Copa do Mundo

Guia da Copa do Mundo 2022 – Grupo D: Austrália

Não é a seleção australiana mais talentosa de todos os tempos e, em um grupo difícil, sua passagem pelo Catar pode não ser bonita

Este texto faz parte do Guia da Copa do Mundo 2022. Clique aqui para ler os outros.

A classificação da Austrália para a Copa do Mundo veio aos trancos e barrancos e com muito sufoco. Esta será a sétima Copa do Mundo dos Socceroos, mas as expectativas desta vez são baixas. Não só porque a classificação veio na bacia das almas em uma disputa de pênaltis com o Peru, mas porque o elenco é o mais fraco desde que os australianos voltaram à Copa do Mundo em 2006.

Ao contrário de outros momentos, a Austrália não tem jogadores de destaque atuando no futebol europeu e, a rigor, mesmo coadjuvantes estão em falta. São poucos os que podem ser apontados como destaque e o fato de muitos veteranos convocados atuarem na própria liga australiana mostra que faltam jogadores do mais alto nível para o time.

A presença em um grupo que tem a campeã do mundo, França, e a Dinamarca, semifinalista da última Eurocopa e uma seleção que vive uma grande fase, além da Tunísia, o adversário mais acessível entre os três, implica que será preciso uma grande surpresa para que os Socceroos repitam a sua melhor campanha e cheguem às oitavas de final.

Como foi o ciclo até a Copa

Após a eliminação da Austrália na fase de grupos da Copa 2018, o holandês Bert van Marwijk deixou o cargo e foi contratado Graham Arnold. A missão, claro, era voltar à Copa do Mundo, mas antes o time teria desafios regionais importantes, como a Copa da Ásia, já em 2019.

A Austrália ficou no Grupo B, ao lado de Jordânia, Palestina e Síria. Os australianos já perderam na estreia para a Jordânia, o que foi um péssimo sinal, mas depois venceram a Palestina e a Síria para avançarem em segundo lugar. Nas oitavas de final, os Socceroos só superaram o Uzbequistão nos pênaltis, depois de empate por 0 a 0. Na fase seguinte, quartas de final, a Austrália perdeu dos Emirados Árabes Unidos, donos da casa. Uma campanha que ligou alertas de que havia um problema no time.

A caminhada comandada por Graham Arnold seria mesmo bastante longa rumo ao Catar. Não só pela dificuldade que se apresentava para um time muito pior do que em ciclos anteriores, mas também em termos quantitativos: foram 20 jogos de Eliminatórias, contando a repescagem para que chegasse ao Catar no último momento possível e de forma dramática.

As Eliminatórias Asiáticas acontecem por fases, de acordo com o ranking do time. A Austrália, que é considerada uma das potências, entrou na segunda fase. Passou com tranquilidade pelo Grupo B, que tinha Kuwait, Jordânia, Nepal e Taipei. A terceira fase é quando o bicho pega mesmo na Ásia e todos os pesos pesados se enfrentam por quatro vagas. Foi quando a Austrália mostrou suas fragilidades.

Os Socceroos estavam no Grupo B, com Arábia Saudita, Japão, Omã, China e Vietnã. O início foi bom: foram três vitórias nos três primeiros jogos, contra China (3×0), Vietnâ (1×0) e Omã (3×1). O problema veio na quarta rodada, contra o Japão, que vinha titubeante com duas derrotas e uma vitória. Os japoneses venceram por 2 a 1. A Austrália perdeu pontos em casa ao empatar com a Arábia Saudita por 0 a 0 em seguida. Venceu o Vietnã por 4 a 0, mas viria novo confronto com o Japão e nova derrota, desta vez em casa: 2 a 0. Os japoneses carimbaram o passaporte ao Catar nesse jogo. Os australianos ainda perderam da Arábia Saudita por 1 a 0 na última rodada.

Com isso, a Austrália ficou em terceiro no seu grupo e foi para a repescagem asiática contra os Emirados Árabes Unidos, algozes na Copa da Ásia em 2019. O duelo, realizado em Doha, no Catar, já em junho de 2022, foi duro, mas a Austrália venceu por 2 a 1.

Dias depois, os australianos enfrentariam um desafio mais difícil: o Peru, em Al Rayyan, novamente no Catar e também em jogo único. O empate por 0 a 0 prevaleceu no tempo normal e na prorrogação. Antes das cobranças, o técnico Graham Arnold sacou o goleiro e capitão Mathew Ryan e colocou em campo Andrew Redmayne. O goleiro reserva foi bastante espalhafatoso, provocou e, no fim, saiu como herói ao defender a última cobrança e classificar o time à Copa. Foi sofrido, mas os Socceroos também carimbaram o seu passaporte rumo ao Catar. Com muito choro e ranger de dentes.

