio então o duelo com a Suíça, que foi muito equilibrado e acabou apenas nos pênaltis, após empate por 1 a 1. Foi na marca da cal que a Espanha venceu por 3 a 1 e avançou à semifinal. Veio o duelo mais difícil, a Itália, que vinha muito bem até ali, mas tinha perdido um jogador que estava brilhando, o lateral Leonardo Spinazzola. O duelo foi equilibrado, com os espanhóis melhores no jogo. Mesmo assim, a Itália saiu na frente e viu a Espanha empatar no final. Nos pênaltis, porém, foi a Itália que levou. A Espanha deixava a Eurocopa dando a sensação que poderia ter feito até mais e com boas perspectivas.
Passada a Eurocopa, o foco voltou às Eliminatórias. As coisas se complicaram mesmo quando a Suécia venceu os espanhóis em casa por 2 a 1 e ficaram à frente na classificação. A vaga direta na Copa do Mundo estava ameaçada. Antes de definir a sua vida nas Eliminatórias, a Espanha tinha outro compromisso: a Liga das Nações, com a fase final disputada na Itália.
Novamente o duelo seria com a Itália, algoz na Eurocopa, e desta vez na casa do adversário. Mesmo em San Siro, a Espanha venceu por 2 a 1, com dois gols de Ferran Torres, e mostrou que aquele desempenho na Euro já permitiria que o time tivesse avançando, como fez desta vez. Na final, o duelo era contra a campeã do mundo, França. Em uma final bastante equilibrada, a França conseguiu vencer de virada por 2 a 1, com um gol de Kylian Mbappé que explorou justamente a linha alta dos espanhóis. Mais uma vez, o time de Luis Enrique mostrou capacidade de enfrentar seleções do mais alto nível.
A vida então retornaria às Eliminatórias, e a Espanha tinha uma tarefa importante e difícil pela frente. Nas datas Fifa de novembro de 2021, venceu a Grécia por 1 a 0, sofrido, com gol de Pablo Sarabia, enquanto a Suécia perdeu da Geórgia de Khvicha Kavaratskhelia, o que facilitou a vida dos espanhóis, que agora tinham a vantagem. No embate final na última rodada, a Espanha venceu, gol de Álvaro Morata, e se classificou à Copa do Mundo. Empurrou a Suécia para a repescagem. A vaga na Copa estava garantida.
O ciclo mostrou que a Espanha pode tanto enfrentar as melhores seleções do mundo e vencer, impondo o seu estilo, quanto sofrer contra seleções que consigam tirar o time de Luis Enrique do prumo atacando seus problemas de linha defensiva alta e jogo de força física. Na maioria das vezes, a Espanha conseguiu ter mais vantagens que desvantagens, mas o ciclo deixou desconfianças que só serão resolvidas na Copa.

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Como joga
O técnico Luis Enrique é bastante convicto do que quer fazer e se baseia nisso para escolher seus jogadores, como ele mesmo diz: “Não queremos jogar lá atrás, queremos estar no campo de ataque e correr riscos. Na defesa, queremos recuperar a bola dos nossos adversários o mais rápido possível. Quando estou procurando por jogadores para a seleção, escolho aqueles que melhor interpretam nossa tática”. Esta fala do técnico deixa bem claro: ele não escolhe o time baseado em quem tem mais talento, mas em quem melhor se adapta à ideia. É uma escolha e, claro, isso tem consequências que se vê no time.
A Espanha atua em um 4-3-3 que raramente muda em termos de formação. Tem como premissa básica ter posse de bola e se impor desta forma sobre os adversários. O estilo espanhol faz com que muitas vezes sofra contra equipes que se defendem mais atrás, que joguem com a maioria dos jogadores atrás da linha da bola. Contra times mais fortes, porém, o estilo funciona bem e normalmente a Espanha é uma equipe muito difícil de ser batida. A semifinal da Euro 2020 (disputada em 2021) é um bom exemplo: a Itália vinha muito bem, mas sofreu contra a Espanha, que foi melhor ao longo do jogo. Os espanhóis perderam nos pênaltis e os italianos saíram aliviados de terem sobrevivido ao duelo.
O estilo de jogo de posse de bola é potencializado com os jogadores que atuam no time e quase sempre a equipe consegue fazer isso, mesmo contra adversários fortes. O problema é que existe um problema crônico: a falta de gols. Álvaro Morata está longe de ser um goleador e não há nenhum grande artilheiro na equipe da Espanha. Isso já era um problema em 2010, quando Fernando Torres já tinha caído de rendimento, mas naquela época havia um David Villa que conseguiu assumir a capacidade goleadora. Desta vez, Ferran Torres é quem mais parece próximo a assumir esse papel, mas ainda longe do que Villa foi capaz em 2010. De qualquer forma, fazer gols parece um desafio para essa seleção espanhola e isso pode cobrar um preço alto.
