Copa do Mundo

Gol da Arábia Saudita no fim apenas aprofundou a decepcionante Copa do Mundo do Egito

O Egito retornou à Copa do Mundo após 28 anos, tempo demais para um país apaixonado pelo futebol. Tinha em seu time um dos melhores jogadores da última temporada europeia e outros bons nomes. Vinha de campanha sólida nas Eliminatórias Africanas, deixando Gana para trás. Possuía um técnico experiente e que já foi muito bom. Não pegou um grupo particularmente difícil. Mas, mesmo assim, deixa a Rússia sem nenhuma vitória e nenhum ponto, depois de perder da Arábia Saudita, por 2 a 1, sofrendo um gol no último ato da última partida do Grupo A. 

Alguns problemas fugiram do seu controle, como a lesão de Salah na final da Champions League. Outros foram frutos de decisão do treinador Héctor Cúper: foi mesmo a escolha acertada poupá-lo contra o Uruguai? Agora é fácil dizer que não, mas essa dúvida provavelmente persistirá por um bom tempo na cabeça do treinador. Os africanos seguraram a Celeste até o último minuto, naquele que, agora em perspectiva, talvez tenha sido o melhor jogo da equipe na Copa do Mundo.

Porque em seguida vieram duas decepções. Esperava-se que o Egito seria capaz de enfrentar a Rússia pelo menos de igual para igual e derrotar a Arábia Saudita. Fez muito pouco contra os donos da casa. Deu azar, também, no primeiro gol, de Ahmed Fathi, contra, mas mostrou muita fragilidade na sequência, levando outros dois em questão de três minutos. Contra a Arábia Saudita, nesta segunda-feira, foi ainda pior. Mesmo com mais qualidade técnica na equipe, foi envolvido pelo toque de bola adversário e o ataque limitou-se a Salah, que criou uma trinca de boas situações no primeiro tempo. Quando a bola chegava a Trezeguet, pela esquerda, a finalização foi sempre muito torta. O time errou passes no ataque, tomou decisões erradas, cometeu dois pênaltis e Essam El-Hadary teve que trabalhar bastante para evitar que a derrota viesse antes do minuto final. 

Enfim, Salem Al-Dawsari foi responsável pelo castigo, um gol que deixa o Egito sem nenhum ponto na Copa do Mundo da Rússia, em uma campanha na qual havia boas possibilidades de sair a primeira vitória do país em Mundiais – e talvez até uma vaga nas oitavas.

Mo Salah estreia na Copa

Salah não enfrentou o Uruguai e teve muitas dificuldades para apresentar o seu melhor futebol contra a Rússia, ainda sem ritmo, sempre muito bem marcado. Mas, contra a Arábia Saudita, o atacante do Liverpool teve os espaços para mostrar sua qualidade. E como mostrou. Primeiro, fez um golaço, ao dominar o lançamento de Abdalla El Said e mandar por cima do goleiro Al Mosailem. Ele vacilou na chance que teve de matar a partida. Ficou cara a cara com o goleiro, arrancando do meio-campo como é sua característica, mas, na hora de finalizar, tentou uma cavadinha e mandou para fora. No entanto, se redimiu com um belo passe para Trezeguet. Dominou, tirou o zagueiro com uma embaixadinha e tocou. Trezeguet, porém, bateu para fora. Em outra chance que teve, novamente pela esquerda, também finalizou muito mal. 

O jogador mais velho da história das Copas 

O Egito foi muito perigoso nos contra-ataques, mas a bola ficou com a Arábia Saudita durante 62% do primeiro tempo. Mas a falta de qualidade é visível. Teve uma grande oportunidade com Salman Al-Faraj, mas Hegazy cortou quase em cima da linha. Aos 39 minutos, Ahmed Fathi usou o braço direito para bloquear um cruzamento. O árbitro Wilmar Roldán assinalou pênalti. No gol, estava El-Hadary, goleiro de 45 anos que defende a seleção egípcia desde o século passado e entrou em campo na última partida para se tornar o jogador mais velho da história da Copa do Mundo. Fahad Al-Muwallad cobrou e…. El-Hadary defendeu!

Mas defender dois pênaltis é pedir demais

A defesa do Egito vacilou de novo, no último ato do primeiro tempo. Desta vez, foi Ali Gabr, que puxou o braço de Fahad Al-Muwallad. No entanto, o atacante saudita também puxou a camisa do defensor egípcio e, apesar de Roldán ter assinalado outro pênalti, buscou o assistente de vídeo para confirmar a decisão. A revisão demorou muito mais do que o normal nesta Copa do Mundo, aproximadamente uns quatro minutos. A penalidade foi ratificada. Desta vez, quem cobrou foi Salman Al-Faraj. Não deu para El-Hadary defender dois pênaltis. 

A decepção

O Egito conseguiu algumas escapadas perigosas no segundo tempo, geralmente em velocidade. Mas foi incrível a maneira como sofreu para criar as jogadas. Passes errados, decisões ruins, cruzamentos longos demais. Enquanto isso, a Arábia Saudita criava chances melhores. El-Hadary precisou fazer uma grande intervenção em uma cabeçada potente de Hussain al Mogahwi, e ainda defendeu outra de Mohanad Asiri, na cobrança de escanteio. No último minuto da partida, a Arábia Saudita tocava a bola sem muita pressa. O Egito corria atrás da bola também sem muita pressa. Pareciam satisfeitos com o empate. Mas os sauditas entraram na área, tabelaram e Salem Al-Dawsari pegou de primeira para fazer o gol da vitória da Arábia Saudita.

Ficha técnica

Arábia Saudita 2 x 1 Egito

Local: Arena Volgogrado, em Volgogrado
Árbitro: Wilmar Roldán
Gols: Mohamed Salah (EGI); Salman Al-Faraj e Salem Al-Dawsari (SAU)
Cartões amarelos: Ali Gabr e Ahmed Fathi (EGI)

Arábia Saudita: Yasser Al Mosailem; Mohammed Al Burayk, Osama Hawsawi, Motaz Hawsawi e Yasir Al Shahrani; Abdullah Otayf, Salman Al-Faraj, Hussain Al Mogahwi, Hatan Sultan Babhir (Mohanad Asiri) e Salem Al-Dawsari; Fahad Al-Muwallad (Yahya Al Shehri). Técnico: Juan Antonio Pizzo. 

Egito: El-Hadary; Ahmed Fathi, Ali Gabr, Ahmed Hegazy e Mohamed Abdel-Shafy; Mohamed Elneny, Tarek Hamed, Mohamed Salah, Abdalla El Said (Amr Warda) e Trezeguet (Mahmoud Kahraba); Marwan Mohsen (Ramadan Sobhi). Técnico: Héctor Cúper

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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