Mat Ryan cumprimenta os companheiros (Foto: KARIM JAAFAR/AFP via Getty Images/One Football)

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Como joga

Não foi só nos resultados que o time da Austrália sofreu muito. O desempenho australiano foi bastante sofrível. A saída de bola era feita pelo zagueiro Trent Sainsbury, que ficou um tempo afastado e só neste segundo semestre voltou a jogar pelo Al-Wakrah, do próprio Catar. Embora seja genro do técnico, ficou for a da lista final. Assim, é de se esperar que a saída seja mais frágil e provavelmente buscando os laterais ou então com Aaron Mooy recuando para ajudar.

O estilo de jogo é de muita limitação técnica e bastante imposição física. Alguns maldosos poderiam dizer que esse é o estilo tradicional australiano e, a rigor, não estariam errados. O problema é que o time normalmente teve jogadores técnicos importantes que ajudavam a colocar um pouco de óleo na máquina e fazer funcionar com mais eficiência. Desta vez, não há jogadores do mais alto nível técnico que podem amaciar o jogo da Austrália. É de se esperar muita bola longa, velocidade pelos lados em transições muito rápidas e muita, muita bola aérea. Isso, claro, além de buscar bolas paradas para aproveitar esse potencial aéreo.

Os pontas da Austrália devem exercer bastante protagonismo no jogo do time. Martin Boyle, pela direita, é provavelmente a principal arma em velocidade. Mabil, pela esquerda, tem a velocidade, mas sua característica mais importante é que é o jogador mais capaz de partir no um contra um. Ajdin Hrustic deve ser o articulador no meio e não é exatamente um jogador da mais alta classe, mas tem bom passe e chuta muito forte. É o que dá para esperar dele.

No ataque, a Austrália sente mais ainda a falta dos nostálgicos Mark Viduca e Tim Cahill. O atacante é Jamie Maclaren, um ídolo local do Melbourne City, mas que não passa nem perto de um centroavante capaz de decidir por si. Aos 29 anos, é um goleador local importante, mas nunca conseguiu se provar no futebol europeu. Suas passagens por Blackburn, Damstadt e Hibernian não tiveram destaque. Só conseguiu brilhar e ser ídolo no Melbourne City. Na falta de outros nomes por ali, será o homem de referência.

Se tecnicamente não é referência, a Austrália ainda é um time fisicamente muito forte. Em um time que tem tantos problemas, essa característica deve se exacerbar. Não se assuste se o seu artilheiro for Harry Souttar, o zagueirão de 2,01 metro de altura que joga no Stoke City. Sim, no Sotke, um time que já foi conhecido em um passado não muito distante pelas suas bolas aéreas. No caso australiano, será exatamente isso.

Time-base: Matthew Ryan; Fran Karacic, Harry Souttar, Kye Rowles, Aziz Behich; Aaron Mooy e Jackson Irvine; Martin Boyle, Ajdin Hrustic e Awer Mabil; Jamie Maclaren.

>>> Confira análise de todas as seleções no canal de YouTube do Rafa Oliveira

Ajdin Hrustic, da Austrália (Foto: Joe Allison/Getty Images/One Football)

Donos do time

O grande nome da seleção australiana é Ajdin Hrustic, de 26 anos, que atua no Verona. É o meio-campista responsável pela criação de jogadas da Austrália e é também o jogador das bolas paradas, que serão cruciais no setor ofensivo. O chute de fora da área é um trunfo que pode também ser importante e a sua capacidade de se desmarcar será importante. Canhoto, com boa altura, com 1,83 metros, é quem está em melhor fase entre os australianos – e que joga em uma liga mais competitiva também.

Outro jogador de meio-campo importante pelo estilo de jogo da Austrália é Jackson Irvine. Aos 29 anos, atua no St. Pauli, onde é um líder da equipe e veste a braçadeira de capitão. Com 1,89 metros, é um jogador que se impõe fisicamente e atua com liberdade na seleção australiana para sair de segundo volante e chegar até as imediações da área adversária. Pode ser uma ameaça vindo de trás ou pelo alto, chegando de surpresa. Por tudo isso, é um jogador importante para o técnico Graham Arnold.