Ter um estilo de jogo que privilegia a posse de bola, a defesa alta e a presença de quase todos os jogadores no campo de ataque implica riscos, é claro. A Espanha corre muitos riscos com uma defesa bastante alta. Isso significa que o time deve sofrer se encarar adversários com atacantes rápidos e que consigam contra-atacar com qualidade. Sofre também contra adversários que usam muito a força física, especialmente no ataque. Seus zagueiros não são tão fortes fisicamente e isso pode fazer com que o time tenha problemas em lidar com atacantes que consigam usar muito o corpo. Isso além de outro problema que pode pintar: a defesa nas bolas paradas. O time não é dos mais altos e defender esse tipo de jogada, contra adversários que tenham qualidade nisso, pode ser um problema.
Todo estilo implica em uma relação de risco e recompensa. A Espanha sabe do risco que corre e também sabe quais as recompensas que tem por atuar assim. O time se mantém fiel a essa ideia e vai tentar impor a qualquer adversário. Na maior parte das vezes, a Espanha conseguiu ter mais recompensas sem sofrer tanto com os riscos. Resta saber se o risco valerá a pena em uma Copa, onde qualquer lance pode ser o bastante para ser eliminado e acabar com o sonho de outro título.
Time-base: Unai Simon; Dani Carvajal, Eric Garcia, Pau Torres e Jordi Alba; Sergio Busquets, Pedri e Gavi; Ferran Torres, Pablo Sarabia e Álvaro Morata.
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Donos do time
Um dos nomes da mais alta confiança de Luis Enrique é o atacante Álvaro Morata. Isso significou, por exemplo, não levar outro centroavante no elenco final. Nomes como Gerard Moreno, do Villarreal, ficaram fora da lista. O atacante do Villarreal é mais físico e melhor em finalizações que Morata, mas não entregou o mesmo desempenho e nem ganhou a confiança do técnico. Morata tem características que o tornam o preferido de Luis Enrique: é um jogador que se movimenta muito em um time que tem sempre um alto índice de posse de bola, sabe recuar ou cair para os lados para abrir espaços e que sabe trabalhar passes. Por isso, não só estará na Copa como será o comandante de ataque da Espanha.
Pau Torres é o zagueiro que mais se encaixa no que Luis Enrique quer para o time. Alto, com 1,91 metros de altura, muito técnico, o que o possibilita fazer bem a saída de bola e trabalhar com passes quando o time mantém a posse. Foi um dos zagueiros que melhor surgiu no ciclo desde a última Copa e ganhou merecidamente um lugar entre os titulares. Foi muito desejado por outros clubes europeus, mas o Villarreal conseguiu mantê-lo no Estádio de La Cerâmica até o momento.
Embora seja muito jovem, Pedri conquistou o seu espaço como titular absoluto do meio-campo e, mais do que isso, como um jogador fundamental no time de Luis Enrique. Aos 19 anos, surgiu muito bem no Barcelona, que o contratou do Las Palmas ainda muito jovem, e ele ganhou seu espaço na seleção espanhola desde que foi chamado pela primeira vez, em março de 2021, ainda com 18 anos. Marca bem o estilo de time: muitos bons passes, extremamente técnico e com boa chegada ao ataque. É o principal armador, mesmo atuando não exatamente na posição de meia ofensivo e mais como meia central. É certamente o jogador que tem tudo para ser o astro da Espanha nos anos que virão pela frente.

Caras novas
Nico Williams é o principal nome que surgiu nesta reta final de ciclo. Aos 20 anos, ele foi convocado quando o seu irmão, Iñaki Williams, decidiu defender a seleção de Gana. Ambos são nascidos no País Basco e filhos de ganeses. Nico Williams é muito veloz, habilidoso e oferece uma ótima opção pelos lados do campo, levando perigo tanto indo para a linha de fundo, quando cortando para o meio e criando oportunidades a partir dali. Tem potencial para ser um jogador importante da Espanha nos próximos anos.
Uma das surpresas da lista final de Luis Enrique, Ansu Fati é um jogador claramente talentoso, habilidoso e capaz de gerar situações e finalizar também. Surgiu no Barcelona com muita expectativa e até recebeu a camisa 10 do time quando Lionel Messi deixou o clube, em 2021. Só que as lesões tiraram muito do seu tempo de jogo e ele perdeu espaço no time, que se armou sem ele. Até por isso, havia dúvidas se ele chegaria à Copa. Luis Enrique resolveu apostar no jogador e ele estará no grupo, ainda que como reserva.
