Copa do Mundo

Guia da Copa do Mundo 2022 – Grupo E: Costa Rica

A Costa Rica fez história em 2014 e ainda mantém o herói Keylor Navas como seu grande trunfo para tentar repetir ao menos parte do sucesso

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A Costa Rica está entre as participantes menos badaladas da Copa do Mundo. Os Ticos se aproveitaram de uma edição das Eliminatórias na Concacaf em que o nível técnico foi abaixo do comum e descolaram a vaga na repescagem, com a vitória decisiva sobre a Nova Zelândia. A equipe até cresceu de produção depois de um início ruim no qualificatório, mas desta vez não parece tão capaz de surpreender no Mundial, especialmente ao cair num dos grupos mais cascudos do torneio. É verdade que os costarriquenhos já surpreenderam no “grupo da morte” em 2014 e alcançaram históricas quartas de final, mas as chances de isso se repetir parecem ínfimas. Muitos dos protagonistas, afinal, são remanescentes de oito anos atrás e o elenco é relativamente envelhecido, embora exista em paralelo uma coleção de novas apostas para que a sorte da equipe não dependa apenas das luvas de Keylor Navas.

Como foi o ciclo até a Copa

A Costa Rica não conseguiu reproduzir na Copa do Mundo de 2018 o impacto que a equipe teve em 2014. Foi uma fase de grupos fraca, com a eliminação imediata numa chave nivelada para cima, em que o único ponto acabou conquistado num empate contra a Suíça. O segundo semestre de 2018, aliás, dava a impressão de fim de feira. O técnico Óscar Ramírez deixou o cargo e o antigo ídolo Ronald González não conseguiu bons resultados em sua passagem interina. Os costarriquenhos emendaram derrotas para Coreia do Sul, Japão, México e Colômbia em amistosos, antes de triunfos sobre Chile e Peru.

A partir de 2019, a Costa Rica apostou na chegada do técnico Gustavo Matosas, de bom trabalho principalmente no León. O uruguaio durou apenas oito partidas, com uma morna campanha na Copa Ouro de 2019 na qual os Ticos foram eliminados nas quartas de final pelo México. E foi o próprio Matosas quem pediu demissão, reclamando da “rotina entediante” de um técnico de seleção, comparado ao que fazia nos clubes. Diante da falta de rumos, Ronald González voltou como técnico permanente e não fez nada que animasse muito. Os costarriquenhos até avançaram aos mata-matas na primeira edição da Liga das Nações da Concacaf, mas colecionando empates contra Haiti e Curaçao.

Havia uma impressão de que a Costa Rica estava em queda livre. Algo provado na retomada das atividades após a pausa provocada pela pandemia. Entre fevereiro de 2020 e junho de 2021, os Ticos fizeram dez jogos e não ganharam um sequer. A maior parte das derrotas aconteceu em amistosos, mas também houve a eliminação para o México nas semifinais da Liga das Nações. Ronald González terminou demitido no último amistoso antes da Copa Ouro de 2021, em goleada por 4 a 0 dos Estados Unidos. A aposta da federação foi Luis Fernando Suárez, este sim acostumado às seleções, após levar Equador e Honduras a Copas do Mundo.

Os sinais positivos vieram na fase de grupos da Copa Ouro, com três vitórias, apesar da queda para o Canadá nas quartas de final. Porém, o início da campanha da Costa Rica no octogonal final das Eliminatórias foi claudicante. A equipe venceu apenas um de seus primeiros sete jogos, com três empates no período. Derrotas para México, Estados Unidos e Canadá não surpreendiam tanto, mas o problema era a quantidade de pontos perdidos contra adversários mais acessíveis. A própria vaga na repescagem parecia em xeque.

A participação da Costa Rica no qualificatório teve duas fases. Os Ticos viraram a chavinha no segundo turno e tiveram a melhor pontuação nas sete rodadas finais. Conseguiram seis vitórias, inclusive quebrando a invencibilidade do Canadá, enquanto o único empate aconteceu no jogo fora de casa contra o México. Graças a isso, os costarriquenhos superaram o Panamá na tabela e terminaram na quarta colocação, que valeu um lugar na repescagem contra o representante da Oceania.