O ataque tem um jogador que não é brilhante, mas que exerce a sua função de forma muito eficiente se tiver espaço: Martin Boyle. O jogador do Hibernian é o típico ponta britânico. Baixinho e rápido, ele coloca os seus marcadores para correr e normalmente os deixa para trás se tiver espaço para isso. Não é dos mais habilidosos quando tem a bola no um contra um, mas se depender de velocidade pura, vai dar uma canseira. Embora não seja um goleador, faz muitos gols: na atual temporada, fez cinco gols em 12 jogos. Pelo Hibernian, seu clube atual e pelo qual tem sua terceira passagem, foram 277 jogos com 68 gols marcados e 54 assistências.

Jason Cummings, da Austrália (Foto: Fiona Goodall/Getty Images/One Football)

Caras novas

Jason Cummings é um australiano por adoção, já que tem ascendência escocesa pela sua mãe. Desde janeiro, defende o Central Coast Mariners, depois de fazer a sua carreira na Escócia, país onde nasceu, e na Inglaterra. Só conseguiu a documentação para defender a Austrália neste ano e estreou em um amistoso com a Nova Zelândia, em setembro. Fez um gol e já vai para a Copa do Mundo pelo país que adotou, aos 27 anos de idade.

Keanu Baccus é um volante de 24 anos que nasceu em Durban, na África do Sul, mas foi criado na Austrália. Iniciou a sua carreira pelo Western Sydney, em 2017, foi para o futebol europeu nesta temporada. Em julho, foi para o St. Mirren, da Escócia. Foram 14 jogos até aqui, todos eles como titular, com dois gols marcados e uma assistência. Estreou pela seleção australiana em setembro, contra a Nova Zelândia, depois de defender o time sub-23 do país.

Garang Kuol é o mais jovem do elenco da Austrália, com apenas 18 anos. Sua incrível história por ser um refugiado que escapou da guerra no Sudão do Sul, nascido no Egito, para chegar à Austrália e se tornar jogador de futebol é saborosa por si só, mas vai além disso: o seu talento chamou a atenção no Central Coast Mariners e já está acertado com o Newcastle. Pode atuar em qualquer posição do ataque e há muita expectativa nos ombros do garoto, que possivelmente terá alguns minutos na Copa.

Graham Arnold (e), técnico da Austrália, conversa com Tim Cahill (Foto: Dan Mullan/Getty Images/One Football)

Técnico

Graham Arnold é um técnico que não tem muitos feitos na carreira. Aos 59 anos, começou como assistente técnico na própria seleção australiana, de 2000 a 2006, além de ter até assumido interinamente, por oito jogos, entre julho de 2006 e dezembro de 2007. Depois, voltaria a ser assistente técnico até 2009.

Construiu a sua carreira pelo Central Coast Mariners, onde ficou de 2010 a 2013 e foi campeão nacional em 2013. Teve uma brevíssima experiência no Vegalta Sendai, no Japão, por oito jogos, antes de retornar ao país natal para dirigir o Sydney FC. Foi onde ficou mais tempo, de maio de 2014 a abril de 2018, com dois títulos: a liga australiana, em 2017, e a Copa da Austrália, em 2018. Estava, portanto, em alta quando chegou à seleção australiana.

Sua trajetória tem sido errática, com mais pontos baixos do que pontos altos. A campanha nas Eliminatórias era considerada um desastre quando o time foi para a repescagem, mas ter conseguido a classificação, aos trancos e barrancos, rendeu elogios. É um técnico que confia muito em um jogo de força física, de transições rápidas e bolas paradas. É, portanto, a cara da Austrália. Ele parece realista: sabe que o time não tem condições de brigar de peito aberto e tentará ferir usando as armas que tem. Isso pode ser uma virtude, embora qualquer coisa que não seja uma eliminação precoce parece bom demais.

A geografia do elenco

Duas das cidades mais famosas da Austrália estão também entre as dominantes no elenco de 26 convocados da Austrália. Melbourne é a primeira, onde nasceram quatro dos 26 convocados: os defensores Aziz Behich e Bailey Wright, o meio-campista Jackson Irvine e o atacante Mathew Leckie. A segunda cidade com mais jogadores representados é Sydney, com três: o goleiro Danny Vukovic, o meio-campista Aaron Mooy e o meio-campista Cameron Devlin.

Embora sejam poucos jogadores nascidos efetivamente nas cidades de Melbourne e Sydney, muitos são da região. Há dois nascidos relativamente próximos a Sydney e outros dois um pouco mais ao sul da cidade. Há outros dois jogadores nascidos nas proximidades de Melbourne. Por fim, há um nascido em Adelaide, outra cidade importante da Austrália, com outro nas proximidades. Ou seja: as grandes regiões metropolitanas da Austrália são influentes neste elenco.