Yeremy Pino é um dos jogadores que surgiram bem neste ciclo. Aos 20 anos, o atacante do Villarreal oferece muitas boas opções chegando pelos lados do campo. Atua usualmente na ponta direita, embora eventualmente possa atuar também pela esquerda. Fisicamente não é um jogador que consegue se impor, mas tem boa capacidade de finalizador atuando pelos lados e pode criar muitas jogadas. Por vezes é uma rota de escape do Villarreal por ali e pode ajudar em um problema crônico da seleção espanhola, de fazer gols.

Técnico
Luis Enrique é um dos melhores técnicos entre todos que irão à Copa do Mundo. Tem experiência no mais alto nível em clubes, quando ganhou tudo pelo Barcelona, além de ter experiência no exterior, treinando também a Roma. Ele quis estar na seleção espanhola e é capaz de montar times coletivamente muito fortes. É uma característica que teve nos clubes que dirigiu e que mantém muito forte na seleção.
Não dá para deixar de dizer que ele é um treinador muito teimoso também, cabeça dura, como diríamos aqui no Brasil. Ele quer que seus jogadores se encaixem no jeito que ele pensa o time e não é muito flexível para mudar a equipe de forma a aproveitar melhor os talentos disponíveis, como Thiago, por exemplo, que é claramente um dos jogadores mais talentosos da sua geração na Espanha. Por isso, ao mesmo tempo que consegue montar times coletivamente fortes, por vezes renuncia a jogadores de talento em função disso.
A geografia do elenco
Embora o Real Madrid não esteja tão presente nos convocados com apenas um jogador, a região de Madri está bastante representada no elenco. São cinco jogadores nascidos em Madri, além de outro em uma cidade próxima. Além da capital, outra cidade que está muito presente é Barcelona e as cidades ao redor. Como é comum na maioria dos elencos de seleções, os grandes centros urbanos são os mais importantes na formação de jogadores.
Dos cinco nascidos em Madri, três são jogadores do Atlético de Madrid: Marcos Llorente, Koke e Álvaro Morata. Além deles, Pablo Sarabia, formado na base do Real Madrid, também é nativo da capital espanhola. Além dos nativos de Madri, Dani Carvajal, que é de Leganés, que fica próximo a Madri, também é da região.
Só um jogador de fato nasceu em Barcelona, ao menos na cidade em si, David Raya, um dos goleiros convocados, que joga pelo Brentford. Jordi Alba nasceu em L’Hospitalet, que é na região metropolitana de Barcelona. Sergio Busquets nasceu em Sabadell, que é próximo de Barcelona, enquanto Dani Olmo nasceu em Terrassa, na Catalunha.
Dos 26 convocados, 24 nasceram em território espanhol. Dois deles são nascidos fora: o zagueiro Aymeric Laporte, que iniciou a sua carreira pelo Athletic Bilbao e nasceu em uma região francesa do País Basco, e Ansu Fati, que nasceu em Guiné-Bissau, mas que foi ainda criança para a Espanha com os pais e se formou como jogador no Barcelona.
O que se percebe na geografia do elenco da Espanha é que além de Madri e Barcelona, cidades e regiões naturalmente atraentes para os jogadores, há também uma predominância de jogadores nascidos em regiões litorâneas, ou próximo disso. Robert Sánchez nasceu em Cartagena, no litoral sul, José Gaya nasceu em Pedreguer, região próxima ao litoral ao sul de Valencia, Carlos Soler nasceu em Valencia e Ferran Torres nasceu em Foios, região próxima a Valencia. Pau Torres nasceu em Villarreal, cidade também litorânea na parte do sul país.
Há também os jogadores nascidos mais ao norte, no país basco. Hugo Guillamón nasceu em San Sebastián, Unai Simón em Vitoria-Gasteiz, Nico Williams em Pamplona e César Azpilicueta em Zizur Mayor, próxima a Pamplona. Há um jogador nascido nas imediações de Sevilha, o meia Gavi, que é de Los Palacios y Villafranca, ao sul de Sevilha. É o único a representar a região.
Onde jogam
Como é de se esperar em um país que tem uma das ligas mais ricas do mundo, a maioria dos jogadores atua na própria liga espanhola. São raros os jogadores que atuam fora do país. Dos 26 convocados, 18 atuam em La Liga e oito atuam no exterior.
O clube que mais cede jogadores à seleção espanhola é o Barcelona, clube do qual Luis Enrique também foi técnico. Ele conhece muito bem o capitão Sergio Busquets e o lateral Jordi Alba, que devem ser titulares em suas posições. Eric Garcia, Gavi, Pedri, Ansu Fati e Ferran Torres são os demais jogadores do clube na lista.