A sequência invicta da Costa Rica se quebrou na Liga das Nações, em derrota para o Panamá, mas não foi isso que atrapalhou o time na repescagem mundial. Não seria uma partida brilhante dos Ticos, longe disso, mas o gol precoce de Joel Campbell valeu a vitória por 1 a 0 sobre a Nova Zelândia e a classificação para o terceiro Mundial consecutivo – o quinto em seis possíveis neste século. Apesar de todas as desconfianças e dos percalços no ciclo, o aproveitamento ao longo de 2022 é bastante alto. É nesse acerto do time que os costarriquenhos confiam para um papel digno no Catar, apesar do nível da concorrência no duríssimo Grupo E.

Francisco Calvo, da Costa Rica (Joe Allison/Getty Images)

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Como joga

A Costa Rica variou razoavelmente suas opções táticas ao longo dos últimos meses. Luis Fernando Suárez apostou mais num sistema pautado no 4-2-3-1, mas não teve problemas em organizar o time de maneira diferente conforme o adversário e também conforme as peças à disposição. Chegou a entrar com três zagueiros, com um losango no meio-campo e com dois atacantes – o que se tornou mais frequente nos jogos recentes. O que se espera de padrão é um time mais físico para fechar o seu sistema defensivo, com um pouco mais de velocidade no ataque. Até pela média de idade elevada dos Ticos, a aposta tende a ser num trabalho mais de marcação e chances pontuais de buscar os gols, sobretudo nas bolas paradas.

Não tem como pensar numa Costa Rica viva na Copa do Mundo sem Keylor Navas. E pouco importa que o veterano tenha perdido espaço no Paris Saint-Germain. A campanha nas Eliminatórias dependeu bastante dos milagres do goleiro, que sofreu apenas dois gols quando a equipe engrenou no segundo turno. É um herói nacional desde 2014 e sabe que provavelmente esta será sua última Copa, aos 35 anos.

O miolo de zaga se escora em outros trintões. Francisco Calvo é uma opção mais técnica e um dos raros nomes na Europa, atualmente no Konyaspor da Turquia, após longa trajetória na MLS. Foi crucial na defesa pouco vazada na reta final das Eliminatórias. O favorito para acompanhá-lo é Óscar Duarte, um dos capitães do time e remanescente de 2014, que defende o Al-Wehda no futebol da Arábia Saudita. Quem também pode tornar o sistema mais sólido com três beques é Kendall Waston, outro com bagagem na MLS, embora tenha voltado ao Saprissa. E a lista de símbolos da seleção perde na lateral direita Cristian Gamboa, que vem de bons anos com o Bochum na Bundesliga, mas não é convocado desde 2020. Keysher Fuller, bem menos experimentado no Herediano, ganhou o posto. Na esquerda, Ronald Matarrita é o titular se estiver em boas condições ao retornar de grave contusão, mas Bryan Oviedo serve de alternativa até mais rodada com os Ticos. Ambos jogam atualmente na MLS, embora Oviedo tenha passado boa parte da carreira na Europa.

O meio-campo da Costa Rica começa com Celso Borges, essa é a maior certeza. Mesmo com o retorno recente à Alajuelense, o volante é uma liderança indispensável da Costa Rica há mais de uma década. O velho conhecido da seleção que costuma acompanhá-lo no setor é Yeltsin Tejeda, mais um com Mundiais no currículo e que voltou para o país com a camisa do Herediano. Caso o treinador opte por um meio-campo com três homens, o candidato a atuar mais solto na ligação por dentro é Gérson Torres, ídolo do Herediano que também funciona na ponta direita. Deu contribuições importantes nas Eliminatórias e é uma das alternativas que ganharam espaço mais recentemente.

Bryan Ruiz tem 37 anos e passa distante do jogador que já foi. A passagem recente pela Alajuelense não é tão ruim como a pelo Santos, mas o que sustenta seu moral na seleção é mesmo a história. Um dos favoritos de Luis Fernando Suárez, costuma entrar no segundo tempo dos jogos. Assim, a formação do ataque conta com outras peças. Quem preenche o lado direito é Gérson Torres ou então Joel Campbell. O atacante não tem a explosão de outros tempos, mas é uma lenda da equipe nacional e foi herói nas Eliminatórias. Também pode ser usado como centroavante, em função na qual Anthony Contreras se tornou nome mais constante na reta final do ciclo. O jovem de 22 anos acumula gols no futebol local. Já na esquerda, a arma mais recente da Costa Rica é Jewison Bennette, de 18 anos. O garoto pode ser encaixado de outras formas e foi a sensação do time nos compromissos recentes, essencial inclusive na repescagem.