O jogador que nasceu em uma região, digamos, mais diferente do elenco é Nathaniel Atkinson, que atualmente defende o Hearts, da Escócia. Ele é nascido em uma região bastante conhecida da Austrália: a Tasmânia. Ele nasceu em Launceston, que fica na ilha, mas migrou para Melbourne para jogar no Melbourne City antes de partir para a aventura europeia pelo Hearts.

O elenco da Austrália, porém, é bastante internacional. Há três escoceses, dois croatas, dois quenianos, um sul-africano e um sudanês, totalizando assim nove estrangeiros. Harry Souttar tem a mãe australiana e defendia a Escócia nas categorias sub-17 e sub-19. Mudou a sua associação para ser convocado pela Austrália em 2019, quando jogou as Eliminatórias contra o Nepal. Ele jogou também as Olimpíadas de Tóquio pelo país, em 2021.

Martin Boyle chegou a jogar pela seleção sub-16 da Escócia, mas nunca teve chance na seleção principal, apesar do técnico Alex McLeish ter dito que considerou em maio de 2018 a convocação do jogador, que se machucou. Como o seu pai é australiano, nascido em Sydney, ele tinha a possibilidade de tirar o passaporte australiano. Foi o que ele fez: em outubro de 2018, foi convocado para defender os Socceroos, mas só estrearia em novembro, quando sua documentação estava regularizada.

Por fim, o último dos escoceses do elenco é Jason Cummings, que defendeu as seleções escocesas sub-19 e sub-21 e chegou a defender a principal em amistosos. Como é descendente de australiano pela sua mãe, ele decidiu defender o país em 2021. Sua estreia só aconteceria neste ano, o ano da Copa, em 2022, em amistosos contra a Nova Zelândia e acabou no elenco final.

A história de Milos Degenek tem a ver com a guerra. Nascido em Knin, na Croácia, em 1994, ainda vivia uma situação de guerra na Iugoslávia. A sua origem étnica é sérvia e seus pais fugiram para Belgrado durante a guerra. Em 2000, sua família imigrou para a Austrália, onde ele cresceu. Começou a sua carreira internacional pelo time sub-17 da Austrália, brevemente defendeu a Sérvia sub-19, mas retornaria a defender a Austrália no time olímpico, sub-23, e depois no principal.

Fran Karacic é outro dos croatas do elenco. Nascido em Zagreb, ele conseguiu autorização para jogar pela Austrália porque o seu pai é nascido no país. Assim, ele teve direito ao passaporte e estreou em 2021 pela seleção do país, em um jogo de Eliminatórias contra o Kuwait.

O caso de Thomas Deng é outro que tem a ver com guerra. Nascido em Nairobi, no Quênia, ele é de uma família de sudaneses do sul que fugiam do conflito. Ele nasceu em um campo de refugiados e a família conseguiu emigrar para a Austrália em 2003, quando Deng tinha seis anos. Foi lá que cresceu e, assim, defendeu a Austrália desde a categoria sub-20, passando pela sub-23 e chegando ao time principal.

Keanu Baccus nasceu em Durban, na África do Sul, mas emigrou para a Austrália ainda criança. Foi na escola que ele se inspirou a jogar futebol graças a um ídolo australiano, Mark Schwarzer. Defendeu a Austrália no sub-20, sub-23 e estreou na seleção neste ano de 2022.

O último dos estrangeiros de nascimento é Garang Kuol, que é mais um jogador refugiado. Filho de pais do Sudão do Sul, emigrou para a Austrália ainda criança e defendeu a seleção sub-20 do país e rapidamente foi para o time principal. Aos 18 anos, será o caçula do elenco no Catar e é a principal esperança australiana para o futuro, já que vai para o Newcastle em janeiro.

Onde jogam

As duas ligas com mais jogadores no elenco da Austrália são a Escócia e a própria liga australiana, com sete jogadores cada. Aziz Behich, no Dundee, Nathaniel Atkinson, no Hearts, Kye Rowles, também do Hearts, Aaron Mooy, no Celtic, Keanu Baccus, no St. Mirren, Cameron Devlin, no Hearts, e Martin Boyle, no Hibernian. Chama a atenção que há três jogadores do Hearts, o clube que mais cedeu jogadores, junto com o Central Coast Mariners, da Austrália.

Sete jogadores do elenco atuam na liga australiana, o que, neste caso, não é das melhores notícia porque ela não é conhecida por ser de um grande nível e, normalmente, seus principais destaques rapidamente migram para o futebol de outros países, mais fortes tecnicamente e economicamente.