Curiosamente, o Real Madrid só tem dois jogadores no elenco espanhol: Dani Carvajal, lateral direito que deve ser titular, e Marco Asensio, que deve ser reserva. O Manchester City e o PSG, com dois jogadores cada, têm mais representantes que o clube espanhol. Aliás, entre os clubes espanhóis, destaque também para o Atlético de Madrid, com três representantes: Marcos Llorente, Koke e Álvaro Morata. Há ainda dois jogadores do Athletic Bilbao, dois do Villarreal e dois do Valencia no elenco.
Dois dos que atuam no exterior, curiosamente, são goleiros: Robert Sánchez, do Brighton, e David Raya, do Brentford. Ainda há César Azpilicueta, do Chelsea, Aymeric Laporte, do Manchester City, Carlos Soler, do PSG, Rodri, do Manchester City, Dani Olmo, do RB Leipzig, e Pablo Sarabia, do PSG.
Entre os possíveis titulares de Luis Enrique, só mesmo Pablo Sarabia atua no exterior. César Azplicueta é outro que pode pintar no time titular entre aqueles que atuam fora do país. No mais, todos começam como reservas e devem tentar ganhar a posição ao longo do torneio.
Um herói em Copas
Quando se fala em Espanha na Copa, é impossível não se lembrar de Andrés Iniesta. Ele era um dos jogadores mais importantes daquela seleção espanhola de 2010 e, mais do que isso, foi absolutamente essencial para que o time conquistasse o título. Foi dele o gol que valeu aquela Copa, na prorrogação contra a Holanda.
A Espanha estava no Grupo H e começou a Copa com uma derrota para a Suíça, o que foi bastante surpreendente. Depois, venceu Honduras e Chile e se classificou ainda em primeiro lugar, com os chilenos em segundo. Uma boa dose de sufoco pela derrota inicial, mas ainda assim veio a classificação. As oitavas de final tiveram a vitória sofrida por 1 a 0 sobre Portugal, depois sobre o Paraguai, outra vez bem sofrido, e então teve a vitória sobre a Alemanha na semifinal.
Na final, o empate sem gols persistiu até que Iniesta, em uma jogada que passou por Cesc Fàbregas, Fernando Torres e, finalmente, acabou nos pés de Iniesta, que disparou um chute forte e cruzado e que estará eternamente nos corações dos espanhóis. Ele ainda fez a homenagem a Dani Jarque, seu amigo, que morreu de um ataque cardíaco súbito um ano antes, em 2009.
“Tenho claro que aquela Copa significou um antes e um depois para mim, tanto a nível pessoal quanto a profissional. Vinha de um ano muito complicado, com muitas lesões. Depois de um início de Mundial com dúvidas, fui me encontrando cada vez melhor e tudo acabou da melhor maneira. Meu sonho era ser jogador profissional. Jogar uma Copa, ganhar e ter a sorte de marcar o gol da vitória é algo que sequer sonhava. Foi uma experiência que me fez crescer como jogador e como pessoa. Isso me deu muita força”, disse Iniesta em 2020 sobre aquela experiência na Copa.
“No momento em que domino a bola, tenho claro o chute que desejo fazer e acaba no gol, como todos queríamos e todos esperávamos. Parece paradoxal escutar o silêncio, mas neste momento, em um campo de futebol com tanta gente, senti que estávamos só a bola e eu, e nesses um ou dois segundos da ação, a bola foi para dentro. Quando a bola entrou, você já imagina a alegria que vivemos, o êxtase. Esse momento é mágico para todos”, relembraria dez anos depois, à RTVE.
“Sigo sentindo as sensações do momento do gol. Desde então, é como se 11 de julho fosse meu aniversário. Chegam muitas felicitações. O futebol tem a capacidade de superar muitas barreiras. Eu me sinto um privilegiado por ter feito tanta gente feliz. É a melhor recompensa que se pode ter. A verdade é que não fico tão cômodo quando me bajulam cara a cara. Mas cada vez que as pessoas mostram seu carinho ou respeito, é algo que me enche. Um simples ‘obrigado’ me basta para entender o que significou o que alcançamos”, recontou, ao Marca.
Iniesta esteve presente em três Copas do Mundo: 2010, quando foi o grande herói, em 2014, quando a Espanha fracassou ainda na primeira fase, e a sua última, em 2018, já como veterano. Aliás, o técnico Fernando Hierro, que assumiu como interino depois de Julen Lopetegui ter sido demitido dias antes da estreia dos espanhóis na Copa, deixou o meio-campista no banco achando que poderia poupar o jogador. No fim, acabou eliminado.
Calendário
23/11 – 13h00 – Espanha x Costa Rica – Estádio Al Thumama
27/11 – 16h00 – Espanha x Alemanha – Estádio Al Bayt
01/12 – 16h00 – Japão x Espanha – Estádio Internacional Khalifa
Todos os convocados
| Número | Posição | Jogador | Data de nascimento | Clube | Jogos | Gols | Local de Nascimento |
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