>>> Confira análise de todas as seleções no canal de YouTube do Rafa Oliveira

Keysher Fuller e Keylor Navas, da Costa Rica (Joe Allison/Getty Images)

Donos do time

Keylor Navas pode ser considerado o maior jogador da Costa Rica na história. A carreira do goleiro fala por si. Nenhum outro atleta do país teve o destaque do camisa 1 no futebol europeu. Já era um dos melhores arqueiros de La Liga nos tempos de Levante, antes de se tornar multicampeão no Real Madrid e um dos pilares no tricampeonato da Champions League. Sua saída do Bernabéu sempre foi questionável do ponto de vista técnico, sem tantas justificativas, mas o veterano também viveu ótimos momentos com o Paris Saint-Germain. E mesmo que acabe como reserva nesta temporada no Parc des Princes, após quase sair para o Napoli, não é isso que diminui seu status.

Pode até ser que a falta de ritmo impacte na forma de Keylor Navas. Entretanto, não é o que deve prejudicar o protagonismo do goleiro. Seu status lendário em Copas do Mundo já foi atingido em 2014, quando proporcionou o milagre da Costa Rica até as quartas de final e fatalmente esteve entre os melhores goleiros da competição – talvez só atrás de Manuel Neuer. E se em 2018 ele não evitou a eliminação precoce, não é exagero dizer que os Ticos só estarão em 2022 por causa de Navas. O desempenho do arqueiro nas Eliminatórias foi impressionante, mesmo nas sequências de derrotas. Quando a equipe engrenou no segundo turno, os placares magros bastavam graças ao milagreiro.

Em representatividade para a seleção, Joel Campbell é quem se aproxima de Navas. O atacante tem uma carreira errante por clubes, em que não se firmou nas grandes ligas mesmo com inúmeras chances e mais recentemente passou a rodar pelo México. Porém, na seleção a presença do atacante é constante. Está entre os cinco jogadores que mais defenderam os Ticos, aos 30 anos, e é candidato a tomar o recorde dentro de alguns anos. Não tem mais a explosão de outros tempos, mas oferece uma liderança técnica e uma capacidade de decisão importante. Não à toa, o gol que levou os costarriquenhos para o Catar foi anotado por Campbell.

Já o eixo principal da Costa Rica no meio-campo é Celso Borges. O recordista em jogos da seleção costarriquenha possui a história do futebol de seu país correndo no sangue, filho do alagoano Alexandre Guimarães, jogador em 1990 e técnico em 2002 e 2006. Aos 34 anos, o veterano também carrega uma boa experiência dos clubes, sobretudo pelos tempos de Deportivo de La Coruña. Atualmente voltou para casa na Alajuelense, mas não perde a importância pela capacidade na construção e também pelo perigo no jogo aéreo. Em alguns momentos, vai poder se associar no meio com Bryan Ruiz, este num momento claro de queda. O torcedor santista não quer nem lembrar do medalhão de 37 anos, hoje na Alajuelense, mas ele permanece como um dos capitães e uma opção para momentos pontuais na armação. Não à toa, seu nome foi garantido na convocação meses antes da divulgação da lista final.

Brandon Aguilera, da Costa Rica (Arnoldo Robert/Getty Images)

Caras novas

A Costa Rica não possui tantas esperanças para se apegar. A principal delas é Jewison Bennette. A ascensão do ponta de 18 anos caiu dos céus para os Ticos. O adolescente apareceu muito bem no Herediano e, pelo futebol incisivo, Juan Fernando Suárez não demorou a convocá-lo na reta final das Eliminatórias. Tanto é que o novato seria titular na repescagem contra a Nova Zelândia e, mais do que isso, ofereceu a assistência para o gol da classificação. Depois disso, também foi o grande nome do time no empate contra a Coreia do Sul em amistoso. O prodígio deixou o Campeonato Costarriquenho no meio do ano, levado para o Sunderland. Também agradou na Championship. É um diferencial técnico por sua habilidade no um contra um.

Outro sangue novo da Costa Rica no ataque é Anthony Contreras. O jovem de 22 anos é cria do Herediano, mas rodou por vários clubes diferentes do país em empréstimos, com seu melhor momento no Guanacasteca. Foi o que o levou para a seleção principal, já na reta final das Eliminatórias. Fez gols decisivos contra El Salvador e Estados Unidos, combinando-se bem com Joel Campbell. Seria importante também em seu retorno ao Herediano, clube com mais nomes na lista atual. É um atacante de mais potência e força, mas que também se movimenta bem pelos lados.

Quem pode reivindicar seu espaço é Brandon Aguilera. O meia de 19 anos está entre os mais jovens do elenco e despontou na Alajuelense, mas também aproveitou um empréstimo ao Guanacasteca. Foi tão bem que acabaria comprado pelo Nottingham Forest, embora o clube inglês tenha mantido seu empréstimo ao futebol local. Foi outra aposta de Juan Fernando Suárez nas Eliminatórias e deu assistência na vitória sobre os Estados Unidos. Joga como um camisa 10 que distribui bem o jogo e bate bem na bola, útil em cobranças de falta e escanteio.

Luis Fernando Suárez, técnico da Costa Rica (EZEQUIEL BECERRA/AFP via Getty Images)

Técnico

Poucos treinadores no futebol de seleções têm a experiência de Luis Fernando Suárez. O colombiano teve uma carreira respeitável como jogador, em que fez parte do forte Atlético Nacional dos anos 1980. E a ligação com Francisco Maturana facilitou para que ele se tornasse assistente do histórico técnico nos anos 1990, inclusive na seleção equatoriana. Ao se tornar treinador principal, Suárez dirigiu clubes tradicionais em seu país como o Atlético Nacional e o Deportivo Cali. Isso até que em 2004 ele assumisse a seleção do Equador e fizesse bom trabalho, ao levar La Tri às oitavas de final da Copa do Mundo de 2006. Dirigiria outros clubes na sequência de sua carreira, antes de ter sucesso também com Honduras. Foram quatro anos de trabalho, que renderam a vaga no Mundial de 2014.

Nos últimos oito anos, Luis Fernando Suárez voltou a trabalhar em clubes. Teve experiências no Universitario de Lima e no Dorados de Sinaloa, além de rodar pelo Campeonato Colombiano. Foi uma boa sacada da Costa Rica quando recebeu o convite da federação em 2021, diante da bagunça que imperava nos Ticos. Tornou-se o nome certo para botar ordem na casa e promover as estreias de muitos jogadores, mesmo que os resultados tenham levado um tempo para realmente se encadearem. Prestes a completar 63 anos, Cebolla Suárez será um dos treinadores mais velhos do Mundial. A mera chance de participar de sua terceira Copa, ainda assim, já coloca seu nome em uma galeria especial de comandantes latino-americanos.

A geografia do elenco

Com 5,2 milhões de habitantes, a Costa Rica concentra sua população na região metropolitana da capital San José. Cerca de 3,2 milhões de pessoas vivem na conurbação, que inclui até mesmo capitais das províncias do interior. Assim, é natural que a maior parte do elenco venha de lá. São oito jogadores de San José, com outros cinco nascidos em cidades vizinhas como Heredia e Alajuela, casas de Herediano e Alajuelense.

Saindo um pouco da capital, há mais integrantes do elenco que nasceram na região central da Costa Rica, mesmo que em outras províncias como Cartago. Keylor Navas é um raro representante mais ao sul do território, mas dentro da província de San José.  E a presença dos atletas das áreas litorâneas é menor. Há apenas um jogador da Costa do Pacífico, Anthony Hernández, de Puntarenas. Mais numerosos são os representantes de Limón, no Caribe, num total de sete atletas. É uma região com proporção significativa de afro-caribenhos, 16% da população.

O único jogador nascido no exterior é o zagueiro Óscar Duarte. Ele é de Catarina, na Nicarágua, perto da capital Manágua. O defensor se mudou na infância para a Costa Rica e virou um símbolo do diálogo entre dois países que possuem conflitos pela definição de fronteiras. Duarte adota um discurso bastante apaziguador, ao dizer que representa ambas as nações. Outro com sangue nicaraguense é o lateral Carlos Martínez, de 22 anos, filho de pais nascidos no país vizinho. O defensor nasceu na região metropolitana de San José, mas passou parte da adolescência em Senegal, quando foi levado para a filial local da Aspire Academy do Catar.

Por fim, há o caso curioso de Celso Borges. É notório que o pai do volante é Alexandre Guimarães, brasileiro de nascimento que virou um dos principais nomes da história do futebol costarriquenho. Guimarães se mudou para o país aos 12 anos, quando seu pai, um médico, participou de um projeto para combater a malária na Costa Rica. Por lá se estabeleceu, fez carreira como jogador e virou não apenas atleta dos Ticos, como também treinador. Borges nasceu em 1988, dois anos antes que seu pai disputasse a Copa de 1990. Um detalhe interessante é que Alexandre Guimarães adotou o sobrenome da mãe em sua carreira profissional e Celso Borges leva o sobrenome do avô paterno, já que não foi registrado como Guimarães.

Onde jogam

Durante as primeiras aparições da Costa Rica na Copa do Mundo, o elenco era dominado pelos clubes locais. Em 1990, os 22 convocados atuavam no Campeonato Costarriquenho. Eram 20 jogadores em 2002 e 2006. O fluxo para o exterior se tornou maior apenas recentemente, e com claro impacto do sucesso mundialista. Se em 2014 eram nove atletas nas equipes do país, apenas um permanecia nos times costarriquenhos em 2018 – quando a MLS era a liga mais representada, com seis futebolistas. Atualmente, esse movimento se inverteu. Muitos dos veteranos retornaram ao país, enquanto os jovens talentos que despontam na convocação também continuam no futebol local.

A lista de 26 nomes para 2022 tem 15 jogadores em atividade no Campeonato Costarriquenho. A maioria se divide entre o trio de ferro local: seis atletas do Herediano, três do Saprissa e outros três da Alajuelense. Grecia, Puntarenas e San Carlos também deram sua contribuição. São apenas cinco jogadores na Europa, com menção óbvia a Keylor Navas no PSG. Dois garotos acabaram de chegar à Inglaterra, através de Sunderland e Nottingham Forest, enquanto os outros figuram no Lugo (da segundona espanhola) e no Konyaspor (do Campeonato Turco). Ainda há cinco espalhados por outros países da América. Três deles estão na MLS, enquanto há também Joel Campbell no León e Juan Pablo Vargas no Millonarios.

O goleiro Luis Gabelo Conejo fez história pela Costa Rica (Wiki Commons)

Um herói em Copas

A Costa Rica apareceu para o mundo do futebol na Copa de 1990. Os Ticos aproveitaram um cenário favorável, em que o México havia sido suspenso para as Eliminatórias, mas deixaram expressos seus méritos no Mundial da Itália. A equipe venceu Escócia e Suécia, atrás apenas do Brasil no Grupo C. Caiu nas oitavas de final, mas seria uma surpresa numa competição em que seleções ascendentes mostraram seu valor. O grande nome dos costarriquenhos seria exatamente seu goleiro, Luis Gabelo Conejo, eleito ao lado de Sergio Goycochea como um dos melhores daquela edição.

Conejo foi monstruoso na fase de grupos. O goleiro pegou até pensamento no 1 a 0 contra a Escócia, com dois milagres à queima-roupa. Também colecionou defesas contra o Brasil, algumas dificílimas em cobranças de falta, mas chute desviado de Müller resultou na derrota por 1 a 0. Já a Suécia abriu o placar no rebote de uma defesaça do camisa 1, mas ele seria essencial para não deixar a diferença aumentar e permitiu que a Costa Rica virasse em 2 a 1. Para a infelicidade dos Ticos, Conejo lesionou o ombro contra os escandinavos. Tornou-se um desfalque muito sentido diante da Tchecoslováquia, que goleou por 4 a 1 nas oitavas de final e eliminou os costarriquenhos.

Curiosamente, Conejo disputou apenas 29 partidas pela Costa Rica, de 1987 a 1991. O goleiro defendeu Ramonense e Cartaginés antes da Copa de 1990 e, com a projeção alcançada no Mundial, se transferiu ao Albacete. Teria bons momentos na Espanha, num time histórico do Albacete que pela primeira vez alcançou a primeira divisão espanhola e ganharia o sugestivo apelido de “Queijo Mecânico”. Depois, voltaria para defender Herediano e novamente Ramonense em seu país. Após a aposentadoria, Conejo retornou à seleção como treinador de goleiros. Tornou-se uma figura essencial na afirmação de Keylor Navas, treinado por ele desde os 14 anos, e ainda abriu as portas para o pupilo no futebol espanhol: foi através de uma indicação do veterano que Navas assinou com o próprio Albacete em 2010.

Calendário

Costa Rica x Espanha – 23/11, 13h
Costa Rica x Japão – 27/11, 7h
Costa Rica x Alemanha – 01/12, 12h

Todos os convocados

NúmeroPosiçãoJogadorData de nascimentoClubeJogosGolsLocal de Nascimento
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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