Esse aspecto de muitos jogadores locais poderia ser minimizado se estivéssemos falando apenas de jovens, mas não é bem o caso. Danny Vukovic, 37 anos, Andrew Redmayne, 33, Mathew Leckie, 31, Jamie Maclaren, 29, Craig Goodwin, 30 e Jason Cummings, 27, são jogadores já experientes, alguns com passagens pelo futebol europeu, mas em baixa e, por isso, estão na Austrália. A única exceção é Garang Kuol, que tem apenas 18 anos e já mostrou bastante talento, tanto que já foi contratado pelo Newcastle e se incorpora à equipe inglesa em janeiro.

O futebol europeu, porém, segue sendo a base: são 16 jogadores atuando no continente. O problema é que poucos deles são realmente destaques no mais alto nível. O capitão Mathew Ryan, por exemplo, de 30 anos, atua no Copenhague, na Dinamarca, longe dos grandes centros. Aaron Mooy, de 32 anos, é provavelmente o jogador de mais destaque. O meia atua no Celtic, tem um longo histórico especialmente na Inglaterra, além de ter passado pela China.

Dois atuam na Itália, com Fran Karasic, no Brescia, e Ajdin Hrustic, no Verona. Um jogador atua na Alemanha, Jackson Irvine, no St. Pauli. Há ainda três jogadores que atuam na Inglaterra: Bailey Wright, do Sunderland, Harry Souttar, do Stoke e Riley Mcgree, do Middlesbrough. A Espanha também tem um jogador no elenco: Awer Mabil, do Cádiz.

Além da Europa, há um jogador atuando nos Estados Unidos, pela MLS, com Milos Degenek, no Columbus Crew. Outros dois atuam no Japão, Thomas Deng, que joga pelo Albirex Niigata, e Mitchell Duke, no Fagiano Okayama.

“Obrigado pelas memórias, Tim” (Foto: DAVID MOIR/AFP via Getty Images/One Football)

Um herói em Copas

A primeira participação da Austrália em Copas foi em 1974, mas foi na segunda, já em 2006, que o país realmente marcou época. A primeira vitória da história dos Socceroos na Copa do Mundo veio na estreia daquela Copa, no dia 12 de junho de 2006, em um jogo contra o Japão. Naquele dia, um jogador que seria marcante na história do futebol do país brilharia: Tim Cahill.

Cahill, então com 26 anos, atuava pelo Everton, mas começou o jogo como reserva. No ataque, a Austrália tinha dois jogadores bastante badalados na época: Harry Kewell e Mark Viduka, que fizeram seus nomes no futebol inglês. Cahill entrou em campo aos oito minutos, no lugar de Mark Bresciano.

A Austrália perdia por 1 a 0. Aos 39 minutos, Cahill empatou o jogo. Aos 44, virou para 2 a 1. Os australianos ainda fariam outro gol nos acréscimos, com John Aloisi. A vitória por 3 a 1 marcaria a primeira da história da Austrália. O time cairia nas oitavas de final diante da Itália, que seria a campeã, com um pênalti que não existiu e que Francesco Totti converteu. É, até hoje, a melhor campanha australiana em Copas.

Tim Cahill, porém, escreveria uma história incrível e estaria com a Austrália em outras três Copas: 2010, 2014 e 2018, a última antes de pendurar as chuteiras. Em 2010, a Austrália venceria a segunda partida na história das Copas, no último jogo da fase de grupos, contra a Sérvia por 2 a 1. Tim Cahill marcou naquele jogo, assim como no primeiro. Em 2014, Cahill marcou o seu nome na história com um golaço contra a Holanda, em um jogo em Porto Alegre, mas os australianos perderam os três jogos e acabaram eliminados na fase de grupos.

Sua última participação em Copas seria muito mais discreta. Como reserva, ele entrou apenas no último dos três jogos dos Socceroos, que teve só um empate e duas derrotas. Cahill fecharia a sua participação em Copas entrando no segundo tempo da derrota para o Peru. Sua história já tinha muitos capítulos de glória e que ficarão eternamente gravados no coração dos australianos.

Calendário

22/11 – 16h00 – França x Austrália – Estádio Al Janoub
26/11 – 07h00 – Tunísia x Austrália – Estádio Al Janoub
30/11 – 12h00 – Austrália x Dinamarca – Estádio Al Janoub

Todos os convocados

NúmeroPosiçãoJogadorData de nascimentoClubeJogosGolsLocal de Nascimento
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo